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    <title>contextos</title>
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    <pubDate>Sun, 01 Jun 2025 20:30:47 +0000</pubDate>
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      <category>Fiction</category>
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  <title>Sensualizando e Monetizando</title>
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  <pubDate>Sun, 01 Jun 2025 20:30:47 +0000</pubDate>
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    <dc:creator>Mar Gonçalves</dc:creator>
    <category><![CDATA[Trabalho Sexual]]></category>
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</style><div class='beehiiv__body'><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/69eb9415-b06c-4b6b-a54e-b4434cf7d880/image.png?t=1729527291"/><div class="image__source"><span class="image__source_text"><p>Acho que a imagem representa bem o título do texto</p></span></div></div><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>(N.A.: Esse texto é uma sequência </i><a class="link" href="https://contextos.beehiiv.com/p/2017?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=sensualizando-e-monetizando" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: var(--color)"><i>desse</i></a><i> que é uma sequência </i><a class="link" href="https://contextos.beehiiv.com/p/2003?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=sensualizando-e-monetizando" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: var(--color)"><i>desse outro</i></a><i>, publicado em 2022. É o terceiro de uma série, sendo desejável ler aqueles primeiro, para ter todo o contexto.)</i></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O post anterior nesta série, foi originalmente escrito e publicado em <b>Abril de 2022</b> (revisado em <b>Outubro de 2023</b>), e talvez até devido a minha condição de autista, então não diagnosticada, disparou em seguida, um interesse em outra vertente do trabalho sexual, a produção de <i>conteúdo adulto digital</i> (que com a <i>Pandemia de COVID-19</i>, estava em alta desde <b>2020</b>).</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Em <b>Maio de 2022</b>, eu já tinha aberto perfil em duas plataformas brasileiras que hospedam este tipo (mas não só) de conteúdo: uma que se posiciona como concorrente do famoso <i>Onlyfans</i> (que também não é <i>exclusiva</i> de conteúdo adulto) e outra voltada à venda de pacotes (&quot;<i>packs</i>&quot;) de imagens e vídeos de teor sensual.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O motivo nem era propriamente financeiro - embora não estivesse, como não estou, dispensando dinheiro extra - mas, mais propriamente curiosidade e algo mais ligado a ser <i>pessoa transfeminina:</i> nunca fui &quot;<i>mulher adolescente/jovem</i>&quot;, nunca vivi as experiências dessa faixa etária e gênero percebido. As questões de seduzir, ou simplesmente despertar desejo (que são sim, por demais enfatizadas e exploradas em nossa sociedade, mas que existem, enfim), jamais vivenciei. Digamos que era um impulso mais de massagem de Ego, que de aumento da conta bancária (algo que seria bem vindo, mas não esperado).</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">No meio do caminho, troquei de cidade, o que deixou as coisas confusas, e a minha pesquisa, entrou em modo lento. Decidi, entretanto, em qual plataforma teria meu conteúdo (se viesse a ter) e até coloquei uma primeira mídia por lá, no final de <b>2022</b>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O ano seguinte, <b>2023</b>, teve seu início marcado por minha exploração e eventual diagnóstico de autismo, além de algumas mudanças no trabalho (que permanecia remoto, mas com mudanças com as quais tive que lidar). Passei o ano considerando, mas sem avançar no (a essa altura) projeto de uma segunda carreira, produzindo conteúdo digital (não só sensual). Com ajuda de minha rede de afetos, produzi algum conteúdo sensual e rascunhei alguns outros.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Tudo ficou arquivado, até...<br>...<b>2024</b>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Não costumo fazer metas para o próximo ano. O capitalismo já me obriga a atingir mais metas que gostaria e que consigo lidar com tranquilidade. Mas, mesmo sem traçar nada, comecei o ano voltando a caminhar (meu principal exercício físico por muitos anos), produzindo mais conteúdo sensual, alimentando com o conteúdo arquivado e o recém produzido a plataforma escolhida, e começando a espalhar ativamente o link em redes sociais de bilionário (e tentando aprender a arte de fazer marketing de um tipo de conteúdo que essas redes não aprovam)...</p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Atualização (01/JUN/2025):</b></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Após um ano, resolvi encerrar o experimento. Mantenho ainda, em minhas <i>bios </i>em redes sociais, a qualificação de Ex-Acompanhante (não vou renegar minha história, e mantenho meu apoio às pessoas trabalhadoras sexuais) e Modelo Alternativa.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Fim da história? <span style="color:#000000;font-family:sans-serif;"><b>¯\_(ツ)_/¯</b></span></p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=3dda03dd-9bd2-4ac7-a87e-bc0251197845&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>contextos da semana #003</title>
  <description>22/05 A 28/05/2022</description>
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  <pubDate>Sat, 28 May 2022 19:00:44 +0000</pubDate>
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</style><div class='beehiiv__body'><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/71aa1bf7-2e3a-45c1-9b15-deb6dd469131/89eaa5aa-6913-4419-b99a-432dbbc260fe_2300x1080.jpg"/></div><h2 class="heading" style="text-align:left;">meus contextos</h2><p class="paragraph" style="text-align:left;">Nessa semana, se comemorou o <b>Dia do Orgulho Nerd</b> (25/05).</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Neste dia, em <b>1977</b>, chegava aos cinemas “<i>Star Wars - Episódio 4 - A New Hope</i>” (Embora, na época, fosse apenas “<i><a class="link" href="https://amzn.to/3GtqGTI?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=contextos-da-semana-003" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Star Wars</a></i>” - e no Brasil, “<i>Guerra nas Estrelas</i>”). Além disso é chamado de <b>Dia da Toalha</b>, em homenagem a obra do escritor <b>Douglas Adams</b>, a série literária “<i><a class="link" href="https://amzn.to/3t2HICN?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=contextos-da-semana-003" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">O Guia dos Mochileiros das Galáxias</a></i>”.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Por ser o fenômeno de cultura pop - e <i>Nerd/Geek</i> - acabou por ser a data referencial para estes grupos de pessoas, aos quais tenho sim, orgulho de pertencer.</p><h2 class="heading" style="text-align:left;">contextos outros</h2><ul><li><p class="paragraph" style="text-align:left;">Essa semana, foi noticiada a <a class="link" href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2022/05/26/ray-liotta-astro-de-os-bons-companheiros-morre-aos-67-anos.ghtml?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=contextos-da-semana-003" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">morte do ator Ray Liotta</a>, conhecido por seus papéis principalmente em filmes de gangsters e, lembrado pelos <i>gamers </i>como a voz de <i>Tommy Vercetti</i>, protagonista do jogo “<b>GTA: Vice City</b>”.Os assinantes da <b>Apple TV+</b> poderão assistir em julho seu seu último trabalho em séries, “<i>Black Bird</i>”.</p></li><li><p class="paragraph" style="text-align:left;">Como foi semana do Orgulho Nerd, a <b>Disney </b>não poderia escolher outro momento para lançar a série <b>Obi-Wan Kenobi</b>, que figurou nos <i><a class="link" href="https://twitter.com/search?q=%22Obi-Wan+Kenobi%22&src=trend_click&vertical=trends&utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=contextos-da-semana-003" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">trending topics</a></i> do <b>Twitter</b>.</p></li><li><p class="paragraph" style="text-align:left;">O querido <b>Alessandro Garcia</b>, do canal de <i>YouTube </i>“<b><a class="link" href="https://www.youtube.com/channel/UCYrJqoornTTrASEozLK7SBQ?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=contextos-da-semana-003" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Ministério dos Quadrinhos</a></b>”, que foi uma das vítimas das chuvas em Petrópolis lança projeto:</p></li></ul><h2 class="heading" style="text-align:left;">contextos d’antanho</h2><p class="paragraph" style="text-align:left;">Em uma publicação, originalmente em outra plataforma, em <b>2017</b>, falei sobre transfobia no trabalho:</p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Há no texto acima, alguns links de associado da <b>Amazon</b>. Em caso de compra, recebo uma pequena comissão.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E se você faz compras (de qualquer coisa) na <b>Amazon</b>, considere usar meu link geral abaixo, que você me ajuda sem gastar mais nada por isso. Basta colar o link no navegador:<a class="link" href="https://amzn.to/3yzpXyv?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=contextos-da-semana-003" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">https://amzn.to/3yzpXyv</a></p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=30576040-817d-4b87-96b0-f0e00a7952a3&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>contextos da semana #002</title>
  <description>giro nas interwebs</description>
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  <pubDate>Sat, 21 May 2022 18:18:40 +0000</pubDate>
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  <title>Batman é apenas um homem cis branco rico que bate em pobres?</title>
  <description>E seria melhor usar seu dinheiro para &quot;resolver&quot; Gotham?</description>
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  <pubDate>Thu, 19 May 2022 13:00:44 +0000</pubDate>
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Ou seja, a análise a seguir não passa panos.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Segundo e talvez mais importante: <b>Batman</b>/<i>Bruce Wayne</i> não é uma pessoa, e sim um personagem ficcional que deve ser analisado como tal. Ele não pode ser “<i>encaixado</i>” neste ou naquele transtorno emocional ou psiquiátrico, por não ser uma pessoa. Da mesma forma que seu <i>nêmesis</i>, o <b>Coringa </b>também não. O mundo em que eles vivem, não é o nosso, embora <i>Gotham </i>possa ser considerada como tendo uma versão piorada dos problemas sociais e políticos das nossas metrópoles (em alguns casos, como quanto à <b>corrupção</b>, a representação é bem realista).</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E como personagens de ficção em um mundo de ficção, temos que ter um mínimo de <i>suspensão de descrença</i>, não é mesmo?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Qual seria, me pergunto, o valor de entretenimento de <i>Bruce Wayne</i>, o ex-bilionário que doou toda a sua fortuna e foi trabalhar em um escritório com um salário que mal paga suas contas e que dirá, terapia (o que aliás, <i>Bruce </i>faz, nas HQs)?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Voltando ao realismo da <b>corrupção </b>em <i>Gotham</i>, aproveito para tocar na segunda questão: <i>“Bruce Wayne não faria melhor, doando sua fortuna para o bem estar de Gotham em vez de usá-la para os equipamentos de suas atividades como </i><i><b>Batman</b></i><i>?”</i></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Em vários momentos, nas publicações de <b>Batman </b>em quadrinhos, de forma orgânica (mas destaco a série de HQs <b>Batman: Cavaleiro Branco - Editora Panini</b>), já trataram deste tema, assim como no terceiro filme da trilogia de <i>Christopher Nolan</i>, <b>O Cavaleiro das Trevas Ressurge</b>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Em resumo, desde o fim dos anos <b>1960</b>, existe a <i>Fundação Wayne</i> através da qual, <i>Bruce </i>atua para o bem estar das classes menos favorecidas em sua cidade. E inúmeras vezes, foi retratado como a corrupção endêmica de <i>Gotham</i>, inclusive envolvendo a classe mais alta e dominante, impedem que esses recursos efetivamente contribuam para a resolução dos problemas sociais de <i>Gotham</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ou seja, em minha opinião, o personagem <i>Bruce Wayne</i>, faz bem em não doar toda a sua fortuna, em seu mundo fictício.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">“<i>Ah, mas </i><i><b>Batman </b></i><i>é sim, um homem branco rico que bate em pobre!</i>”</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Será?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Você tem certeza de que pode denominar pobres - no sentido de pessoa sem emprego (ou apenas com oportunidade de empregos de baixa renda), sem oportunidades, em situação de vulnerabilidade - os vilões de <i>Gotham</i>?