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    <title>Só uma rapidinha</title>
    <description>Mini contos eróticos, só uma rapidinha ;) Leia todo o conteúdo antigo gratuitamente. Site mantido para arquivo.</description>
    
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      <category>Art</category>
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    <copyright>Copyright 2026, Só uma rapidinha</copyright>
    
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  <title>isso é uma carta de adeus - só uma rapidinha</title>
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  <pubDate>Mon, 02 Feb 2026 16:54:29 +0000</pubDate>
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    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;">Eu tô fugindo de escrever esse e-mail. Não é nada chocante que eu esteja, é até meio óbvio, depois de tantos anos, tantos textos, tanta coisa feita. Nada em mim consegue afastar a sensação de que eu tô vindo aqui abandonar uma parte de mim que é muito importante, mesmo que eu meio que saiba que preciso fazer isso. E talvez eu já soubesse há um tempo, mas eu sou resistente a mudanças quando elas significam deixar algo para trás. Sou apegado a coisas e pessoas, e principalmente apegado a ritos, sensações, costumes que me moldaram de alguma forma. Se tem algo que escrever as rapidinhas fez foi me moldar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Eu já falei sobre isso muitas vezes em muitos lugares diferentes, mas minha relação com a escrita oscilou muito desde que me joguei no mercado editorial (mesmo que o independente). Antes disso também oscilou, é claro, mas de uma forma diferente, com um peso diferente. Entrar pra dança dos livros formalmente (seja lá o que isso quer dizer), mexeu comigo e continua mexendo comigo todos os dias.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É meio cômico, eu acho, quando penso que sinto o peso de expectativas e da ansiedade nas costas com força até hoje, mesmo que o meu alcance e o quanto sou lido tenha mudado drasticamente nos últimos dois anos. E mesmo que antes disso não existisse uma pressão real imposta por ninguém em específico. Ela é hoje, como sempre foi, mais uma das belas paranoias fabricadas pela minha cabeça.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas estou divagando, acho. O Só uma rapidinha mudou a minha vida. Me trouxe leitores, me reaproximou da escrita erótica como nunca, me fez testar muitas coisas na escrita, ritmos, jeitos de contar histórias, tipos de personagens e tudo mais que eu nunca teria espaço para testar em outros formatos. Os textos (não tão) curtos, a mudança de temática frequente, leitores que topavam qualquer parada que eu quisesse fazer e uma cabecinha infernal que não para me possibilitaram crescem muito como autor. Não sou o mesmo Koda de 2022 que começou essa newsletter e sou muito, muito grato por isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Nesses quase quatro anos, muita coisa mudou além da minha escrita. As redes sociais se deterioraram, eu perdi a pouca desenvoltura com marketing que tinha criado a muitas custas, a vida me atropelou muitas e muitas vezes, mudei de cidade (duas vezes), fiz muitas e muitas coisas pela primeira vez, e fui, em cada uma delas, deixando um pouco para trás e trazendo novas experiências no colo. Pouco a pouco, eu vejo, me afastando de quem eu era e me aproximando da pessoa que posso ser.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas... Como eu disse, apegado.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O Só uma rapidinha me trouxe os meus melhores leitores, os mais divertidos, os que mais me colocaram pra cima. Me trouxe uma auto estima com a minha escrita que eu havia perdido no meio do mar de medo. Me trouxe coragem (ainda que também tenha me trazido receios). Quando olho para trás, meus olhos ficam cheios d’água de reviver cada interação, cada sentimento, cada coisinha.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Recentemente deletei todos os tweets da minha conta do twitter (aquela rede social está me dando calafrios e preferi não ter como ter meus posts alterados por pessoas esquisitas, desconhecidas e mal intencionadas), e apesar de ter feito um backup do arquivo, os registros são menos bonitos e fáceis de achar do era com uma busca. Mesmo assim, as memórias ficam. De cada post de divulgação, cada pessoa me respondendo, cada alegria, cada comentário. Eu lembro de todos. Não individualmente, vai, porque ser um esquecedor é meio que uma das minhas características, infelizmente, mas eu lembro da sensação deles, lembro da euforia, da alegria, de começar a ver nomes se repetindo, reconhecer rostos e carinhas e, inclusive, começar a perceber os <i>gostos</i> de cada leitor. Em certo ponto, eu conseguia prever se algum dos leitores recorrentes iria gostar do próximo texto ou não. Era gostoso assim.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas esse era o lado bom, eu acho, e ao qual me apego tentando fugir dessa decisão que eu sei que preciso tomar, mas evitei nos últimos meses. O lado ruim não é muito difícil de imaginar. Muita ansiedade com os prazos (que eu mesmo me coloquei), dificuldade em manter projetos paralelos (eu ainda quero escrever muitos romances) (escrever o primeiro me deixou com sede), e, em certo ponto, era difícil ate ter novas ideias. Como eu disse, as redes sociais ruíram, e também era parte da diversão, eu acho, escrever com base nas ideias enviadas por leitores, que nem sempre chegam mais.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Não é que estou sem ideias, eu tenho ideias. Tenho planejado meus romances, estou escrevendo fanfics ocasionalmente e, vez ou outra, uma rapidinha ainda sai de mim como se eu a tivesse exorcizando, um sentimento que eu amo vivenciar. Mas em mais da metade do tempo, confesso, as palavras das rapidinhas se debatem para sair de mim como se fossem uma criança birrenta e eu um pai insistente, puxando-a pela mão dizendo <i>sim você vai morar nessa página de word, seu moleque atrevido</i>. Não é uma sensação muito agradável. Eu me pego evitando escrever, fugindo para outras tarefas, com medo da sensação da ansiedade e inquietação que irão me dominar, eu sei que irão. Eu não sei bem o motivo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Meu amor, quando ler esse texto, vai repetir para mim, como já disse outras vezes, que ninguém fez o que eu fiz. Que a maioria dos escritores não precisa ter uma nova ideia completamente do zero a cada trinta dias, às vezes menos. Que não precisam mudar de contexto como mudam de roupa, que tem, ao menos, um tempo para se apegar a ideia e fermentá-la e construí-la antes de ir para a próxima coisa. Vai dizer que, se eu insistir ainda mais, vou queimar como o pavio de uma vela ardente. E, diferente de uma vela, eu não sou substituível.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Você vê, eu estou dando voltas com esse texto, fugindo de falar o que preciso falar, me explicando pra vocês, mas também para mim, eu acho. A essa altura já dá pra imaginar para onde vamos. O Só uma rapidinha chegou ao fim. Nossa, como dói falar isso. Sinto meus olhos cheios d’água de novo. Sendo sincero, não é essa despedida dramática, na verdade. Não é como se eu não fosse escrever sexo em histórias (não tão) curtas nunca mais. Eu só preciso de um tempo (muito tempo) longe da constância e obrigação. Preciso de um pouquinho de paz pra fermentar as ideias e amá-las lentamente.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Eu relutei muito com isso porque a minha sensação é a de estar deixando um pedaço enorme de mim para trás. De abandonar algo que eu lutei tanto para fazer existir. E tentei pensar em um pequeno compromisso para fazer comigo mesmo para honrar essa memória, para fechar essa história com chave de ouro, e decidi que vou manter minha ideia dos próximos meses e terminar a Madre e a Freira ainda esse ano, enviando as partes para apoiadores do catarse. Não vou prometer que teremos textos todos os meses, mas será ainda esse ano, e 2026 será o fechamento do Só uma rapidinha como ele foi até hoje. Espero que também seja o renascimento de um novo Kodinha e uma nova relação com a escrita.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Enviei esse texto primeiro para apoiadores do catarse porque mudei bastante a minha dinâmica por lá, mas é importante dizer aqui também.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Me sinto estranho falando tudo isso. É como colocar para fora demônios que andam me assombrando há um tempo, finalmente tirando um peso do peito. Eu tenho uma relação muito difícil com meus sentimentos. Preciso ficar me revirando e me revirando e me revirando para encontrar origens, significados, para entender problemas e o que está, de fato, por baixo de tantas camadas e camadas de <i>eu consigo, eu dou conta, está tudo bem e não tem nada, nada de errado</i>. Geralmente tem algo de errado. Mas demora para encontrar o que é. Demora mais ainda para assimilar e aceitar. Mais um pouco para conseguir agir. Infelizmente sou excelente em ficar em ambientes desconfortáveis e não é a primeira vez que eu quase me queimo inteiro por isso, suspeito que também não será a última.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas como eu iniciei esse e-mail falando, eu quero carregar as boas memórias. Quero lembrar dos 1400 inscritos na newsletter, das parcerias, dos eventos, dos textos e mais textos, dos livros que surgiram da newsletter. Quero lembrar dos fãs do Padre e da Madre, quero lembrar dos apaixonados pelos vampiros, pelos monstros, quero lembrar das muitas pessoas que me disseram que encontraram nos meus textos, pela primeira vez, uma boa representatividade trans na escrita erótica. Quero sair de coração cheio, como essa newsletter muitas vezes me deixou. Não é fácil dizer adeus (por deus, é difícil pra caralho), mas é necessário. Para novos caminhos, novas histórias, novos projetos. Pra tentar novas possibilidades eu preciso de tempo. Pra ter tempo, estar um tico menos paranoico e ansioso com entregas é importante também.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Eu agradeço imensamente o apoio de cada um. Pra quem está aqui desde o começo, mas também quem chegou a pouco tempo. Só tenho a agradecer e agradecer e agradecer.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Eu não vou a lugar algum e, como disse meu querido amigo Fai, eu sempre serei um escritor (tom de ameaça). Ainda vou fazer novelas e romances, ainda vou escrever novas histórias e, espero, deixar que elas alcancem o público delas, cada uma do seu jeito.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Estou para começar a reescrita/escrita do romance do CEO trans de um sex shop e a secretária dele. Escrevi metade dessa história em 2023 e abandonei ela para me jogar de cabeça no mundinho quadrisal, mas agora estou voltando. Me sinto um pouco mais preparado para o que essa história precisa de mim. Me sinto um pouco melhor. No meu catarse agora só terei uma categoria de apoio, de 5 reais. Nela vou enviar mensalmente uma newsletter de atualizações, informações sobre o que ando fazendo, lendo, escrevendo, meus processos, inspirações e muitas coisinhas mais. Também é o melhor jeito de ler a Madre e a Freira que irei terminar de escrever esse ano, além de receber futuros e-books de lançamentos independentes em primeira mão. Se você gostava do meu trabalho por aqui e gostaria de continuar acompanhando o que eu faço, considere <a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=isso-e-uma-carta-de-adeus-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">apoiar aqui!</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">De novo, muito, muito obrigado. Se eu tenho forças para continuar e tentar coisas novas é porque tive apoio na maluquice que foi essa newsletter. Uma insanidade de quatro anos que sustentei (quase) sem pausas. Obrigado, obrigado, obrigado.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Um beijinho (melancólico) e um abraço,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><br>Koda</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"> </p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=0491fc02-7626-4e8e-9f01-57c5f4fc6eb0&utm_medium=post_rss&utm_source=so_uma_rapidinha">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>Adorno - Só uma rapidinha</title>
  <description>é errado querer foder a decoração?</description>
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  <pubDate>Tue, 30 Dec 2025 22:26:22 +0000</pubDate>
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    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;">Boa noite safadinhes, como estamos?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Se essa é sua primeira vez por aqui, seja muito bem vinde! Meu nome é Koda G., eu sou um autor não binário que escreve putaria queer. Tenho vários contos publicados na amazon e essa newsletter, a Só uma Rapidinha, é meu local de experimentação. Por aqui envio textos eróticos gratuitos muito safados, sempre com personagens LGBT+ e situações diferentes, quase sempre com fetiches também.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O texto de hoje é o resultado de duas mentes diabólicas pensando juntas. Já falei aqui antes, <a class="link" href="https://bsky.app/profile/beckymastery.bsky.social?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=adorno-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Becky</a> é uma das minhas ilustradoras favoritas. E entre um ataque de fã e outro <a class="link" href="https://media3.giphy.com/media/v1.Y2lkPTc5MGI3NjExcTNxbHZ2MnZ4YnBhNHZuemtnOHU5MjI1bTloZXU0andsdmk1ZzhuMCZlcD12MV9pbnRlcm5hbF9naWZfYnlfaWQmY3Q9Zw/3rgXBxX4myufzT6N2w/giphy.gif?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=adorno-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">(todos perfeitamente normais e racionais)</a> resolvi convidá-la para fazermos um #transtuesday em conjunto, com texto e ilustração. Essa história é o resultado da união Kodinha + Becky matutando juntos, pensando que fim de ano é época de partilhar a comida — seja ela uma refeição ou o seu submisso muito obediente.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Dante, Carol, Jade e Lis são a resposta para nossas indagações, e talvez sejam a resposta para as suas indagações também. Aproveitem a putaria de hoje, hehe. E espero que não passem vontade nesse ano novo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i><b>Se quiser contribuir com o meu trabalho, receber as rapidinhas antes de todo mundo, capítulos de novelas meses antes do lançamento, newsletter de fofocas mensal e textos e trechos exclusivos, considere </b></i></span><span style="color:inherit;"><span style="text-decoration:underline;"><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g&_bhlid=171b40959ce3873b349b49b3fefef8492dd3acf1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(82, 50, 87)"><i><b>apoiar o meu catarse</b></i></a></span></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i><b>. Além das recompensas, você me ajuda a continuar contando histórias!</b></i></span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i><b>E se quiser apoiar o trabalho de Becky, comprar um café ou encomendar uma arte, confira o seu </b></i></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><span style="text-decoration:underline;"><a class="link" href="https://ko-fi.com/beckymastery?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=adorno-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"><i><b>ko-fi aqui.</b></i></a></span></span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Redes sociais de Becky: <a class="link" href="https://bsky.app/profile/beckymastery.bsky.social?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=adorno-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">bsky</a> | <a class="link" href="https://www.instagram.com/beckymastery/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=adorno-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">instagram</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Redes sociais de Koda: <a class="link" href="https://bsky.app/profile/ehkoda.bsky.social?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=adorno-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">bsky</a> | <a class="link" href="https://www.instagram.com/ehkoda/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=adorno-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">instagram</a> | <a class="link" href="https://x.com/ehkoda?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=adorno-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">twitter (somente atualizações)</a></p><hr class="content_break"><h1 class="heading" style="text-align:justify;" id="adorno">Adorno</h1><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/5be0157d-f22c-49e0-83f2-bfe3c0b9f31e/image.png?t=1767132518"/></div><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante estava muito consciente da sua pele como um todo. Era uma sensação diferente, essa de estar tão consciente de si, mas não conseguia evitar. Estava sozinho há pouco mais de três minutos, segundo os seus cálculos, mas sabia que logo perderia a conta. E <i>sozinho</i> também era só forma de falar, porque sua Rainha, Madame e a Senhorita estavam logo ali, do outro lado da sala, na mesa de jantar. Estavam conversando, empolgadas e distraídas, enquanto ele estava exatamente no mesmo lugar que estava há pelo menos uma hora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nada disso fora ideia sua. A festa, as convidadas, o arranjo, sua disponibilidade, tudo fora decisão de sua Rainha e seu papel foi meramente dizer <i>Sim, minha Rainha, </i>ou <i>Não, minha Rainha</i>, quando ela trouxe a lista de consentimento para a noite. De resto, apenas seguiu conforme ordenado. Preparou o jantar enquanto sua Rainha preparou a casa, tomou um banho enquanto ela preparou a mesa de centro, e estava pronto, limpo e nu, às seis em ponto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sua Rainha o colocara deitado sobre a mesa e amarrou com carinho. Primeiro os braços, amarrados um em cada pé acima de sua cabeça. Depois as pernas, amarradas pelas coxas também nos pés da mesa, dando uma certa liberdade de movimento, se fosse necessário. Por último, o lacinho sobre o seu quadril, de forma estratégica tampando parcialmente sua buceta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Exposto tão perto da porta da entrada do apartamento, Dante já estava excitado mesmo antes da chegada das visitas. Se sua Rainha tivesse parado na amarração, entretanto, estaria mais controlado, menos desesperado, menos <i>molhado</i>, até. Mas sua Rainha não era conhecida por sua piedade ou bondade. Ele esperou enquanto ela tomava banho e se arrumava, esperou quieto, calado, pensando e pensando nas convidadas, em Jade e Lis, que naquela noite não seriam Jade e Lis, mas Madame e Senhora. Suas donas também, ao menos por um breve momento.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O tormento de Dante só começou de verdade quando sua Rainha voltou do banho. Ela usava um vestido vermelho longo e com um decote profundo, os cabelos soltos caindo em ondas sobre os ombros, os lábios com um batom vermelho vivo, cor de sangue. Estonteante. Impossivelmente linda. <i>Sua</i>, sua Rainha. O sorriso dela deveria ter dito tudo. Deveria ter ficado óbvio que ela ainda tinha alguma carta na manga, alguma coisa para propor, algum pedido indecente a ser feito em cima de tantos outros pedidos indecentes.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela se ajoelhou atrás da cabeça de Dante, fora do seu ângulo de visão, e deitou o rosto sobre o ombro dele. <i>Posso filmar a noite para nossa coleção?</i>, foi seu pedido. E era realmente um pedido, Dante podia dizer não, mas o tesão instantâneo que sentiu ao se imaginar assistindo esse vídeo sentado no colo de sua Rainha era a única resposta que precisava.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Então disse sim, e sua Rainha montou a câmera no tripé, e para começar o vídeo da melhor-pior forma, ela se ajoelhou ao seu lado de novo e beijou seu corpo uma vez, duas, três, quatro, cinco, dez, tantas, tantas vezes.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Preciso que meu adorno seja o mais bonito que as visitas já viram, </i>ela disse, e Dante se remexeu sob os lábios dela, ainda se adaptando ao novo <i>petname,</i> mas adorando, adorando cada segundo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sua Rainha beijou seu peitoral e sua barriga e suas coxas, repôs o batom quando as marcas começaram a diminuir e beijou mais, até seus pés, beijou seus braços, beijou seu pescoço e, <i>santo deus</i>, beijou seu rosto, suas bochechas, sua testa. Marcado, todo marcado, <i>dela, dela, tão dela</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Então, sim, Dante estava muito consciente de seu corpo. Conseguia sentir cada marca de batom, o calor remanescente dos lábios de sua Rainha como se ela tivesse o deixado há pouco, e não há vários minutos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E não ajudou que Madame e Senhora chegaram logo em seguida, sorridentes, lindas, tão absurdamente gostosas. Madame em seu terno habitual, mas agora em uma versão vinho, e Senhora com uma saia curta, um <i>cropped</i> justo e a sua coleira de sempre, dessa vez sem a guia. Estavam ali para compartilhar do jantar e do adorno, e sua Rainha organizara o evento com cuidado para que as visitas não saíssem com fome de nada — nem de comida, nem de buceta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sua decoração está muito bonita —- a voz de Madame ecoou pela sala, tirando Dante de seus pensamentos incansáveis. — Um belo, belo adorno.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante suspirou baixinho e se remexeu só um pouco ao ouvir. Em algum momento no passado se lembrava do medo que tinha de se meter em situações difíceis, do medo que tinha de ter que dizer não. Foi bom se descobrir errado, e agora só temer ser esquisito demais para sua Rainha. Mas até nisso estava errado também, porque ela abraçava cada uma de suas loucuras, muitas vezes até as antecipando, de alguma forma divina.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Essa parecia ser mais uma delas. O tipo de ideia que sua Rainha tinha que, quando olhada de perto, parecia ter sido extraída diretamente de seu subconsciente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E a comida também está deliciosa  — foi a Senhora quem comentou dessa vez. — A manga nessa salada foi uma ótima ideia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante fechou os olhos. A voz delas parecia se distanciar, abaixar e depois aumentar única e exclusivamente para provocá-lo ainda mais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Nosso adorno fez tudo sozinho. — Dante conseguia saber que sua Rainha sorria só pelo seu tom de voz.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sentiu seu clitóris pulsar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E tão quietinho, mesmo quando eu encostei nele — Madame o elogiou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Seu coração acelerou no seu peito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mordeu o lábio inferior de nervosismo, contendo um suspiro no último segundo, querendo muito ser o quieto e bom adorno que elas tanto queriam que ele fosse. Tombou a cabeça para o lado, tentando vê-las ainda que soubesse que era impossível desse ângulo, mas seu olhar cruzou com a câmera, a luz vermelha ligada, filmando tudo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não ajudou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante se perguntou como estava visto daquele ângulo. Ou de qualquer ângulo que fosse, na verdade. Se imaginou de novo em um futuro distante, em mais uma das sessões com sua Rainha, o vídeo passando, uma <i>fuck machine</i> ligada metendo nele, <i>ah</i>. Suas pernas tremeram instintivamente. Dante pensava demais e isso não era bom. Não era nada bom. Se mal conseguia se conter parado quando estava sozinho, não teria muita chance quando encostassem nele de verdade. Mas ele seria bom. Ele seria o melhor adorno que elas já tiveram.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Então Dante esperou. Quieto, podando pensamentos excessivos que o levavam para longe, controlando sua respiração toda vez que era mencionado na conversa, contendo os calafrios que se espalhavam pelo seu corpo, se esforçando para não remexer o quadril cada vez que sentia seu clitóris pulsar e o tesão se espalhando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quase ficou bom nisso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Só quase, porque logo elas finalizaram as entradas, e se Dante sonhou que teria mais tempo sozinho para aperfeiçoar sua concentração — se é que tanto treinamento valeria de alguma coisa — estava errado. Escutou sons de pratos sendo recolhidos, provavelmente por sua Rainha, e o barulho de saltos contra o chão conformem todas elas se aproximaram dele no sofá.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Senhora se sentou na parte maior do sofá, de frente para as pernas de Dante, Madame sentou à esquerda de Dante e sua Rainha logo se juntou a ela, sentando ao seu lado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ninguém falou nada por um momento. Dante sabia que estava sendo observado por olhares atentos, era muito óbvio. Senhora tinha o olhar muito fixo entre as pernas dele, mas era tudo que ele conseguia ver daquele ângulo. Ao seu lado, Madame passeava os olhos pelo seu corpo inteiro, sem fixar em nenhum ponto. Dante reparou quando ela cruzou as pernas muito discretamente e gostou de saber que ela estava com tesão o suficiente para querer disfarçar o pau duro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— É bonitinho demais, Carol — Madame comentou, olhando dessa vez para a Rainha.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não é?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você fez uma decoração ótima no adorno! Lindo, lindo. Quase não quero mexer para não estragar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ah, mas eu quero. — Senhora se meteu na conversa, cheia de urgências, como quase sempre.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vamos tirar as dúvidas do caminho, então, para começar. — sua Rainha pegou a pequena pilha de cartas que estava ao lado da cabeça de Dante na mesa e levantou. — Aqui temos as possibilidades da noite. A ideia é sortear e se divertir, mas não se apeguem muito a ordem. — Dante a observava enquanto ela mostrava as cartas para as meninas. — Por exemplo, a primeira é abrir o lacinho, e suspeito, Lis, que você vai querer essa. — Sua Rainha estendeu a carta para a Senhora, que a pegou parecendo empolgada. — De resto, divirtam-se. Vocês podem falar se quiserem algo que não está nas cartas, mas o que está nelas é seguro, podem fazer sem pedir permissão ou perguntar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Gosto disso — Madame comentou, pegando a pilha de cargas da mão da Rainha.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Posso começar? — a Senhora chama a atenção para si de novo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A fala dela tinha um tom de pedir permissão que poucas coisas naquela noite teriam, Dante sabia, mas só porque fora daquele espaço, ela era uma submissa como ele. A noite era uma exceção e ela parecia estar se divertindo, mas hábitos eram difíceis de largar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim — sua Rainha e Madame responderam juntas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Senhora se ajoelhou diante de Dante, entre suas pernas, com um sorriso muito safado no rosto. Dante sentiu os dedos tremerem e torceu para que isso passasse minimamente despercebido no meio de todas as outras coisas. Seu estômago estava gelado em antecipação, se perguntando como ela faria isso e o que ela faria na sequência. O que cada uma delas faria na sequência, na verdade, e quais das opções que Dante dissera que eram seguras realmente foram parar nas cartas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Fechou os olhos, tenso, ansioso, mas logo abriu quando sentiu os dedos da Senhora sobre o seu quadril, buscando o nó do laço. Os olhos dela brilhavam, sem desviar o olhar do laço entre as pernas dele, e suas mãos pareciam tão trêmulas quanto as de Dante. Ela desfez o nó e puxou a fita com a ponta dos dedos, afastando-o do corpo de Dante e exibindo-o por completo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Pelado de verdade agora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O olhar da Senhora dava a sensação de estar sendo devorado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Posso tocar? — Ela perguntou, a voz baixinha e arranhada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E isso não foi sorteado de nenhuma carta, mas obviamente Dante havia consentido em ser tocado e a pergunta não era, na verdade, para ele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Só não deixa ele se divertir muito — Madame respondeu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Senhora acenou que sim, concordando, e logo voltou os dedos para entre as pernas de Dante. Ele não conseguiu conter muito bem o calafrio que se espalhou quando ela pôs os dedos ao redor de seu clitóris. Apertou os lábios bem firme para não gemer, mas sentiu sua respiração mudar mesmo assim, teimosa. Senhora desceu os dedos até sua entrada, escorregando muito, muito fácil.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Um buraco tão bom de adorno... — sua voz continuou arrastada, baixinha, quase inaudível. — É errado querer foder a decoração?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ah, como era possível ele estar se sentindo tão bem e tão desejado, mesmo com tão pouco? Nada havia sido feito, mas Dante conseguia sentir o desejo estalando na Senhora como uma coisa viva, como se ela mal pudesse se conter. Ele se perguntou se debaixo daquela saia curta ela já estava dura e melada. Se perguntou se o deixariam chupar o pau dela até ela gozar na garganta dele só por diversão. <i>Ah</i>. Estremeceu de novo. <i>Inferno</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vai fazer muito mais do que só foder a decoração hoje, meu amor — Madame afirmou, rindo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante só então voltou a olhar para ela e viu sua Rainha servindo copos de sangria para as três. Ela parecia muito em paz, exatamente como Dante imaginou que ficaria. Sua Rainha era sempre muito centrada, e, quando não queria demonstrar muitas emoções, não demonstrava. Dante era especialista em notar suas mudanças sutis, entretanto, e conseguia ver o pequeno curvar que não sumia dos lábios dela, ou o volume de seu pau marcando o vestido de forma discreta, porque suas calcinhas eram excelentes.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madame deu um gole na sangria antes de puxar a primeira carta. Dante achou que ela leria em voz alta, mas ao invés disso ela ficou parada, a expressão ilegível. A Senhora se aproximou, parando ao lado dela para ler também, e perguntou bem rápido:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Posso?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Distraído, Dante demorou um segundo para reparar embaixo da saia da Senhora. A calcinha dela evidentemente não foi feita para comportar seu pau, que estava duro e desajeitado embaixo do tecido. As coxas dela eram fartas, e a visão desse ângulo era tão tentadora e deliciosa que fazia Dante querer pedir coisas, o que não devia fazer. Um bom adorno deveria se comportar. Deveria aceitar. Deveria <i>esperar</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Claro, meu bem — Madame deixou a carta sobre o sofá, longe das vistas de Dante. Só descobriria o que seria feito quando a Senhora o tocasse. Terrível e delicioso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Acompanhou com os olhos conforme a Senhora voltou exatamente para o lugar onde estava, de novo entre suas pernas. Ela se ajoelhou ali e sem muita hesitação e ergueu as pernas de Dante apoiando as palmas das mãos em suas coxas, uma de cada lado. Olhando para ela, do ângulo que estava, Dante se perguntou o que ela faria. Se seria com dedos ou com a boca, e se seria no seu clitóris ou... ou. Mas a resposta não demorou a vir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Senhora desceu as mãos até sua bunda, apertando com firmeza por um segundo antes de afastar suas nádegas e sorrir como o diabo provavelmente sorri diante de um pecador. E essa foi a última visão de Dante, porque a Senhora se abaixou e lambeu seu cu com vontade. Dante poderia ter se preparado melhor, respirado mais fundo, tentado garantir que seus músculos não se remexeriam sozinhos, sem permissão, mas de alguma forma, mesmo sabendo o que viria, ainda foi pego de surpresa e precisou morder o lábio com força para não gemer.