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">A maioria deles tem formação superior - não faltam médicos, psiquiatras, professores e doutores - e acesso a recursos que os desqualificam completamente como “<i>pobres</i>”. Os momentos ocasionais em que vemos o homem morcego em embate físico com pessoas que assim poderiam ser qualificadas (os membros das gangues dos grandes vilões, principalmente), ao <b>contrário </b>de inúmeros policiais do mundo real, ele <b>efetivamente </b>utiliza apenas a “<i>força necessária</i>”. As exceções usualmente ocorrem em momentos específicos em que a narrativa deve mostrar um momento de descontrole - seja porque a história se passa em início de sua carreira ou por estar fora de si, por algum motivo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Então, ainda na minha opinião - e à luz das narrativas das últimas oito décadas, não, o personagem Batman não é só um homem branco rico que bate em pobre.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ele, assim como a <i>bat-família</i> (sendo minhas preferidas: <i>Batwoman</i>, as <i>Batgirls</i>, <i>Mulher-Gato</i> e <i>Arlequina - </i>estas últimas da família estendida) são o que são: personagens, com muitas complexidades, que podem ser usados para ilustrar necessidades e comportamentos humanos - no âmbito da ficção, com a suspensão de descrença necessária - mas que não podem ser confundidos com pessoas, cujas complexidades e responsabilidades sociais são incomparáveis as aventuras de personagens da indústria de entretenimento.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas cá entre nós: se houvesse um bilionário com recursos e treinamento comparáveis aos do personagem <b>Batman</b>, ele provavelmente seria um vilão e não alguém como o <i>Bruce Wayne</i> da ficção.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É mais fácil nosso Mundo Real™ produzir <b>The Boys</b> do que a <b>Liga da Justiça</b>… </p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=6def2bd2-0877-417d-95bf-5adc3268186c&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>contextos da semana #001</title>
  <description>O que aconteceu nos últimos dias</description>
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  <pubDate>Sat, 14 May 2022 20:43:32 +0000</pubDate>
  <atom:published>2022-05-14T20:43:32Z</atom:published>
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</style><div class='beehiiv__body'><h2 class="heading" style="text-align:left;">meus contextos</h2><p class="paragraph" style="text-align:left;">Nas duas primeiras semanas no <b>Substack</b>, publiquei dois textos.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Este, originalmente publicado no Medium:</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E este, o primeiro inédito aqui:</p><hr class="content_break"><h2 class="heading" style="text-align:left;">contextos outros</h2><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>A Loucura do Multiverso</b></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Com a estreia nos cinemas de <i><b>Doutor Estranho no Multiverso da Loucura</b></i> - e mesmo antes - muito se tem falado sobre, e se criado memes, sobre esse conceito, oriundo da Física, já em <b>1957</b>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Sobre Multiverso, com ênfase na ficção, indico este vídeo, do canal de Youtube “<b>Explorando Segredos & Mistérios</b>”:</p><iframe allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen="true" class="youtube_embed" frameborder="0" height="100%" src="https://youtube.com/embed/wbV7OQqpaTE" width="100%"></iframe><p class="paragraph" style="text-align:left;">E este, do canal “<b>Tecmundo</b>”, focado na Física:</p><iframe allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen="true" class="youtube_embed" frameborder="0" height="100%" src="https://youtube.com/embed/r6jYg7B8rrc" width="100%"></iframe><p class="paragraph" style="text-align:left;">Outro assunto da semana foi a revelação das imagens do buraco negro no centro da nossa galáxia. Sobre isso, destaco as seguintes matérias, por <b><a class="link" href="https://canaltech.com.br/equipe/daniele-cavalcante/?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=contextos-da-semana-001" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Daniele Cavalcante</a></b> no <b>Canaltech </b>(links nas imagens):</p><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/efff3b36-6638-42af-b724-5738bf0ace11/533b0221-0f40-4566-b496-2eb81eff9031_1200x630.jpg"/></div><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/1a62e673-96e5-4c9d-a190-0537441e0914/5f61b1f7-289b-4272-8b52-2e00829d94b9_1200x630.jpg"/></div><hr class="content_break"><h2 class="heading" style="text-align:left;">contextos d’antanho</h2><p class="paragraph" style="text-align:left;">Relembrando textos antigos, que trouxe para o <b>Substack</b>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Como publiquei a terceira parte de uma série, “<i><b>(Des)Complicando a Tia</b></i>”, fica o destaque para:</p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Se você comprar (qualquer coisa) na <b>Amazon</b>, considere usar meu link, que você me ajuda sem gastar mais nada por isso. Basta colar o link abaixo no navegador:<a class="link" href="https://amzn.to/3yzpXyv?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=contextos-da-semana-001" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">https://amzn.to/3yzpXyv</a> </p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=fd8ac03c-d79b-4115-a261-ea0fe68f79d5&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>My Broken Mariko (Review de Mangá)</title>
  <description>Leia com lenços de papel à mão </description>
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  <pubDate>Thu, 12 May 2022 13:00:43 +0000</pubDate>
  <atom:published>2022-05-12T13:00:43Z</atom:published>
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</style><div class='beehiiv__body'><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/11ff1b9d-906b-4823-9561-0b0cb569243c/8e96bddd-4ba1-4ceb-baaa-52dd09fc6399_770x433.jpg"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Título original</b>: マイ ブロークン マリコ<b>Título nacional</b>: My Broken Mariko<b>Autora (Mangaká)</b>: Waka Hirako<b>Editora Japonesa</b>: Kadokawa Shoten<b>Editora Brasileira</b>: JBC</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Sinopse oficial (JBC):</b><i>Shiino sempre esteve ao lado de sua amiga Mariko, que tentava conviver com um passado obscuro de abandono, abuso e depressão. Quando ela descobre, pelo noticiário, que sua melhor amiga havia cometido o suicídio, Shiino se sente sem chão e impotente por não ter conseguido ajudá-la em vida. Em busca de respostas, a jovem decide encarar o luto de uma forma diferente, levando as cinzas da amiga para uma última jornada juntas.</i></p><hr class="content_break"><h3 class="heading" style="text-align:left;">Um aviso Importante</h3><p class="paragraph" style="text-align:left;">Não se enganem, esta não é uma história de redenção. É sobre dor, luto, ressentimento, tanto de quem se foi, como de quem ficou…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É uma história que aborda suicídio e deve ser tratada com cuidado. Há inúmeros gatilhos emocionais.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Considere bem tudo isso antes de ler esse mangá.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O review, entretanto, não expõe detalhes da história.</p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">A edição traz a história de Tomoyo no presente, e flashbacks de sua relação com Mariko, dividida em 4 partes e mais um pequeno extra.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Logo na primeira página, somos apresentados a história através da expressão atônita de Tomoyo ao saber do suicídio de Mariko. A mangaká Waka Hirako só precisa de três quadros (ou quatro, contando a <i>splash page</i><i><a class="link" href="#footnote-1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">1</a></i> na sequencia) para nos trazer para dentro das emoções da protagonista.</p><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/fe05c5b6-e4fd-4716-8303-e7f1013a29ba/e3e22faa-761d-49bd-8b71-18251ea98494_2526x1304.jpg"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ao longo da narrativa, nos flashbacks, vivenciamos a construção da relação entre as duas mulheres, que se conhecem desde os tempos de colégio e os motivos de Mariko ser chamada de “<i>broken</i>”, ou “<i>quebrada</i>” no sentido emocional. É uma jornada muito intensa (e pesada). Eu, que não sou de ter reflexos físicos de minhas emoções, já estava com os olhos marejados no final da primeira parte.</p><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/e3344b05-0c25-4571-8366-796222147062/d9e1c167-8923-4c34-9fbf-3eccb352f752_1572x1098.jpg"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">A autora nos conduz em sua narrativa, alternando flashbacks e narrativa atual, sem nos segurar a mão. As falas de Mariko carregam seu afeto por Tomoyo, tanto quanto revelam a origem de seu sofrimento e comportamento autodestrutivo.</p><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/60caeac9-2560-45c1-8a1b-0e4d6d02bf22/590aa5c4-91de-48f3-b779-b9846a2a3542_2700x1622.jpg"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Nada nas experiências da vida de Mariko é novo ou desconhecido. São abusos que inúmeras pessoas, especialmente mulheres, sofreram <b>e sofrem</b>. E é justamente por isso que texto e narrativa da autora são tão impactantes.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O final da última parte, associado ao pequeno extra - que vem depois de outra história, também muito intensa, mas sem relação à história principal - é aquele golpe final, que nos deixa imaginando: “<i>e, se…</i>”</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Veredito:</b>Se você gosta de quadrinhos/mangás com tons realistas, vale muito a leitura, com as ressalvas feitas no início do texto.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Se tiver interesse em comprar, use meu link. Você me ajuda, sem gastar mais nada por isso:<b><a class="link" href="https://amzn.to/3kuSkWf?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=my-broken-mariko-review-de-manga" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">My Broken Mariko, JBC (Amazon)</a></b></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://amzn.to/39lBJSw?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=my-broken-mariko-review-de-manga" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Ou, usando este link, pode me ajudar comprando qualquer coisa na Amazon.</a></p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=b9432376-2ca6-4b6e-9977-4604cfa7ee6e&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>(Des)Complicando a Tia #3</title>
  <description>Me TRANSformando: Brincadeiras Quando Criança</description>
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  <pubDate>Thu, 05 May 2022 13:00:38 +0000</pubDate>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;">Em criança, nos anos 1970 e início dos 1980, era filha única, de pais separados e mão que trabalhava em mais de um emprego. Era um tanto introvertida.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Poderia ser dito que eu fui uma criança <i>nerd</i>, devorando quadrinhos, e com o tempo, livros e mesmo enciclopédias. Tinha colegas? Sim, parecidos comigo em personalidade…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Naquela época, tinha minhas heroínas e heróis (e <i>vilãs</i> e <i>vilões</i>) de predileção, de quadrinhos, filmes e desenhos. Como é de se esperar, pela minha disposição - e necessidade - de ficar bastante tempo só, brincava muitas vezes solitariamente (e algumas vezes com os “coleguinhas” que visitavam ou eu visitava) de ser essas personagens.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Eu gostava de <b>Capitão Marvel</b> (da <i>DC</i>, atual <b>Shazam</b>), <b>Batman, Superman </b>e <b>Mulher Maravilha</b>, por exemplo…</p><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/680f41c7-fc5d-4088-9be9-b625b97f2540/4c963f0a-a47a-4b1f-8228-436a350c5861_800x600.jpg"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas, na hora de brincar, preferia fazer o papel delas:</p><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/dfc5b9b9-157d-4c96-b1f9-457aee3ed1e3/1298df43-2420-44bb-8470-44dd0e0db102_737x687.png"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Essas personagens, nos quadrinhos DC daquela época (publicados no Brasil pela saudosa <b>EBAL</b>), começavam a serem mais que simples versões femininas dos personagens principais - embora a <b>Mulher Maravilha</b> sempre tenha sido singular, por não o ser - e se tornarem indivíduos com suas próprias histórias e narrativas, desacopladas daquelas dos personagens (homens) originais.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O que acontecia era eu que <b>eu me identificava com elas</b>, não com eles (Superman, Batman e tal).</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Outra coisa que a pequena autora em formação fazia, era criar heroínas, nas quais o protagonista se <b>trans</b>formava.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Essa temática, do “<i>homem comum</i>” que se transforma numa heroína (“<i>mulher poderosa</i>“), me acompanhou em rascunhos (hoje perdidos) por muitos anos, adolescência adentro, e foi uma das coisas sobre as quais refleti até me perceber pessoa trans e depois, não binária transfeminina.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Aqui cabe um parênteses: tendo crescido nos anos <b>1970 </b>e <b>1980</b>, as concepções de “<i>não binaridade</i>” não existiam. Se eu não me sentia pertencendo ao gênero “<i>Homem</i>”, só podia pertencer ao gênero “<i>Mulher</i>” e ser, portanto, <i>transexual, </i>termo então vigente e de origem médica. Aliás, na época se usava “<i>homem transexual</i>” para indicar a identidade atual “<i>mulher trans</i>”, deixando evidente a normalização do <i>genitalismo </i>binarista, e a natureza clínica do termo <i>transexualismo</i>, que era considerado uma doença mental.</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">De toda forma, essas brincadeiras, foram importantes para, mesmo quando sozinha, expressar em ambiente seguro, a forma como eu me reconhecia, que nunca foi de “<i>menino</i>”…</p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Uma versão rudimentar deste texto foi postada, originalmente, em um blog meu em Junho de 2014.</i></p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=e0761d69-11df-489c-afec-566652d8487a&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>2017</title>
  <description>Três meses como Garota de Programas</description>
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  <pubDate>Sat, 23 Apr 2022 19:58:58 +0000</pubDate>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;"></p><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/2092275d-7e49-4df9-bcea-1e2eca9cc319/ddcd3cdd-389e-4a70-a26c-747932564005_800x532.jpg"/></div><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Esse texto é uma sequência deste outro, publicado em 2016:</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Naquela ocasião, em 2003, fui abordada por um homem que oferecia bancar partes da minha vida (aluguel, estética, academia, silicone, vestuário), em troca de sexo, possivelmente não apenas com ele — sempre tem os amigos…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Acreditava então, e ainda creio, que atividade indigna é aquela a qual você se sujeita por falta de opção. Ou melhor, indigno é colocar seres humanos em posição de <b>ter que</b> seguir em nichos de atividades com poucas possibilidades de sair daquele nicho.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Algo que a sociedade faz com mulheres trans e travestis, incidentalmente, impelindo-as para a prostituição…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O texto anterior termina com vários questionamentos, que permanecem sem resposta, pois não vivi aquela experiência, na época.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas há alguns anos, me encontrei em uma situação (a proverbial guinada na vida) onde mesmo mantendo o mesmo emprego formal, fiquei em situação financeira bastante delicada…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Fiz uma campanha (“<i>vaquinha</i>”) online, e a rede de apoio se fez presente nela, mas mesmo assim, a necessidade de complemento do orçamento era urgente.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Entrei aqui no Medium para rascunhar meus pensamentos — mesmo que não fosse publicar, e esbarrei no texto de 2016, então um dos mais recentes, e comecei a pensar…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>“Será uma opção, trabalhar um tempo como GP — garota de programa? Ou estou sendo impelida a isso, por falta de opções? Como vou me sentir?”</i></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Cheguei rápido à conclusão que eu tinha outras opções, mas que se funcionasse, seria um complemento rápido e limpo, sem taxas e juros. A única taxa seria a emocional, se houvesse, ou seja como eu iria me sentir… Entendi que só ia saber encarando o primeiro programa e partindo daí.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Parti para pesquisar o mercado no nicho que eu queria entrar. Não iria para as ruas, por conta de minha ansiedade social, portanto fui atrás dos sites de acompanhantes “<i>transex</i>” (não curto o termo, mas era, não sei se ainda é, termo corrente para <i>mulheres trans/travestis</i> nesta atividade).</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Não demorei mais do que uma semana para ter alguns anúncios, sendo que não tinha muito dinheiro para investir, logo foram anúncios e postagens em fóruns especializados e gratuitos e de pouco custo. Talvez o maior custo tenha sido a segunda linha de celular para ter um perfil de mensagens exclusivo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Nasceu aí, L. S., GP <i>transex</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E veio o primeiro contato, que se tornou o primeiro cliente. Fui ao encontro dele (atendimento em motel) com a ansiedade em alta, mas na hora tudo transcorreu… tranquilamente.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Não sou muito boa sob pressão mas, do contato e negociação virtual, passando pelo encontro presencial, a prestação do serviço combinado e o encerramento (inclusive contato pós serviço — recebi elogio, cliente por indicação e novo programa de cliente “<i>satisfeito</i>”), tudo ocorreu sem traumas ou violências…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Respondida a pergunta sobre como me sentiria (sem ressacas morais, o que seria estranho para mim), coloquei mais anúncios, investi no material de trabalho, no caso, na aparência, e segui na atividade.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Não é a proposta deste texto contar detalhes dos atendimentos, então basta dizer que minha experiência como garota de programa, durante três meses, foi um sucesso, no sentido de complementar o orçamento naquele momento (pagou boletos e contas essenciais nos dois primeiros meses) e no último mês pagou pelo menos uma coisa não essencial.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O trabalho como GP também foi um sucesso no sentido de que nenhum de meus clientes foi problemático (embora alguns contatos, devidamente cortados e bloqueados, foram).</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Na época, eu tinha 48 anos (mas como L.S. tinha 38. Tudo em nome da competitividade) e um dos motivos para parar era puro e simples, preparo físico. Teria no mínimo que fazer academia, ambiente que não era muito acolhedor de pessoas trans — para não dizer ambiente hostil, tanto para condicionamento físico, como para manter o corpão “<i>competitivo</i>”. Imagino que nada tenha mudado.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Uma pessoa da minha rede de afetos, que acompanhou o período e o processo, já me perguntou se eu voltaria a fazer programas. Minha resposta foi e ainda é a mesma:</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Em teoria, <b>sim</b>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Se eu decidisse, novamente, que seria a melhor atividade para complementar o orçamento, como foi naquela época, consideraria tirar L.S. da aposentadoria.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Na prática, hoje, cinco anos depois, a questão do corpo “<i>competitivo</i>” e condicionamento físico para aguentar o tranco (ou trancos?) é ainda mais importante…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ou seja, nada contra, mas é <b>improvável</b>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">L.S. poderia ouvir o chamado e estar pronta a agir, mas o corpo da <i>Tia</i>, não estaria à altura, considerando a resistência física.</p><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/79eb4c5c-4100-4cb4-912d-fbcac5014061/565e9fe0-10b2-4722-9f2d-cb01d4775a0d_800x378.jpg"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>“Mas, Tia, você se identifica como lésbica/sáfica. Mas pelo que entendi, você atendia homens cis? Como foi isso?”</i></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Então… Não é algo inédito, mulheres cis/trans/travestis que trabalhem como profissionais do sexo atendendo homens cis, terem orientação sexual direcionada à mulheres e pessoas transfemininas.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">A primeira coisa a ser entendida é que fazer programas é <b>trabalho</b>, não prazer (embora existam relatos de trabalhadoras sexuais que encontram prazer em certos atendimentos e com certos clientes, nunca foi minha experiência). E creio que é a experiência de grande parte da população, trabalhar em algo que não se gosta e aprender a apreciar alguns aspectos para suportar, mesmo que seja apenas o dia do pagamento.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ou no meu caso, o <b>momento </b>em que o cliente pagava. Se tinha algum prazer/satisfação, era nessa hora.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">De resto, praticava a mesma abstração e distanciamento que usei em algumas outras atividades profissionais em minha vida, bem executadas, mas sem gosto (ou gozo).</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E essas são as lembranças e considerações acerca da minha <b>breve </b>experiência, <i>personalíssima</i>, atuando como GP.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Desnecessários maiores detalhes, incluindo o <i>nome de guerra</i> que usei na época, bastam as suas iniciais (que podem nem ser as corretas, só pra constar), pois prefiro manter algumas informações privadas.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Também desnecessários, como disse acima, relatar os atendimentos em si, pois nada acrescentaria ao objetivo do texto, tão somente de apresentar um relato pessoal de alguém que escolheu ser GP por algum tempo, em certo momento da vida.</p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=0c7ea650-8bc9-40b5-9a77-ce8744779447&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>(Des)Complicando a Tia #2</title>
  <description>Pessoa não binária transfeminina X Mulher não binária</description>
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  <pubDate>Sat, 06 Apr 2019 22:25:07 +0000</pubDate>
  <atom:published>2019-04-06T22:25:07Z</atom:published>
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</style><div class='beehiiv__body'><h4 class="heading" style="text-align:left;"></h4><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/9df69b1d-bc52-4aa4-99d3-e16ac85bc24e/f84ba279-6d4c-4cd7-8369-67cd6b468135_715x429.png"/></div><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Mar, dia desses vi um <a class="link" href="https://youtu.be/i5oKbtWtVaI?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=des-complicando-a-tia-2" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">vídeo de Bryanna Nasck</a>, onde ela se definiu como mulher não binária… Qual a diferença disso pra pessoa não binária transfeminina?”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Sua pergunta é ótima, como sempre, <i>padawan</i>… Mas não é de simples resposta. Eu e <i>Bryanna </i>conversamos sobre isso, há pouco tempo, aliás. Enfim, tenha um pouco de paciência, que <b>a Tia explica</b>…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">As identidades não binárias formam não apenas um, mas vários espectros. Uma pessoa não binária pode existir entre os dois gêneros normatizados, em uma interseção entre eles, entre um deles e algum gênero não padrão, ou até completamente fora.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E mesmo assim, como não vivemos em um vácuo cultural, social, conceitual e linguístico, sempre teremos traços de expressão e comportamento associados a algum dos gêneros que nossa sociedade reconhece “<i>oficialmente</i>”: Masculino ou Feminino.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Nossas identidades, como as de todas as pessoas no mundo são experiências de vivência interior. O que mostramos ao mundo, é tão somente, expressão.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quando pessoas não binárias pensam sobre suas vivências internas de seus gêneros, pensamos em termos do contexto em que nascemos e vivemos, e na forma como nos sentimos. São dois polos distintos: um contexto que pode ser expresso em palavras e outro puramente emocional.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E assim, como as pessoas são diferentes, acabam surgindo várias (auto)descrições para as vivências da não binaridade. Muitas vezes, existirão duas ou mais descrições, que semanticamente serão muito similares — para muitos, equivalentes totais — mas por causa de imponderáveis cargas emocionais, existem de forma separada.