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tentou concentrar seus tremores em suas mãos, que imaginou estarem menos visíveis que o resto de seu corpo, mas teve pouco tempo para pensar qualquer coisa porque logo Madame puxou outra carta e só a ideia de que teria mais mãos em seu corpo já foi o suficiente para fazê-lo tremer de novo. Isso estava dando muito, muito errado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela não deixou Dante saber o conteúdo, apenas mostrou para Rainha e cochicharam entre si. Dante olhava de uma para outra, tentando ter algum aviso, alguma coisa para se preparar, mas já era difícil ler as duas normalmente, e ainda mais com a Senhora se esforçando tanto para lamber e chupar e enfiar a língua nele, apertando tanto sua bunda, com certeza deixando marcas que sua Rainha admiraria no futuro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sua Rainha se levantou bem quando a Madame se ajoelhou ao seu lado, e Dante olhou para ela uma última vez, curioso, quando ouviu Madame dizer:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você traz as presilhas?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Oh</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sua Senhora concordou, e Madame apenas sorriu de volta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você vai ficar bem quietinho pra mim, adorno?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Seu instinto foi dizer que sim, ou acenar que sim, mas ele parou no último segundo, já na metade do movimento. A Madame sorriu, vendo seu esforço.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Muito bom... Quietinho agora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E então ela lambeu o mamilo esquerdo de Dante e o mundo se dissolveu por um segundo. De alguma forma, mesmo sem verem uma a outra, a Senhora e Madame sincronizaram suas lambidas e movimentos. Era como se tudo que a Senhora estava fazendo em sua bunda fosse replicado perfeitamente em seu mamilo, cada sugada, lambida. E era terrível, mas era delicioso. Dante tinha mamilos sensíveis, e se Madame não sabia disso antes, parecia estar se deliciando com a descoberta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ao invés de ficar mais fácil se comportar, entretanto, ficou obviamente mais difícil quando Madame começou a morder também. Seus peitos eram pequenos, mas Madame não pareceu se importar em nada, e mordeu e lambeu e sugou, e a Senhora também estava empolgada, apoiando agora as pernas de Dante em seus ombros e o lambendo com tanta devoção.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando sua Rainha voltou e se sentou do lado direito de Dante, ele precisou admitir para si mesmo, um pouco envergonhado, que talvez fosse incapaz de ser obediente a noite inteira. E queria, queria muito, mas como se as presilhas de metal em suas mãos não fossem provocação o suficiente, sua Rainha trouxe também uma vasilha com cubos de gelo. Os dois eram uma promessa que não precisava de palavra alguma para desestabilizar Dante ainda mais. Ele se sentia quente, muito quente, trêmulo por dentro, controlando tanto quanto conseguia sua respiração inquieta e seus músculos que teimavam em se mover por contra própria.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Quer fazer as honras? — sua Senhora estendeu uma das presilhas para a Madame.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Na verdade... — Ela olhou para o pote com os cubos de gelo. — Me mostra o seu truque.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Oh</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Oh.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante sabia o que viria. Sabia o que viria e mais uma vez não conseguiu se preparar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vamos fazer juntas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não havia como se preparar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante fechou os olhos, decidido a não abrir de novo, ao menos não por um momento. Decidido a aguentar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quis morrer quando sentiu os cubos de gelo contra os seus mamilos, os dois ao mesmo tempo. A sensação era absurda, mais ainda dado que seu corpo estava muito quente. Sentia os mamilos mais saltados ainda, tão, tão sensíveis, tão gelados, molhados com a água derretendo, e conseguia ouvir a conversa entre sua Rainha e Madame. <i>Ah, tão durinho</i>, uma disse, <i>Sim, sim, ele é muito sensível</i>, a outra respondeu. <i>E se eu chupar também?</i>, <i>Depois é só por mais gelo e a presilha. E aperta bem. Ele gosta quando dói</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ah, Dante estava perdido tão cedo. Tudo parecia um sonho, um sonho do melhor tipo, e deveria agradecer muito sua Rainha por essa ideia, por esse momento, porque Dante sequer saberia dizer se merecia algo assim. A honra de ser um objeto tão importante, a honra de receber tanta atenção. E Madame logo voltou a passar a língua quente sobre o seu mamilo, brincando com as sensações de um lado enquanto sua Rainha apertava a presilha do outro, puxando e maltratando como só ela sabia fazer. Bom demais. Infernal demais. Sensível, sensível demais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante sequer percebeu quando foi que começou a suspirar e gemer baixinho. De alguma forma ainda teve o senso de ser minimamente discreto e silencioso, mas ainda assim gemia, o peito arfando a cada movimento de sua Rainha, de Madame e da Senhora. Era muto difícil ficar quieto, em silêncio, e ficava mais difícil a cada segundo, a cada toque, a cada puxão da presilha ou mordida da Madame ou passada de língua da Senhora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— O que acha de uma mordaça? — Sua Rainha perguntou, mas Dante sabia que a pergunta não era para ele. — Gosto do nosso adorno caladinho e obediente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madame não respondeu de imediato e se afastou um pouco. Dante abriu os olhos e a viu puxando outra carta do topo do baralho, sorrindo para ela com malícia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ainda não. Olha. — Ela mostra a carta para a Rainha, novamente sem permitir que Dante veja seu conteúdo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Quer escolher?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madame acenou concordando, mas antes de se levantar prendeu a presilha também e puxou as duas de uma vez, fazendo Dante soltar mais um arfar involuntário. A dor era deliciosa demais. E Dante queria ser um bom garoto e ficar quietinho, queria continuar merecendo esse presente de natal, mas era difícil quando elas continuavam o provocando e sorrindo sempre que conseguiam arrancar alguma reação dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Parecendo se aproveitar da deixa, a Senhora se levantou também, os lábios e o queixo molhados de saliva, também com um sorriso no rosto, e, ignorando Dante — que queria muito protestar e pedir para ela continuar, para ela fazer <i>mais</i> do que só passar a língua nele —, puxou uma carta do baralho também. E depois outra. E mais uma.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ah, que conveniente. De primeira, justo a que eu queria!</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante segurou uma risada, mas só até ela levantar a mão e lamber os próprios dedos um a um, devagar. Cada movimento dela era tão erótico e deliciosamente vulgar, que, embora Dante estivesse amando estar amarrado e a serviço e apenas uma coisinha para ser usada e fodida, queria também se ajoelhar e se oferecer para lamber os dedos de Senhora ele mesmo, queria beijar seus pés e agradecer por como ela havia o chupado, deixado tão melado e tão sensível. Ela era boa demais. Todas elas, boas demais com ele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Onde? — A Senhora levantou a carta, mostrando para alguém que estava atrás de Dante e ele não sabia quem era.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Continue preparando a bunda dele — a Madame respondeu. — Sinto que em breve vou precisar que ela esteja pronta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tudo que elas diziam chegava em Dante no formato de uma bala. Conseguia sentir sua buceta pulsando, seu clitóris duro, mesmo sem se tocar, mesmo sem ver. <i>Será um prazer</i>, foi a resposta da Senhora que Dante só processou pela metade. E a observou lamber de novo o dedo indicador com bastante intensidade, melando-o inteiro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Antes que ele pudesse vê-la se ajoelhar de novo, entretanto, sua Rainha e Madame se sentaram uma de cada lado do seu rosto, desviando sua atenção mais uma vez. Madame segurava um dildo médio, um dos que Dante adorava — em todos os sentidos —, e sorria para ele, parecendo imaginar tudo que poderia fazer.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Diz quando você começar, Lis. — Madame falou, olhando para Senhora brevemente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você vai saber.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E então ela esfregou dois dedos melados de saliva no cu de Dante, fazendo-o tremer um pouquinho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Viu? — Ela sorriu. Todas elas pareciam estar o tempo todo rindo de como ele era inquieto e era delicioso e terrível em partes iguais. — Ele está se esforçando, mas não resiste. Não resiste quando a gente encosta nele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Como se precisasse provar mais uma vez o que disse, ela enfiou um dedo e Dante fez mais do que tremer por um segundo. Seu quadril se moveu na direção do dedo dela e seu peito se inflou de ar de uma vez. Ao menos conseguiu conter os gemidos. Estava torcendo para seu orgasmo não estar condicionado ao seu comportamento, ou ficaria frustrado a noite inteira.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela não esperou que Dante se acostumasse e não perguntou se poderia continuar, apenas continuou. Tirou o dedo e colocou de novo, primeiro devagar, uma, duas, três, cinco vezes, mas logo estava rindo mais rápido, arrancando pequenas reações de Dante aqui e ali. Se conseguisse processar suas emoções, Dante seria capaz de entender que estava irritado consigo mesmo por não ficar parado, mas sequer tinha tempo para processar o que estava de fato acontecendo. Piorando sua situação, Madame puxou seu foco mais uma vez:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Abra a boca — ordenou, e Dante obedeceu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madame colocou só a cabeça do dildo na boca dele e Dante não precisou de uma segunda ordem para chupar e lamber com vontade. Da primeira vez que fizera isso, ele se sentiu levemente estranho. Como podia ser mais divertido vê-lo chupando um dildo quando o pau de sua Rainha estava logo ali, tão delicioso e melado? Mas muito rápido entendeu que era menos sobre sentir algo diretamente e mais sobre a sensação de poder, e tão logo percebeu que sua Rainha se sentia muito poderosa colocando-o para chupar dildos, Dante entendeu que gostava de agradá-la assim. Gostava de vê-la morrendo de tesão ao foder sua boca.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Então Dante chupou a cabeça do dildo até sentir baba escorrendo pelo seu queixo, até a Madame começar a lentamente empurrar o cumprimento do dildo mais e mais para dentro de sua boca; chupou enquanto a Senhora enfiou mais um dedo em sua bunda, abrindo aos poucos, indo cada vez mais fundo e mais forte; chupou mesmo que seu corpo não estivesse obedecendo seus comandos para ficar quieto e seus braços estivessem se remexendo contra as amarras, suas mãos se fechando e abrindo involuntariamente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Chupou até sua Rainha se demonstrar inquieta ao seu lado e acabar levantando e puxando seu corpo um pouco para cima na mesa. Sua cabeça tombou para trás, caindo para fora do tampo, o que evidentemente deu um ângulo muito melhor para Madame brincar com a sua boca.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Melhor. — Sua Rainha sorriu satisfeita.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ninguém protestou pela mudança súbita de posição, e Dante estava com a boca e a bunda e a <i>mente</i> ocupados demais para pensar em reclamar de qualquer coisa que fosse. O dildo desceu em sua garganta bem fundo uma, duas, três vezes. <i>Isso, adorno, isso. Me deixa usar sua boca deliciosa, mela esse dildo inteiro pra mim</i>. Os elogios de Madame só fizeram Dante se empenhar ainda mais, como se o dildo pudesse gozar em sua boca e encher sua garganta de porra. Queria os elogios, queria ser bom, queria mais, mais, mais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Senhora enfiou mais um dedo, três dessa vez, e estava fodendo seu cu sem medir nenhum movimento. Dante estava tão sensível que o mero respirar quente da Senhora — perto demais de sua buceta, mas, ao mesmo tempo, tão longe — parecia suficiente para fazê-lo gozar se continuasse se somando a tudo que já acontecia. Assim, dedos na bunda, um dildo fundo em sua garganta e sua Rainha segurando sua cabeça para trás, facilitando o acesso à sua boca, Dante estava na sua definição de paraíso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tão bonito, todo suado. — Sua Rainha desceu os dedos pelo seu peitoral.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Estamos bagunçando sua decoração, as marcas estão todas borradas agora — Madame a respondeu, ainda fodendo sua boca com vontade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ah, ainda mais bonito agora, não acha? Sinal de que está sendo <i>usado</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Ah</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Como era possível que sua Rainha soubesse como piorar o seu estado só com palavras?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Acho que ele está pronto, queridas — Senhora levantou a cabeça, parecendo também muito suada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela diminuiu os movimentos até quase parar e Dante quis gritar, em especial quando Madame tirou o dildo de sua boca, mas se impediu de falar no meio do caminho. <i>Quase</i>. Seu esforço em ficar quieto não passou despercebido por sua Rainha, entretanto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Adoro o quanto meu adorno é obediente. — Ela acariciou os cabelos dele. Dante sentiu sua pele corar. — Caladinho para sua Rainha.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante a amava. Dante a amava e servi-la era o mínimo, era pouco, e ver ela satisfeita com a sua obediência, ainda que tão falha, o deixava eufórico. Ele conteve um sorriso, mas se sentia ainda mais quente, tinha certeza que sua pele estava vermelha — se não das manchas de batom, talvez da sua vergonha e alegria e euforia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ao seu lado, Madame virou uma carta, duas, três, quatro. Aparentemente passaram do ponto da paciência e todas estavam escolhendo o que fazer dele agora. Não as julgava. Tudo das cartas estava ali porque era permitido, então tudo poderia ser usado, a ordem era mera formalidade. Na quinta carta, entretanto, Madame pareceu satisfeita.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ah! Segura. — Ela entregou o dildo para a Senhora, que o segurou pela base com cuidado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madame e Rainha se levantaram rapidamente, desaparecendo atrás de Dante, e Senhora usou esse tempo para espiar a carta jogada sobre o sofá.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Isso vai ser ótimo — ela murmurou para si mesma, e depois se virou de volta para Dante. — Mal posso esperar pra ver como você vai ficar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante escutou os passos de Madame e Rainha voltando logo em seguida e não precisou se perguntar por muito tempo o que a Senhora quis dizer. Madame tinha um segundo dildo em sua mão, do mesmo tamanho, mas mais grosso, e sentou ao lado de Dante de novo sem hesitar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Lambe esse também, adorno.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante obedeceu. Fechou os lábios ao redor da ponta do dildo de novo e se preparou para a grossura diferente. Deixou Madame empurrar o dildo até sua garganta, e se esforçou para deixá-lo bem melado com saliva. Sabia o que elas fariam e queria ajudar. Não que precisasse, porque tinha a grande suspeita de que qualquer coisa que enfiassem nele deslizaria sem problema algum a essa altura, mas apreciava o cuidado mínimo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Esse aí é pra bunda dele, Lis. —- Madame comentou, ainda fodendo a boca de Dante com o segundo dildo. — Mas pode usar a buceta dele de lubrificante. Aposto que está molhadinho e pronto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Parecia que ela estava lendo seus pensamentos. Como?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mas não comece ainda. — Madame impediu a Senhora no último segundo. Ela pareceu tão desesperada quanto Dante com a interrupção. — Carol, você pode encher meu copo, por favor?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sua Rainha deixou alguns itens ao lado da mesa antes de se levantar, e Dante não conseguiu ver o que era. Só viu de relance quando ela foi até a cozinha, buscou a garrafa de Sangria e voltou rebolando — tão deliciosa — para encher o copo de Madame.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante esperou que ela bebesse tudo, ou muito, mas ao invés disso ela bebericou um único gole e sorriu para Dante. Tirou o pau da boca dele com um gesto simples, sem aviso, e esperou. Dante sempre percebeu que sua Rainha e Madame pareciam se comunicar telepaticamente durante cenas, mas ficou surpreso mesmo assim quando sua Rainha o puxou para baixo na mesa, apoiando sua cabeça sobre o tampo novamente. Como ela sabia? E por que estava sendo movido de novo? Por um segundo chegou a acreditar que o objetivo delas era preencher todos os seus buracos, mas elas pareciam ter outros planos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Adorno... — Madame chamou a atenção de Dante, que virou o olhar para ela de novo. — Fique bem quietinho para mim, ok?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E então Madame colocou o copo cheio de sangria entre os peitos de Dante.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele prendeu a respiração, tenso, morrendo de medo de tremer, de se mover, de errar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Isso. Muito bom. Adornos não derrubam bebida.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tortura. Isso, sim, era tortura. Ser amarrado? Tudo bem. Ser usado? Delicioso. Ser fodido até estar fraco? Sim, por favor. Isso? Tortura.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O problema era que Dante amava ser torturado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Senhora enfiou o pau em sua buceta sem anunciar. Talvez Dante tivesse visto alguma coisa se estivesse conseguindo focar em algo que não fosse o movimento de seu peito e a sensação do vidro gelado sobre a sua pele, mas estava concentrado demais em não derramar tudo. Sequer se lembrou que deveria ficar calado. Gemeu com a voz arranhada quando a Senhora meteu de novo, e gemeu mais uma vez quando ela tirou o dildo e começou a esfregar contra o seu cu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Só a ponta primeiro. — A voz de Madame parecia distante agora. Dante mal conseguia processar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Elas enfiaram os dois dildos ao mesmo tempo, um em sua buceta e o outro em sua bunda, e Dante nunca em sua vida tinha sentido tanto pânico. Estava morrendo de tesão também, claro, óbvio — cada centímetro de dildo era um pouco de seu coração que morria e o deixava sem conseguir sequer controlar a própria voz, gemendo baixinho, arfando baixinho —, mas toda a atenção que ainda restava nele estava no copo em seu peito, na bebida balançando perigosamente, na ordem clara que recebeu para não se mover.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Adornos não derramam bebida</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E Dante queria tanto, tanto ser um bom adorno, boa decoração, bom de usar e de foder e obediente do jeitinho que elas gostavam. Sentia os olhos cheios d’água, ameaçando chorar, e só respirou minimamente aliviado quando elas pararam com os dois dildos inteiramente dentro dele, apertados, preenchendo-o.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alguns segundos para respirar. Para se centrar. Para tentar garantir que obedeceria. As lágrimas em seus olhos só começaram a escorrer de verdade quando sentiu a mão de sua Rainha acariciando seu cabelo com muita calma, um sorriso muito carinhoso no rosto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vou precisar te ajudar a ficar em silêncio?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante quis responder por favor. Quis implorar, ainda que não fizesse sentido, mas mordeu a própria língua e apenas acenou que sim. Queria ajuda. Precisava de ajuda. Sua Rainha era tão, tão boa em ajudá-lo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Que adorno bonzinho. Quer tanto assim ser um bom adorno? Bonito e quietinho para suas donas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante acabou suspirando de novo, acenando que sim, sentindo todas as coisas boas que sempre sentia quando sua Rainha o elogiava. Como a agradeceria? Quanto tempo seria necessário? Que bom que era dela. Teria a vida inteira, a vida inteira para ser bom e agradecido pelos cuidados que ela oferecia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O gesto de piedade de sua Rainha veio no formato de uma mordaça com uma bola. Ela passou a mordaça atrás da cabeça dele e encaixou a bola em sua boca aberta. Era um alívio. Como se quisesse exemplificar ainda mais sua misericórdia, sua Rainha bebeu mais um gole do copo, dando um pouco de margem para os erros de Dante que ambos sabiam que aconteceriam.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante queria se esfregar contra ela, queria se mover, mas não podia, não devia, devia agradecê-la ficando perfeitamente parado, aguentar cada movimento dos paus dentro dele, ainda que parecesse impossível, ainda que <i>fosse</i> impossível.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela era misericordiosa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tão, tão maravilhosa a sua Rainha.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Exceto que Dante estava errado, sua Rainha não era misericordiosa coisa nenhuma, e ele demorou ainda alguns segundos para perceber o que mais estava no colo dela. Foi só quando Madame e Senhora voltaram a mexer os dildos dentro dele, quando mordeu o lábio e fechou os punhos, decidido a não se mexer mais do que isso, decidido a controlar sua respiração, a ser um bom adorno, a agradar sua Rainha, a melhor Rainha, que Dante entendeu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não era misericórdia que movia sua Rainha, era o tesão, puro e simples. Se ela o deu o apoio da mordaça, foi unicamente para poder testá-lo ainda mais, e isso ficou claro quando Dante a viu levantando o vibrador em formato de microfone, sorrindo como o diabo sorri para um pecador corrompido.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante estava ferrado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Gemer seria o menor de seus problemas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Lembre-se... quietinho, adorno.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Foi a última coisa que sua Rainha falou, mas não faria diferença se tivesse falado algo mais porque Dante não iria ouvir. Não bastasse o desespero da antecipação do vibrador, Dante ainda se lembrou de súbito da câmera que o filmava, que filmava todos eles, e ele não entendia porque toda vez que começava a pensar que daria certo, que resistiria, que se acostumaria, algo o lembrava de que era falho. Não. Não tinha espaço em sua mente naquele momento para pensar nas imagens do futuro, para imaginar como estava naquele vídeo, necessitado, molhado, suado e tão aberto e fodido e usado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Fechou os olhos com força, afastando esses pensamentos justo quando os dildos começaram a entrar mais ritmados, mais fortes, mais fundos, e o vibrador entrou em contato com seu clitóris.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sua respiração falhou e ele sentiu seu corpo inteiro se mexer, tentando inconscientemente fugir do vibrador. Acabou abrindo os olhos de novo, assustado, temendo ter derramado toda a bebida, mas, por sorte ou milagre, o líquido estava todo no lugar. Dante estava gemendo, ou tentando pedir por piedade, ou falar alguma coisa, com certeza, mas tudo era engasgado pela bola da mordaça, saliva se acumulando em seus lábios e já ameaçando escorrer pelos cantos de sua boca.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Se fosse capaz de rir, Dante daria risada de si mesmo por ter pensado, minutos atrás, que sua Rainha era misericordiosa. Sua Rainha era o inferno, e era isso que Dante amava nela. Não fazia sentido ter esperado por facilidade, devia ter previsto o movimento de crueldade de fodê-lo ainda mais, de piorar sua situação. Devia ter imaginado como isso a deixaria tão mais excitada, tão melada, tão molhada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Ah</i>, <i>que maravilha</i>, sim, tudo que Dante precisava era, além de estar sendo fodido e provocado e estar tão desesperado, começar também a imaginar os paus duros de suas três donas, começar a se imaginar lambendo porra de cada uma delas, levando porra de cada uma delas. Era fácil demais de imaginar, fácil demais de se perder.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante já não tinha mais foco nenhum.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madame esticou a mão livre e puxou o copo para beber mais um gole, logo o colocando de volta no peito de Dante.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você pode gozar quando a gente esvaziar o copo, adorno. Até lá...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Os dildos estavam tão fundo, tão fundo dentro dele, e sua Rainha aumentou a intensidade do vibrador muito rápido, e o copo já se movia perigosamente para cima e para baixo a cada inspirar e expirar de Dante. Seria possível esperar? Seria possível aguentar? O pior, Dante concluiu, era que desobedecer talvez causasse punições <i>realmente</i> ruins, e não só mais tapas e sexo. E se elas parassem? Não, não poderiam, Dante não sobreviveria se ele gozasse e elas parassem de fodê-lo, se recusassem a tocá-lo pelo resto da noite, não. Dante aguentaria. Esperaria o quanto fosse necessário.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Senhora bebeu mais um gole do copo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Faltava pouco agora.  </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sua Rainha bebeu mais um gole.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Só mais um pouco.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Acho que quero mais — sua Rainha comentou, olhando para as convidadas. — Vocês ainda querem mais?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Estou com sede, sim — Madame respondeu olhando diretamente nos olhos de Dante. — Enche o copo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante não aguentava mais se controlar, se podar, se segurar. Era difícil demais, os dildos eram gostosos demais, o vibrador delicioso demais, e seu clitóris estava tão duro que doía, mas era bom, era muito, muito bom. <i>Mais um gole</i>. Dante queria mais. Queria que o mordessem, que o marcassem, que uma mão o enforcasse, que puxassem seu cabelo e gozassem na sua cara, no seu peito, sobre a sua buceta melada e usada, Dante queria tudo, tudo, tudo, queria que bebessem essa sangria e o deixassem gozar só pra começar tudo de novo, tudo, tudo de novo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Mais um gole</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante queria implorar. Ainda bem que estava usando a mordaça ou seu papel de adorno teria sido totalmente arruinado naquele momento, seria incapaz de não dizer <i>por favor, por favor Rainha, por favor Madame, por favor Senhora, mais, mais, por favor, por favor</i>, como um disco arranhado, um cachorro pidão, uma coisinha irritante e necessitada. <i>Mais um gole</i>. Estava tão melado e conseguia ouvir o som molhado do dildo entrando e saindo, conseguia sentir cada centímetro, cada movimento, cada, cada coisa, e...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Alguém encheu o copo de novo.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A saliva estava realmente escorrendo pelo seu pescoço agora, seus sons engasgados pela bola da mordaça, as risadinhas de suas donas ecoando como sinos dentro de sua mente, avisos, lembretes, promessas. Ele não aguentaria. Dante não aguentaria. Precisava gozar, precisava muito gozar, e que fosse logo ou morreria, ou explodiria, derreteria, entraria em combustão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele não aguentaria.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nem mais um segundo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sua Rainha puxou o copo e o bebeu inteiro de uma vez.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Estou com fome. — Ela anunciou para as outras. — Vamos deixar ele gozar e seguir com o jantar. Preciso de energia para continuar me divertindo com o melhor adorno do mundo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante não precisou que ela repetisse a autorização. Estava gozando antes mesmo de sua Rainha terminar de falar, na verdade, o corpo esticado e tenso por um longo momento antes de relaxar contra o tampo da mesa, tremendo um pouco, saliva escorrendo mais pelo canto de sua boca, lágrimas rolando livres por suas bochechas, e os dildos molhados, tão molhados.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Um vidro de lubrificante surgiu de algum lugar e o líquido foi derramado em abundância sobre a sua buceta, sendo levado pelos dildos para dentro dele, mais molhado, mais melado e barulhento, e elas... elas iriam fazer ele gozar... de novo?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não era possível.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante estava sensível demais, atordoado demais, não mais um bom adorno, agora apenas uma coisinha incontrolável, sofrendo, tremendo, um longo orgasmo parecendo já se emendar em outro quando sua Rainha aumentou mais um nível no vibrador.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Misericordiosa, risos</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante queria gritar. Queria dizer <i>obrigado, obrigado, obrigado, obrigado</i>, porque o orgasmo era intenso e delicioso e infernal e terrível. Era tudo que Dante sempre quis e tudo que elas estavam se esforçando tanto para proporcionar. Ele não merecia, um adorno tão inquieto, mas recebia mesmo assim de suas donas, de sua Rainha, <i>sua</i>, sua Rainha.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não parecia ter fim, até que teve.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sua Rainha abaixou o vibrador devagar, diminuindo a intensidade até parar. Os movimentos dos dildos foram ficando mais lentos e lentos, até saírem completamente também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante fechou os olhos e sentiu mãos removendo a mordaça de sua boca. Se elas queriam um adorno imóvel, conseguiram, porque parecia impossível se mover. Estava exausto, exaurido, com fome e sede também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vou te soltar, adorno — sua Rainha sussurrou em seu ouvido. — Você vai se ajoelhar ao meu lado da mesa, como o bom cachorrinho que é quando não está sendo meu adorno, e vai comer e beber o que eu colocar na sua boca. E quando estivermos todas satisfeitas, vou te amarrar de novo, mas dessa vez de quatro na cama.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dante abriu os olhos, sem saber se sentia pânico ou ainda mais tesão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Isso mesmo. Você é um cachorrinho muito educado, não vai deixar as visitas irem embora sem gozar em você, não é?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não deixaria.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Jamais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"></p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso! Um xêro e um queijo,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Kodinha</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i><b>Se gostou do meu trabalho, considere me </b></i></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=adorno-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"><i><b>apoiar no catarse</b></i></a></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i><b>! Você receberas rapidinhas antes de todo mundo, capítulos de novelas meses antes do lançamento, newsletter de fofocas mensal e textos e trechos exclusivos, e mais. 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  <title>Garotas perigosas - Parte 2 - Só uma rapidinha</title>