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E aqui chegamos à sua pergunta, <i>padawan</i>…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quando eu digo que sou uma pessoa não binária transfeminina e <i>Bry </i>diz que é uma mulher não binária, estamos comunicando que ambas somos pessoas não binárias, e que de algumas formas, ambas nos conectamos e identificamos com o que nossa sociedade chama de <b>mulheridades</b>, de feminino, em nossos íntimos.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ao mesmo tempo, ao usarmos termos diversos, expomos também a importância de certas partes de nossas identidades.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Para mim, “<i>não binária</i>” é emocionalmente mais central em quem eu sou, e “<i>transfeminina</i>” é um adjetivo que qualifica minha não binaridade. Para <i>Bry</i>, é lícito dizer que a “<i>mulheridade</i>” em sua identidade é mais central — mas lógico, ela poderá dizer melhor.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i><b>E isso tudo, nesse sentido, não faz dela menos não binária, ou de mim, menos mulher.</b></i></p><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/e92b8774-309d-4a4a-906f-b57b4897f0b8/aad86760-b7b3-453e-a951-ecc59d8a0777_715x429.png"/></div><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Tia, entendi tudo! Seriam sinônimos, não fosse a carga emocional individual das vivências internas…”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Exatamente, <i>padawan</i>… E aproveitando, compare nossas expressões de gênero, nossos estilos públicos…</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Hummm… Bryanna é bem <i>barbiezinha </i>e você é mais <i>tomboy</i>, bofinha, Mar.”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ou caminhoneira mesmo, algumas vezes, <i>padawan</i>… 😊</p><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/b6136b39-1458-4b6b-a775-07f21dc7fa81/4f064f6b-e9f3-4f5f-aa41-768592509a52_800x450.jpg"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas atente que em algumas situações, eu posso ser mais <i>femme</i>, enquanto <i>Bry </i>— alerta de informações defasadas — por vezes pode ser bem <i>bofinha</i>… E essas expressões nada tem a ver com nossos gêneros autopercebidos e autodeclarados.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Infelizmente, ser <i>bofinha </i>ou <i>caminhoneira</i>, para uma pessoa transfeminina (não binária ou mulher trans) é, por conta dos estereótipos de gênero, prato cheio para quem quer nos deslegitimar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Além de dificultar em outros sentidos, se sua atração principal for por mulheres (como a minha).</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Nossa, é verdade, Mar… Sinto muito.”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Vamos vivendo, sobrevivendo, desconstruindo e reconstruindo esses conceitos, <i>padawan</i>…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Esse texto foi inspirado em minhas próprias vivências e minhas pesquisas na web gringa, desde quando comecei a me entender não binária.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Além disso, o citado vídeo, e a conversa com <b>Bryanna Nasck</b>, que manifestou interesse em ler meus pensamentos sobre nossas autodefinições foram decisivos para a produção destas linhas.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Bryanna</i>, depois de ler o rascunho deste texto, fez alguns comentários, um dos quais cito, para ilustrar também uma questão de comunicação:</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“(Uso) ‘mulher’ como uma forma de identificar diretamente para as massas como, dentro do nosso contexto social, devo ser tratada. E o ‘não binária’ permite discutir mais profundamente sobre gênero e as infinitas formas de ser.”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=27e01701-aa2a-465f-9ec6-b44b4dd64894&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>Visibilidade Trans, 2019</title>
  <description>BRASIL, Pare de nos matar!</description>
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  <pubDate>Tue, 29 Jan 2019 11:35:44 +0000</pubDate>
  <atom:published>2019-01-29T11:35:44Z</atom:published>
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</style><div class='beehiiv__body'><h4 class="heading" style="text-align:left;"></h4><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Atenção, alerta de gatilho.</b></p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Este não é um texto típico meu. Há referências à mortes e suicídio de pessoas trans. Nada gráfico, é uma reflexão necessária, mas prossiga com cuidado.</i></p><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/ce46b3c4-9646-4028-abc6-86bb8f1bd5e6/084b8ff0-50c1-4e06-af16-d344274c5d9d_650x487.jpg"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ano passado, meu texto em atenção ao Dia da Visibilidade Trans celebrou o começo de minhas descobertas acerca de minha identificação como lésbica, sendo pessoa não binária.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ao final, citei o mapa da ANTRA de assassinatos de pessoas trans no Brasil em 2017.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Esse ano, por conta da eleição à presidência de um candidato que inspira violência — daqueles que já tem essa propensão — e cuja gestão política tem a posição de que não é necessário olhar para minorias, “porque a lei é igual para todos”, e pelos crimes bárbaros que já ocorreram contra pessoas trans, em menos de um mês do ano de 2019, não vou falar tanto de mim…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Tenho, mas não sempre, <i>passabilidade </i>cis (do gênero errado, por assim dizer), o que, no sentido de me proteger de violência, é um privilégio. Enorme.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Estou com quase 50 anos, passei bastante da expectativa de vida de pessoas trans no Brasil. Já tive ideações suicidas, tive comportamentos autodestrutivos… <b>Mas sobrevivi.</b></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Muitas pessoas trans não tem e não tiveram essa sorte. São expulsas de casa pelos pais, são rejeitadas pelo sistema educacional que não apenas não as protegem de bullying, como as oprimem ainda mais, desrespeitando suas identidades diversas, não conformantes…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Em 2017, segundo o mapeamento da <i>ANTRA</i>, 179 pessoas trans forma assassinadas em crimes de ódio.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">No ano de 2018, estima a <i>ANTRA</i>, havendo ainda maior subnotificação (ou seja, possivelmente o número é maior), ocorreram 163 Assassinatos de pessoas Trans.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Tiros, facadas e espancamento foram os métodos mais utilizados para cometer esses crimes.</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">E o Estado do Rio de Janeiro, onde vivo, foi quantitativamente a unidade da federação que mais nos matou.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Esses números não levam em conta mortes por suicídio, onde não há um criminoso ou grupo de criminosos culpados. No caso dos suicídios, a sociedade <i>cisnormativa </i>como um todo tem responsabilidade.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mal começamos 2019 e já tivemos vários assassinatos violentos e <b>muito violentos</b> de mulheres trans e travestis, além de suicídios, alguns pensados, planejados e levados a cabo por casais, buscando uma saída para um mundo que decididamente parece cada vez mais que não quer nossas existências. Não fora dos proverbiais armários.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Não vou citar nomes e não interessa se algum desses casos foram de minhas relações.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">O fato é que é muito triste existir uma sociedade que te convence que não viver é o melhor a fazer…</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ainda percebo espaços de luta e articulação, mesmo com a força reacionária. Ainda tenho boas expectativas. A Tia é otimista, com os pés no chão — e se meu eu de uns dez anos atrás me lesse não iria crer que viria a ser eu.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Como disse, esse não é meu típico texto. É mais um desabafo. Mas não é sinal de desistência, é começo de novo estirão. É a pausa antes de subir os Pirineus, no Caminho de Santiago, por assim dizer.</p><h4 class="heading" style="text-align:left;"><b>O Dia Nacional da Visibilidade Trans é comemorado dia 29/01, desde o ano de 2004.</b></h4><p class="paragraph" style="text-align:left;">É um dia de lembrar as pessoas que ficaram pelo caminho, as que lutaram e ainda lutam. Em tempos de redes sociais, é dia de inundá-las com afetos e com nossas histórias. Dia de visibilidade, representatividade e ocupação de espaços.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Dia de resistência da população de Travestis, Mulheres Trans, Homens Trans e demais pessoas Trans.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>(O fecho do texto foi adaptado de post informativo da </i><i><a class="link" href="https://www.facebook.com/antrabrasil/?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=visibilidade-trans-2019" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">ANTRA</a></i><i> sobre o Dossiê sobre Violência contra a população trans em 2018)</i></p><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/01d04dc1-5fce-4422-9086-d660c2b70f79/8fcbfad9-469d-49d5-bcc5-39ad709c538c_720x1018.jpg"/></div></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=ce25b89b-3d23-47f5-8c6e-204d9c90cc4a&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>Saí em uma matéria de revista e agora?</title>
  <description>Como me senti...</description>
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  <pubDate>Tue, 04 Dec 2018 20:01:01 +0000</pubDate>
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</style><div class='beehiiv__body'><h4 class="heading" style="text-align:left;"></h4><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/f28b9435-d2f4-46f3-a511-e995fe319f59/4e733a68-3ea0-4fba-8225-cb8f0513c175_450x389.jpg"/></div><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Tia Mar, você saiu na revista, não é?”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">É, <i>padawan</i>, já tem umas semanas. Eu e duas outras pessoas não binárias fomos personagens de uma matéria sobre <b>Não Binaridade na </b><b><a class="link" href="https://epoca.globo.com/elus-sao-eles-elas-23239067?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=sai-em-uma-materia-de-revista-e-agora" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Revista Época no. 1063</a></b>…</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Tá famosa!”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Todo mundo diz isso. Mas ninguém me reconheceu e me parou na rua. Só tive retorno de quem já me conhece…</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Hummm. Mas você gostou?”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Foi uma das <i>melhores</i> matérias sobre <b>pessoas não binárias</b> que li nos últimos tempos, produzida no Brasil.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É perfeita? Não, mas isso nem existe. Tem diversidade etária e geracional, diversidade de expressão de cada uma das personagens — inclusive uma decisão perfeita das autoras de usar os pronomes preferenciais de cada personagem em sua história — e quase todas as informações dadas são bem corretas.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Em minha própria história, há algumas incorreções com datas, mas a ordem cronológica e minha narrativa em si estão totalmente corretas. Houve cuidado no trabalho jornalístico de <i>Julia Amin</i> e <i>Natália Boere</i>.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“E como você está se sentindo?”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Olha, enquanto esperava que fosse publicada, eu senti uma vez ou outra, certa ansiedade. Todo mundo conhece alguém que teve alguma fala fora de contexto, ou algo assim. Mas, ao ter a revista em mãos, ler a matéria, me reconhecer, relaxei…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">A visibilidade e representatividade da <b>não binaridade de gênero</b> é que são importantes. Por isso aceitei quando um contato comum entre eu e as autoras da matéria pediu para me indicar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Além do mais, era para ser entrevistada para uma publicação escrita. Tremeria nas bases se fosse vídeo, TV.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Sério? Mas você já ministrou aulas… Para adolescentes!”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Pois é, e eu adorava! Mas tenho problemas com câmera.Problemas de autoimagem, na verdade…Até mesmo colocar essa foto minha aí em cima, foi difícil.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Isso não quer dizer que não participaria de algum evento que fosse gravado, programa de TV, canal de YouTube, etc…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas esses convites ainda não foram feitos, me preocuparei com minhas questões se/quando chegar a hora.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Resumindo, <i>padawan</i>, foi uma experiência tranquila. Compartilhei o quanto pude em minhas redes a versão digital da matéria, e espero que tenha alcançado pessoas que a aproveitem…</p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Esse texto não pretende fazer uma crítica à matéria da </i><i><b>Revista Época</b></i><i>.</i><i>É tão somente uma pequena expressão de como me senti e me sinto, uma constatação de qualidade, e um agradecimento às autoras, em especial à Natália, que teve mais contato comigo.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>E também um agradecimento a Fábio Guimarães, o fotógrafo que concebeu e clicou o momento que ilustra esse texto (a foto aqui foi formatada por mim, mas a original está na matéria, cujo link está no inicio do texto).</i></p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=a66c47e3-151b-49be-ab70-129e885762e4&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>A Tia Explica: Dúvidas sobre trans, drags e afins</title>
  <description>Trans? Drag? Aquendar?</description>
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  <pubDate>Fri, 30 Nov 2018 11:01:01 +0000</pubDate>
  <atom:published>2018-11-30T11:01:01Z</atom:published>
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</style><div class='beehiiv__body'><h4 class="heading" style="text-align:left;"></h4><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/2dde608d-d8c2-4a57-81b2-63df734a5dd3/08189d79-6315-4e44-81b6-882804ef42dc_800x640.jpg"/></div><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Oi, Mar! Que bom que você voltou… Sentimos sua falta.”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ah, que bom ler isso, <i>padawan</i>…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Com toda a movimentação das eleições e de meu processo de retificação de registro civil, fiquei sem muito foco para escrever, realmente.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Entendo, claro! Ah, tenho umas perguntas…”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Gosto assim, manda que <b>a Tia explica…</b></p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Eu entendo que há diferenças entre <i>crossdresser</i>, <i>drag queen</i>, mulher trans e travesti. Mas algumas pessoas me confundem! Pabllo Vittar, por exemplo, é <i>drag queen</i> ou <i>crossdresser</i>?”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Então… O básico em qualquer situação é tentar saber como a pessoa se define, se enxerga, se identifica. E Pabllo já deixou claro em diversas entrevistas que se define como homem (cis) gay.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Se é homem (cis), logicamente não pode ser mulher trans ou travesti, mesmo que seja vista a maior parte do tempo “<i>montada</i>” <i>(en femme</i>) — o que nem é verdade.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Daí o terreno fica meio “<i>espinhoso</i>”, vou usar as palavras com muito cuidado…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Drag Queen</i> é um termo que denota uma performance artística, que é o que Pabllo faz. <i>Crossdresser</i> é um termo que tem o sentido de alguém que, identificado com seu gênero designado ao nascer, encontra conforto em performar (sem conotação artística, antes social), em privado ou público, o gênero oposto no binário de gênero. Assim, podemos dizer que Pabllo é uma <i>Drag Queen</i>.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Uau! Entendi… Mais uma. Uma pessoa conhecida perguntou o seguinte: ‘Trans que opera vira mulher? Trans que não opera ainda é homem? Ou só é trans se operar?’ — eu entendo que a pessoa estava perguntando de mulheres trans. Será que ela sabe que existem homens trans?”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Respondendo, pela ordem: seres humanos não viram nada - trans é apenas um adjetivo (mulher trans é mulher, homem trans é homem). Quanto à operação, faz cirurgia de redesignacao quem consegue e precisa/sente necessidade (cirurgia não é definição, é possível consequencia).</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Acho que essa explicação vai atender, rs. Tenho mais uma: ‘Quem usa <i>aquenda </i>é o quê?’ Eu sei, mas explica…”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ué? <i>Aquenda </i>quem tem vontade…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Sério, <i>aquendar </i>(olha o <b>Pajubá</b>, aí) nesse contexto significa esconder (o genital). Travestis, mulheres trans, <i>crossdressers</i>, <i>drag queens</i>, atores caracterizados e qualquer um que por qualquer motivo queira ou precise ocultar o volume dos genitais, está <i>aquendando</i>. Ou seja, a resposta mais certa é: <b>uma pessoa</b> <i>aquendando</i>.</p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Pessoas, esse não é para ser um texto exaustivo. É para ser bem direto e curto, como todo “<i>A Tia Explica</i>”. Algumas coisas vão faltar aprofundamento, e nesse caso, ou já tratei do tema ou irei tratar. Meus textos tendem a se construir sobre os anteriores.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">As perguntas desse <i>“A Tia Explica” </i>vieram de respostas a um post de minha amiga <b>Nat</b> em uma rede social, sobre <b>Pabllo Vittar</b> estar na lista de indicadas de uma revista, para escolha da mulher mais sensual de 2018. Talvez <i>“personalidade feminina” </i>fosse mais apropriado, mas são lista e eleição popular já consagradas…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Enfim, meus agradecimentos à pessoa cujas perguntas inspiraram este texto, que pelo que sei, estava no hospital ao comentar, e desejo ótima saúde e sorte!</p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=1bf0e762-87f2-4c7d-b650-c28b796dc976&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>Opção? Opção é o caramba!</title>
  <description>Um desabafo</description>
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  <pubDate>Wed, 28 Nov 2018 17:01:05 +0000</pubDate>
  <atom:published>2018-11-28T17:01:05Z</atom:published>
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</style><div class='beehiiv__body'><h4 class="heading" style="text-align:left;"></h4><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/31386cc8-ad0e-41d7-bdb2-986474c4ffc9/5dda7c29-566a-45d1-8467-e45c3e94e7c5_800x533.jpg"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Eu sei que muita gente usa o termo “<i>opção</i>” ou a expressão “<i>opção sexual</i>” por hábito, por ter crescido ouvindo isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Também entendo que muitas vezes usam o “<i>sexual</i>” em relação à pessoas trans, pelo mesmo senso comum.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Mas custa usar o cérebro que a natureza lhes deu?</b></p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Opção, como usam, implica em escolha consciente. Então, porque essa opção não lhes é aplicável? “<i>Nunca tive dúvidas</i>” — dizem.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ou seja, estão dividindo as pessoas entre as que “<i>nunca tiveram dúvidas</i>” de suas sexualidades e identidades de gênero, e outras que “<i>tiveram dúvidas</i>”.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E, aparentemente, quem tem dúvidas sempre segue um caminho que a coloca como exemplo daquela conversa: “<i>Quem sou eu para criticar a opção dos outros, mas…</i>”</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Apenas parem.</b></p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ninguém opta por ter atração sexual/romântica por um gênero ou outro. Ninguém opta por se identificar ou não se identificar com um gênero ou outro.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Você é. Você sente.</b></p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Tomando consciência disso — o que é difícil em um mundo que lhe diz que você não tem escolhas, e paradoxalmente lhe diz que você fez essas escolhas, quando por definição “<i>estão erradas</i>” — suas opções são se negar ou se aceitar, e ao se aceitar, ficar no proverbial armário ou não.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Essas sim, são as opções. E, como toda escolha, assumimos as consequências necessárias.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Então, quando falam de “<i>opção sexual</i>” pra mim, sinto que estão censurando minha própria existência.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>E estão.</b></p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">E o problema não sou eu, ou qualquer outra pessoa LGBTI+. O problema está em vocês.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Tudo o que queremos é viver a vida da melhor forma possível, como qualquer outra pessoa. Mas aparentemente, nossa vida é tão ofensiva que vocês desejam que não existamos.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Infelizmente, esse sentimento reverbera. Nos faz mal, vindo de pessoas que admiramos, mas o pior é que estimula aqueles propensos à violência e agressão.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Palavras tem sim, poder. O que falamos, como falamos tem consequências, para além do contexto original. Hoje, isso é mais verdadeiro, em tempo de redes sociais digitais…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Desabafo feito, sigamos.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Errei feio, descuidando das palavras, ou mesmo abusando delas, na minha vida. Pedi desculpas — e como não basta pedir desculpas — fiz minha “<i>penitência</i>” e me esforço para nunca mais repetir.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">No final, mais cuidado com as palavras, porque do outro lado delas estão pessoas, como todas nós.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Façamos de nossas palavras, afagos e não projéteis.</b></p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=bcac4655-abe7-4db4-b1cb-3738d0dc6451&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>(Des)Complicando a Tia</title>
  <description>Ou não?</description>
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  <pubDate>Fri, 21 Sep 2018 14:01:01 +0000</pubDate>
  <atom:published>2018-09-21T14:01:01Z</atom:published>
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</style><div class='beehiiv__body'><h4 class="heading" style="text-align:left;"></h4><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/8524dc90-b76e-426a-bcbe-1fb345b9ff81/f1441dcd-22af-4965-b9a8-37918513bbb2_640x640.jpg"/></div><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Mar, é lógico para nós que acompanhamos sua produção de texto há tempos que ao mesmo tempo em que expõe esses conceitos tão importantes, você também está desconstruindo ou reconstruindo sua própria identidade. Você podia dar uma resumida, não?”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">É, talvez seja um bom momento… Mas façamos uma coisa. Vou deixar você começar, perguntando…</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Ok! À queima-roupa: Mar, você é mulher?”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">É uma pergunta que não tem resposta simples, então vamos por partes, como diria o esquartejador…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Nossa sociedade (de origem europeia) é fruto de milênios de construção social e linguística em termos de um binário de gênero.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Para nós a norma é qualificar as pessoas em homens e mulheres somente, baseando-se em rápida inspeção visual do aparelho reprodutor externo, algo que no máximo, pode definir como aquele humano em particular poderá potencialmente contribuir com a reprodução e perpetuação da espécie.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Assim, quase tudo – chegando ao absurdo – é associado aos dois gêneros ditos válidos como “<i>de homem</i>” ou “<i>de mulher”!</i></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Neste sentido, pessoas não binárias, como eu, tem que viver em um mundo organizado para os dois gêneros.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É inevitável nos identificarmos com alguns signos, símbolos e expressões deles. Também é comum – mas não é regra – nos afastarmos ou sentirmos necessidade de nos afastar dos signos, símbolos, expressões e comportamentos do gênero que nos tentaram impor.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Eu me identifico e vivencio bem mais certos signos, expressões, percepções, modos de pensar e sentir, que são entendidos como pertencentes às <i>mulheridades</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Então, respondendo, embora me defina como Pessoa Não Binária, ao me reconhecer <i>transfeminina</i>, posso sim ser incluída na categoria “<i>mulher</i>”.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Ou, simplesmente: sim</b>.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Nossa! Que contextualização! E por falar nisso, porque você usa ‘Tia’?”