  <description>apenas seguindo ordens minha senhora</description>
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  <pubDate>Wed, 27 Aug 2025 21:00:00 +0000</pubDate>
  <atom:published>2025-08-27T21:00:00Z</atom:published>
    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
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    <div class='beehiiv'><style>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;">Boa noite safadinhes, como estamos? </p><p class="paragraph" style="text-align:left;">A apresentação hoje vai ser curtinha porque a história está grande e, risos, não sobrou muito espaço para introduções. Essa é a parte 2 da história do mês passado, você pode ler a primeira parte <a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/garotas-perigosas-1?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=garotas-perigosas-parte-2-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui.</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Queria deixar avisado que muito provavelmente essa história vai virar um continho na amazon também! Aguardem novidades. Beijos! Aproveitem!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i><b>Se quiser contribuir com a meta da freira e da madre, receber as rapidinhas antes de todo mundo, newsletter de fofocas mensal e textos e trechos exclusivos, considere </b></i></span><span style="color:inherit;"><span style="text-decoration:underline;"><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g&_bhlid=171b40959ce3873b349b49b3fefef8492dd3acf1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(82, 50, 87)"><i><b>apoiar o meu catarse</b></i></a></span></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i><b>. Além das recompensas, você me ajuda a continuar contando histórias!</b></i></span></p><hr class="content_break"><h1 class="heading" style="text-align:justify;" id="garotas-perigosas">Garotas perigosas</h1><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina acordou feliz no dia seguinte. Nem se deu ao trabalho de abrir os olhos, saboreando dentro de si as sensações que as memórias provocavam. Seus dedos continuavam semi-entrelaçados com os de Eva, a pele um pouco quente em todos os lugares que se tocavam, e as lembranças dançavam dentro de sua mente: o sorriso safado de Eva; os mamilos marcando a camisola, tão gostosos de sugar; os gemidinhos que ela soltava, seus suspiros desesperados; a pressão do corpo de Eva sobre o seu quando ela sussurrou <i>minha vez</i>. Uma promessa de retorno que acelerava o seu coração só de pensar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Essa sensação boa, essa felicidade e satisfação, era algo que Melina não sentia há meses. Tivera momentos bons no treinamento, claro, e costumava sentir bastante orgulho, em especial quando algo dava certo, mas a satisfação daquele momento era só talvez comparável a de ter sido chamada para estudar com a Mestre. Melina sorriu ainda de olhos fechados, se aproximando um pouco mais de Eva, fantasiando com todos os detalhes do corpo dela que ainda gostaria de explorar, todas as coisas deliciosas que ainda gostaria de fazer com ela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando Melina finalmente abriu os olhos, alguns minutos depois, a primeira coisa que viu, pelo canto do olho e por cima do montinho que Eva era na cama, foi a Mestre. <i>Merda</i>. A Mestre estava sentada em uma cadeira ao lado da porta, folheando o próprio diário, a expressão séria. O quarto estava claro, muito claro, <i>claro demais</i>, e Melina não precisou de um relógio para saber que estavam atrasadas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Se divertiu ontem, Melina? — a Mestre falou sem mudar a posição e nem olhar para ela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina sentou na cama de uma vez, assustada, e balançou o braço de Eva por baixo das cobertas, tentando acordá-la.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Já é de manhã? — Eva murmurou, a voz manhosa, esfregando os olhos com a mão direita.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva se espantou, entretanto, assim que colocou os olhos em Melina, provavelmente reparando em sua expressão assustada. Se virou para entender para o que ela estava olhando e logo se sentou também, se aproximando um pouco de Melina, como se estar alguns centímetros mais distante da Mestre fosse fazer alguma diferença. As duas ficaram ali, em silêncio, observando a Mestre, que continuava virando páginas do diário. O coração de Melina parecia que iria explodir, sua respiração acelerada e incerta, toda essa tensão e ainda não sabia o que falar, como poderia começar a se justificar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— De pé — a Mestra ordenou, como se soubesse que precisava interromper a ansiedade das duas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mesmo com a ordem, entretanto, o corpo de Melina não quis reagir. Ela encarou Eva, que também continuava parada, e as duas apertaram de novo os dedos embaixo da coberta. Juntas no bom, juntas no ruim, do orgasmo ao apavoro de serem pegas. Costumavam ser muito rápidas em obedecer todas as ordens da Mestre, mas a tensão da situação tomou conta das duas de um jeito novo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— De pé, garotas — a Mestre insistiu, fechando o diário sobre o colo e só então olhando para elas. — Não gosto de me repetir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A coberta se moveu na cama, saindo de cima delas e se dobrou perfeitamente em cima da cômoda. Mesmo que ainda usando a camisola, Melina se sentiu subitamente nua e exposta. Sentiu as bochechas queimarem e se forçou a colocar os pés para fora da cama, torcendo que Eva tivesse o bom senso de fazer o mesmo. Deu a volta ao redor da cama e parou do outro lado, perto de Eva, que também estava de pé. Resistiu ao impulso de segurar a mão dela ali, à vista da Mestre. Precisava se manter na linha agora se quisesse ter alguma chance de não arruinar seu futuro como magista.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Bom. — A Mestre cruzou as pernas e apoiou os braços contra o descanso da cadeira. Essa era uma cadeira <i>dela</i>, que não costumava ficar ali. Provavelmente havia trazido para esperar enquanto elas não acordavam. <i>Porra</i>, não fazia nem ideia do quanto estavam atrasadas e, pior, do quando estavam ferradas. Ela fixou o olhar em Melina. — Não chegou a me responder. Se divertiu ontem, Melina?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina tinha certeza que essa pergunta era uma armadilha. Se falasse que sim, estariam encrencadas. Se falasse que não, seria mentira, e além de magoar Eva, eventualmente teria problemas com a Mestre, que com certeza saberia que era mentira. Enquanto decidia o que responder para tentar não piorar a situação para as duas, deu sorte, porque a Mestre decidiu continuar:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— De onde tiraram esse diário? — O olhar dela se virou para Eva, entretanto. — De onde você tirou esse diário, Eva?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva olhou para Melina, visivelmente nervosa, e mordeu o lábio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Foi na… na… arrumando a biblioteca. — A voz dela estava trêmula e as palavras saíam emboladas. — Na biblioteca ontem de manhã.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Hm. — A Mestre não pareceu surpresa. — E como você o abriu?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva não conteve a própria surpresa, mas demorou a responder em palavras. Ela juntou as próprias mãos, apertando os dedos como sempre fazia quando ficava nervosa. Se continuasse, logo estaria coçando os próprios braços e arrancando pelinhas soltas da boca. Melina puxou os dedos dela e segurou entre os seus, fazendo pressão e tentando lembrá-la que estava ali. Naquele momento uma possível punição era menos importante.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu só abri? — Pareceu mais uma pergunta do que uma afirmação. — Não deveria?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva moveu o olhar para Melina, parecendo cada vez mais confusa. Melina também não sabia o que tirar daquela conversa. Eva estava com medo e Melina não conseguia fazer nada sobre isso, o que era muito, muito irritante.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Como imaginei. — A Mestre se levantou e deixou o diário sobre a cadeira. Caminhou até Eva e passou os dedos no rosto dela. Melina prendeu a respiração, ansiosa. — Você, Eva, é uma garotinha perigosa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva de novo buscou o olhar de Melina, e isso pareceu irritar um pouco a Mestre, que segurou o queixo dela e virou seu rosto para frente de novo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Costumo gostar de garotas perigosas, então não se desespere, coisinha. — Por um breve segundo, a voz da Mestre soou quase maternal. Melina ainda não soube o que sentir. — Se conseguiu abrir meu diário sem problemas, isso só confirma que escolhi mesmo as mais poderosas. Ao menos, mais do que eu era naquela época.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Uma coisa diferente se espalhou por Melina. <i>Orgulho</i>. De si mesma, de Eva, de tudo que superaram para estar ali. Foram escolhidas, mas ouvir uma confirmação de que era boa era totalmente diferente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mas… — A Mestre apertou mais os dedos no rosto de Eva. — Diferente de mim, você não tem nenhum controle. Ainda não. Precisa ser lapidada, moldada, e vai ser excelente quando eu fizer de você o que eu quero. Até lá… — Ela tombou o rosto de Eva e passou a língua pelo seu pescoço. — Até lá, vou te tratar como o que você é, Eva. Uma garota perigosa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Essas palavras foram murmuradas no ouvido de Eva, mas Melina ficou arrepiada como se fosse com ela. O estômago de Melina estava enjoado, uma mistura de sensações esquisitas que ela não gostava — ansiedade, medo, inveja, <i>ciúmes</i>. Como se pudesse sentir — talvez pudesse mesmo, o que era assustador —, a Mestre se virou para Melina.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E você… De um lado, alguém que não percebe que está a um gemido de partir as paredes do próprio quarto. — A Mestre apontou para Eva, que se encolheu. — Do outro, você, Melina, com tanto medo de perder o controle do próprio poder que calcula bem até a força do próprio orgasmo. Um autocontrole admirável, uma resistência… impressionante, na verdade. — A Mestre não desviou o olhar enquanto falava e Melina sentia as bochechas queimarem, sentia a pele quente. — Muitas teriam deixado o poder da Eva tomar conta de tudo, mas não você. — A Mestre subiu a unha do indicador pelo pescoço de Melina até a ponta de seu queixo. — Foi muito boa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva estremeceu inteira.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Como você sabe de tudo isso? — perguntou, mas se sentiu inocente assim que a frase saiu de sua boca.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Acha que eu não sei de tudo, absolutamente tudo, que acontece dentro de minha casa? — A voz da Mestre era dura, e Melina encolheu um pouco. Pergunta estúpida. — Quanto leram do diário?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Quase tudo. — Eva respondeu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>O suficiente</i>, Melina pensou, mas mordeu o lábio inferior para não responder dessa forma. Ainda sentia um misto de surpresa e irritação com a coisa toda, sem saber porque a Mestre fazia tudo da mesma forma de Anne, no fim das contas. Antes que decidisse se existia uma forma de fazer essa pergunta sem ser repreendida, a Mestre continuou:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Entendo. Então vocês sabem tudo. Ao menos do meu primeiro ano com a Anne. — A Mestre se afastou um pouco, parecendo pensar. — Sempre achei que faria tudo diferente quando fosse a minha vez, até que minha primeira pupila pegou fogo se esfregando no próprio travesseiro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Ela… o quê?</i>, Melina pensou, incrédula.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Foi só aí que entendi que não eram só as pupilas de Anne que eram fracas, ou que os métodos dela eram questionáveis. Quase todas as garotas não têm controle do próprio fogo e de como ele afeta o poder. Até por isso, a maioria nem vale a pena ser treinada. Desde então, escolhi minhas pupilas a dedo, e deixei cada uma transar <i>na hora certa</i> — a Mestre enfatizou as últimas palavras como um ataque.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina nem sentiu a dor da ofensa, porque ainda estava paralisada pensando que a maioria das garotas não valia a pena ser treinada, e, ainda assim, ela e Eva estavam ali, levando bronca seis meses depois de terem sido escolhidas. Isso significava que elas valiam a pena? Que não eram tão descontroladas assim?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— O celibato é para o bem de vocês. O início do treinamento é o equivalente a uma adolescência mágica, e tudo está desgovernado, inclusive os hormônios. Pegar fogo é <i>pouco</i> perto do que pode acontecer. — A Mestre olhou demoradamente para Eva, depois para Melina. — Mas, minhas garotas, como vocês querem tanto transar, a ponto de me desobedecer, talvez seja hora de fazer diferente. Pularemos muitas etapas, mas seguindo as regras dessa vez, certo?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina e Eva concordaram rápido. Melina foi tomada pela curiosidade de uma vez. Qualquer resquício de arrependimento desapareceu, porque agora saberia de verdade como era ser treinada, sem coisas básicas para iniciantes. Se sentia, finalmente, uma iniciada da Mestre. Achava que conhecia a sensação, mas estava enganada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vamos. — A Mestre abriu a porta, indicando o caminho para as duas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mestre, nossas roupas… — Melina apontou para os robes em uma arara no canto do quarto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não há necessidade. Sempre que formos treinar nessa sala, nesses termos, vocês têm a opção de irem nuas ou usando as camisolas de dormir. Sem roupas íntimas, naturalmente. Quero acesso livre a tudo que eu quiser usar. — Ela fez uma pausa. — Para o treinamento, ou não.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina sentiu cada palavra queimando debaixo de sua pele e saiu do quarto com a certeza de que voltaria uma mulher diferente. Se sentia pronta — ou, ao menos, sabia que precisava estar pronta, não era uma opção. Se antes da noite anterior e desse sermão matinal Melina já se irritava com as restrições, depois de tudo isso a chance de aceitar não poder tentar coisas — ainda que tivesse a chance de falhar e ser punida — era nula. Não importava quantas palmadas na bunda levasse, ou qualquer que fosse a punição desse suposto <i>próximo nível</i> de treinamento. Agora que a caixa de pandora havia se aberto, não havia como fechar ou voltar atrás.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Então, naturalmente, a caminhada até a sala de treinamento pareceu demorar uma eternidade. Elas passaram direto pela antiga sala de estudos, e Melina teve certeza de que estavam indo para a única sala do lugar — além dos aposentos da Mestre, é claro — que ficava permanentemente trancada. Todo tipo de atrocidade passou pela mente de Melina, fantasiando sobre o que estava atrás daquela porta, que tipo de objetos, que tipo de treinamento, como seriam punidas, e, <i>deusas</i>, como seriam recompensadas também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O som da chave na porta — uma trava física em uma casa de magista era algo inusitado, e, ao mesmo tempo, uma demonstração de poder assustadora — fez o coração de Melina acelerar ainda mais, como ela nem sabia que era possível. A sala, entretanto, não tinha nada de intensamente especial. Todas as paredes eram de madeira antiga, e, ao fundo, um desnível destacava algo que poderia ser considerado um altar, de certa forma, ou o trono de uma rainha, talvez.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não havia móveis a vista além de um trono de madeira detalhada perto da parede ao fundo, e, Melina notou alguns segundos depois, quando conseguiu parar de observar o trono, do lado direito estava uma espécie de cadeira, ou, talvez, mesa de tortura. Por cima dela, deitada com o tronco sobre um tecido escuro, os braços amarrados atrás do corpo, as pernas presas aos pés da mesa, estava Agatha.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina, Eva e Agatha costumavam fazer as refeições juntas quase todos os dias, às vezes se banhavam juntas também, mas as interações entre elas acabavam aí. Agatha estava em treinamento há dois anos, sempre fazendo algo que as garotas desconheciam, e, muitas vezes, nem estava na casa. Mas Melina não estava pensando em nada disso, não naquele momento, não quando entendeu plenamente o que estava acontecendo no canto daquele quarto. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Agatha estava suada, a pele brilhando, e estava rodeada de efeitos mágicos. Um pênis grosso metia na buceta dela, sua bunda estava vermelha, seu cabelo estava desgrenhado, o chão aos seus pés, molhado. Apesar da cena desesperadora, ela estava em silêncio. Melina não conseguia ver o rosto de Agatha, mas poderia apostar que ela estava com a expressão concentrada, fechada, os lábios apertados. Como? Como ela conseguia ficar concentrada e em silêncio e quieta e tão… calma?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sexo é uma ferramenta, garotas. De ensino, de poder, e de punição, também. Quanto mais eu deixo, maior é a punição por errar, vocês entendem? — A voz da Mestre vinha de trás dela, e Melina precisou se esforçar muito para continuar se concentrando nela e não se perder na visão de Agatha. — Você, você entende, Eva? Preciso que você entenda.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina se virou, impressionada com o tom duro da Mestre, e reparou que Eva estava flutuando a alguns centímetros do chão, o olhar fixo em Agatha. A Mestre segurou Eva pelos cabelos com firmeza e estava falando em seu ouvido. Melina apertou os punhos, se esforçando para não voltar a olhar para Agatha, para a tentação, para não cair como Eva nitidamente parecia estar caindo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— A Melina é minimamente controlada, Eva, e espero que você dê a ela o devido agradecimento porque é por ela que você também está aqui nesse momento. — A Mestre continuou a falar no ouvido de Eva, mas Melina ouvia tudo. — E até que você consiga se controlar também, você só vai assistir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Uma das primeiras coisas que aprenderam com a Mestre foi a identificar de onde uma magia estava vindo, quem a estava executando e quem estava sendo alvo. Isso nem sempre era fácil de fazer, porque quanto mais treinada a magista, mais ela conseguia esconder os próprios rastros, mas, muitas vezes, eles eram deixados em evidência de propósito. Melina soube exatamente quando Eva parou de flutuar porque sua magia estava levemente fora de controle e passou a flutuar porque a magia da Mestre tomou conta do corpo dela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mestre? — Eva reagiu assustada, buscando o olhar da Mestre.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— É para o seu bem, minha garota. — A Mestre deu um beijo na bochecha dela. — Você vai poder assistir, e quando eu confiar que você não vai explodir minha casa, te solto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva fez um beicinho e Melina quis correr para abraçá-la.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu não explodi nada ontem — ela murmurou baixinho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Porque eu não deixei — a Mestre respondeu de forma simples.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não pareceu haver espaço para discussão. Melina se perguntou se existiria alguma forma de ajudar Eva quando não estivessem em treinamentos obrigatórios. Até aquele momento estavam iguais em tudo, em todos os treinamentos, e a sensação de ser treinada sozinha era estranha. Não queria que Eva ficasse só olhando, não queria que ela ficasse para trás.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva flutuou um pouco mais acima do chão, suas mãos atrás do corpo, as pernas um pouco abertas no ar, e a visão de seu corpo assim, entregue, causou um tormento que Melina não queria admitir que sentia. O ar daquela sala cheirava a sexo, a orgasmos reprimidos, a suor e tesão e desespero, e os mamilos de Eva estavam rijos, a camisola colada em alguns pontos do corpo dela pelo suor, as bochechas vermelhas, e tinha o olhar de quem queria <i>implorar</i> por alguma coisa. Tudo isso foi estremecendo a confiança de Melina. Muita coisa, muitos estímulos, muito, tudo era muito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Como eu disse, Melina… — A Mestre apareceu ao lado de dela, sem deixar um rastro de como se moveu de um lugar ao outro. — Vejo como você está se esforçando, mas sei que está no seu limite. — A Mestre respirou fundo contra a orelha de Melina, soltando um ar quente que só piorou o estado dela. — Seu coração está acelerado. — Deixou um beijo ali, e soltou mais um suspiro. Era um teste, e Melina estava falhando. — Por muito pouco sua aura mágica não está perceptível fora da casa, minha garota, e você sabe que isso é um erro grave.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina não gostava da sensação de perder o controle. Nunca gostou, e agora que seu treinamento estava sendo posto à prova gostava menos ainda. Mas sabia, sexo sempre fora seu ponto fraco. Gostava de se entregar, de sentir, e era estranho precisar estar tão em alerta. Se perguntou, por um momento, se algum dia ficaria mais fácil. Se seria como a Mestre disse, catalisador, mas não destrutor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sua primeira tarefa de hoje é bem simples, Melina — a Mestre parou de sussurrar no ouvido dela, o que aliviou bastante a sensação, mas Melina tinha certeza que esse alívio não duraria muito. — Quero que inspecione Agatha.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Inspecionar? Como em uma cena? Melina deve ter demonstrado alguma surpresa, porque a Mestre logo adicionou:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tenho certeza que você conhece o termo, Melina, porque sei bem que você não era conhecida por santa antes de vir para cá. — A Mestre tinha um sorrisinho nos lábios. — Quero que inspecione a Agatha para que você saiba como uma boa garota deve se comportar. Magicamente, claro, mas fisicamente também. E compartilhe seus pensamentos em voz alta, para Eva aprender algumas coisinhas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina prendeu a respiração, tensa, antes de se virar novamente na direção de Agatha. Fechou os olhos uma última vez e se virou, se esforçando para que tudo de sua magia continuasse nos lugares que deveria ficar. Sabia exatamente o que a aguardava, e, ainda assim, foi um desafio se manter no controle. Se fosse apenas uma inspeção mágica, poderia fazer tudo dali, no pouco conforto que a distância trazia, mas não era. Sabia que precisaria caminhar até lá, um pé depois do outro, mesmo que suas pernas falhassem a cada passo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Demorou muitos segundos para cruzar a curta distância, e quando finalmente chegou, se virou para a Mestre, mas a expressão dela não demonstrava raiva ou desgosto. Melina engoliu muita saliva, tentando limpar a garganta, e usou esse tempo para concentrar sua magia na de Agatha. Era só nisso que queria pensar, ainda que não conseguisse deixar de perceber como a pele dela estava suada e parecia quente, como ela tinha inúmeras sardinhas nas costas e, <i>deusas</i>, Melina precisou de uma força sobre-humana para resistir a vontade de se ajoelhar e lamber o suor em cada uma dessas pintinhas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— É… — Sua voz saiu arranhada quando tentou falar. Tossiu uma vez, nervosa, os dedos trêmulos. Sentia a própria magia trêmula também, querendo sair. — Quase sem aura mágica. Eu… — Melina esfregou o próprio rosto com uma das mãos, tentando se concentrar, <i>precisava</i> se concentrar. — É difícil sentir, ela é boa nisso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O elogio foi sincero e de forma alguma uma tentativa de provocação, mas Melina sentiu a magia de Agatha reagir. Foi rápido, um mero segundo antes dela se concentrar novamente, mas estava ali. Todas elas eram iguais, então? No fundo, apenas garotas safadas sedentas por elogios? <i>Foco, Melina, foco</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— O coração está um pouco acelerado, mas de forma bem controlada. Como se… —- Melina não conseguiu encontrar as palavras certas para descrever o que estava pensando. — Consigo ver que ela está sentindo coisas, mas ela não me deixa perceber isso. Ela poderia muito bem estar… sei lá, varrendo os corredores da casa há alguns minutos, acho que as minhas impressões seriam parecidas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mas? — A Mestre questionou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina desviou o olhar para ela de novo, pensativa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu <i>sei</i> que a magia dela está maior do que consigo sentir, mas não consigo mensurar, mesmo me esforçando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vai melhorar. — A Mestre abriu um sorriso quase maternal. Melina se sentiu bem. Se sentiu boa. — Por hora, se concentre em conferir o balanço mente e corpo. Veja como controlar uma coisa não significa impedir a outra de sentir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina se aproximou com cuidado. Notou rápido que, quanto mais perto, mais ficava evidente que não era exatamente a aura mágica de Agatha que era pouca, e sim que estava sendo comprimida, apertada. Com muito cuidado e atenção dava para sentir essa força ao redor dela que a mantinha exatamente no lugar, quase imóvel, silenciosa, <i>obediente.</i> Ainda assim, quando Melina se abaixou de frente para Agatha, notou lágrimas escorrendo de seus olhos. Não eram de tristeza, isso era bastante óbvio, e os olhos de Agatha encararam Melina tão profundamente que ela se sentiu exposta, ainda que Agatha estivesse nua e Melina parcialmente vestida.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Só de olhar para o rosto dela, Melina soube que Agatha estava uma bagunça. As linhas de lágrimas partiam do canto dos olhos e desciam pelas bochechas vermelhas, os lábios se mexiam pouco, só para pequenos arfares que ela soltava e não pareciam produzir som algum, o vermelho na pele descia pelo pescoço até o colo dos seios. Melina queria continuar descendo o olhar e conferir como estavam os seios de Agatha, mas sua curiosidade falou mais alto e ela acabou aproximando os dedos da boca da garota, tentando entender como ela fazia o que estava fazendo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não toque — a Mestre a interrompeu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Desculpa, Mestre — Melina se afastou rapidamente. — Só fiquei curiosa. Acho que tem alguma magia na boca dela, ou na voz dela, mas não consigo identificar daqui.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Nossa voz é poderosa, Melina, e cada uma encontra sua forma de controlar quando ela deve ser ouvida e quando não. Essa é a dela. — A Mestre fez uma pausa e Melina ficou ali, encarando o respirar silencioso de Agatha. — Continue a inspeção e lembre de <i>falar</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina aproveitou a deixa para se ajoelhar, para então conseguir ver melhor como estavam os seios de Agatha, e de novo sentiu a magia dela mudar brevemente. Por fora, Melina não demonstrou nenhuma reação, mas por dentro, sentiu um certo triunfo ao perceber que, mesmo muito mais experiente, Agatha ainda era afetada. Pouco, porque muito controlada, mas certamente afetada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Com essa confiança adquirida, Melina se inclinou bem perto de Agatha. Não iria tocá-la, de forma alguma quebraria uma ordem tão direta da Mestre — ao menos não depois de, bom, já ter quebrado uma ordem da Mestre —, mas queria ver o quanto conseguia afetar a outra aprendiz. Mesmo que, no fim, isso talvez causasse punições para as duas. Melina se inclinou até estar bem perto dos seios dela, pendendo para baixo, grandes, inchados, os mamilos rijos. Estavam vermelhos, até levemente roxos em algumas partes, e muito nitidamente foram alvo de alguma magia na última hora. Estavam visivelmente sensíveis e, Melina logo percebeu, esse jogo de provocação era muito perigoso. Sabia que não poderia tocar, mas queria, queria tanto tocar, queria sentir a pele quente, queria apertar os mamilos com a ponta dos dedos, queria passar a língua molhada neles e medir cada pequena alteração na magia de Agatha, cada coisinha que conseguiria provocar nela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina quase não resistiu por si mesma, quase decidiu que aceitaria a punição, mas como se soubesse das coisas terríveis que ela estava pensando, Eva murmurou:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Melina… Não.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A fala dela fez Melina imediatamente se levantar e recuar três passos para trás, se afastando do magnetismo de Agatha e da situação. Se perguntou, por um segundo, se a Mestre estava mexendo com ela de alguma forma também, agravando os desejos que já sentia. Melina respirou fundo e se concentrou de novo, pensando em si, pensando em Eva, que precisava dela agora mais do que nunca.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ela está… — Melina tentou primeiro escolher cuidadosamente as palavras, mas desistiu. — Com tesão, visivelmente. Não sei descrever de outra forma. Vermelha, choramingando, ainda que em silêncio, suada, e…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina queria completar com <i>melada,</i> mas só porque sabia, sem precisar olhar, como Agatha estava. Mas isso não era inspecionar. Ela precisava ver, conferir, e então dizer. Melina rodeou a cadeira-mesa onde Agatha estava, indo para o outro lado, e mordeu o lábio inferior, descobrindo que talvez fosse esse o seu método para controlar quando sua voz saía ou não.