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ah! Boa pergunta…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">A maioria das pessoas acha – ou deve achar – que tem algo a ver com a tradição das crianças (e pais) de chamarem as professoras assim. Mas não é por isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Aliás, nem gosto muito dessa utilização, mas é uma associação esperada.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Não, já ministrei aulas, mas sou a <b>Tia</b>, porque de forma geral tendo a ser uma das, ou a pessoa de mais idade na maioria (não todos) dos meus círculos sociais, historicamente. Como ainda não tenho netos, <b>Tia</b> funciona bem.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Hummm… E essa história de não monogamia?”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Olha… Essa eu vou ficar te devendo, algumas pessoas me pediram um “<i>A Tia Explica</i>” sobre isso.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Ah, claro! Já batendo ansiedade para ler… Acho que é o que eu tinha para perguntar, por enquanto…”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Então, não sei se descomplicou ou complicou de vez.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas sabe? Não sou mais complicada que ninguém.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Nenhuma pessoa trans o é.</b></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Queremos e precisamos das exatas mesmas coisas que todas as outras pessoas vivas no planeta.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Aquelas mesmas coisas que existem <a class="link" href="https://www.ohchr.org/EN/UDHR/Pages/Language.aspx?LangID=por&utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=des-complicando-a-tia" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">nesta declaração</a> e nos pactos internacionais dela derivados e dos quais a maioria dos países, incluindo este <b>País das Maravilhas</b>, são signatários.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Seremos complicadas apenas enquanto certas pessoas resolverem relativizar os direitos universais descritos naqueles documentos.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E também enquanto certas pessoas se preocuparem mais com a vida dos outros, que com a própria.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ou políticos acharem que precisam definir alguma minoria como o “<i>inimigo</i>”, em vez de criar propostas reais e factíveis…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E como nota final, lembro que somos o país que mais consome pornografia de travestis/mulheres trans e também o país que mais mata pessoas trans.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Precisamos mudar isso, ser o país acolhedor que fingimos ser na propaganda de turismo…</p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=bd377f74-68fc-4a5d-90f2-e25600f30ae2&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>De Lésbicas e invisibilidade</title>
  <description>Sou lésbica. #prontofalei.</description>
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  <pubDate>Wed, 29 Aug 2018 13:01:01 +0000</pubDate>
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</style><div class='beehiiv__body'><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/6c7655a6-fb97-457f-9bac-de9cbf13108b/6e51cc09-8a65-4e6f-9c17-fb97c35f10c8_700x640.jpg"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Sou <b>lésbica</b>. <i>#prontofalei</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Essa condição é parte integrante e essencial de minha identidade não binária transfeminina.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">-”Você já falou sobre isso, há algum tempo, Mar. Mas preferiu definir como <i>sapatrans</i>, não é isso?”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Sim, <i>padawan</i>, é isso mesmo. Mas no final das contas, usar de uma <i>hashtag</i> (a qual é uma brincadeira dentro de parte da comunidade trans) para descrever essa parcela de minha identidade não é justo comigo, nem claro para as pessoas. Eu poderia “<i>importar</i>” algum dos termos usados na internet anglófona, mas seria contraproducente. Ficamos no simples – e reconheço que há setores que terão palavras desabonadoras para mim, pela “<i>ousadia</i>” – e usemos um termo conhecido e que descreve de maneira acurada <b>a que ordem pertencem meus afetos e desejos.</b></p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">-”Acho justo!”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">E não está só, <i>padawan</i>. Tenho tido bastante acolhimento: recebi – já há algum tempo – convite para integrar um coletivo de mulheres (trans e cis) que amam mulheres. Casualmente, em certos momentos, aconteceu de dizerem “<i>nós, lésbicas</i>”, me incluindo. Afora outras situações em que me incluem entre as “<i>meninas</i>”.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>(Em tempo: esse último parágrafo tem marcações especificas que são referência e agradecimento à vocês que disseram essas frases, queridas)</i></p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">-”Você vai falar sobre a luta das mulheres trans e pessoas não binárias que se reconhecem transfemininas, que amam mulheres para se integrarem aos movimentos de lésbicas e mulheres bissexuais?”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Não hoje… Embora seja tópico muito importante.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quero lembrar hoje, neste <b>Dia da Visibilidade Lésbica e da Mulher Bissexual</b>, como aínda há muita <i>invisibilidade</i>…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Somos, desde a <b>I Conferência Nacional (então chamada GLBT), em junho de 2008</b>, a primeira letra na sigla base do movimento, <b>LGBT</b> e nas propostas (LGBTI e similares), como decorrência inclusive das reivindicações das próprias lésbicas, para aumentar a visibilidade, chamando a atenção, inclusive, à opressão combinada por <b>serem mulheres</b>, <b>e por terem seus afetos orientados à outras mulheres.</b></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Entretanto, ainda há muito a ser trilhado para que realmente estejamos na luz. Ou melhor, sejamos reconhecidas, porque na luz, para ser alvo de apedrejamento, já estamos há muito tempo...</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">A sociedade em geral ainda percebe as mulheres (cis) que amam mulheres como “<i>mal amadas</i>” (ou mal comidas, mesmo), portanto desiludidas que se “<i>acharem o homem certo</i>”, voltam ao “<i>normal</i>”… Afora que os <i>relacionamentos s</i>ão vistos como &quot;<i>brincadeiras entre amigas</i>&quot; , não sérios. Como isso é considerado um estado transitório, não há suficiente interesse ou entendimento das necessidades de casais (ou outras composições não monogâmicas) de mulheres, seja no âmbito legal, de saúde, profissional, e também nas situações de envelhecimento.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Não podemos esquecer de uma característica muito específica – e <b>hedionda</b> – da <i>lesbofobia</i>, que é o estupro corretivo, que supostamente, recolocaria a mulher lésbica ou bi “<i>no caminho certo</i>”.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Um pensamento bizarro, machista ao extremo, crer que sexo com penetração por parte de um homem (cis) – mesmo violento e contra a vontade da mulher – é algo “<i>tão sublime</i>” que alteraria os afetos e desejos dela.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">-”Triste verdade… Mas, Mar, e as mulheres trans e pessoas transfemininas? Acho que tem outros complicadores, não?”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Com certeza! Elas tem outras questões, típicas de pessoas trans que se somam. <b>Transfobia</b>. Por exemplo, a eterna associação que a <i>norma cishetero</i> trás e que leva ao questionamento perene do porque a pessoa “<i>virou mulher, se é pra pegar mulher</i>”, deslegitimando identidade e sexualidade de uma vez só. A própria materialização de nossos afetos é complicada de outras formas, por conta muitas vezes, da genitalização das pessoas e seus gêneros. E, claro, questões próprias de saúde.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas, ressalto: <b>ser lésbica/bi trans ou não binária não é pior que o ser como mulher cis</b>. É apenas diferente. Afinal, <b>não há hierarquia de opressões, pois elas se interseccionam</b>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O que existem são urgências e momentos de luta.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E a luta… <b>A luta continua</b>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Além de um agradecimento especial para minha amiga <b>Vanini Lima</b>, pela contribuição neste texto, <a class="link" href="https://www.academia.edu/37286606/_Mentir_pra_si_mesmo_%C3%A9_sempre_a_pior_mentira_a_heteronormatividade_na_narrativa_da_trajet%C3%B3ria_escolar_de_mulheres_l%C3%A9sbicas_e_bissexuais?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=de-lesbicas-e-invisibilidade" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">deixo aqui o link</a> para sua dissertação de onde adaptei uma nota acerca da sigla LGBT:</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b><a class="link" href="https://www.academia.edu/37286606/_Mentir_pra_si_mesmo_%C3%A9_sempre_a_pior_mentira_a_heteronormatividade_na_narrativa_da_trajet%C3%B3ria_escolar_de_mulheres_l%C3%A9sbicas_e_bissexuais?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=de-lesbicas-e-invisibilidade" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">&quot;Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira&quot;: a heteronormatividade na narrativa da trajetória…</a></b><i><a class="link" href="https://www.academia.edu/37286606/_Mentir_pra_si_mesmo_%C3%A9_sempre_a_pior_mentira_a_heteronormatividade_na_narrativa_da_trajet%C3%B3ria_escolar_de_mulheres_l%C3%A9sbicas_e_bissexuais?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=de-lesbicas-e-invisibilidade" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Na escola, tende a operar uma norma social, na qual o padrão heterossexual de conduta seria o único a ter validade e…</a></i><a class="link" href="https://www.academia.edu/37286606/_Mentir_pra_si_mesmo_%C3%A9_sempre_a_pior_mentira_a_heteronormatividade_na_narrativa_da_trajet%C3%B3ria_escolar_de_mulheres_l%C3%A9sbicas_e_bissexuais?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=de-lesbicas-e-invisibilidade" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">www.academia.edu</a></p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=b0c74214-dab6-403b-bbee-49ed2d7081d6&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>A Tia Explica: binário, não binário, transfeminina e outros</title>
  <description>Cis? Trans? Binário?</description>
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  <pubDate>Sat, 18 Aug 2018 16:44:42 +0000</pubDate>
  <atom:published>2018-08-18T16:44:42Z</atom:published>
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</style><div class='beehiiv__body'><h4 class="heading" style="text-align:left;"></h4><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/860d8189-79a7-4392-a510-315fce6168f5/dd373f81-cdab-47e9-8250-fbff8fbb2656_800x307.jpg"/></div><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“Bom dia, Mar! Você tem algum artigo que explica esses termos tipo binário, não binário, transfeminina e outros que vejo por aí? Confesso que leio coisas sobre, mas não consigo entender… Você já escreveu algo sobre essas definições?”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Então, <i>Padawan</i>… Sim, já escrevi. Mas embora a maioria de meus textos por aqui tratem disso, normalmente as definições estão diluídas, realmente. Então sigamos que <b>a Tia explica</b>…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Vamos por partes, e bem simplificadamente…</p><ol start="1"><li><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Sexo</b> (biológico e sua derivação jurídica), é determinado pela inspeção visual de imagens eletrônicas de fetos e pessoal de recém-nascidos. Geralmente é masculino ou feminino. Para a esmagadora maioria das pessoas é só o que se faz. Exames de cariótipo, hormonais e dos órgãos internos são feitos apenas se há problemas de saúde ou reprodutivos, bem mais tarde.</p></li><li><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quando falamos em <b>Gênero</b>, falamos de pacotes de definições (em uma determinada sociedade), associados a cada um dos sexos. São os comportamentos, gostos, expressões, expectativas, e sexualidade esperados de um indivíduo de determinado sexo. Esses pacotes variam tanto geograficamente quanto no tempo, na História. Esses pacotes são, em português chamados de “<i>Homem</i>” e “<i>Mulher</i>”.</p></li><li><p class="paragraph" style="text-align:left;">O <b>Binário de Gênero</b> é então, a ideia (ou <i>ideologia</i>, se preferir) de que apenas existem dois gêneros, homem e mulher.</p></li><li><p class="paragraph" style="text-align:left;">Pessoas (homens e mulheres) podem ser <b>cisgêneras</b> ou <b>transgêneras</b> (ou <b>cis</b> e <b>trans</b>, simplesmente). Cis são aquelas cujo gênero autopercebido é o mesmo que lhe foi designado. Trans são aquelas cujo gênero autopercebido <i>não</i> é o mesmo que lhe foi designado. Ou seja, estes termos são adjetivos para os gêneros Homem e Mulher.</p></li><li><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas algumas pessoas trans, não se percebem como parte do <i>outro</i> gênero do binário (considerando que juridicamente só é possível designar as pessoas em dois sexos, e portanto, gêneros). Essas são as <b>Pessoas Não Binárias</b>. Assim como não existem duas pessoas exatamente iguais, existe um sem número de maneiras de uma pessoa não binária vivenciar interna e externamente, seu gênero, tanto que não caberia aqui, mas em uma série inteira.</p></li><li><p class="paragraph" style="text-align:left;">Então, considerando que homens e mulheres (cis ou trans) vivenciam seus gêneros de formas diferentes, assim como as pessoas não binárias, podemos dizer de forma geral que ao falar de gênero, falamos de: Homem, Mulher e Não Binário.</p></li><li><p class="paragraph" style="text-align:left;">Pessoas não binárias que tem em alguma medida importante (para elas), afinidade com um dos gêneros binários, podem usar os adjetivos “<b>transfeminina</b>” ou “<b>transmasculina</b>”. Elas <i>não</i> são homens ou mulheres, mas na sociedade binária, tem mais afinidade com esses gêneros.</p></li><li><p class="paragraph" style="text-align:left;">“<i>É muito termo!</i>”. Sim, é verdade, e não é agradável trabalhar com todos eles. Mas são necessários tanto para explicar as pessoas sobre nós, quanto por uma necessidade humana de pertencimento, de fazer parte de um grupo de iguais…</p></li></ol><p class="paragraph" style="text-align:left;">A ideia desse texto veio de uma amiga, <i>Andréa</i> <i>Lourenço</i>, que me enviou exatamente o questionamento lá em cima. Ou seja, ela é a <i>Padawan </i>de hoje.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Agradeço também a <a class="link" href="https://medium.com/u/61aa4a7f80e4?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=a-tia-explica-binario-nao-binario-transfeminina-e-outros" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Raíssa</a> e <a class="link" href="https://medium.com/u/ef0c6a41e882?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=a-tia-explica-binario-nao-binario-transfeminina-e-outros" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Max</a>. Max fez um comentário em um post de Raíssa em uma rede social que inspirou minhas definições de cis e trans.</p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=addfd3d2-d463-4ce0-84ee-857b4b9760ce&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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      <item>
  <title>Nomes, pronomes e tudo mais</title>
  <description>Aquele famoso post de “saída de armário”</description>
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  <pubDate>Sun, 22 Jul 2018 07:01:01 +0000</pubDate>
  <atom:published>2018-07-22T07:01:01Z</atom:published>
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</style><div class='beehiiv__body'><h4 class="heading" style="text-align:left;"></h4><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/49c9eaee-929a-48b8-835d-064f1aa35e5d/bfb310cc-3533-4c73-b737-77b2aeff1286_800x400.jpg"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">“<i>Saída de armário, Mar? Mas já tem uns quatro anos que você escreve abertamente sobre isso, em sites e blogs variados. E uns três que seus perfis em redes sociais também são abertos quanto à identidade de gênero e militância. Afora mais de ano no trabalho</i>.”</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Pois é, <i>padawan</i>, só que eu percebi que todo esse tempo, escrevi indiretamente e jamais tudo em um único lugar. São pequenas passagens, inclusões e identificações, mas não “<i>o post</i>”.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">“<i>Entendi. É bem comum, em tempos de redes sociais prevalentes, esse tipo de post, não é?</i>”</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Sim. Alcança muitas pessoas de uma vez, inclusive aquelas com quem a gente gostaria de falar pessoalmente mas não é possível, e informa tudo o que é válido ou deixou de ser sobre nós, de forma coesa e coerente (assim a gente espera!).</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Encaro meio como um manual de instruções versando sobre o básico de como lidar com a pessoa que está revelando sua verdade, seu eu. E pedindo que os outros deixem de seguir o fluxo determinado pelas expectativas sociais, os pré-conceitos e predefinições, no trato com ela.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Além disso, é um desabafo. Nunca fiz isso. Então, vamos?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Vocês podem ter me conhecido por outro nome, que meus pais escolheram e que por enquanto, ainda está em minha certidão de nascimento e portanto em meus documentos oficiais.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas <b>Mar</b> é meu nome real, que exprime melhor quem sou, e mesmo que não esteja — ainda — em meus documentos, é por ele que prefiro que me tratem.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Sou pessoa não binária transfeminina.Isso significa que nunca pertenci ao gênero que designaram e que minha certidão e por consequência, meu sexo jurídico indicam. No entanto, não existe no nosso ordenamento jurídico nada além dos dois sexos. Mudar isso é uma luta que está sendo travada — e vencida em alguns países — mundo afora, mas hoje em dia ainda não há uma situação positiva para pessoas não binárias. Isso significa para nós, buscar o “<i>menos pior</i>” (se possível).</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Costumo me referir a mim da forma mais neutra possível, mas mais uma vez, como não temos <i>neutro</i> em português (ou antes, o <i>neutro</i> é convenientemente, <i>masculino</i>), acabo fazendo minhas concordâncias e por conseguinte, usando os pronomes femininos (sou uma pessoa, não sou?). Como tenho, neste mundo binário, mais identificação com expressões e vivências ditas femininas, me atende.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas sintam-se livres para usar o feminino, sempre que forem escrever sobre ou para mim (<i>“Miga, sua louca. Cadê você?“, “Mana, não acho isso”, “Tia Mar está de aniversário” , “A colega Mar”</i>— exemplos reais)</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas eu não cobro de ninguém que use este ou aquele pronome, no cotidiano. Sabe o que é incômodo — gatilho de <i>disforia</i>? É o enquadramento em estereótipos de gênero, principalmente de meu gênero designado. É melhor me tratar 100% do tempo com pronomes masculinos do que me enquadrar como “<i>homem</i>” (“<i>vocês são assim</i>“). Não adianta também inverter a história, estereotipar pessoas nunca é bom.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Dito isso, espero que se vocês se me virem claramente performando feminilidades, me tratem de acordo. E isso não requer que eu esteja em “<i>drag</i>” ou com <i>make</i> óbvia e vestido, por exemplo. Há pessoas que convivem comigo que, mesmo só me vendo em minha mais usual expressão “<i>neutra</i>”, percebem e reagem corretamente a meus momentos.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Carinho no trato com o outro e boa vontade fazem milagres. Experimentem</i>…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Eu sei que para muita gente, é complicado acompanhar as necessidades de pessoas trans binárias, que dirá das não binárias. Mas é só lembrar que <b>todas as pessoas têm direito à serem respeitadas</b> — imperativo básico da vida em sociedade.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Outra coisa muito importante é que, você que é pessoa <i>cisgênera</i>, está em vantagem (<i>privilégio</i>), você está e estará confortável por toda a vida com seu nome, pronome e até estereótipos.Já a pessoa <i>trans</i> que vem a público em um texto como esse, <b>passou toda a vida desconfortável, sofrendo, de formas que não são sequer imagináveis</b> para quem não é <i>trans</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ou seja, nem pensar em dizer que você fica desconfortável com usar pronomes ou nomes diferentes. <b>Não é sobre você</b>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É caso de usar de <b>empatia</b>…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">“<i>Vou fazer o advogado do diabo: Ah, mas acho que isso de não se aceitar é besteira. E eu que sei como é estranho isso de chamar dessa forma!</i>”</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Achismos sobre a vida alheia não ajudam a ninguém, e provavelmente, se acontecer com você, sua tendência será usar da frase popular acerca de “<i>não pagarem suas contas</i>”. E <b>empatia</b> não tem nada a ver com o que você acha.É, no caso, saber que aquela pessoa tem emoções próprias, vida própria, e sofrimento próprio. Reconhecer isso, e agir de forma a não ser parte ou razão deste sofrimento. Afinal, a maioria de nós não quer fazer ninguém sofrer, conscientemente…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E não tem jeito.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Deveria ter sido um texto extremamente pessoal, e não deixou de ser, mas sempre acabo traçando pontes com as vidas e vivências de outras pessoas.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Essa sou eu.</p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=c7512c3d-6746-4d4f-8cbd-c02d16c93ab6&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>Completei 49 anos. E agora?</title>
  <description>Idade e transgeneridade/não binaridade</description>
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  <pubDate>Sat, 21 Jul 2018 10:16:01 +0000</pubDate>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;">“<i>Parabéns! Não parece, Mar… Desculpe não ter escrito na sua timeline, mas sabe como é, sendo apenas uma representação e amálgama de leitores e seus amigos, fica difícil interagir, já que não posso ter perfil próprio.</i> 🤣”</p><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/96c8244c-2707-4585-bfac-b4b6d903f995/0e99855d-2b1e-431e-963f-6e89176139c8_776x640.jpg"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ué? Sou eu quem chegou ao final da quarta década e você é quem ficou em crise? Sai desse complexo de <b>Deadpool</b> e vamos em frente…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas é isso. <b>Quarenta e nove</b>. Há coisas a serem ditas sobre isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Primeiro, é sempre bom lembrar o privilégio que tenho por ter ultrapassado a expectativa de vida de pessoas trans e travestis, que é de <b>35 anos</b>. Navego no mundo sem que me enquadrem, na maior parte do tempo, como pessoa trans. Ruim para mim, emocionalmente, porque me reconhecem de uma forma muito incômoda, mas é um privilégio no sentido de sobrevida e integridade física.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Fisicamente, como disse o padawan, estou bem — um pouco fora do peso — com saúde muito boa no geral (sinusite alérgica crônica e uma uveíte são as exceções), e dizem algumas pessoas que além de bem de saúde, estou com muita “<i>saúde</i>”…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">“<i>Hummm, recebendo elogios, Mar?</i>”</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Sempre bom, não é? Elas falam, eu acredito…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Pessoalmente, estou bem comigo, como nunca estive. E pretendo continuar olhando para mim, me conhecendo, me cuidando e vivendo minha lenda pessoal. Mas essa é <b>minha história</b>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Independente de estarmos bem conosco ou não, o envelhecimento traz preocupações, principalmente se somos mulheres e mais ainda, LGBT+</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Nossa sociedade demanda que mulheres sejam cuidadoras dos homens. Essa mesma sociedade não resolveu — e não quer resolver — a questão das pessoas de mais idade. Essa composição de fatores é grave. Afinal, se as mulheres cuidam dos homens, quem cuidará das mulheres, conforme envelhecemos?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quando a mulher é não hetero, trans (ou pessoa transfeminina), e homens trans e pessoas transmasculinas que não são mulheres, mas assim são (des)entendidas pela sociedade, que papel lhe será reservado?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Depois de 49 anos, minhas perenes questões de identidade de gênero, que vem da infância, estão bem assentadas. Meus passos, minhas vivências, definidas — embora me seja importante poder me reinventar.Mas me preocupo com esse futuro, o envelhecimento. Tenho outro privilégio, de ter pessoas que se puderem, estarão lá por mim, conforme envelheço e vier a necessitar. Mas, mais uma vez, essa é <b>minha história</b>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Eu preciso olhar para essas pessoas — que tem outras histórias, sem meus privilégios. Até porque, a sociedade não tem um plano, e as pessoas têm suas vidas, logo, nada é certo sobre a fase final de nosso processo de envelhecimento.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">“<i>Temos que pensar esse plano, cobrar do poder público e nos apoiar enquanto isso, e sempre.</i>“</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Exatamente, padawan, exatamente… Mas falaremos mais sobre isso, ideias existem. Enquanto isso, sigamos, rumo ao <b>primeiro meio século</b>!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">“<i>Primeiro, Mar?</i>”</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">A <b>Tia</b> ainda tem coisas pra <b>explicar</b> mais um tempinho… 😊</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Pretendia que esse texto fosse mais leve, divertido, celebrando meu aniversário recente. Mas estou envolvida com reflexões acerca dessas questões de envelhecimento.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Minha vida mostrou claramente que saúde é precária, tudo muda muito rápido, mesmo para quem se cuida. E todas as pessoas envelhecem, sem que a sociedade esteja plenamente preparada para lidar com isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Cada vez mais me enquadro no recorte das mulheres não hetero (mesmo sendo pessoa não binária transfeminina) , que como dito acima, tem questões muito importantes e específicas na dita “<i>melhor idade</i>” e além…Todos esses questionamentos acabaram se insinuando no texto.<b>E é importante que seja publicado assim</b>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas que fique claro, reforço o que postei em minhas redes sociais:<b>Este foi meu melhor aniversário em muito tempo</b>, em termos emocionais!</p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=6c4ee86d-fc55-4145-9771-b7c7e9b6dd9e&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>“Fulana é biologicamente mulher.“</title>