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Agatha estava com as pernas amarradas nos pés da mesa, exposta e aberta, e com um dildo mágico em sua buceta e um em sua bunda, metendo sem parar. Dizer que estava molhada era um eufemismo injusto com a situação: seu tesão escorria pelas pernas e pingava no chão, que deixava evidente há quanto tempo ela estava sendo torturada, e era muito. Melina se perguntou quantas vezes ela já tinha gozado nesse meio tempo. Em um segundo de horror, se perguntou se ela sequer pôde gozar nesse meio tempo. Não parecia ruim, não importando qual fosse a resposta, mas isso com certeza mudava o quanto foi desesperador. O quanto ainda era desesperador.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— É. Ela tá… muito molhada. — Melina sentia a própria voz saindo muito mais trêmula do que ela esperava. — Não acho que essa é a primeira coisa que… que está sendo feita com ela. Mas não sei dizer se ela gozou ou não. Certamente gostaria.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Porra. — Eva murmurou ao longe.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina sentia Eva brigando com o próprio desejo, sua magia vibrando, lutando contra as restrições da Mestre, querendo sair. Melina não duvidara quando a Mestre disse que o poder das duas era intenso demais, mas não teve dimensão do perigo que realmente correram na noite anterior até ver à distância como Eva parecia sofrer para se controlar. Com tão pouco já quase fora tomada pela magia dela. Teve sorte de ter decidido não continuar ou algo muito pior poderia ter acontecido.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Não. A Mestre não permitiria</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você foi muito boa, Melina. — A Mestre sorriu para ela, parecendo realmente satisfeita. — Venha aqui.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina caminhou até o local indicado, perto do trono ao fundo da sala, em silêncio. Não conseguia deixar de sentir a magia de Eva, agora muito mais claramente. Era diferente quando não era o alvo, quando a magia dela estava ocupada lutando contra a da Mestre e não estava mais se esgueirando por debaixo de sua pele. Conseguia ver com mais clareza agora o que a Mestre disse, a diferença entre o poder desgovernado de Eva e a sua cautela. Mesmo que o desejo estivesse ali, pulsando, urgente, Melina conseguia respirar fundo. <i>Precisava</i> respirar fundo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Está me deixando orgulhosa, Melina. — A Mestre voltou a falar e tirou Melina de seus devaneios. — Acreditei em você, e gosto quando minhas apostas são certeiras. — Melina sentiu as bochechas corarem. Era o olhar. Tinha algo no olhar da Mestre que fazia Melina querer se ajoelhar e implorar por mais elogios. — Ajoelhe-se.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina se assustou, por um segundo, ao receber uma ordem tão próxima de seus pensamentos. Obedeceu por instinto, de joelhos no chão antes que pudesse perceber o que estava fazendo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tão rápida. Tenho certeza que vai merecer uma recompensa hoje ainda. — A Mestra não tirava um sorrisinho dos lábios, e Melina não conseguia nem fingir que não era afetada por ele. Inferno de mulher bonita e, pior, que <i>sabia </i>que era bonita e poderosa. — Me conte o que vocês fizeram ontem, em detalhes.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina mordeu o lábio de novo. A Mestre estava certa em dizer que ela nunca fora santa, mas essa configuração era nova. Nova e desesperadora, de um jeito terrível, mas bom. Ainda assim, olhou para trás, para Eva, que agora estava levemente mais comportada, mas Melina sabia que era só questão de tempo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Elas vão ouvir. É parte do treinamento das duas. — A Mestra respondeu à pergunta não dita.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina olhou também para Agatha, ainda imóvel e em silêncio, ainda sendo torturada de formas inimagináveis. Agora, olhando com um pouco mais de calma e de menos perturbação para a cena, Melina tinha certeza de que não estava vendo tudo que estava acontecendo. Tinha <i>mais</i>, e era assustador imaginar como Agatha aguentava <i>ainda mais.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Obediente, apesar de tudo, Melina começou a narrar. Falou sobre o diário, sobre o que leram, sobre o tesão que sentiu. Falou sobre como estava observando Eva, e não deixou de fora nenhum dos pensamentos profanos que teve — com os seios dela, com a buceta dela, com a boca linda e macia dela. Se a Mestra queria detalhes, ela teria detalhes, e Melina esperava que os elogios fizessem bem para Eva também. Talvez a perturbassem ainda mais, o que seria um desafio, mas ela também precisava ser treinada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Descreveu cada movimento de mão, cada toque, cada coisinha, a sensação de sentir o gosto de Eva na língua, e relembrar cada coisa dava a sensação de viver a cena inteira de novo, o tesão se acumulando entre as pernas, os punhos fechados em um desejo que Melina queria mais do que tudo manter sob controle. Falou sobre o orgasmo de Eva, sobre a sensação deliciosa de ver ela gozar na sua boca, sobre como não tinha percebido o quanto queria isso, o quanto queria <i>ela</i>. Falou de como a magia das duas se entrelaçou com muita intensidade, como foi tentador se deixar levar, como por muito pouco não continuou deitada, de pernas abertas para Eva, e não terminou a frase, mas sentiu, de novo, receio pelo que poderia ter acontecido.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Agatha, minha querida, junte-se a nós. — A Mestre olhou para Agatha e, no mesmo instante, todas as magias se desfizeram. Num instante ela estava presa e carregada de estímulos, e, no seguinte, se levantando devagar. — Venha aqui.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Mestre colocou a mão sobre o próprio colo e Melina sentiu uma inveja adoecedora. Quase não se reconhecia com esses sentimentos estranhos, com esse desejo tomando conta de si. Ficava cada vez mais evidente porque a Mestre as controlava, porque precisavam de tanta disciplina. Se sentia exatamente como a analogia que ela usara, uma adolescente cheia de hormônios incontroláveis.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Agatha sentou no colo da Mestre, que fez um carinho no cabelo dela. <i>Sexy</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você pode dizer para elas depois de quanto tempo você teve autorização para ter seu primeiro orgasmo, minha querida? — O tom maternal voltou fortíssimo na voz da Mestre. Melina olhava <i>desesperada</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Um ano — Agatha respondeu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Bom. E foi comigo, garotas, e todos os orgasmos depois daquele foram autorizados, foram recompensas, porque Agatha é boa, obediente e <i>controlada</i>. — A Mestre enfatizou a última palavra encarando Eva. — Quero que vocês gozem, quero que seja bom, mas para isso, vocês precisam se provar. Eu nem sempre vou estar aqui para segurar a casa no lugar, para controlar o descontrole de vocês. — A Mestre parou por um instante e deu um beijo na bochecha de Agatha. — Está liberada, minha querida, e você pode gozar hoje. Duas vezes, na verdade, porque aguentou muito bem a inspeção da nossa Melina. — A Mestre fez as palavras <i>nossa Melina</i> soarem quase pornográficas. <i>Porra.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Obrigada, Mestre. — Agatha acenou antes de se levantar e sair.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A sala ficou em silêncio por alguns segundos. Melina se mexeu um pouco no lugar, virando para ver Eva, que ainda estava flutuando. A magia dela estava mais calma de novo. Ela estava se esforçando, Melina conseguia sentir, mas era difícil. Era evidentemente mais forte do que Melina, o que talvez explicasse toda a situação.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vamos testar uma coisa nova, garotas. — A Mestre parecia animada. — É a primeira vez que tenho duas garotas ao mesmo tempo, no mesmo nível de treinamento, e isso nos dá possibilidades. Eva, venha aqui também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina viu o momento em que ela desceu e os pés encostaram o chão, e estendeu a mão para ela quando viu que seus passos estavam incertos. As duas ficaram lado a lado, esperando a próxima ordem, aguardando o que Melina <i>sabia</i> que seria uma tortura. Deliciosa, mas ainda uma tortura.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Quero que façam o que fizeram ontem de novo. — A Mestra começou. — Com algumas condições.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">É claro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Nenhuma de vocês pode gozar até eu autorizar. E cada gemido, Eva, será punido. Controle a sua voz, é uma ordem. Eu <i>quero</i> você. — A Mestre se aproximou de Eva e sua voz amoleceu, evidentemente. — Quero te treinar, eu sei do que você é capaz. — Eva estava com os lábios entreabertos, suspirando, mas nenhum som saía de sua boca também. Aparentemente, esse também seria o método dela. Se não conseguia se controlar, era melhor desligar sua voz. — Vou te dar um voto de confiança, a minha palavra de que eu te quero aqui, apesar de estar sendo tão dura.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Mestre segurou o pescoço de Eva, um gesto possessivo e delicioso de assistir, e, distraída, Melina demorou a notar a magia que saia dos dedos dela. Linhas finas de couro entrelaçado se formaram ao redor do pescoço de Eva, evidentemente no formato de uma coleira. Uma guia apareceu atrás, e flutuou por um segundo antes de cair sobre as costas dela. Inveja. Melina sentiu <i>inveja</i>, mas não era doentio, não a consumiu. De alguma forma, sabia que existia alguma coisa reservada para ela, e só para ela, também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você é minha pupila, minha garota, Eva. E vai cuidar da sua coleira, porque será a única. Posso impedir que você quebre meus vidros, mas não vou impedir que rasgue sua coleira, você me entende? Ser punida será a menor das suas preocupações, mas sinto que você sabe disso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva acenou, concordando. Ela levou os dedos até a coleira, sentindo-a, e buscou o olhar de Melina. Eva parecia radiante, e, de novo, isso apagou qualquer sentimento ruim que Melina pudesse sentir. Ver Eva feliz era gostoso, gostoso demais. A Mestre parecia saber de tudo isso, entender perfeitamente a dinâmica das duas, e usava isso a seu favor. Melina não reclamaria.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E você, Melina, minha garota medrosa. — A Mestre se aproximou e fez um carinho em seu rosto. — Seu poder não deve ser temido, nem o seu desejo. Você precisa controlá-lo, mas não o suprimir. Se você fugir de todas as sensações, nunca será poderosa de verdade. — A Mestre sussurrou suas últimas palavras só para Melina ouvir: — Tudo que eu fizer com você a partir de agora vai ser dissipado ao menor sinal de resistência. Se você quiser ser treinada por mim, terá que deixar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina sentia o coração acelerado, a boca seca, a pele arrepiada com as palavras da Mestre. Não fazia ideia de como obedeceria essa ordem, como faria para não fugir do poder quando ele tentasse inundá-la. Queria o poder enquanto pudesse controlá-lo, mas agora tinha ordens específicas para <i>não resistir. </i>Parecia impossível.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Mestre sentou no trono e não disse mais nada. A ordem já havia sido proferida, elas já sabiam o que fazer, só precisavam fazer. Melina se virou para Eva devagar, buscando o olhar dela, alguma segurança, a antecipação e o desejo do que aconteceria em breve tomando conta muito rápido de sua cabeça.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva levou de novo a mão até o pescoço, deslizando a ponta dos dedos sobre a coleira. Melina se perguntou se teria permissão para puxá-la. Se algum dia poderia sentir tudo isso plenamente, se sexo voltaria a ser algo que fazia sem medo de explodir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Até lá, ela só poderia contar com a sorte de que a Mestre cuidaria das duas, e obedecer, obedecer e obedecer. Com essa certeza — e tantas, tantas dúvidas —, Melina deu um passo na direção de Eva, depois outro, até juntar os lábios nos dela de novo. E, <i>deusas</i>, como pode um simples beijo reordenar tantas prioridades. Talvez fosse sempre difícil, sim, talvez aprender fosse impossível, talvez sexo fosse para sempre feito desse equilíbrio tênue e frágil, <i>deusas</i>, talvez Melina nunca mais gozasse com a mesma força de antes, mas importava de verdade? Enquanto ela pudesse continuar beijando Eva e descobrindo coisas e tentando de novo, sentindo a magia dela seduzir a sua com tanta facilidade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina desceu os dedos do rosto de Eva para o seu pescoço, sentindo a coleira também, sentindo a magia da Mestre nela.  Eva estava com as mãos firmes no quadril de Melina, as unhas apertando sua pele. Melina conseguia sentir a concentração dela, como aceitava o beijo, mas lutava com o próprio desejo descontrolado. Melina se lembrou de como Eva estava no dia anterior, de como ela se inclinou na cama e disse <i>vem</i>, chamando, pedindo, e não aguentou ficar afastada por muito tempo. Beijou Eva de novo, depois o pescoço dela, abaixo da coleira, e apertou um seio com a mão esquerda. Por um breve momento só existiram as duas ali, perdidas uma na outra, tentando encontrar esse equilíbrio entre se perder e não se render.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— <i>Melina</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina ouviu seu nome como um gemido na voz de Eva e estremeceu, mas quando levantou o olhar, Eva estava em silêncio, arfando. Ela balançou a cabeça. A Mestre. A lembrança de que não estavam sozinhas, de que não transariam sozinhas, de que não eram os únicos efeitos mágicos naquele local, fez Melina ter certeza de que não precisava de calma. A Mestre cuidaria delas. Sempre cuidaria delas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina desceu as alças da camisola de Eva, deixando os seios dela a mostra, e desceu mais os beijos. Beijou o pescoço, o colo, e logo estava com um dos mamilos dela na boca de novo, sugando e lambendo e mordiscando de leve. Isso era bom, tão bom, e a magia de Eva parecia ligeiramente controlada, e Melina se sentia o suficiente fora de controle. Perfeitamente dentro das regras. Tudo estava perfeito. Delicioso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Até que Melina começou a ouvir barulhos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Assim que ela terminou de descer a camisola e se ajoelhou para chupar Eva, os gemidos começaram. A voz era igual a de Eva, aguda, arfando, baixinha, dando a sensação de uma garota prestes a segurar seu cabelo e esfregar sua cara na buceta dela. Exceto que Eva continuava relativamente imóvel, em silêncio, as pernas entreabertas, agora flutuando um pouquinho. Parecia de propósito, para facilitar o que Melina estava se preparando para fazer — estava beijando a parte interna das coxas, deixando mordidas, lambendo e subindo com as mãos espalmadas nas coxas dela, abrindo-as mais um pouco. Tudo isso e a voz não era dela, <i>de novo</i>, mas a sensação para o corpo de Melina era de que sim, estremecendo sua magia, abalando sua confiança.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A magia de Eva continuava buscando a de Melina, e a reação mais fácil era reprimir. Era se fechar, rejeitar essa magia, rejeitar os seus efeitos, mas a voz da Mestre ecoava em sua mente com força, tanta força: <i>você vai ter que deixar</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tentando muito deixar, só deixar, Melina fechou os lábios ao redor do clitóris de Eva, sentindo finalmente o gosto dela de novo — tão bom, tão terrivelmente, assustadoramente, desesperadamente bom —, mas, ao mesmo tempo, também sentiu duas coisas que se pareciam com dedos se esfregando em sua buceta. O gemido que escapou de seus lábios foi involuntário, e ela logo mordeu o lábio inferior, pronta para se segurar, para se fechar, para <i>aguentar</i> os sentimentos sem se render. A magia que estava a masturbando tremulou, ameaçando se desfazer, um lembrete constante. Não era que Melina queria conscientemente impedir tudo, ela só temia o descontrole, temia ruir, e se conseguisse soltar as pontas certas e segurar as pontas certas… talvez… talvez…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Então Melina se concentrou em chupar, a língua esfregando o clitóris de Eva, tão gostoso e melado e pronto, se concentrou nas mudanças no corpo de Eva, sua pele nitidamente arrepiada, se concentrou nas mudanças no seu próprio corpo, nos dedos que estavam esfregando sua entrada devagar, porque talvez concentrada, talvez fazendo direitinho, talvez, talvez, talvez… Mas claro que não era bem isso, claro que se concentrar <i>demais</i> não era a resposta, porque mais uma vez a magia que estava tocando sua buceta falhou e ameaçou se dissipar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Você tem que deixar</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina bufou de frustração, mas só por um segundo, porque Eva a olhou confusa e preocupada, e Melina não suportaria a ideia de fazer a garota sofrer por qualquer problema pessoal com seu treinamento. Era só… deixar. Se concentrar não era a resposta, no fundo, bem no fundo, ela sabia. Conseguia sentir como Eva estava, conseguia sentir a mão esfregando seu clitóris, mas sabia que estava racionalizando o próprio tesão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela respirou fundo, o coração acelerado em antecipação, ciente do que abrir mão de se segurar poderia causar, mas decidida a insistir. Era melhor do que isso. Era capaz, a Mestre disse.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Então Melina afundou de verdade o rosto na buceta de Eva, decidida a esquecer o mundo só um pouquinho, ao menos um pouquinho. Chupou Eva como se ela fosse sua primeira mulher e também a última, sentindo a própria buceta molhada, pulsando, os dedos mágicos esfregando seu clitóris com mais força agora, pinçando e masturbando. Conseguiria fazer isso. Podia lamber Eva e deixar o gosto dela escorrer pelo queixo, podia sentir o próprio gozo escorrendo pelas coxas, podia apertar a bunda de Eva com força, trazendo-a para mais perto, podia deixar seu corpo sentir o prazer e se entregar a ele. Ao menos um pouquinho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando a Mestre — ou a magia dela — começou a meter em Melina com vontade, ela apertou ainda mais a bunda de Eva. Estava determinada a deixar a magia agir, sentindo seu próprio poder se debatendo dentro do corpo, buscando uma forma de sair, buscando o poder de Eva, buscando e se agarrando ao prazer com tanta urgência. O medo de explodir era grande, mas ela precisava, precisava deixar, precisava sentir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva tentou fechar as pernas, seu poder estremecendo, seu controle falhando enquanto ela apertava o rosto de Melina, mas logo a Mestre interferiu. Segurou cada uma das pernas de Eva com correntes mágicas, mantendo-as abertas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não fujam da magia, não fujam do desejo, garotas. Aprendam a controlá-lo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A voz da Mestre parecia murmurada diretamente nos ouvidos de Melina, ainda que isso não fizesse o menor sentido. Ela estava afastada, sentada no trono. Não interagia com elas de forma física, mas sua magia e sua presença estavam em todos os espaços daquela sala, daquela casa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quanto mais Melina se entregava aos desejos, mais sensível foi ficando aos efeitos mágicos do lugar, da Mestre. Talvez por isso, sentiu exatamente o momento em que a Mestre criou alguma coisa e começou a estimular a bunda de Eva. Nitidamente desesperada, Eva levou as duas mãos para tampar a boca. Melina tentava manter os olhos abertos, ao menos um pouco, para ver as expressões dela, ver como ela estava, e não apenas sentir, mas era difícil.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O gosto dela era inebriante, saber que ela estava morrendo de tesão era desesperador, estar morrendo de tesão também era <i>mais desesperador ainda.</i> E acima disso tudo, seus sentidos aguçados e amplificados estavam cheios de informação para processar: cada reforço mágico do cômodo, encaixes e coisas permeando as paredes, uma proteção forte, um alçapão em algum lugar. Nada fazia muito sentido, nem era definido na sua cabeça, mas estavam ali. Tudo junto da Mestre, é claro, uma fonte de poder inigualável, tremulando e se projetando sobre elas, sobre todo o lugar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina estava tão excitada e tão <i>consciente</i> que não parecia haver espaço dentro dela para o medo mais. Só havia a magia, o desejo, a presença de Eva se misturando à sua, a magia da Madre estimulando as duas. Estava muito claro para ela naquele momento que não havia mesmo como melhorar sua força mágica sem deixar que ela tomasse conta, sem se entregar de verdade, sem deixar o medo vencer. Sim, era tênue a linha entre se entregar e ser dominada, mas precisava se esforçar para que essa linha fosse o mais fina o possível. Seu objetivo era a perfeição, não a destruição.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Subitamente querendo <i>mais</i>, Melina usou uma das mãos para esfregar Eva e meter nela enquanto chupava, o que finalmente arrancou um gemido dela. Melina se alegrou muito mais do que devia com essa conquista, porque o objetivo era que Eva se controlasse, afinal. Entretanto, Melina estava subitamente interessada pelo descontrole, pelo caos, desejando testar os próprios limites e, porque não, os limites de Eva também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O único detalhe foi que Eva não conseguiu mais parar quando começou a gemer, arfando baixo, murmurando <i>Melina, ah, Melina</i>, a ponto de estremecer os vidros da sala. Melina abriu os olhos imediatamente quando sentiu essa vibração, bem a tempo de ver a Mestre se movendo na direção delas. A Mestre segurou Eva pelos cabelos de novo, puxando com certa força, tombando sua cabeça para trás.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você vai poder gemer quando não ameaçar estourar os vidros da minha casa, garota. — A voz dela estava séria. — Até lá, boca calada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina não conseguiu mais fechar os olhos depois disso e viu uma mordaça se formando na boca de Eva. Ela pareceu quase aliviada, ao contrário do que se esperaria, mas não houve tempo para muita calma.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina sentiu a primeira mordida no ombro direito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Depois uma na coxa esquerda, na canela direita, no braço, no seu seio, bem no mamilo, no lóbulo de sua orelha.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Mestre se afastou sorrindo, os braços cruzados, e se sentou novamente sem dizer uma única palavra. A magia era dela, sem sombra de dúvidas, mas ela não parecia muito interessada em dar explicações. As mordidas não pararam, mudando de lugar, às vezes várias ao mesmo tempo, e algo parecido acontecia com Eva, porque ela se contorcia, ou tentava se contorcer, e quanto mais se mexia, mais as correntes ao redor de suas pernas se apertavam.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina estava tão satisfeita e perdida e rendida, adorando a sensação de entrega, do desejo formigando sua pele, da magia agindo de dentro para fora e de fora para dentro. Era estranho se permitir tanto, não temer nada, mas, naquele momento, parecia não haver o que temer. Se perdesse o controle, talvez fosse punida, mas faria mesmo diferença? A Mestre cuidaria dela. A Mestre cuidaria <i>delas</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Como se pudesse ler esse pensamento — será que podia? —, a Mestre pareceu usar sua cartada final do dia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina escutou um sussurro em seu ouvido em uma voz desconhecida dizendo: <i>você é tão boa, Melina</i>, e abriu os olhos por instinto bem a tempo de ver o vulto de uma mulher ao seu lado. Era uma mulher negra, nua, muito, muito bonita. Ela sorria, alisando as costas de Melina, queimando sua pele e aumentando tanto o seu desejo quanto possível. Logo mais uma mão segurou seu cabelo com força, uma outra mulher do seu lado esquerdo, mais baixa, pele branca, cabelos escuros e longos cobrindo seus seios, o pau duro levantado pra cima. Mais três vultos apareceram ao redor de Eva, lambendo seus seios, mordendo seu pescoço, segurando seu cabelo também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Você chupa tão bem</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina não conseguiu mais parar, estava em um frenesi. Precisava daquilo, de Eva, daquelas mãos, daquela magia, do poder, da Mestre, de <i>tudo, tudo, tudo</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva começou a chorar, estremecendo sob as mãos de Melina, que também já estava desesperada a ponto de não aguentar mais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mestre ela quer gozar — Melina choramingou, pronta para implorar se fosse necessário. — Eu quero gozar também. Por favor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Em um segundo, todos os efeitos mágicos pararam. Melina e Eva começaram a flutuar na direção da Mestre, poucos centímetros acima do chão. Melina sentia o coração muito acelerado no peito, o corpo desesperado por mais contato, pela permissão para gozar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina flutuou até o colo da Mestre, que a segurou sobre o seu joelho, e Eva até estar sentada aos pés da Mestre, de frente para as duas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mãos mágicas, com o exato contorno das mãos da Mestre, aparecem próximas de Eva.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Meus dedos de verdade são um privilégio para garotas muito obedientes, Eva. Mas não serei maldosa a ponto de te impedir de gozar, você se esforçou hoje.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina quase morreu ao sentir os dedos da Mestre esfregando seu clitóris de verdade, devagar, apertando, movendo, escorregando tão fácil, evidenciando o quanto ela estava molhada e pronta. Os mesmos movimentos eram replicados em Eva, também de pernas abertas, também tocada pela mão mágica, e observar a cena de cima adicionava uma camada ao seu tesão que era indescritível.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tente gemer, minha garota. — A Mestre falou baixinho no ouvido de Melina. — Controladamente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina respirou fundo, agoniada, tremendo, e soltou algo que se parecia mais com um suspiro do que com um gemido, sofrido. Era o máximo que conseguiria fazer dessa vez, mas a Mestre pareceu satisfeita.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Isso. Boa garota. Tão obediente. Gosto muito de garotas obedientes.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina não aguentou mais e gozou ali, fechando os olhos e mordendo o lábio inferior. Sua magia se expandiu muito e ela precisou se controlar, trêmula, ansiosa, para não deixá-la se espalhar demais. Seu coração estava martelando com força no peito e era tão bom e tão terrível ao mesmo tempo, tão gostoso e tão infernal. Ela sentia a magia de Eva lutando também, como Eva parecia lutar para se conter, para não perder o controle, e parecia falhar quanto mais se aproximava do orgasmo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva gozou também, e Melina soube exatamente quando foi, quando a magia dela se expandiu um tanto além do próprio corpo, como nitidamente algo a conteve no lugar. Ainda assim, pareceu mais controlado, menos desesperador, Melina não sentiu que correram riscos. Tão. Bom.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Mestre segurou Melina pela cintura, terminando de assentar sua magia no lugar também, dando tempo para que ela respirasse fundo e retomasse o controle do próprio corpo de novo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Foi um bom começo, garotas. — A Mestre tinha um pequeno sorriso no rosto. — Poderia ter sido melhor, mas poderia ter sido muito pior também. Tomem um banho e almocem, retomaremos os estudos à tarde.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina estremeceu e olhou de relance para Eva.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Como pode uma vida inteira mudar em menos de vinte e quatro horas.</p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso! Um xêro e um queijo,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Kodinha</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i><b>Se quiser contribuir com a meta da freira e da madre, receber as rapidinhas antes de todo mundo, newsletter de fofocas mensal e textos e trechos exclusivos, considere </b></i></span><span style="color:inherit;"><span style="text-decoration:underline;"><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g&_bhlid=171b40959ce3873b349b49b3fefef8492dd3acf1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(82, 50, 87)"><i><b>apoiar o meu catarse</b></i></a></span></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i><b>. 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  <title>Garotas perigosas - Parte 1 - Só uma rapidinha</title>
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  <pubDate>Fri, 25 Jul 2025 21:00:00 +0000</pubDate>
  <atom:published>2025-07-25T21:00:00Z</atom:published>
    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;">Boa noite safadinhes, como estamos?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Hoje trago pra vocês a parte ½ de um texto que eu adorei escrever. Recebi a sugestão de escrever sobre punições mágicas e espiralei sozinho na ideia. Gastei muito mais tempo pensando em lore do que era necessário, me apaixonei pelas personagens e muito provavelmente vou trazer elas de volta, e espero que vocês gostem delas tanto quanto eu gostei.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Não vou me estender muito dessa vez, só dizer: se divirtam! Me contem se gostarem! E mês que vem a parte dois está aqui na newsletter. Mas se você quiser ler AGORA, ela já está disponível no catarse para apoiadores <a class="link" href="https://www.catarse.me/projects/180624/posts/173303?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=garotas-perigosas-parte-1-so-uma-rapidinha#posts" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui</a>. </p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i><b>Se quiser ler a parte 2 em adiantado, contribuir com a meta da freira e da madre, receber as rapidinhas antes de todo mundo, newsletter de fofocas mensal e textos e trechos exclusivos, considere </b></i></span><span style="color:inherit;"><span style="text-decoration:underline;"><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g&_bhlid=171b40959ce3873b349b49b3fefef8492dd3acf1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(82, 50, 87)"><i><b>apoiar o meu catarse</b></i></a></span></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i><b>. Além das recompensas, você me ajuda a continuar contando histórias!</b></i></span></p><hr class="content_break"><h1 class="heading" style="text-align:justify;" id="garotas-perigosas">Garotas perigosas</h1><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina vestiu a camisola depois do banho, deixou o roupão no gancho atrás da porta e estava pronta para dormir no mesmo horário de todos os dias. Estava cansada dos treinamentos e também da limpeza que fizeram em mais um setor da biblioteca da Mestre. Eva já deveria estar pronta também, mas Melina não a vira no fim da limpeza nem no banho que costumavam tomar juntas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Pegou seu diário no fundo da gaveta de roupas e se sentou no seu lado da cama. Quase não usava mais as roupas daquela gaveta (de dia, usava os robes da irmandade de sua Mestre; à noite, as camisolas semitransparentes), mas as mantinha guardadas por puro apego. Eva já tinha colocado quase todas as dela para doação no mercado do vilarejo, mantendo apenas dois pares para eventuais saídas, mas Melina ainda estava se adaptando à nova vida.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Na maior parte dos dias, não escrevia nada extenso no diário. No máximo, anotava o que fizeram no dia, um detalhe sobre alguma magia, ou observações que a Mestre havia feito. O diário não era proibido, mas também não era permitido, então Melina preferia assim. Sucinto, só registro de memórias.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva sabia dele, claro, porque as duas tinham virado carne e unha no momento que pisaram juntas na mansão da Mestre. Um sonho maluco em comum de serem boas magistas, uma Mestre excêntrica e popular e o isolamento aproximariam muitas pessoas, mas fizeram delas muito mais do que próximas. Melina e Eva confiaram uma na outra rápido, e logo Melina não conseguia mais imaginar um pedacinho de seus dias sem ela. Se não tivesse medo das consequências de admitir isso, diria que a amava.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Então, Melina anotou: treinamento motor fino com magia, limpeza da ala dois da biblioteca de Antonella. Depois suspirou e acrescentou: Eva estava mais quieta que o normal.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não tinha um relógio para conferir, mas sabia que era tarde e que, se Eva não aparecesse logo, perderia o boa-noite da Mestre. Isso nunca havia acontecido e Melina não tinha certeza se queria descobrir como seria.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dizer que Eva estava mais quieta que o normal era um eufemismo gigante, preferível para o diário, mas que Melina não conseguia minimizar em nada dentro de sua cabeça. Eva estivera distante e distraída o dia todo, não fizera as leituras da manhã direito e errara tantas vezes as magias que a Mestre a puniu com dez palmadas na bunda. Melina estremeceu só de se lembrar da cara de Eva ao apanhar. Não fora uma expressão só de dor, mas de prazer também, e não esboçar nenhuma reação custara muito de sua energia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina ouviu barulhos ao longe no corredor e se levantou com certa pressa para guardar o diário de volta no fundo da gaveta. O coração acelerado logo se acalmou, entretanto, quando o barulho pareceu se afastar sem que sua porta se abrisse. Tudo certo. Eva ainda tinha algum tempo para chegar. Ficaria tudo bem. Ao lado da porta, seu reflexo no espelho entrou em foco quando a angústia baixou um pouco. A camisola curta e fina, de um perolado semitransparente, com rendas que cobriam seus seios. Não usavam sutiã ou calcinha ali, nunca. Mantinha seu cabelo raspado antes de chegar ali, mas ele já estava crescendo em um corte desconexo. Ao menos ainda estava acima das orelhas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina não conseguia deixar de pensar — ao menos sempre que sobrava espaço em sua mente — que tudo nas configurações daquela casa, daqueles ensinamentos, que tudo que Antonella fazia com elas, em resumo, era sensual demais para o nível de restrição que tinham. Não podiam se masturbar, não podiam se beijar, e sexo era estritamente proibido. Ainda assim, apanhavam quando faziam algo de errado e dormiam juntas basicamente seminuas. Melina sabia que isso não precisava ser sexual, mas não conseguia <i>evitar</i> que fosse. Tudo bem, sonhava em estudar com uma mestre do nível de Antonella desde a adolescência, e Antonella era <i>a </i>mestre das mestres, a mais forte da região, então discutir sobre sexo não deveria ser sua prioridade quando tinha tanto a aprender. Ainda assim, parecia excessivo. Talvez em algum momento não pensasse mais tanto sobre isso. Talvez ficasse mais fácil. Certamente ficaria mais fácil não divagar sobre coisas aleatórias se Eva…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não precisou estender sua preocupação, entretanto, porque no minuto seguinte Eva entrou pela porta. Estava um pouco suada, seu cabelo longo ainda molhado do banho, as bochechas vermelhas, como se tivesse feito um grande esforço nos últimos minutos. Já estava com a camisola, então já tinha tomado banho, mas usava um casaco pesado por cima dela… no meio do verão?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu achei uma coisa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva fechou a porta atrás de si, apressada, os olhos brilhantes buscando os de Melina. Aquilo tudo só podia ser sinal de problema, mas, naquele momento, a curiosidade de Melina foi mais forte. Eva tirou das costas, debaixo da blusa de frio, algo que parecia um livro ou um caderno. A capa era de couro antigo e surrado e a lateral das páginas estava amarelada pelo tempo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— É <i>dela</i> — murmurou Eva, segurando o livro diante de Melina.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina demorou o olhar no livro, por um segundo pensando que sim, obviamente era <i>dela</i>, tudo naquele lugar era dela, mas o tom de Eva era mais específico. Era pessoal. Não era algo da Mestre, era algo de Antonella. Aquilo era tão errado que chegava a dar calafrios, mas, depois de meses e meses de obediência, fazer uma loucura pareceu tão adequado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Espera as luzes se apagarem — murmurou Melina de volta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Elas não podiam ser pegas, não era uma opção. Esperar era mais sensato porque aí teriam a certeza de que a Mestre já passara e se retirara para seus aposentos. Teriam a noite inteira para ler — bastaria usar um pouco de magia na ponta dos dedos —, e seria certamente mais seguro do que qualquer outra coisa que fizessem às pressas antes de a Mestre chegar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva escondeu o casaco e o livro na cômoda ao lado da cama e as duas se ajeitaram lado a lado, como se fossem dormir. A rotina de sempre: deitaram-se de lado, uma olhando para a outra, e Melina desceu a ponta dos dedos pelo rosto de Eva. Aqueles momentos já eram naturais entre as duas. Os silêncios, os murmúrios, os pequenos testes de magia que faziam uma na outra. Agora também tinha outra coisa, aquela ansiedade compartilhada, aquela eletricidade pulsando que parecia conectá-las, aproximá-las, que parecia querer pular de Melina para Eva.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A porta se abriu algum tempo depois e Antonella entrou sem cerimônias. Usava um longo robe de seda cor de vinho, que só acentuava seu ar de quem mandava naquele lugar, de quem mandava <i>nelas</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Minhas pupilas, boa noite.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela tinha um sorriso satisfeito no rosto ao se sentar ao lado de Eva e se inclinar, deixando um beijo em sua testa. Uma pequena mancha do batom vinho ficou no lugar, uma marca de posse, talvez, ou um lembrete de quem mandava nas duas agora. Ela foi na direção de Melina e se sentou ao seu lado. Melina se preparou para o beijo na testa, mas Antonella parou por um momento, observando-a. O olhar dela era intenso, como se soubesse de algo, como se tudo que Eva e Melina pudessem tentar esconder não pudesse, de forma alguma, ser escondido. Melina prendeu a respiração, ansiosa de verdade, mas Antonella somente beijou sua testa também, sem dizer uma única palavra.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Durmam bem, meninas. Amanhã, quero as duas de pé ao amanhecer.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim, Mestre. — As duas responderam juntas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Antonella ainda olhou para Melina uma última vez, fazendo-a estremecer, mas saiu do quarto sem dizer mais nada. Se sabia de algo, não falou, e talvez isso bastasse. Talvez bastasse não serem pegas fazendo algo de errado. Ou talvez o olhar de Antonella fosse sempre aquele e Melina só estivesse um pouco paranoica, só isso. Era só o medo, nada mais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva segurou a mão de Melina por baixo do lençol quando a Mestre saiu pela porta e as luzes se apagaram, como uma boa confidente. Estavam naquilo juntas, era a sensação que Melina tinha. E <i>aquilo</i> era a situação das duas como um todo: o treinamento de magista, o trabalho de pupilas de uma quarentona gostosa, o futuro incerto de punições pela frente, o desejo profundo de descobrir o que as aguardava do outro lado, com a magia controlada, com o poder inteiro à sua disposição.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— O que é? — perguntou Melina, a voz incerta, a curiosidade finalmente vencendo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva tirou o livro-caderno da cômoda e o colocou entre as duas na cama, fazendo um mistério injusto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Abre.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina olhou para o livro-caderno, depois para Eva de novo. Eva deu um sorriso atrevido, como o de uma adolescente bebendo sem permissão ou pulando o muro de casa para sair de madrugada. Estavam fazendo algo errado, algo <i>muito</i> errado, evidentemente, e Eva parecia se divertir. Nunca a tinha visto sorrir assim. Desde o começo do treinamento, ela demonstrara alegria às vezes, claro, raiva, frustração, tesão, até, mas nunca aquela <i>diversão</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Pegou o livro com a ponta dos dedos, que já brilhavam um pouquinho. Um brilho fraco, só o suficiente para conseguir ver os contornos do couro e ler. <i>Antonella</i>, diziam as letras douradas apagadas na primeira página. Olhou para Eva, ainda incrédula, e encontrou nos olhos dela o mesmo atrevimento que sentia dentro de si.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Virou a primeira página com o coração acelerado, mas as primeiras anotações eram, na verdade, bem sem graça. Não muito diferentes das suas primeiras anotações, ao menos, só escritas de outra forma. Bem mais íntima. Antonella falava sobre sentir falta da mãe e da irmã — ela tinha uma família, então —, sobre seus estudos e pesquisas, e sobre a casa de sua Mestra, Anne. Melina já tinha ouvido sobre Anne por aí, nos sussurros de aspirantes a magistas como elas, mas nunca tinha a visto ou conhecido alguém que a conhecia. Foi virando as páginas sem ler inteiramente, porque não podia ser só aquilo; Eva não tivera todo aquele trabalho para roubar anotações exatamente iguais às de Melina.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Então viu. Estava lendo apressada as anotações do mês de abril do primeiro ano de Antonella como magista, já sem paciência, quando viu a frase que a fez segurar o caderno com ainda mais força.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Hoje gozei pela primeira vez em três meses.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina levantou o olhar para Eva, sentindo o corpo reagir só de ler aquela frase.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você já leu?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não tudo, mas isso, sim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Obviamente. Por isso roubara o diário, por isso estavam ali no escuro, murmurando. Três meses… Elas estavam ali há seis, mas as regras continuavam as mesmas. Nenhum orgasmo, nada de se tocar, nada. Como? Continuou lendo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Ninguém sabe disso, é claro, mas tive que contar cinquenta tapas na minha bunda hoje por ter discutido com Anne, e saí do quarto dela tão melada e tão excitada que, se eu não gozasse, ia explodir. Eu sentia a magia dentro de mim pulsando, eu sentia tudo se movendo, e assim que entrei no meu quarto só me deitei na cama, abri as pernas e fui até gozar. Porra, foi libertador.  Fiz três vezes seguidas, na verdade, porque, depois que gozei uma vez e nada de ruim aconteceu, eu quis mais. Anne fez todos aqueles discursos sobre magia descontrolada, mas ela não sabia, não sabe, que eu sou a mais forte de todas nós. Eu vou fazer a porra que eu quiser.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eva, isso… — começou Melina, a voz trêmula, o coração acelerado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Continua lendo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina virou uma página e leu o texto só por cima. Os olhos passeavam pelas palavras mais rápido do que sua mente era capaz de processar, mas, naquele começo, era tudo muito parecido: <i>gozei hoje antes da aula e consegui levantar a mesa com Anne em cima dela; me esfreguei no travesseiro e no dia seguinte parti um grão de arroz perfeitamente ao meio só com o olhar.</i> Uma série de descrições de orgasmos e mais orgasmos e feitos e mais feitos de magia, e como Antonella tinha certeza de que satisfazer o próprio desejo estava tornando-a uma magista ainda melhor do que já era. Melina sentia o corpo reagindo a cada palavra, desejo pulsando entre as suas pernas, a <i>magia</i> pulsando dentro de si também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Fui pega. Nem foi pela Anne, o que é estúpido por si só, mas aquela bocuda da Safira achou que ia ganhar pontos com a Mestre por me dedurar e apanhou do mesmo jeito, a idiota. Anne disse que sabia o que eu estava fazendo e só permitiu porque achou que eu causaria minha própria ruína. Ela estava errada. A sensação de ver Anne Maglieto admitindo que estava errada foi… Achei que ia gozar ali mesmo, só pelo poder correndo em minhas veias. Anne disse que terei treinamentos especiais com ela e eu achei que fosse ser alguma das magias obscuras que sei que ela guarda nos livros da biblioteca, mas ela apenas me botou de joelhos pra chupar a buceta dela. Nunca fui de negar uma mulher bonita, então aproveitei pra me divertir. Sei que ela estava fazendo alguma coisa com a minha magia, ou tentando, ao menos, como se estivesse de pernas abertas só pra me distrair. Parece que ela nunca vai entender que eu sou mais forte que ela. Fiz ela gozar duas vezes e saí sem um único arranhão.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eva, que caralhos…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Continua. Lendo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O que mais havia para se descobrir? Já sabia que sexo causava um aumento na magia. Sabia que Antonella era poderosíssima. Sabia que sexo podia afetar o autocontrole de uma magista, mas só se… só se ela fosse fraca, certo? Já estavam treinando há seis meses, bem mais do que Antonella. Melina demorou o olhar um segundo em Eva, reparando nela de verdade. As bochechas ainda estavam coradas, o cabelo caía parcialmente sobre o rosto, o peito subia e descia acelerado, como se a mera lembrança do que estava nas páginas mexesse com ela também, e Melina prendeu a respiração ao notar os mamilos dela duros contra a camisola.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Desviou o olhar e voltou a virar as páginas, sem saber o que estava procurando, passando os olhos com pressa, e parou quando encontrou um marcador que sabia que era de Eva.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Anne cometeu um erro. Eu fiz Anne cometer um erro. Quase tudo que a gente faz envolve sexo de alguma forma agora. Eu chupo a buceta dela, ela enfia os dedos na minha, sempre alguma coisa sexual acontecendo enquanto preciso executar algo difícil (na semana passada, curei os ferimentos de um gatinho), e Anne continua tentando revirar minha magia. Dessa vez, ela apareceu com um pau de cristal em uma cinta, me segurou com umas vinte mãos mágicas e só me fodeu e fodeu e fodeu e fodeu. Não tinha desafio nenhum, nada, apenas a magia dela opressivamente me segurando no lugar enquanto ela me fodia. E porra, nem era ruim, porque ela é gostosa pra caralho, mas já não parece ter propósito algum nisso e eu queria que ela admitisse. Se ela quer me foder só por me foder, que ao menos tenha a decência de admitir e sair do papel de Mestre por um segundo. Eu gozei, claro que gozei, mas estava irritada e perguntei quando é que ela ia admitir que eu já era melhor do que ela, e que agora ela só estava inventando maneiras diferentes de continuar trepando comigo. Anne estourou todos os vidros da sala de uma vez, e essa foi sua única resposta. O sexo é uma delícia, mas a verdade é que não vejo a hora de sair daqui e fazer as coisas do meu jeito</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina não entendia. Se o sexo tinha sido tão bom para o aprendizado de Antonella, por que diabos ela agora restringia as suas pupilas? Por que, no fim, usava o mesmo método de palmadas de sua mestre? Exceto que… Bom, tinha a Agatha. Nenhuma das duas sabia como era o treinamento da única pupila mais velha, que já estava há um ano e meio na casa da Mestre.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina levantou o olhar de novo, um pouco temerosa do que ia encontrar ao encarar Eva. Não sabia se tinha medo de revelar o desejo que sentia ou de descobrir que Eva desejava algo também, mas bastou olhar para Eva que Melina soube que as duas estavam perdidas. Eva estava com as mãos apoiadas na frente do corpo, sentada de lado na cama, o olhar fixo em Melina. Respirava pela boca, os lábios entreabertos, um olhar feroz e felino que Melina só tinha visto uma única vez antes.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina sentia as mãos trêmulas, mas não conseguia desviar o olhar. Não conseguia deixar de reparar nos seios pequenos de Eva perfeitamente encaixados na renda, nos mamilos rijos que faziam sua boca salivar, na barriga visível através da camisola, e teve a súbita lembrança de que as duas nunca usavam calcinha para dormir. Melina não conseguia interromper a linha de pensamento que começara nos lábios de Eva e estava agora se perguntando se ela estava molhada também. Se perguntando qual seria a sensação de sugar o clitóris dela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você já transou, Eva? — Melina começou a falar sem perceber, como se seu corpo estivesse agindo por si só, movido pelo desejo e, talvez, pela magia. — Antes de vir pra cá?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Uma vez. — A voz de Eva era não mais que um sussurro. — Com um garoto do colégio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina arfou. Será que estava imaginando coisas? Será que Eva não tinha interesse nela? Precisava saber. Precisava saber ou ia enlouquecer, explodir, surtar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu tive uma namorada — contou Melina, mais uma vez sem conseguir segurar as palavras dentro de si. — Você gosta de garotas também?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina tentou desviar o olhar, porque, no fundo, estava um pouco envergonhada, mas parecia fisicamente impossível. Não costumava ser tão direta, tão… desesperada. Então era isso que ficar sem transar por meses e meses fazia com alguém? Só que não era só o desejo pulsando dentro dela, era a magia também, como se a puxasse na direção de Eva, e vice-versa. Melina sentia sua magia puxando e sendo puxada, e o desejo se espalhando pelo seu corpo inteiro como um veneno, ou, talvez, uma cura. O resto do mundo era silêncio absoluto, só Eva importava naquele momento.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Só vou poder te responder isso quando eu ficar com uma.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina quase não esperou que Eva terminasse de falar antes de se sentar no colo dela com uma urgência desconhecida. Estava com o rosto dela nas mãos em menos de dois segundos, puxando a boca dela contra a sua. Nenhuma das duas era particularmente boa naquilo, o que ficou claro muito rápido. O beijo foi desajeitado, elas bateram os dentes uma, duas vezes, mas os lábios de Eva eram viciantes, deliciosos. A língua dela invadia a boca de Melina como se tomasse posse de seu corpo, que, menor sob o seu, irradiava um calor inexplicável, fazendo as duas arfarem, gemerem baixinho, enquanto se beijavam como se o mundo fosse acabar. Melina se sentia quente, tão quente, pegando fogo, e não sabia dizer o que vinha de Eva e o que nascia dentro dela mesma, o que era a sua própria magia estalando ou a de Eva em resposta, não sabia dizer onde começava e terminava o seu desejo e onde tudo se mesclava com o de Eva.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sentiu crescendo dentro de si aquela coisa, que podia ser magia ou maldição àquela altura. Não tinha sido assim das outras vezes, nem de longe tão intenso, não só com um mero beijo. Mas não era só um beijo, claro que não, não com Eva sendo tão perfeita, não com a coxa dela encaixando entre as pernas de Melina e esfregando sua buceta molhada, não com os gemidos trêmulos que saíam de sua boca.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina se esforçou para conter a própria magia, mas não queria parar, não queria parar por nada. Precisava daquilo, não fazia ideia do quanto precisava daquilo, do quanto precisava de Eva. Afastou a boca da dela por um segundo, mas só para voltar de novo, descendo pelo pescoço dela, sugando o ponto perfeito embaixo de sua orelha, escutando o ar saindo descontrolado da boca dela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Melina… — Eva gemeu o nome dela baixinho, as mãos quentes e urgentes a cada toque.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina se afastou por um momento, tentando decidir o que fazer, como fazer, tentando ter um pensamento coerente que fosse, mas Eva não ajudava. Melina acreditava que ela nunca tivesse transado com mulher, mas duvidava que fosse a santinha que fingia ser. Eva reparou que Melina estava olhando para ela e inclinou o corpo para trás, apoiando os braços na cama, fazendo os seios e mamilos marcarem ainda mais na camisola. Deixou um sorrisinho diabólico aparecer no canto dos lábios, e Melina caiu como uma tonta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vem — murmurou Eva.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela não precisou de outro convite como aquele — porque aquilo, a posição, o sorrisinho, o jeito como ela se movia devagar, a forma como disse <i>vem</i> tinha que ser um convite para tudo, não poderia ser outra coisa. Melina abocanhou o mamilo direito de Eva por cima da roupa mesmo, desesperada, sua energia, seu foco, sua <i>vida</i> dependendo daquele contato, do orgasmo de uma das duas, de qualquer coisa que aumentasse aquele fogo para talvez apagá-lo depois. Sentia-se quase um bicho, um animal incontrolável, sem ter notado o quanto desejava e sentia falta daquilo até se dar autorização para desejar outra mulher de novo. Não percebeu o quanto estava reprimindo seus desejos e seus poderes e seu tesão até tudo estar posto daquela forma, até ler aquele diário, até Eva se mostrar daquele jeito, pedindo um orgasmo que Melina queria tanto, tanto dar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina não pensou, não mais. Só deixou o desejo a guiar, a magia junto dele, fazendo sua mão subir e apertar um dos mamilos enquanto ela sugava o outro, se deliciando como nunca antes. Eva gemia baixinho, tudo parecendo existir em uma dimensão só das duas. Apesar de tudo, estavam sendo silenciosas quase instintivamente, mas a coisa dentro de Melina não parecia se importar muito e só queria queimar, escapar, explodir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Desceu os beijos pelo corpo de Eva até o quadril, quando parou e subiu a camisola dela. Eva abriu as pernas sem precisar de pedido algum e Melina precisou de um segundo para apreciar a visão, desnorteada ao vê-la assim. Eva mantinha os pelos aparados bem curtos e estava melada, tão melada, a buceta brilhando e o clitóris saltado. Melina não hesitou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Inclinou o corpo entre as pernas de Eva e, desde a primeira lambida, teve a sensação de voltar para casa, de que os planetas tinham se alinhado, de que não havia mais nenhuma dúvida ou pergunta em sua vida, de que nenhum treinamento era mais necessário, de que Eva e sexo e muito sexo eram as respostas para tudo. Não havia nada naquele momento que Melina não conseguiria fazer. Poderia curar o mundo inteiro, finalizar guerras, eliminar bandidos e construir reinados, tudo alimentada pelo gosto de Eva em sua língua, pelo clitóris dela melando seus lábios, pelo som dos gemidos dela em seus ouvidos. Melina poderia tudo, tudo mesmo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ainda assim, seguiu colocando um freio em tudo aquilo. Lambia e sugava e chupava Eva, sabendo que poderia se entregar de vez para o vórtex que a magia criava dentro de si, que poderia se deixar levar pelo poder, pelo desejo, mas não, ainda não. Ainda que a magia estivesse crepitando, ainda que fosse quase impossível, ela resistia, concentrada no prazer, no desejo, no momento, em Eva, nada mais, nada mais no mundo inteiro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Será que era assim para Eva também? Ela estava gemendo baixo, sim, mas não demonstrava estar lutando nenhuma guerra nem controlando nenhum demônio. Melina olhava ocasionalmente para cima, mas o máximo que viu foi um brilho diferente na pele de Eva e seus cabelos flutuando ao seu redor, já secos. Para ela, a sensação não parecia tão difícil, não parecia tão impossível, mas, apesar disso, parecia gostosa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina colocou um dedo dentro de Eva, sem parar de chupá-la, sem dar trégua. Queria, no fundo, ir devagar, saborear o momento, curtir cada segundo com Eva, em especial porque temia não ter outra chance, mas não conseguia. Suas forças estavam todas em segurar a magia descontrolada dentro de si e em fazer Eva gozar, em dar prazer para a mulher que, ao menos naquele instante, era dela, só dela, e de mais ninguém no mundo inteiro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva gozou tampando a boca, abafando ruídos de uma forma visivelmente mágica, e o gosto dela e o corpo tremendo e a magia atravessando a pele de Melina e entrando em seu corpo e pulsando junto de sua magia foram demais, <i>demais</i>. Melina estava arfando também, trêmula também, completamente desesperada. Bom, ver Eva gozando era bom em tantos sentidos — era delicioso de assistir, era tão bom saber que era o motivo daquilo, e talvez, só talvez, conseguisse descansar um pouquinho, parar de se conter por um segundo, respirar fundo sem se preocupar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mas Eva não lhe deu muita paz. Virou Melina na cama, deitando-a contra o colchão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Minha vez — murmurou Eva no ouvido dela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina sentiu o corpo inteiro tremer por dentro, subitamente consciente de cada célula do seu corpo se agitando, de cada pedacinho da magia que existia dentro dela se rebelando. Ia explodir, não ia aguentar, precisava, precisava parar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Hoje… hoje, não. Amanhã. — Buscou o rosto de Eva com as mãos, tentando se convencer de que estava trazendo bom senso para Eva e não para si mesma. — A magia. Minha magia. Tem… tem algo de errado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva parou por um segundo e Melina percebeu quando a magia dela começou a se separar da sua, deixando de forçar o caminho para dentro dela e se tornando de novo algo que existia ao seu lado. Sentiu o momento exato em que voltou a ter dentro de si somente a magia que sempre foi sua, nada mais, e também o toque gentil da magia de Eva medindo a sua, confortando a sua de longe.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Desculpa — murmurou Eva, e saiu de cima dela. Afastou o diário também, deixando-o sobre a cômoda, e deitou ao lado de Melina na cama. — Estraguei tudo, né?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melina se aproximou até as duas estarem apertadas no mesmo travesseiro, os rostos quase colados, os lábios separados por milímetros.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você foi perfeita, Eva. — Melina a beijou devagar dessa vez, tomando muito cuidado para não colocar fogo nas duas de novo. — Precisamos dormir. Teremos muito tempo juntas, você sabe. Não temos pressa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eva acenou concordando e abaixou a cabeça, logo sendo abraçada e confortada por Melina. Por cima da cabeça dela, Melina encarou a cômoda ao lado da cama, pensando no diário e nas palavras contidas nele. Um mundo inteiro de possibilidades parecia se abrir diante das duas, mas com um preço a se pagar, aparentemente. Por um minuto, antes de apagar de cansaço, Melina não soube dizer se temia mais o próprio poder ou o de Eva.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><b>ps: se quiser ler a parte dois agora, considere apoiar o meu catarse </b><b><a class="link" href="https://www.catarse.me/projects/180624/posts/173303?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=garotas-perigosas-parte-1-so-uma-rapidinha#posts" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">clicando aqui</a></b><b>.</b></p><hr class="content_break"><div class="image"><a class="image__link" href="https://catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=garotas-perigosas-parte-1-so-uma-rapidinha" rel="noopener" target="_blank"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/1544df22-51a6-4954-a486-b2f65a2e9ab2/metas_freira.png?t=1753464619"/></a><div class="image__source"><span class="image__source_text"><p>clica, essa imagem é um link!</p></span></div></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso! Um xêro e um queijo,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Kodinha</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i><b>Se quiser contribuir com a meta da freira e da madre, receber as rapidinhas antes de todo mundo, newsletter de fofocas mensal e textos e trechos exclusivos, considere </b></i></span><span style="color:inherit;"><span style="text-decoration:underline;"><i><b><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g&_bhlid=171b40959ce3873b349b49b3fefef8492dd3acf1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(82, 50, 87)">apoiar o meu catarse</a></b></i></span></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i><b>. Além das recompensas, você me ajuda a continuar contando histórias!</b></i></span></p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="conhea-os-meus-livros">Conheça os meus livros:</h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Só uma rapidinha</b> <b>2</b>: <a class="link" href="https://payhip.com/b/4zIPi?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=garotas-perigosas-parte-1-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre diretamente comigo, com desconto</a> ou <a class="link" href="https://amzn.to/3zS3SO5?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=garotas-perigosas-parte-1-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre na Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Seja feita a vossa vontade: </b><a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/seja-feita-a-vossa-vontade/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=garotas-perigosas-parte-1-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre comigo com desconto ou na amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Só uma rapidinha</b> (o livro): <a class="link" href="https://payhip.com/b/3wtRx?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=garotas-perigosas-parte-1-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre diretamente comigo, com desconto</a> ou <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3kCvSy0&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=garotas-perigosas-parte-1-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre na Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Manda foto de agora</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3FNT2tI&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=garotas-perigosas-parte-1-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a> </p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Jogador número 3</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3NC3Gp0&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=garotas-perigosas-parte-1-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Mais de nós</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3FKcvv1&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=garotas-perigosas-parte-1-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Meus livros como Koda Gabriel <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/publicacoes/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=garotas-perigosas-parte-1-so-uma-rapidinha#koda-gabriel" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui</a>.</p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=7a5af847-a193-471b-af37-4898401bce7a&utm_medium=post_rss&utm_source=so_uma_rapidinha">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>Esses vossos olhos misericordiosos - Só uma rapidinha</title>