  <description>Onde está o erro?</description>
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  <pubDate>Sat, 14 Jul 2018 14:55:39 +0000</pubDate>
  <atom:published>2018-07-14T14:55:39Z</atom:published>
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</style><div class='beehiiv__body'><h4 class="heading" style="text-align:left;"></h4><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/df53fe53-7c2f-4716-a080-7e2e279f33ce/90bd2b40-7474-4b78-9a98-cfeba2547d14_800x532.jpg"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">“<i>Ué? Tem erro aí, Mar? Não tô entendendo…</i>“</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Calma, padawan.<b>A Tia explica</b>…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">De vez em quando vejo pessoas usando essa construção, muitas vezes sem intenções vis. Mas isso não faz com que seja correta.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">“<i>Ah, mas se a pessoa não está de má intenção, não tem problema, não é?</i>“</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Veja bem, não há problema em princípio, mas como a linguagem que utilizamos é uma das formas mais importantes de perpetuação de conceitos na sociedade — mas também de consolidar mudanças — é sim, importante pontuar “<i>jeitos de falar</i>” e “<i>modo de dizer</i>” que possam perpetuar ideias <b>LGBTfóbicas</b>. Entende?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">“<i>Hummm. Sim, tô entendendo.</i>”</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Então, tecnicamente, a frase está incorreta.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Biologicamente falando, a espécie humana (<i>Homo sapiens</i>) tem reprodução sexuada, sendo necessários - em condições naturais (sem interferência médica) - dois indivíduos com aparelhos reprodutores compatíveis.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O que significa que a maioria das pessoas será (<i>biologicamente</i>) macho ou fêmea da espécie. Digo maioria, porque as pessoas <b>intersexo</b> existem.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">“<i>Nossa! Faz sentido…</i>“</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Nao é? No Brasil, não usamos “<i>macho</i>” e “<i>fêmea</i>” em relação à pessoas, para designar o sexo biológico.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">“<i>Ah, mas discursos machistas usam…</i> “</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Sim, erradamente, como sinônimo de “<i>homem</i>”. Prosseguindo, padawan… Como não usamos aqueles termos, usamos “<i>masculino</i>” e “<i>feminino</i>”.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E o problema só piora, porque assim associamos sexo (<i>biológico</i>) e gênero (<i>social</i>). Sem contar com o apagamento das pessoas <b>intersexo</b>, que, aliás, muitas vezes são “<i>corrigidas</i>” ainda bebês, pelos médicos para se enquadrarem no padrão binário. E isso baseando-se em observações superficiais…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">“<i>Isso é bem verdade. Dão uma olhada e já dizem que é menino ou menina, ou no caso das intersexo, já querem logo fazer cirurgia. Aliás, acho graça desse pessoal que diz que só existe </i><i><b>XX</b></i><i> e </i><i><b>XY</b></i><i>, e que são </i><i><b>XY</b></i><i> (normalmente são homens). Como se todo ser humano fizesse exame de </i><i><b>cariótipo</b></i><i>! Esse negócio é caro.</i>”</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É, esse povo deve achar que a biologia da escola é o todo o conteúdo na área.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas e aí padawan, me diga o que aprendemos…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">“<i>Que ninguém é biologicamente homem ou mulher, na melhor das hipóteses, é macho ou fêmea da espécie. Mas usamos sexo masculino ou feminino para descrever pessoas, usualmente, e nesse caso, esses sexos não podem ser tomados como sinônimos de Homem e Mulher, que são gêneros, cujas características são construidas pelas sociedades, embora &#39;inspiradas’ no sexo biológico.</i>”</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Muito bem! Muito orgulho de ti…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">A língua, o discurso, é muito importante e não há falta de exemplos em que foi manipulada para os fins de governos autoritários ou totalitários. Recentemente uma certa expressão foi cunhada exclusivamente para fins transfóbicos. Da mesma forma, a preservação desses “<i>modos de dizer</i>” permitem a continuidade de “<i>modos de pensar</i>” antiquados e perniciosos.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">A frase, tipicamente usada no trânsito, “<i>tinha que ser mulher</i>”, por exemplo, perpetua o mito de que mulheres não são boas motoristas, algo que estatísticas já demonstraram que não é fato. Por outro lado, ressignificar a frase “<i>lutar como uma mulher</i>“ é ótimo exemplo de como subverter algo até então pejorativo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Da mesma forma, desencorajar usos que não servem mais para descrever a <b>realidade factual</b>, é algo importante.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E considero que isso é <i><b>Fazer A Coisa Certa®</b></i>.</p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=55a1d80a-333c-422a-80c6-6d442a8c0dd7&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>Não binária e #sapatrans, como assim? #3</title>
  <description>Uma Identidade Transfeminina</description>
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  <pubDate>Thu, 12 Apr 2018 10:11:01 +0000</pubDate>
  <atom:published>2018-04-12T10:11:01Z</atom:published>
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</style><div class='beehiiv__body'><h4 class="heading" style="text-align:left;"></h4><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/4dc23631-bdfc-450f-a683-39875951c031/fb886c47-712a-429a-af56-54172a6835d4_800x450.jpg"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">O processo de autodefinição de nossa(s) identidade(s) é muito pessoal, e tende a ser muito difícil e traumático.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“- Como assim, Mar?“</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Está disparando rápido, <i>padawan</i>! Gosto assim… Mas calma que a Tia explica.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Conforme crescemos e vamos nos expondo aos membros da família, parentes, amigos, colegas e sociedade em geral vamos observando, assimilando e assumindo papéis e performances que tanto dependem de nossas escolhas, quanto das expectativas do outro.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O processo de identificação com cada aspecto desse mundo humano que nossa espécie vem criando pelos milênios, é individual e interno, mas informado pelos elementos da sociedade.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“- Você quer dizer que, no final, a gente tende a se identificar e se expressar, partindo de padrões que já existem e nos são ensinados pela sociedade? Aliás, me lembro de você escrevendo sobre expressões em um texto mais antigo… “</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Exatamente, e bem lembrado. O tal texto é esse:</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas uma consequência disso, é que a sociedade “<i>espera</i>” que cada pessoa viva sua existência dentro de certos padrões e corresponda a certas expectativas. Por isso, olhar para si e definir sua própria identidade pode ser bem difícil.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E não falo apenas de questões identitárias de gênero ou sexualidade, que sabidamente são complicadas. A simples fuga de padrões estereotipados, pode criar situações difíceis na vida.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“- Acho que entendi. Me lembro de que você comentou nas sua redes sociais que teve problemas com colegas porque nunca assiste futebol, nem tem time. Ou seja, foge do que é esperado do “brasileiro“, do “carioca”. É isso?“</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Você me segue há um bom tempo, hein? Enfim, sim, é um exemplo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Minhas identidades e expressões sempre foram fora da curva — ou quase sempre. Minha <a class="link" href="http://pt-br.identidades.wikia.com/wiki/Identidade_transfeminina?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=nao-binaria-e-sapatrans-como-assim-3" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">identidade</a> de gênero veio sendo construída desde o final da infância e passou por muitas fases, com a única certeza de que eu não pertencia ao gênero que me designaram ao nascer.</p><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/8906a33e-bd02-4769-9b2f-a0578fa58f3c/fcca4dc4-01b7-472e-92f0-0fe44df5eb4e_800x533.jpg"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Sempre que me informava mais sobre gêneros e suas identidades e conseguia olhar para mim e dialogar meu íntimo com o mundo com clareza — algo muito <b>duro</b>, <b>sofrido</b> — me descontruía e reconstruía…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O que me trouxe, já há alguns anos ao entendimento de ser pessoa não binária. E em tempos mais recentes — nem um ano atrás — perceber que há em mim uma experiência, uma vivência do feminino, que é bem importante.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Na comunidade anglófona, um termo que me contempla é “<i>demigirl/demiwoman</i>”, que significa uma pessoa não binária que se identifica parcialmente como mulher, e parcialmente como algum outro gênero não binário (que pode ou não ser denominado). Como as traduções óbvias para o português ensejam piadas misóginas/homofóbicas, prefiro usar o termo “<i>transfeminina</i>”, usado como identidade não binária, para o mesmo fim.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“- Eu olhei em alguns sites e vi que “<a class="link" href="http://gender.wikia.com/wiki/Transfeminine?utm_source=blog.mar-goncalves.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=nao-binaria-e-sapatrans-como-assim-3" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">transfeminina</a>” ou “transfeminine”, no inglês, são também termos guarda-chuva que podem incluir mulheres trans ou travestis.“</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">É verdade, mas também é uma identidade em si. No meu caso, como escrevi em outro texto, me descreve como uma pessoa não binária com importantes alinhamentos com as mulheridades.</p><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">“- Eu li também que tanto o “demigender” gringo, quanto a identidade transfeminina nada tem a ver com o gênero que foi designado à pessoa.”</p><figcaption class="blockquote__byline"></figcaption></blockquote></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Realmente, padawan. Uma pessoa designada mulher <b>pode</b> se identificar como pessoa não binária transfeminina.</p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=b126e233-ee91-4761-b87c-81770f712d70&utm_medium=post_rss&utm_source=contextos">Powered by beehiiv</a></div></div>
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