  <description>eu abriria esse e-mail se fosse você, amante da madre e da freira</description>
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  <pubDate>Thu, 26 Jun 2025 21:00:00 +0000</pubDate>
  <atom:published>2025-06-26T21:00:00Z</atom:published>
    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
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    <div class='beehiiv'><style>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;">Boa noite safadinhes, como estamos?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Estou passando boa parte desse mês em um chá de cadeira porque fiz uma cirurgia no meu pé para corrigir um probleminha, o que me deu muito tempo para pensar no que trazer pra vocês e em como quero levar os próximos meses da newsletter e do catarse.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Como eu adoro caçar coisas pra fazer (e fazer coisas que eu amo me diverte na mesma medida que me enlouquece), fui olhar para o que vocês mais queriam e ainda não estava entregue, e foi fácil encontrar a resposta: a história da madre e da freira! Começou como um texto despretensioso (como tudo nessa newsletter) que comecei <a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/consagro-vos-a-minha-lingua?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=esses-vossos-olhos-misericordiosos-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui (leia a parte 1)</a>, e a ideia era ter apenas uma parte 2, mais nada. Mas obviamente transformei a parte dois em uma <b>novena</b>, com o objetivo de escrever um texto para cada dia da novena, com um texto explicando as recompensas da freira no final. Claro.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Até então, já postei o <a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/a-vos-bradamos-degredados-filhos-de-eva?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=esses-vossos-olhos-misericordiosos-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">dia 1</a> e o <a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/bendito-e-o-fruto-de-vosso-ventre?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=esses-vossos-olhos-misericordiosos-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">dia 2</a> da novena. Quem é apoiador do catarse já leu o texto de hoje (o dia 3 da novena!) ano passado, em novembro. Agora ele está aqui na newsletter junto de uma novidade: as freiras viraram uma meta de apoios do catarse!</p><div class="image"><img alt="continuação da história da madre e da freira: meta atualmente em 185 reais de 230 por mês. Todos os meses que essa meta for batida, uma nova parte da história da madre e da freira será postada aqui no catarse, até completar a novena e a recompensa. Estado atual da novena: 3/9" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/cb83be34-5494-4040-9058-7282c10658c6/image.png?t=1750898819"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso mesmo que você leu! Pra continuação acontecer rapidinho, coloquei as metas no catarse. Assim, você me ajuda a continuar contando essa história, e ainda lê ela em primeira mão 😉 </p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Ah, Koda, se a meta não bater a gente nunca vai ler o final dessa história?</i></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Vão sim! Eu só não vou prometer quando, porque como disse, estou operado, volto pro trabalho no começo do próximo mês e quero retomar o meu romance aos pouquinhos. Pra incluir essa prioridade, surgiu a meta.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Como disse, a ideia é que os textos sejam exclusivos do catarse por alguns meses, no mínimo, então além de apoiar a meta, você garante que vai ler essa história antes de todo mundo. Dito tudo isso:</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><b><i>Se quiser contribuir com a meta da freira e da madre, receber as rapidinhas antes de todo mundo, newsletter de fofocas mensal e textos e trechos exclusivos, considere </i></b></span><span style="color:inherit;"><span style="text-decoration:underline;"><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g&_bhlid=171b40959ce3873b349b49b3fefef8492dd3acf1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(82, 50, 87)"><b><i>apoiar o meu catarse</i></b></a></span></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><b><i>. Além das recompensas, você me ajuda a continuar contando histórias!</i></b></span></p><hr class="content_break"><h1 class="heading" style="text-align:justify;" id="esses-vossos-olhos-misericordiosos">Esses vossos olhos misericordiosos</h1><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel tinha certeza absoluta de que qualquer coisa poderia acontecer dali para frente. Literalmente qualquer coisa. Embora seus desejos fossem muitos, sua imaginação era pouca. Queria, mas mal sabia o que queria. Precisava, mas não tinha ideia do que é que precisava. Só sabia que seu interior ardia de vontade, de urgência, da falta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Talvez por isso, talvez por não estar de fato dormindo, tendo apenas sonhos inquietos, Irmã Raquel já acordou com um leve embrulho de expectativa no estômago. Curiosa, abriu os olhos devagar, mas mais uma vez a Madre não estava ao seu lado. Sentou na cama, tentando olhar ao redor, buscando um bilhete, um aviso, prestando atenção para algum som que pudesse vir do banheiro, mas nada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mordeu os lábios, repetindo em silêncio para si mesma que estava tudo bem. Ela não tinha sido abandonada, a Madre só tinha afazeres. Ainda assim, o sentimento estava ali. Engoliu ele inteiro com um copo de água da jarra que estava sobre a mesa e já não pensava mais nisso quando entrou para tomar um banho. Não queria e não iria, simples assim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tomou seu banho como de costume. Era estranho como nada tinha mudado em seu corpo, nada tinha sido feito com a Irmã, mas cada vez que se tocava, cada vez que deixava a água cair sobre o corpo e se lavava, se sentia diferente. Encostar em si mesma tinha outro significado agora, sua percepção das sensações era outra, os arrepios em seu corpo eram diferentes. Descobria a cada dia um novo lugar sensível em seu corpo — pescoço, atrás das orelhas, a parte interna das coxas, seus pés —, cada pedaço acompanhado de um desejo de que a Madre lhe mostrasse tudo que seria possível.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena estava mudando tudo em sua vida. Seus horários, seu caminho, como se tocava, como se banhava, o que despertava sua ansiedade e o que a deixava acordada de noite, o que esperava dos seus dias e o que fazia despertar a sua fome. Fome. Irmã Raquel agora tinha fome. Sua vida nunca fora ruim, mas agora era melhor, ela tinha certeza. Agora ela tinha mais do que um propósito, tinha uma mentora. Era uma protegida. Servia à Deus em toda sua grandiosidade, e a Madre, em toda sua bondade em ensiná-la e moldá-la.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Estava feliz, do fundo do seu coração. Verdadeiramente feliz.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E feliz saiu do banheiro, vestiu seu hábito, ajeitou seu véu. Feliz foi tomar café, e esperava encontrar a Madre na cozinha, mas ela também não estava ali. Cumprimentou outras freiras, comeu sua comida, lavou os seus pratos. A felicidade lentamente se esvaiu, escorrendo junto da passagem lenta do tempo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">No dia anterior, tudo pareceu acontecer rápido demais. Não sentiu o tempo das orações da manhã, perdeu a noção do tempo durante à tarde, muito preocupada em obedecer a Madre e não se render aos desejos quando estava de joelhos na sala dela, e foi vencida pelo cansaço à noite, ainda que o sono não quisesse vir de bom grado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Infelizmente não estava tendo a mesma sorte de novo. Viu os minutos se arrastarem lentamente quando ela se arrastou pelos corredores, buscando encontrar o olhar da Madre, buscando vê-la nem que fosse de costas, nem que fosse de longe. Ela não estava em lugar nenhum. Passou por algumas salas fechadas, mas não bateu à porta. Sabia que algumas das Irmãs tinham compromissos fora do convento, mas não sabia de nenhum que envolvia a Madre. Por último, passou em frente a sala dela, mas ela estava aberta e vazia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Parou por um segundo na porta, observando os móveis, deixando as memórias do dia anterior tomarem conta de seus pensamentos por um segundo. Não é que elas tivessem ido embora em algum momento, mas Irmã Raquel estava mesmo tentando se comportar e, para isso, precisava de alguma paz dentro de sua mente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ali, entretanto, deixou as imagens da Madre de joelhos inundarem seus pensamentos. O cuidado com que tocou em sua pele, o fascínio com que lambeu a calcinha, tão entregue, tão cheia de desejo. Irmã Raquel só sabia reconhecer esse desespero porque sentia um igual, corroendo sua calma e sua concentração. Porque toda vez que fechava os olhos algum detalhe da Madre lhe saltava, porque não conseguia apagar o gosto, o cheiro, a textura da pele dela de suas memórias. Conseguia até sentir um toque fantasma nos dedos, a saudade de algo que só teria de novo depois de muitos dias.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Teve que virar as costas para não entrar na sala e se trancar lá dentro. Teve que se esforçar para movimentar seus pés para longe, para outro lugar, para qualquer lugar, porque do contrário se prostraria no mesmo lugar de ontem, com a mesma fé de ontem, aguardando uma ordem que não veio, pronta pra obedecer a Madre mesmo que ela não estivesse ali.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel queria tantas coisas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Atormentada, decidiu que precisava de algo para passar o tempo. Alguma coisa que não ferisse as regras da Madre, algo que não envolvesse abdicar de seus pensamentos porque estava servindo outras pessoas, servindo ao mundo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Foi até a capela aberta, que ficava na entrada do convento, para acompanhar a missa pública da manhã. Infelizmente — ou talvez felizmente —, suas provações a acompanharam. Se sentou logo antes do ato penitencial, um dos bancos laterais da pequena capela, em uma área que ficava comumente separada para as freiras.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Amém.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Conhecia todos os hinos, todos os ritos, cada fala de uma missa como a palma de suas mãos. Estar ali parecia perfeitamente dentro das regras, e nada nas regras a impedia de pensar. Sua boca entoava o Glória e sua mente navegava pelo oceano que tinha se tornado o seu espírito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Glória</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O que mais era possível que a Madre fizesse dela?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Glória</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O que mais a Madre poderia ensiná-la?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ao Pai criador</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Queria tudo. Aprender tudo. Obedecer à tudo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ao filho Redentor</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Queria entender o tamanho de sua pequenez perto da Madre, sua Senhora</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E ao espírito, Glória…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Queria ser trancada em um quarto e só sair dali inteiramente renovada, depois que a Madre a usasse de todas as formas possíveis, que a ensinasse tudo que existe, que transformasse seu corpo e mente por completo, até não restar nada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Até o desejo ser reduzido a nada e, ao mesmo tempo, até que o desejo fosse tudo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel ouviu as palavras do padre, acompanhou as rezas, as leituras, a homilia, professou a sua fé, ficou de pé quando devia ficar de pé, se sentou quando devia se sentar. Estava ali em corpo, mas sua mente era uma confusão de ânsia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E era essa ânsia, essa sensação de que precisava fazer alguma coisa, qualquer coisa que fosse, que a mantinha exatamente no lugar, comportada, em silêncio, aguardando.  </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sabia que essa ânsia era jovial demais, que era fruto de sua inexperiência. Sabia que a espera, que a negação, que a privação, também ensinavam algo. Saber disso e aceitar isso, eram, entretanto, coisas diferentes.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Observou as Irmãs que se levantaram durante o ofertório, as cestinhas em mãos para recolher as doações dos fiéis. Como instruído pela Madre, não se moveu, não ajudou. Queria. Queria muito. Sentia os dedos coçando, balançava as pernas inquietas de ansiedade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não foi.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Há muito tempo sabia que nem tudo que fazia dentro do convento era para servir a Deus. Claro, gostava da servidão e de adorar ao Senhor, mas também pegava muitas tarefas porque alegrava o próprio coração, se sentia útil, importante, melhor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Buscando servir a Deus acima de tudo e agradar a Madre mais do que se agradar, abdicou mesmo de tudo isso durante a novena. Não importava se ninguém iria descobrir, ela seguiria.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e Todo-Poderoso, por Cristo, Senhor nosso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel se esforçou para estar presente naquele momento. Ao menos para a consagração. Ao menos para ver a transmutação do corpo de Cristo. Olhou com a devoção sempre renovada para o pão que logo se tornaria hóstia santa, se ajoelhou ao tocar do sino, respondeu na hora certa e junto de todos à Oração Eucarística.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tomou a fila para comungar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E sentiu mesmo que tinha ganhado alguma sabedoria até se ajoelhar para tomar a hóstia, como costumava fazer desde jovem, e receber o corpo e o sangue de Cristo na língua.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não esperava que tomar a comunhão pudesse se transformar em algo que faria de forma erótica. Não previu que se ajoelhar e receber pão e vinho na boca a fariam pensar em outras coisas santas que tocou com a sua língua, não se preparou para a fraqueza que tomaria conta de seus joelhos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Voltou para o seu lugar e se prostrou em oração mais uma vez.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Fez sua prece em silêncio. Pediu por paciência, discernimento, foco. Pediu por determinação, por obediência, rezou pela sua fé e pela pessoa que cuidava de sua fé. Rezou pela Madre, a liderança de seu rebanho, sua liderança pessoal. Deixou, ao menos por esse momento, a fé a inundar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A missa acabou rápido depois disso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Já que a Madre não havia lhe passado nenhuma tarefa específica, acabou almoçando e indo passar um tempo da tarde sentada nos bancos do jardim, contemplando as transformações dos últimos meses. Elas eram internas, de como enxergava a vida e a servidão, mas também externas. O convento estava mais quente, mais florido, as árvores bem verdes. O verão tomava conta de tudo, dos espaços, de sua pele, de sua mente. Como a estação, também fervilhava sua fé: em Deus, na Madre, no serviço.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Era delicioso notar o quanto estar diretamente envolvida com a Madre havia transformado seus dias. Não gostava de lembrar de como era sua vida antes, nem de imaginar como seria se tudo mudasse. Gostava do agora como era, e só isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Por baixo do hábito, o vento passeava pelo seu corpo, mantendo-o alerta, mantendo suas lembranças vivas. Ao mesmo tempo, sentia sinais de cansaço nas juntas, nos joelhos roxos das horas ajoelhadas, uma leve rigidez nas mãos depois de tanto tempo segurando o terço. Ainda assim, queria mais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sem pensar muito, se levantou e começou a caminhar na direção do quarto. Seguiu pelos corredores por alguns minutos e só reparou que estava no lugar errado quando abriu a porta do próprio quarto, observando-o perfeitamente imaculado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Como se abdicasse de um passo seu que não queria mais, fechou a porta e foi para o quarto da Madre. Iria se banhar e aguardar o retorno da Madre, não importando quanto tempo ela demorasse. Aguardaria com paciência, aguardaria porque precisava disso. Precisava ser educada, ensinada, melhorada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando abriu a porta, entretanto, Madre Madalena já estava ali. O fim de tarde começava a dar sinais, o sol indo se esconder atrás das montanhas, e a luz do quarto estava acesa. A Madre estava em sua poltrona, perto da mesa, lendo com a bíblia apoiada em seu colo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Madre — Irmã Raquel diz, incapaz de escolher as próximas palavras.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Queria saber onde ela estava, mas não queria ser impaciente e ciumenta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Irmã Raquel! Estava te aguardando. Passou bem o dia? — A Madre fechou a bíblia e a colocou sobre a mesa. Tinha um sorriso pequeno no rosto e convidou a freira para perto com a mão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim, Madre. Fui à missa no fim da manhã e passei a tarde no jardim. — Segurou o que queria dizer em seguida, mas pensou mesmo assim: senti sua falta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Aproxime-se mais. — Madre segurou a Irmã pelo pulso e puxou-a para se sentar no seu colo. A freira deixou-se derreter com aquele contato, apoiando o corpo contra o da Madre. — Foi assistir a missa do Padre Matheus? — Ela acenou, concordando. — Você me obedeceu, Irmã Raquel?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim, Madre. — A voz da freira saiu falha e fraca. O calor do corpo da Madre era intenso, contagiando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não te ouvi, querida — a Madre murmurou no ouvido dela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel apertou o braço da poltrona com as unhas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim, Madre — repetiu com mais força.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Bom.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena soprou ar quente na nuca de Irmã Raquel, devagar, suspirando e ronronando, as mãos firmes na cintura da freira.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu… Eu preciso tomar banho, Madre. Para as nossas orações.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">As mãos da Madre desceu até o quadril da freira, depois por cima de suas coxas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tenho outros propósitos para você hoje. — A voz da Madre era arrastada, lenta, carregada de algo que a freira não sabia identificar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tem?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel suspirou quando a Madre abriu suas pernas, as mãos a guiando pro cima do hábito. Foi ajeitada por cima da coxa da Madre e conseguia sentir a pele dela encostando entre as suas pernas. Poderia se esfregar ali se quisesse.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Queria muito descobrir o que aconteceria se esfregasse o quadril contra a coxa da Madre.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Chegou a ensaiar o movimento, mas foi segurada no lugar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vamos para o banheiro, Irmã.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Vamos? Juntas? Irmã Raquel pensou, mas não conseguiu verbalizar. Se levantou conforme as indicações da Madre e se deixou ser guiada por ela. Entraram juntas no banheiro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena sentou na cadeira que mantinha ali dentro, perto da porta do box, e puxou Irmã Raquel pelas mãos mais uma vez. Olhava de baixo para a Madre, a expressão indecifrável, analisando-a, buscando alguma coisa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tire a roupa, Irmã Raquel.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A freira tinha certeza de ter ouvido a voz da Madre tremer com o comando, o mesmo tremor que ecoou dentro dela e enfraqueceu suas pernas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Agora?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Agora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel hesitou, os punhos fechados ao lado do corpo, mordendo os lábios porque não sabia o que mais fazer. Nunca havia se despido perto da Madre. Nunca havia se despido perto de outras pessoas além de suas irmãs, na verdade. Tinha um pouco de medo do que a Madre poderia pensar. Se gostaria do que veria, se não acharia nada estranho que a Irmã nunca soube que era estranho, se não a acharia… indigna.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Esse era outro sentimento estrangeiro que não sabia reconhecer e, por isso, não sabia como lidar. Vergonha. Vergonha do próprio corpo. Medo de não ser suficiente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Irmã — a Madre falou, firme, trazendo-a de volta para a realidade, para o momento. — Olhe para mim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel tentou, mas não conseguia. Desceu o olhar, mas o breve segundo que cruzou com os olhos da Madre foi suficiente para embrulhar seu estômago de uma vez. Virou o rosto, fitando o box, tentando encontrar uma forma de fazer isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Se assustou quando a Madre segurou seu queixo, virando seu rosto para frente, fixando seu olhar no dela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu disse para olhar para mim, Irmã Raquel.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A freira nunca entenderia como um simples segurar na sua pele poderia ser tão intenso. Como apenas o toque de seus dedos em um pedaço do seu rosto, uma parte tão normal e mundana quanto o seu queixo, poderia incendiar seu peito, esquentar suas pernas, molhar o seu interior. Não podia fugir do olhar assim, não podia ignorar nada do que sentia agora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu sei que você tem medo. — A Madre começou a falar devagar. Irmã Raquel mais uma vez se sentiu exposta. Como sabia? — Eu sei que está com vergonha. Sei que teme não me agradar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel fechou os olhos porque era demais. Sentir essas inseguranças já era terrível, mas ouvi-las da boca da Madre era assustador. Sim, tinha medo. Sim, queria ser perfeita. Sim, era agonizante.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Olhe para mim. — Repetiu, firmando um pouco mais os dedos no rosto dela. — Abra os olhos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela abriu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena não tirava os olhos dela, estava com os lábios molhados e entreabertos e soltava uma respiração quente e úmida diretamente no rosto da Irmã.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não existe a possibilidade de eu não gostar do que vou ver, Irmã.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mas…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sem mas. — Sacudiu o rosto da freira. — Você pretende me desobedecer, Irmã? — Madre Madalena falou como se fosse um desafio. Pareceu, por um segundo, que queria ser desobedecida. Que queria ver Irmã Raquel se rebelar. — Vou ter que tirar a sua roupa eu mesma?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel se permitiu pensar por um segundo em como seria. Como seria só parar ali e deixar a Madre a despir, peça a peça. Tocar seu corpo, clamar o que quisesse como seu. Só seu. Seria tão deliciosamente bom que chegava a ser errado. O único detalhe é que envolveria, antes, desobediência. Irmã Raquel não conseguiria tal feito nem se quisesse, e não queria. Não queria de forma alguma.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu… Posso… Fazer… — Falou, as palavras saindo muito pausadas. Poderia fazer. Poderia fazer?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena soltou o queixo dela e beijou o lugar onde estavam seus dedos. Irmã Raquel prendeu a respiração com a proximidade das duas, com o quão próximo seus lábios ficaram, com o quão perto esteve de beijá-la. A Madre afundou o nariz em sua pele e subiu pelo seu pescoço, expirando quente, inspirando forte. Irmã Raquel tentou se manter imóvel, a respiração curta e acelerada, e precisou morder os lábios com força quando a Madre passou a língua em seu pescoço, soltando um gemido abafado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Estou suada, Madre.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu sei. — A Madre suspirou, ainda respirando contra a pele dela, seus dedos tremendo sobre o ombro esquerdo da freira. — Eu sei.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel continuava paralisada. Observava cada mini movimento da Madre desejando ser capaz de decorá-los inteiros, de escrevê-los dentro de sua mente como as páginas de uma Bíblia. A respiração incerta dela, seu peito se apertando contra o da freira, seus dedos trêmulos, a pele de seu nariz, a textura de sua língua, o rastro molhado que deixou no seu pescoço. Sabia que estava molhada. Quando entrasse para tomar banho, sabia o que encontraria no meio das pernas. Sabia como estaria sensível.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tire a roupa pra mim, Irmã Raquel. — A Madre voltou a falar, agora com a voz macia e suave, sussurrando bem perto do ouvido da Irmã. — Por favor. Por favor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Madre estava… pedindo? Não, a Madre parecia implorar. Sua voz era chorosa, sua expressão a de quem implorava por piedade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Madre. Implorando por piedade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel não poderia dizer não depois disso. Não seria capaz de negar nada que a Madre pedisse nesse tom de voz, desse jeito, se esfregando assim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Deu um passo para trás, se afastando da Madre. Esperou um segundo para ela se recuperar, para ela entender, para que ela pudesse de fato apreciar o que faria, e então levou as mãos até a corda que amarrava o hábito em sua cintura. Desfez os nós e puxou a corda com cuidado. Estava pronta para soltá-la, mas a Madre estendeu a mão, pedindo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Entregou, esfregando os dedos contra os dedos dela, deixando a estática entre as duas queimar, arder dentro de si. A Madre levou a corda até o rosto e esfregou ali, sentindo a textura, os olhos fechados.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vou ficar com isso pra mim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu preciso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Te darei um dos meus.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel não discutiu. Ao invés disso, tirou seu véu. Soltou os clipes e o nó em sua nuca e deslizou a peça para trás, liberando seus cabelos. Deixou o véu cair atrás de si, no chão, porque não queria se mover. Não queria desviar do olhar da Madre, não queria quebrar essa conexão que parecia ter surgido entre as duas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Segurou a saia do hábito dos dois lados com as mãos e a subiu devagar, puxando o tecido com os dedos, segurando tudo na altura do quadril. Não era nenhum jogo, era como costumava se despir, mas reparou que a Madre estava imóvel, parecia em transe. As mãos que antes seguravam com força a corda da freira agora estavam firmes no seu próprio hábito, agarrando o tecido com urgência.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel terminou de subir a saia e puxou o hábito sobre a cabeça, tirando-o de uma vez, e deixou também cair ao seu lado, direto no chão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Estava feito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não pode deixar de se comparar com a Madre nesse momento, ou ao menos com a memória dela. A Madre tinha seios fartos e volumosos e os das freira eram pequenos, mal enchiam a palma de sua mão; os quadris da Madre eram cheios, ela tinha uma barriguinha que Irmã Raquel gostava de se imaginar lambendo, e a freira era um pouco reta, sem tantas curvas; a Madre tinha uma bunda deliciosa, que tão poucas vezes a Irmã pode ver, e a dela era menor, menos chamativa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nunca se sentiu particularmente atraente até aquele momento.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não até ver os olhos vidrados da Madre, seus lábios trêmulos presos em uma mordida forte, suas mãos se esfregando na lateral do corpo, inquietas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nunca se sentiu atraente até ver a Madre a encarando com fúria, como se precisasse de todas as suas forças para se manter imóvel, como se um leve soprar de vento fosse suficiente para fazê-la atacar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nunca se sentiu atraente até ver como a Madre parecia domar um animal raivoso dentro de si. Até ouvir as palavras saírem da boca dela como um rosnado de um cão selvagem:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Banho. Agora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel nem hesitou. Entrou para dentro do box, desviando da Madre, e ligou a água. Esperou de costas para a Madre até que estivesse quente como gostava antes de entrar. Mediu a temperatura com a mão e, depois de alguns segundos, entrou embaixo da água, desviando para não molhar os cabelos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Preciso que lave seus cabelos também — a Madre ordenou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mais uma vez, Irmã Raquel não discutiu. Parou de pé embaixo da água, deixando ela molhar seu corpo inteiro, dos cabelos aos pés. Era quente e gostoso. Reconfortante. Um alívio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vire-se para mim e lave seu cabelo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A freira se virou. A Madre agora estava sentada na beirada da cadeira, as pernas levemente abertas, e a observava sem desviar o olhar. Ansiosa em obedecer, Irmã Raquel pegou o shampoo e colocou um pouco nas mãos. Esfregou a raiz rapidamente, massageando com os dedos, e enxaguou de olhos fechados. Repetiu o mesmo com o condicionador, cuidando agora das pontas, e de novo lavou tudo na água quente. Era um processo rápido, porque seu cabelo era curto e bem liso. Estava acostumada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ótimo. Agora molhe o sabão e lave seus braços, pescoço, atrás das orelhas, seus seios — a Madre tremeu ao falar. — Com atenção nos detalhes. Não me faça ter que conferir tudo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">De novo, Irmã Raquel sentiu algo na voz da Madre que pedia para ser desafiado. Uma sombra de algo tentador, algo que só precisava ser puxado e seguido. Não seria essa pessoa. Não poderia ser.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Molhou o sabonete e esfregou nos braços, o esquerdo, depois o direito. Passou os dedos com espuma atrás das orelhas, esfregou o pescoço com a palma das duas mãos e teve quase certeza de que ouviu um gemido. Distante, baixinho, mas ouviu. Desceu as mãos até os seios e esfregou os dois, massageando com calma, e esfregou também a barriga e as costas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— As pernas também. Mas não…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Madre não terminou, mas não precisava. Ela entendeu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Esfregou a perna esquerda primeiro, usando um apoio fixado na parede com uma ventosa. Se abaixou e esfregou até o calcanhar, depois o pé. Fez o mesmo com a outra perna e não deixou de reparar na Madre pelo canto do olho, como ela parecia inclinada para frente na beirada da cadeira, se aproximando devagar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Agora se lave. Devagar, com a ponta dos dedos, inteira.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel começou a se virar de costas, mais por costume do que por outros motivos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu quero ver, Irmã. Por favor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Por favor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Jamais imaginou que duas palavras que sempre foram sinônimo de educação poderiam se tornar uma súplica tão sensível e perturbada. Tão intensa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Molhou os dedos na água quente mais uma vez, esperando um segundo. Sabia que seria um problema. Fazer isso sozinha já era difícil, mas fazer sob o olhar tentador e vigilante da Madre era tortura. Ainda assim, fez.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Colocou de novo a perna esquerda no apoio, se abrindo embaixo da água, e levou o dedo até o meio de suas pernas. Estava tão, tão molhada. Nunca antes dessa forma, nesse nível, nessa quantidade. O líquido viscoso fazia seus dedos escorregarem muito fácil do seu clitóris até a sua entrada, e um leve descuido seria suficiente para enfiar a ponta dos dedos dentro de si.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tão difícil. Tão impossível de resistir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Desceu e subiu os dedos várias vezes.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">De novo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">De novo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Se abriu com uma mão e com a outra esfregou seu clitóris devagar, chegando a prender a respiração, com muito medo de perder o controle, com muito medo de quebrar seu acordo com a Madre.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Soltou um suspiro lento quando acabou, se sentindo levemente vitoriosa e orgulhosa. Tinha conseguido. Conseguiu mesmo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— De novo — a Madre ordenou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel levantou o olhar, incrédula.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— De novo? — murmurou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não sabia se aguentaria de novo. Não sabia se resistiria a mais uma vez.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— De novo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Lavou o rosto, esfregando as mãos contra a pele, sentindo que suava, mesmo embaixo da água. Subiu a perna de novo no apoio, uma leve dor incomodando, a outra perna já um pouco fraca.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dessa vez, fechou os olhos. Escorregou os dedos e se irritou porque já estava molhada de novo. Seu clitóris estava inchado e sensível, não como o da Madre, mas ainda tão gostoso. Era errado. Ela não devia sentir tanto prazer assim, não antes do fim da novena, não enquanto não podia gozar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Abriu os olhos assustada quando sentiu calafrios percorrerem o corpo, o prazer se espalhando do ventre e subindo pelos braços, descendo pelas pernas, fazendo formigar a ponta de seus dedos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não ajudou que encontrou a Madre se esfregando contra a quina da cadeira, parecendo não se aguentar com a visão da freira assim, aberta, se limpando e tentando não gozar. Se segurando para não gozar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sem saber o que era considerado suficiente, abaixou a perna de uma vez, querendo evitar que a Madre percebesse o quanto estava gostando daquilo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— De novo, Irmã.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Madre… — Irmã Raquel falava com sussurros, choramingando, tremendo inteira.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— De novo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel tombou o corpo para trás, apoiando na parede, temendo não ter forças para terminar esse pedido. Desceu os dedos de novo e fez uma pinça ao redor do seu clitóris, como fazia com o da Madre, desviando completamente do que foi pedido. Bom, não totalmente. Também se limpava assim. Também era gostoso se limpar assim. Moveu os dedos para cima e para baixo, devagarzinho, se arrepiando a cada vai e vem.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Gemendo a cada vai e vem.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não saberia dizer quando foi que começou a gemer, só reparou que gemia, suspiros, a voz baixinha e aguda, arfando enquanto o peito subia e descia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tão perto. Só mais um pouco. Talvez a Madre não percebesse se ela só…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Pare.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não entendeu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Irmã, pare. Está bom, pode sair.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Claro. Claro que a Madre perceberia. Claro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel deixou a mão tombar ao lado do corpo, respirando fundo, deixando a água acalmar seu corpo, acalmar sua quase transgressão, lavar sua agonia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Venha, vou te secar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Desligou a água, as mãos trêmulas, e cambaleou de volta para fora do box, parando sobre o tapete. Água pingava de seu corpo e de seus cabelos, que nem lembrou de torcer um pouco antes de sair. Estava desmontada. Perdida. Carente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vire-se, por favor. — A Madre se aproximou com uma toalha nas mãos. — Tudo bem, Irmã? — murmurou no ouvido dela, quase colando os corpos das duas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel apenas acenou que sim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não queria falar, tinha medo do som da própria voz quebrar algo nesse momento.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena passou a toalha nos seus cabelos, secando a nariz, espalhando as pontas no tecido, massageando com carinho. Não demorou muito e deixou essa toalha de lado antes de continuar, pegando outra.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Passou essa nas costas da Irmã, arrepiando-a com cada contato. Subiu de volta, descendo agora pelos ombros, um braço primeiro, depois o outro. Cada pedaço tocado pela toalha era em seguida beijado devagar, os lábios macios da Madre criando o cenário perfeito para um desastre.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Irmã Raquel era esse desastre.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Virou de volta quando foi ordenado, agora de frente para a Madre. Se já se encolhia sob o olhar dela de longe, de fora do box, vê-lo agora tão de perto despertava em Irmã Raquel a urgência de se ajoelhar. Queria beijar os pés da Madre, perguntar o que poderia fazer por ela, como poderia servi-la, de quais outras formas poderia ser torturada para o prazer da Madre, unicamente pelo prazer da Madre.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Indiferente aos seus pensamentos, Madre Madalena passou a toalha no pescoço da Irmã, depositando o beijo em seguida, e mais uma lambida, exatamente onde lambera mais cedo. A pele de Irmã Raquel era fogo santo em toda sua extensão. Estava de novo sendo empurrada para um abismo, para a desobediência.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando chegou ao seus seios, Madre Madalena se demorou. Secou um, devagar, com a mão apertando sobre a toalha, depois o outro, sentindo seu formato e volume, como se testasse alguma coisa, como se buscasse alguma resposta. Ao invés de beijá-los, soprou hálito quente em seus mamilos, observando com fascínio como estavam rijos e pontudos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel nunca imaginou que pudesse ser alvo de desejo até se ver inteira feita de desejo. Não imaginou que fosse capaz de enlouquecer outra pessoa até testemunhar ali, de perto, como a Madre parecia… descontrolada. Uma versão diferente dela, uma versão bestial.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Madre secou sua barriga, se ajoelhou e secou uma perna, depois a outra. Desviou elegantemente do que Irmã Raquel mais queria, da sua ânsia, do seu inferno. Beijou suas coxas, apertou com a ponta dos dedos, apertou sua bunda.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mediu cada pedaço da freira com as mãos, depois com os lábios, até que estava satisfeita. Até estar sorrindo como se estivesse possuída.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Perfeita. Você é perfeita, Irmã. Perfeita. — Esfregou a ponta do nariz na lateral da coxa direita da freira, apoiando o rosto em sua pele. — Perfeita.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena se levantou depois de vários segundos, ainda sorrindo muito, ainda com um brilho diferente no olhar, ainda transparecendo algo que não poderia ser descrito com outra palavra além de fome. Desespero.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Como um animal diante de sua caça.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você pode se deitar agora, Irmã.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Poderia. Talvez. Só quando tentou se mover foi que sentiu as coxas úmidas, escorregando uma contra a outra, e fechou rápido as pernas. Molhada. Estava tão molhada que se sentia escorrendo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Madre, eu…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Madre só a observou, esperando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Talvez eu deva me lavar de novo. Sinto que não fiz como você mandou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel imediatamente se arrependeu de ter falado, porque arrancou uma risada muito alta da Madre. Do tipo irônico, do tipo ruim. Ao menos era o que parecia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Minha querida… Minha doce e querida Irmã Raquel…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena se aproximou até que a Irmã sentisse os corpos da duas colados, o tecido do hábito da Madre se esfregando contra a sua pele. A Madre apoiou o rosto no ombro direito da Irmã, respirando fundo e devagar, e desceu a mão pelo outro lado. Passou pelo pescoço, pelos seios, sentiu sua cintura, desceu pelo quadril e levou os dedos até o clitóris da Irmã, esfregando, molhando, sentindo sua entrada. Enfiou a ponta dos dedos, e só isso, e Irmã Raquel gemeu Madre… tão baixo, de forma tão sincera e desesperada que quase perdeu o equilíbrio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel estava sendo tocada. Estava sendo tocada pela Madre, tocada de verdade, e estava molhada, muito molhada e sensível, e era tão desesperador e gostoso e intenso e parecia mentira, só podia ser mentira, mas não era.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel estava mesmo sendo tocada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena afastou os dedos, deixando um vazio para trás, uma ânsia insaciável, uma ovelha perdida de seu rebanho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel abriu os olhos, desesperada, pronta para implorar por mais, quando viu a Madre levando os dedos até a boca. Ela passou com a ponta pelos lábios, molhando-os, e depois chupou inteiros, sugando com vontade, provando do gosto da Irmã.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Provando do gosto da Irmã em sua língua.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Nada de banho, minha querida. Você vai dormir assim mesmo. — Madre Madalena tirou os dedos da boca para falar, mas voltou a chupar no segundo seguinte. Parecia gostar muito. Muito mais do que Irmã Raquel considerava ser possível. — Era assim mesmo que eu gostaria que você estivesse. O tempo todo se possível.</p><hr class="content_break"><div class="image"><a class="image__link" href="https://catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=esses-vossos-olhos-misericordiosos-so-uma-rapidinha" rel="noopener" target="_blank"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/cf54c148-3532-416a-bae1-d16c5db937e5/metas_freira__2_.png?t=1750891884"/></a><div class="image__source"><span class="image__source_text"><p>clica, essa imagem é um link!</p></span></div></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso! Um xêro e um queijo,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Kodinha</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><b><i>Se quiser contribuir com a meta da freira e da madre, receber as rapidinhas antes de todo mundo, newsletter de fofocas mensal e textos e trechos exclusivos, considere </i></b></span><span style="color:inherit;"><b><span style="text-decoration:underline;"><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g&_bhlid=171b40959ce3873b349b49b3fefef8492dd3acf1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(82, 50, 87)"><i>apoiar o meu catarse</i></a></span></b></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><b><i>. Além das recompensas, você me ajuda a continuar contando histórias!</i></b></span></p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="conhea-os-meus-livros">Conheça os meus livros:</h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Só uma rapidinha</b> <b>2</b>: <a class="link" href="https://payhip.com/b/4zIPi?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=esses-vossos-olhos-misericordiosos-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre diretamente comigo, com desconto</a> ou <a class="link" href="https://amzn.to/3zS3SO5?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=esses-vossos-olhos-misericordiosos-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre na Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Seja feita a vossa vontade: </b><a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/seja-feita-a-vossa-vontade/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=esses-vossos-olhos-misericordiosos-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre comigo com desconto ou na amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Só uma rapidinha</b> (o livro): <a class="link" href="https://payhip.com/b/3wtRx?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=esses-vossos-olhos-misericordiosos-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre diretamente comigo, com desconto</a> ou <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3kCvSy0&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=esses-vossos-olhos-misericordiosos-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre na Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Manda foto de agora</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3FNT2tI&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=esses-vossos-olhos-misericordiosos-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a> </p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Jogador número 3</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3NC3Gp0&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=esses-vossos-olhos-misericordiosos-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Mais de nós</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3FKcvv1&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=esses-vossos-olhos-misericordiosos-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Meus livros como Koda Gabriel <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/publicacoes/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=esses-vossos-olhos-misericordiosos-so-uma-rapidinha#koda-gabriel" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui</a>.</p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=4cc414e0-9bb2-49da-a7e8-960d9a5ae9c9&utm_medium=post_rss&utm_source=so_uma_rapidinha">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>Carinho safado - Só uma rapidinha</title>
  <description>uma arte nsfw passou na minha timeline e eu me rendi completamente</description>
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  <pubDate>Wed, 28 May 2025 21:00:00 +0000</pubDate>
  <atom:published>2025-05-28T21:00:00Z</atom:published>
    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
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    <div class='beehiiv'><style>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;">Boa noite safades, tudo bom?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maio foi mês de aniversário da newsletter e mês de muitas coisas insanamente boas pra mim também. Nem tudo são flores, mas muitas coisas são flores sim, e tô feliz, apesar de tudo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Principalmente, animado com o texto que trouxe pra vocês hoje. Tem uma ilustradora que amo muito chamada <a class="link" href="https://bsky.app/profile/beckymastery.bsky.social?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=carinho-safado-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(0, 130, 243)">Becky</a> que faz desenhos muito fodas, a grande maioria com <i>femdom</i>. Eu acompanho vorazmente e um tempo atrás perguntei pra ela se poderia escrever alguma coisa inspirada nos desenhos dela. Ela disse sim! E então foi só uma questão de acompanhar e aguardar o meu momento.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Por coincidência, no começo do mês passado ela postou esse desenho <a class="link" href="https://bsky.app/profile/beckymastery.bsky.social/post/3llraxa2hek2p?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=carinho-safado-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(0, 130, 243)">aqui</a> justo no dia que eu tinha mandado mensagem pra Bells dizendo que queria escrever sobre um homem trans mais velho e barbado/peludo. O encaixe perfeito, não é mesmo? Assim nasceram Filipo e Laura, os últimos românticos vivos, mas também safados de carteirinha. Espero que vocês gostem dessa história tanto quanto eu me diverti escrevendo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Além disso, ainda é possível garantir seus photocards temáticos de aniversário! Todos os apoiadores do catarse do mês de maio vão receber um, mas também vou sortear cinco unidades aqui na newsletter. Para se inscrever no sorteio, você pode clicar <a class="link" href="https://forms.gle/iHqHVZNGCWB73HuJA?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=carinho-safado-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui</a>. Se quiser garantir que irá receber um, <a class="link" href="http://catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=carinho-safado-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">apoie o meu catarse a partir de cinco reais</a> e garanta o seu, além de recompensas exclusivas e textos em adiantado!</p><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/a57a5e1b-d955-411f-bba5-b0079056e8c9/4.png?t=1747070569"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Dito isso, um beijo na bunda de cada um ❤️ Bora pro texto! <span style="color:rgb(34, 34, 34);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;">Como sempre, se quiserem falar sobre, minha DM está aberta e o </span><span style="color:rgb(34, 34, 34);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><a class="link" href="https://neospring.org/@ehkoda?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=carinho-safado-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"><span style="text-decoration:underline;">neospring</span></a></span><span style="color:rgb(34, 34, 34);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"> também! Você também pode responder esse e-mail e falar diretamente comigo ;)</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>Se quiser receber as rapidinhas antes de todo mundo, newsletter de fofocas mensal e textos e trechos exclusivos, além de um photocard temático esse mês, considere </i></span><span style="color:inherit;"><span style="text-decoration:underline;"><i><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g&_bhlid=171b40959ce3873b349b49b3fefef8492dd3acf1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(82, 50, 87)">apoiar o meu catarse</a></i></span></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>. Além das recompensas, você me ajuda a continuar contando histórias!</i></span></p><hr class="content_break"><h1 class="heading" style="text-align:justify;" id="carinho-safado">Carinho safado</h1><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Filipo não queria abrir os olhos. A respiração ainda estava irregular, o ar entrando e saindo dos pulmões com força. As bochechas queimavam, as pernas estavam um pouco trêmulas, o clitóris inchado e sensível, o tesão ainda passeando pelas suas veias, concentrado entre as suas pernas, agora também no lençol molhado embaixo de sua bunda. Não estava cheio em nenhum dos sentidos físicos: estava com um pouco de fome, na verdade, e, dessa vez, Laura nem tinha usado o dildo que gozava dentro. Ainda assim, se sentia cheio de outras formas, com a cabeça leve pelo desejo e aliviada da tensão do dia, o coração carregado de carinho, cada centímetro de sua pele ansiando o contato com Laura de novo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Filipo estava todo suado, mas não importava muito, não naquele momento.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— A água já esquentou. — Laura deu uma risada baixinha. — Vou buscar mais, não se mexa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Como se ele conseguisse. Ainda estava amarrado na posição que Laura o colocou. Esse era o motivo da água ter esquentado, na verdade, porque ela gastou um bom tempo cozinhando Filipo, esfregando as cordas na pele dele, lambendo suas coxas, mordiscando seu pescoço, o beijando devagar até ele estar tão molhado e ansioso que chegava a doer. Filipo amava isso, amava ser tocado, ser dela, ser o prazer dela e que ela fosse seu prazer. E amava, como amava esse momento exato. O breve momento entre um orgasmo  e outro em que seu corpo ainda estava muito sensível, os cuidados de Laura, os olhares que podia demorar no dela — e se perguntava se parecia tão tonto apaixonado quando se sentia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Abriu os olhos, encarando o espelho no teto, encarando a própria bagunça, o trabalho impecável que Laura fizera: sua pele dourada de sol estava avermelhada, já com algumas marcas de unhas e batom espalhadas pelos seus braços e pernas; seu cabelo estava desgrenhado, os cachos curtos desfeitos, os pelos de seu peitoral já molhados de suor, grudando na pele, os da barriga também. Seus joelhos estavam dobrados, próximo à sua barriga, e seus braços estavam amarrados junto das pernas. Não era a primeira vez assim, já que Laura gostava dessa visão dele: entregue, aberto, disponível. E Filipo gostava de estar assim para ela. Gostava de todas as sensações que ela o proporcionava assim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tombou a cabeça para o lado, na direção do celular que tinha deixado encostado na mesinha ao lado da cama, e conferiu as horas: quase meia-noite. Não se sentia cansado nem com sono. Se sentia desperto, elétrico, ansioso pelo que ainda fariam.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Levanta um pouquinho a cabeça — Laura indicou e Filipo obedeceu. Ela deslizou um travesseiro embaixo de seu pescoço, apoiando sua cabeça um pouco para cima. — Vou te dar água devagar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela estava com uma garrafa de água nas mãos e a inclinou lentamente nos lábios de Filipo. Era uma posição esquisita de se beber água, mas, novamente, já estava acostumado. Laura fazia questão que ele bebesse água com frequência e muito em breve provavelmente o daria algo leve pra comer também. Filipo fechou os olhos, se perguntando se todas as pessoas no mundo se sentiam assim mesmo com anos de casamento. Se continuavam como adolescentes apaixonados pelos maridos, esposas, parceiros. Se não conseguiam olhá-los por muito tempo ser ser inundados por algo que era um misto de tesão e afeto e desejo e paixão ardente, assim como era com Filipo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mexeu um pouco a cabeça para sinalizar que estava satisfeito e Laura conferiu a garrafa antes de concordar que ele poderia parar de beber.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você ainda tá completamente vestida, Laura — Filipo comentou, conseguindo só então formular um pensamento coerente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela ajeitou o vestido, ainda sentada ao lado dele, e sorriu satisfeita.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— É sempre um bom dia quando consigo te fazer gozar antes mesmo de tirar a roupa, meu amor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Filipo soltou um som indignado, mas não estava mesmo tão indignado assim. Só queria ver sua esposa nua, tão derretida quanto se sentia. Mas sabia que essa pose era muito fachada, que por baixo do vestido ela já estava molhada, suada e cheia de vontades muito piores do que as que ele conseguia imaginar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Se você tá com pressa pra me ver pelada eu tenho uma má notícia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Hm… — Filipo estava desconfiado e excitado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vou pegar minhas coisas. Não se mexa <i>de novo</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Engraçadinha você, Laura.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela piscou para ele antes de levantar e ir para sua mochila, que estava em uma das cadeiras na mesinha no canto do quarto. Filipo conseguia ver um pouco melhor agora que estava com a cabeça apoiada e ainda estava levemente deslumbrado com a escolha da vez. O quarto era grande, espaçoso, tinha mais de um ambiente, um banheiro enorme com banheira e até um videogame ligado na televisão enorme — por um momento ele se perguntou <i>quem vem para um motel pra jogar videogame</i> e no segundo seguinte já se imaginou jogando de madrugada depois que Laura dormisse, o que foi meio patético. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Filipo tombou de lado para descansar um pouco as pernas e braços, o corpo agora fechado e enrolado, parecendo um bebê.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não vai me contar a má notícia? — questionou, tentando descobrir alguma coisa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Laura tirou os saquinhos de sempre da mochila. Ela era extremamente organizada e separava os dildos entre os que usava na buceta ou na bunda, separava os plugs, suas cintas preferidas, <i>tudo</i>, e sempre que precisavam sair preparava bolsinhas com vibradores, dildos, cintas, plugs, uma quantidade imensa de cordas e acessórios infinitos. Nem tudo era de fato usado toda vez, mas ela gostava das possibilidades. Filipo não era um cara de reclamar de possibilidades, também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Nem uma pista? — Insistiu quando reparou que ela não iria respondê-lo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela parou a organização que estava fazendo no pé da cama — enorme — e foi para um dos saquinhos em específico. Tirou uma coisa de dentro e jogou na direção dele. Uma venda.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ah.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ah. — Ela repetiu. — O gato comeu sua língua agora?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela riu, mas não desviou da sua organização. Filipo a viu abrindo algumas coisas, mas não conseguia ver o que exatamente ela estava selecionando. Apesar de perguntar tanto, gostava da surpresa também. E a venda… Sabia que Laura estava interessada em usar a venda para alguma coisa há um tempo porque viu ela comprando três novos modelos. Essa era fina, simples, mas ele duvidava que desse para ver qualquer coisa. Se ela estava feliz, ela provavelmente era confortável. Junto dela… Filipo sabia que atrocidades viriam e apertou as pernas para segurar o tesão que já se espalhava pelo seu corpo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— É por isso que eu não te conto as coisas. Não fiz nada e você já está querendo se esfregar. — Ela nem mesmo levantou o olhar para reprimi-lo. Que maldita. — Abra as pernas de novo. Não se preocupe, não vai ter tempo de se cansar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Laura disse que não iria contar nada, mas sempre acabava contando. Disse que Filipo era safado demais por estar molhado e com tesão com a menor das informações, mas alimentava o desespero dele. Se estivesse solto, Filipo esfregaria o bigode e passaria a mão no peito, alinhando e desalinhando os pelos, um hábito antigo que o acalmava. Não estava, então voltou a se encarar no espelho do teto, os dedos formigando, ansiando em se esfregar em alguma coisa, fazer alguma coisa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Seja bonzinho, Filipo — Laura subiu na cama de vez, engatinhando na direção dele. Parou entre suas pernas e passeou a língua por sua barriga, subindo pelo seu peitoral e pescoço, lambendo o suor com gosto. Filipo segurou um gemido no fundo da garganta. Ela parou bem com a boca ao lado de seu ouvido: — Deixo você me comer o quanto quiser quando eu terminar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Filipo mordeu o lábio inferior, sentindo o coração bater errado no corpo inteiro, já imaginando todas as coisas que gostaria de fazer com ela madrugada à dentro. Ele não era submisso de Laura, não exatamente, mas ela gostava de mandar e Filipo gostava de como ela ficava quando ele obedecia, então, por consequência, gostava de obedecer. E aproveitava muito, muito feliz quando ela dizia <i>pode se divertir comigo, eu deixo</i>. Por alguma razão esses momentos sempre pareciam ser muito melhores dos que os que ele começava sem essa autorização explícita, tinham um tom de <i>piedade</i> com o seu tesão que era ridiculamente excitante.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele acenou concordando com ela como se ela de fato precisasse desse aviso, como se já não estivesse previamente acordado que só uma <i>safeword</i> pararia aquele encontro ou qualquer encontro deles.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vou te vendar, Filipo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Laura sempre colocava muita vontade quando falava o nome dele, e o falava com frequência. Isso era outra das coisas absurdas sobre transar com ela, sobre <i>amá-la</i> no geral. Ela percebera muito rápido que ouvir o próprio nome saindo assim da boca dela, carregado de luxúria, de tesão, de ordem e desejo era… delicioso. Que poderia chamá-lo de amor, de safado, de puto ou de qualquer outra coisa, mas nada chegaria nem perto da sensação de soprar <i>Filipo</i> como se comesse as sílabas, como se estivesse o fodendo a começar pelas letras que compunham seu nome. Filipo amava, amava essa sensação, amava o tesão que se espalhava pelo seu corpo, amava.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Laura passou a venda nos olhos dele sem pressa. Filipo nunca se acostumaria com essa sensação: a antecipação de ser tocado, a pele quente de desejo, a ansiedade pulsando entre as suas pernas e se espalhando pelo corpo inteiro. Ainda estava sensível do primeiro orgasmo, mas já ansiando o segundo — e terceiro, quarto e quantos mais estivessem dispostos a ter.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Laura desceu os dedos pelo peito dele, esfregando devagar. Contornou as marcas antigas de sua mastectomia, arrepiando sua pele, fazendo Filipo tremer. Ela conhecia o corpo dele inteiro, cada pedaço de pele, cada vírgula e ponto final, e o tocava com tudo que sabia em mente. Sempre passava a impressão de que seus atos eram todos calculados, que cada mínimo toque era proposital. Ela continuou descendo os dedos até alcançar as cordas que amarravam a perna esquerda ao braço esquerdo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vou te soltar — murmurou, a voz não passando de um sopro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Já?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Planos, Filipo. — Ela endureceu a voz de novo. Começou a desfazer os nós um a um, deslizando as cordas na pele dele, passeando os dedos por sua coxa, deixando beijinhos também. — Eu tenho planos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Filipo parou de questionar. Só deixou os suspiros e gemidos baixinhos saírem, mordendo o lábio às vezes, segurando os mais altos. No fundo, queria pedir que ela fosse mais rápido. Estava particularmente inquieto, ansioso, com o tesão especialmente desgovernado e atormentado naquele momento. Ainda assim, não disse. Deixou que ela seguisse seus planos, deixou que cuidasse de seu corpo, que guiasse seu desejo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Laura terminou de soltar o lado esquerdo e Filipo esticou o braço para cima, abrindo e fechando a mão, aproveitando a recém-liberdade. Ia esticar também a perna, mas Laura a segurou no lugar, ainda dobrada, com a mão apoiando atrás da dobra do joelho. Deixou um beijo na parte interna da coxa, demorado, depois uma mordida leve. Filipo gemeu baixinho e mexeu o quadril por reflexo, sentindo o clitóris pulsar em antecipação. Laura subiu os beijos pela coxa dele, tão suaves, mas causando tanto estrago. Filipo ansiava cada contato, cada vez que ela se afastava e voltava, o tesão se acumulando em seu ventre.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Laura — ele murmurou, a voz trêmula, quando os beijos dela ficaram impossivelmente perto de seu clitóris, mas tão, tão terrivelmente longe.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Amava ela, amava sua mulher, mas como ela sabia torturá-lo. Laura escorregou a mão pela parte externa da coxa dele, subindo até o quadril, e fincou as unhas ali, segurando-o tão perto, não deixando ele se mover nem um pouquinho. Ainda assim, continuava tão longe de onde ele gostaria que os lábios dela estivessem.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Laura — ele repetiu, uma súplica, incapaz de controlar a ansiedade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Apressadinho — ela respondeu, e então se afastou dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Filipo ficou desorientado por um leve segundo, mas aguardou. Laura voltou a tocá-lo, esticando por completo sua perna esquerda e massageando o lugar onde estavam as cordas. Ele sabia que ela continuava entre as pernas dele pelos toques, mas era sempre desnorteante não conseguir vê-la. Qualquer segundo sem contato o levava a perguntas, aumentava sua ansiedade, fazia crescer seu desejo e urgência. Precisava dela, dos toques dela, da sensação da pele dela contra a sua, dos lábios dela nos seus, no seu corpo, no seu clitóris.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Laura tocou a perna direita em seguida, fazendo o mesmo bem devagar: desfazendo nós, arrastando as unhas, tomando o cuidado de sempre para as cordas não puxarem nenhum dos pelos da perna dele, sempre tão, tão cuidadosa, afetuosa, deixando beijos e lambidas e mordidas, removendo cada centímetro de corda até liberar a perna e o braço direito. Então subiu de novo os beijos pela coxa dele, de novo mordiscando, atormentando, desfazendo o resto de sanidade que ele ainda tinha, esgotando o restante de sua paciência.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Laura… — Filipo voltou a murmurar, atormentado. — Que tortura…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela sorriu contra a pele dele ao ouvir seu nome de novo. As palavras já saiam todas manhosas da boca de Filipo, com uma carência que fazia parecer que sequer tinha gozado, que dava a entender que ela o negaria alguma coisa, qualquer que fosse.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Muito, muito apressado, você — foi a única resposta dela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Laura espalmou as mãos na parte interna das coxas dele, uma de cada lado, abrindo suas pernas. Esfregou o rosto em sua coxa direita, depois beijou e mordeu a esquerda, e continuava desviando — nitidamente — de propósito da buceta dele. Filipo mordia o lábio, indignado, mas sem querer implorar demais. Queria ver até onde ela iria, até onde ele mesmo aguentava, o quão insuportavelmente melado e ansioso poderia ficar. Laura estava determinada, ainda beijando e lambendo e mordiscando. Se afastava por alguns segundos, e bastava isso para a respiração de Filipo mudar, imaginando o que ela faria, onde tocaria, esfregando o lençol de nervosismo e antecipação, mas logo ela voltava para as coxas, os beijos agora intercalados com as risadinhas baixas de alguém que estava claramente se divertindo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Filipo prendeu a respiração quando sentiu o corpo dela se movendo sobre o seu. Laura passou a língua pelo ventre dele, fazendo o caminho inverso pela trilha de pelos, subindo pela sua barriga, a pele se esfregando na dele. Não aguentou segurar na garganta o <i>porra</i> que escapou quando ela lambeu o mamilo esquerdo dele, mordendo em seguida.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ah, Laura…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A voz dele estava um pouco mais grave, tão carregada de tesão quanto ele estava carregado de tesão. Laura apertou os mamilos dele com força, do jeitinho que Filipo gostava, fazendo-o tremer e se remexer embaixo dela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você quer que doa, não quer? — ela falou com a boca colada na pele dele, baixinho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Filipo <i>sempre</i> queria dor porque sempre virava prazer. Acenou que sim, tentando imaginar o que ela faria, tentando antecipar o que viria, qual seria o método da vez. Estava sensível no corpo inteiro, cada pedacinho, e qualquer coisa que ela decidisse fazer ia ser o começo de seu fim, ele tinha certeza.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele ouviu o barulho do metal antes que ela fizesse qualquer coisa e, por deus, arfou  descompensado. Laura passou a ponta gelada no braço dele, subindo, fazendo um pouco de força, só para manter Filipo ansioso e desesperado. <i>Tão, tão absurdamente bom</i>. Como era permitido que existisse uma mulher tão insuportavelmente gostosa, tão boa, tão safada e tão dele, e mais do que isso, uma mulher que fosse tão <i>dona </i>dele? Filipo não conseguia acreditar que há dez anos estava nas mãos da mulher mais incrível do mundo, que estava tão rendido e entregue para a única pessoa que queria estar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Me diz se… — ela murmurou no ouvido dele, mas não terminou a frase. Não precisava. Filipo sabia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E assim que processou a sensação eletrizante da voz dela em seu ouvido, ela fechou um grampo gelado de metal no mamilo esquerdo dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ah, puta que pariu, Laura. — As palavras saíram descontroladas da boca dele, uma reação automática junto do tesão que mais uma vez parecia que iria explodir seu corpo. Sentia a ponta dos dedos tremer, o clitóris pulsar, a cabeça aérea.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Que foi? — ela parecia rir e, claro, fechou outro clipe no outro mamilo também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A pressão era deliciosa, a dor deliciosa, e, <i>inferno</i>, quando Laura passou a língua por cima e sugou mamilo e clipe juntos, melando tudo, Filipo achou que morreria ali. Seu coração batia com tanta força dentro do peito que poderia estourar sua caixa torácica e jorrar sangue por todo o quarto, explodindo tudo que ele era de dentro para fora. As mãos foram direto para a colcha, apertando com força, e as pernas se abriram mais involuntariamente, buscando um contato que não veio, uma fricção que não estava ali. Estava tão, tão, tão sensível e necessitado que chegava a ser patético.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Se reparou que ele estava a beira de um colapso, Laura não se importou. Ou, talvez, só quisesse vê-lo perder completamente a razão, porque ela se moveu para o outro mamilo, língua e metal e molhado, e puxou a cordinha que ligava os dois prendedores. A dor era… tudo. Martelando primeiro nos mamilos, mas pulsando em sua pele, no fundo de sua cabeça, na ponta dos seus dedos das mãos e nos dedos dos pés que dobrava de agonia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ai. Caralho, Laura.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela riu baixinho sem parar de sugar o mamilo dele, parecendo tão, tão satisfeita. Isso só tornava tudo pior, muito pior, na verdade, porque o prazer de Laura era inteiro o prazer de Filipo, e, porra, saber o quanto ela estava satisfeita e feliz pinçando os mamilos dele e se divertindo com sua agonia só tornava tudo mais intenso. Só fazia Filipo querer ainda mais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Laura puxou de novo e de novo, até ouvir Filipo choramingar, gemendo baixinho repetidamente, murmurando o nome dela como se fosse uma prece, uma oração da qual não conseguia escapar. Ela se afastou por um momento e antes que Filipo pudesse recobrar qualquer sanidade, Laura <i>finalmente </i>— finalmente — pinçou o clitóris dele com os dedos, o masturbando com vontade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Porra, Laura, porra, porra — Filipo não conseguia controlar a boca, não conseguia se controlar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Que boca suja, Filipo… — Laura falou e ele não conseguia localizar exatamente onde ela estava pelo som, só que parecia ainda estar entre as suas pernas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Laura continuou masturbando Filipo, esfregando seu clitóris inchado entre os dedos, tão precisa em cada movimento, como se fosse a criadora do mapa do tesão dele, a que inventou tudo que o provocava, cada mísero detalhe de tudo que ele sentia. Beijou uma última vez seu mamilo, depois sua barriga, descendo e descendo até ele sentir de novo a respiração quente dela entre as pernas, agora ainda mais aterrorizante e intensa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando Laura fechou finalmente os lábios ao redor do clitóris de Filipo, ele já estava perdido há tempos. Era dela, dela inteiro, e a forma como ela o chupava, tão certa, tão intensa, tão específica, só reiterava isso. Laura era perfeita e Filipo era sortudo demais, era sorte demais que ela o amasse e o fodesse assim. Nunca encontrou nenhuma outra pessoa que sabia fazer com seu corpo o que Laura fazia, que o conhecia tão bem, que sabia exatamente que botões apertar. Cada movimento dos lábios e da língua dela eram milimetricamente feitos para ele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Filipo já estava gemendo antes, mas com Laura de fato chupando, seu clitóris inchado e sensível sendo sugado e lambido por ela, a ponta da língua o esfregando, Filipo decidiu que ela era sua definição de céu e de inferno ao mesmo tempo, uma linha muito tênue, quase inexistente, separando uma coisa da outra. Ele amava tanto Laura, tanto, tanto, ela era tão perfeita, tão incrível, tão sua.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tá tão gostoso, Laura. Tão… tão gostoso, meu deus.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Filipo desceu a mão direita, buscando o cabelo dela no escuro. Segurou firme só por um segundo, sem intenção nenhuma de guiá-la, só pela sensação de estar com a mão ali, de sentir a pele dela, de <i>ser</i> dela. Acabou com essa mão apoiada no ombro dela, buscando um ponto de apoio só para se manter inteiro, para não perder a noção do próprio corpo e do corpo dela, para não derreter completamente de tesão e desespero.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A outra mão estava inquieta: esfregava o lençol, depois movia para trás da cabeça como apoio, passava no peito, puxando as presilhas nos mamilos de leve, depois voltava para o lençol. Filipo estava rendido, perdido, ou, talvez, encontrado. Ter Laura entre suas pernas era a melhor das sensações existentes.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ah, Laura…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela chupava tão bem, com tanto gosto e vontade. Filipo não ia aguentar muito, não mesmo. Não com a língua dela tão boa na ponta de seu clitóris, não com os lábios dela sugando devagarinho, não com as mãos dela unhando suas coxas. Quase queria dizer <i>obrigado</i> para ela. <i>Obrigado por ter a boca mais perfeita e chupar buceta como ninguém e por me dar os melhores orgasmos e ser a mulher mais incrível do mundo inteiro</i>. Ou algo assim, com certeza mais bem articulado, menos nublado de tesão, mas ainda muito verdade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Laura parou de chupar e esfregou os dedos na buceta dele, melando e molhando. Enfiou um, que logo viraram dois, mas sem pressa nenhuma. Metia devagar, tudo parecendo muito calculado, muito estratégico. Cada movimento dela gritava <i>Laura</i>, gritava o jeito dela de cuidar dele, de colocá-lo em seu lugar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Seu gosto é… — Laura provavelmente estava chupando os dedos, fazendo sons estalados e soltando risadinhas. — Me faz querer te comer inteiro, Filipo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela voltou a chupá-lo muito rápido depois disso, com mais urgência, mais vontade e pressa. Filipo gemia sem segurar, deixando o prazer e sua voz e suas reações se misturarem todas, deixando a boca de Laura ser tudo que importava no mundo inteiro. Ela puxou de novo a correntinha, uma grande sacanagem, e de novo, e Filipo já tinha perdido a noção de si quando gozou tremendo na boca dela, gemendo o nome dela, morrendo inteiro por ela e para ela e só dela. Laura continuou lambendo, continuou apertando as coxas dele com as unhas, continuou até a respiração dele se acalmar um pouco, mas só um pouco, porque não poderia mesmo deixá-lo completamente em paz.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Laura se levantou sem aviso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vou botar a cinta. Vou te comer, Filipo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E Filipo estava sensível, mas não dava a mínima. Ele queria, queria muito que ela fizesse o que bem entendesse, queria explodir. Queria, mais do que nunca, que Laura o engravidasse. Queria desafiar a ciência e carregar um bebê que sua mulher meteu nele com um pau de borracha. Queria que ela gozasse dentro dele, o infernizasse, o refizesse inteiro, reescrevesse sua história e toda a sua vida. Apesar de pensar tudo isso, Filipo só conseguia emitir sons graves que poderiam ser grunhidos se isso fosse um livro erótico e não sexo comum em um quarto de motel caro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Filipo a amava. Filipo a amava e estava transtornado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Abriu mais as pernas para ela, sem saber a posição que ela ia preferir, mas querendo deixar claro o quanto era dela, o quanto ela podia, que <i>tudo</i> era permitido.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Laura não demorou a voltar para perto. Filipo sentiu exatamente o momento em que ela sentou de novo entre suas pernas, o peso da cama mudando, sua ansiedade multiplicada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Seu clitóris… é minha perdição, Filipo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele segurou mais um xingamento, desesperado, quando ela esfregou o seu clitóris de novo na ponta dos dedos, masturbando. Filipo estava tão sensível, muito sensível, e se remexia instintivamente. Não queria fugir dos dedos dela, mas não conseguia ficar quieto também. Laura logo substituiu os dedos pela cabeça do dildo, esfregando-a na buceta dele. Deslizou fácil, descendo até a entrada e subindo até o clitóris, depois descendo de novo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você tá tão molhado. — Ela enfiou a cabeça um pouquinho só, quase um teste.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— <i>Ai, caralho, Laura. — </i>As palavras saem baixinho, um suspiro que Filipo é incapaz de verbalizar com mais força.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela se move e enfia mais um pouco, talvez meio dildo, talvez menos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não passei lubrificante nenhum. Filipo você é… impossível.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele estava desnorteado. Não reconheceu o dildo, não era parecido com nenhum que já tinham, então provavelmente era um pau novo. O desconhecido diante de si ficou ainda maior e Filipo se perguntou o quão grande era, o quão grosso era, quão fundo ela meteria… se iria <i>doer</i>. Estava tão melado e molhado e quase em pânico, morreria de tesão se doesse um pouquinho também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Laura meteu primeiro de frente mesmo, entre as pernas dele, devagar. Parecia querer que Filipo sentisse cada centímetro entrando e, por deus, ele adorou cada segundo, cada pedacinho, cada movimento. Ela saia e entrava tão lento, tão gostoso, tão intenso, ainda que devagar. Mas essa paciência não durou muito, jamais duraria, e logo Laura segurou uma das pernas dele pra cima, encaixando em um ângulo melhor e ela meteu tão, tão fundo, e Filipo finalmente sentiu o tamanho inteiro do dildo, a ponta do pau tão dentro dele que ele tinha certeza que era o maior de todos que ela já usou com ele. Era tão terrivelmente bom e Filipo e sentia tão cheio, tão preenchido e Laura metia tão, tão gostoso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Laura era tudo que importa, tudo que existia, e estava nua, ele sentia, ele <i>sabia</i>. A pele dela esfregava quente contra a perna dele, os peitos dela roçando em sua panturrilha e era absurdo, desesperador demais, era bom, bom demais. Laura o elogiou, porque era assim que ela fazia e porque ele gostava, ela sabia. <i>Bom, Filipo, muito bom. </i>Ela continuou metendo nele. <i>Uma buceta tão boa a sua, tão boa</i>. Subiu a mão pela barriga dele e puxou a correntinha, misturando ainda mais dor e prazer, como se fosse possível. <i>Mamilos tão sensíveis e gostosos de maltratar… Você é inteiro uma delícia de maltratar</i>. Subiu arranhando o peito dele, aproveitando o quanto ele era flexível e bem alongado, e deu a ponta dos dedos para ele lamber. <i>Uma língua tão boa e uma boca tão, tão obediente.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Filipo tombou a cabeça para trás, abandonando os dedos dela, sem se aguentar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Laura, porra, Laura, porra, porra.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Filipo já não registrava nada direito, mas ela continuou metendo tão bem, tão fundo. Ele estava desnorteado de tesão e aproveitou para mexer levemente os quadris, se abrindo mais pra ela, ajustando a ângulo só mais um pouco e permitindo que ela fosse ainda mais fundo e <i>porra</i>, não parecia ser possível ficar ainda mais delicioso, mas continuava ficando mais delicioso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Isso, isso, assim, isso. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Filipo sentiu lágrimas tentando fugir dos olhos e ficando paradas no tecido da venda. Ele só queria gozar, queria tanto, tanto gozar, precisava gozar ou iria explodir, não dava mais para aguentar, esperar, não sabia quanto tempo mais de Laura assim, dentro dele, era capaz de suportar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Goza pra mim, Filipo — ela murmurou na hora certa, como se conseguisse ler a mente dele, como se soubesse de cada pensamento que o atormentava, e Filipo era obediente demais, desesperado demais, <i>dela </i>demais para não reagir inconscientemente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Filipo gozou tremendo, gemendo o nome dela repetidas vezes, as duas mãos agarrando os lençóis com força, os gemidos ecoando nas paredes. <i>Laura, Laura, ah, Laura.</i> Dela, ele era inteiro dela, só dela, só dela. E mesmo fraco, mesmo exausto, mesmo cansado, ele queria mais, claro que queria mais. Continuou rebolando no pau dela, já querendo pedir que ela fosse de novo, que continuasse, que não se importasse com o cansaço dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você precisa jantar. — Ela tentou argumentar. — Não comeu nada antes de virmos para cá.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Filipo ignorou e continuou mexendo o quadril, rebolando no dildo, mas Laura ditava as regras e se afastou, tirando o pau de dentro dele. Filipo protestou sem nem pensar:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Laura! — Fez um biquinho mimado e birrento.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você vai jantar. Se não por boa vontade, porque to mandando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Filipo cruzou os braços sobre o peito, indignado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E se reclamar demais vou te fazer jantar e vou dormir, Filipo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele arrancou a venda dos olhos, decidindo dar um fim naquela brincadeira. Morreu ali um pouquinho, vendo a sua mulher, sua esposa, <i>Laura</i>, nua, linda, impossivelmente linda, o cabelo um pouco grudado na pele pelo suor, os mamilos rijos e os peitos fartos, a cinta ainda encaixada no corpo, a sua mulher, a mulher mais linda do mundo inteiro. Quem queria enganar, mataria o capeta se ela mandasse.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vou jantar. — Aceitou. — Mas só porque preciso de energia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Laura riu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vamos os dois fingir que não é porque você é um bom garoto obediente, Filipo.</p><hr class="content_break"><div class="image"><a class="image__link" href="https://catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=carinho-safado-so-uma-rapidinha" rel="noopener" target="_blank"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/bbe75b99-fdb4-41f0-adfd-a36b96b4f85f/catarse__Cabec%CC%A7alho_para_Twitter___2_.png?t=1748452912"/></a></div><p class="paragraph" style="text-align:left;"></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso! Um xêro e um queijo,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Kodinha</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>Se quiser receber as rapidinhas antes de todo mundo, newsletter de fofocas mensal e textos e trechos exclusivos, considere </i></span><span style="color:inherit;"><span style="text-decoration:underline;"><i><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g&_bhlid=171b40959ce3873b349b49b3fefef8492dd3acf1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(82, 50, 87)">apoiar o meu catarse</a></i></span></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>. Além das recompensas, você me ajuda a continuar contando histórias!</i></span></p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="conhea-os-meus-livros">Conheça os meus livros:</h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Só uma rapidinha</b> <b>2</b>: <a class="link" href="https://payhip.com/b/4zIPi?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=carinho-safado-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre diretamente comigo, com desconto</a> ou <a class="link" href="https://amzn.to/3zS3SO5?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=carinho-safado-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre na Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Seja feita a vossa vontade: </b><a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/seja-feita-a-vossa-vontade/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=carinho-safado-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre comigo com desconto ou na amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Só uma rapidinha</b> (o livro): <a class="link" href="https://payhip.com/b/3wtRx?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=carinho-safado-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre diretamente comigo, com desconto</a> ou <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3kCvSy0&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=carinho-safado-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre na Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Manda foto de agora</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3FNT2tI&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=carinho-safado-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a> </p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Jogador número 3</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3NC3Gp0&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=carinho-safado-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Mais de nós</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3FKcvv1&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=carinho-safado-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Meus livros como Koda Gabriel <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/publicacoes/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=carinho-safado-so-uma-rapidinha#koda-gabriel" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui</a>.</p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=2492f1dd-399b-4e4f-a343-b0778490a634&utm_medium=post_rss&utm_source=so_uma_rapidinha">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>Aniversário de 3 anos do Só uma rapidinha + Extra da Madre e da Freira </title>
  <description>Servindo bem o fandom da freira para servir sempre o fandom da freira</description>
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  <pubDate>Mon, 12 May 2025 21:00:00 +0000</pubDate>
  <atom:published>2025-05-12T21:00:00Z</atom:published>
    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;">Boa noite safades, tudo bom?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É 00h56 enquanto escrevo essa mensagem. Eu acabei de terminar o texto da freira e me deitei. A vida tem sido intensa e desafiadora nos últimos tempos, mas ei, estou há quase seis meses na terapia, e isso tem ajudado. Nem sempre dói menos, mas ao menos tenho alguém cuja especialidade é me ouvir falando coisas sem sentido no mínimo uma hora por semana. Tem realmente ajudado.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mas eu juro, esse é um texto feliz e grato, apesar do caos da vida.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ontem de manhã (dia 11, domingo, que eu talvez ainda possa chamar de hoje, dado que ainda não dormi), mandei uma mensagem pra Bells comentando uma coisa que acho pertinente dizer aqui também. Eu tenho essa sombra me perseguindo por ainda não ter terminado um romance. Em alguns dias ela é pequena e tem talvez o tamanho da sombra que meu copo de água faz na minha mesa (não muito incômoda, mas sempre ali). Em outros dias ela é maior que meu corpo inteiro, transformando o escritório que trabalho numa caverna de agonias e ansiedades. Nesses dias, a sensação é que meu futuro como escritor vai estar pra sempre quebrado e que meu sonho vai ser incompleto (eu tendo a ser pessimista com facilidade).</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ainda assim… é engraçado como sempre que me sinto perdido algo acontece pra me lembrar que, apesar dessa vontade ainda não suprida, eu ainda construí e sigo construindo algo incrível aqui nessa newsletter. O Só um rapidinha nasceu mais da minha necessidade de criar sem medo do que qualquer outra coisa. Eu precisava reencontrar meu prazer na escrita erótica e, olha só, eu meio que encontrei isso e muito mais. Rapidinha deixou de ser só uma forma de descrever sexo feito rápido e passou a ser pra muita gente sinônimo de texto erótico queer. De alguma forma, eu não sei bem como (narrador: ele sabe exatamente como), as pessoas agora lembram de mim quando veem qualquer coisa semierótica com padres ou freiras. Me marcam em tweets e posts e lembram de mim nos cenários mais inusitados (<a class="link" href="https://bsky.app/profile/fernandaversa.bsky.social/post/3lotuwbjzps2l?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=aniversario-de-3-anos-do-so-uma-rapidinha-extra-da-madre-e-da-freira" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">até mesmo numa MILF e um virgem inspirada numa ave fodona e um novinho falhando em transar com ela repetidas vezes</a>). Não sei o que eu fiz pra merecer isso aqui, mas, caralho, que bom é estar há três anos nessa jornada. Três anos escrevendo pornografia queer de todos os tipos, pra todos os gostos, explorando vários kinks e fetiches. Essa newsletter é meu maior orgulho e a comunidade que surgiu ao redor dela me faz muito, muito feliz.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Agradeço cada um que acompanha essa news, dos mais quietinhes aos mais <i>horny on main</i>. Sou grato de verdade e espero que a gente possa continuar compartilhando fetiches por muito, muito tempo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Para comemorar o aniversário da newsletter, resolvi fazer photocards temáticos e exclusivos! Todos os apoiadores do catarse do mês de maio vão receber uma cópia, mas também vou sortear cinco unidades aqui na newsletter.</p><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/a57a5e1b-d955-411f-bba5-b0079056e8c9/4.png?t=1747070569"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Para se inscrever no sorteio, você pode clicar <a class="link" href="https://forms.gle/iHqHVZNGCWB73HuJA?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=aniversario-de-3-anos-do-so-uma-rapidinha-extra-da-madre-e-da-freira" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui</a>. Se quiser garantir que irá receber um, <a class="link" href="http://catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=aniversario-de-3-anos-do-so-uma-rapidinha-extra-da-madre-e-da-freira" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">apoie o meu catarse a partir de cinco reais</a> e garanta o seu, além de recompensas exclusivas e textos em adiantado!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Dito isso, um beijo na bunda de cada um ❤️ Bora pro texto!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>Se quiser receber as rapidinhas antes de todo mundo, newsletter de fofocas mensal e textos e trechos exclusivos, além de um photocard temático esse mês, considere </i></span><span style="color:inherit;"><span style="text-decoration:underline;"><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g&_bhlid=171b40959ce3873b349b49b3fefef8492dd3acf1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(82, 50, 87)"><i>apoiar o meu catarse</i></a></span></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>. Além das recompensas, você me ajuda a continuar contando histórias!</i></span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">ps: e se você nunca leu nenhuma das histórias da Madre e da Freira, corrija isso imediatamente. Você pode ler em ordem de lançamento (e cronológica): <a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/consagro-vos-a-minha-lingua?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=aniversario-de-3-anos-do-so-uma-rapidinha-extra-da-madre-e-da-freira" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui</a>, <a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/bendito-e-o-fruto-de-vosso-ventre?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=aniversario-de-3-anos-do-so-uma-rapidinha-extra-da-madre-e-da-freira" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui</a> e <a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/a-vos-bradamos-degredados-filhos-de-eva?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=aniversario-de-3-anos-do-so-uma-rapidinha-extra-da-madre-e-da-freira" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui</a>.</p><hr class="content_break"><h1 class="heading" style="text-align:justify;" id="minha">Minha</h1><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel tinha certeza de que nunca esteve tão ansiosa. Nem mesmo quando foi se apresentar para o serviço, ou quando decidiu que conversaria com a Madre pela primeira vez. Nem durante sua primeira novena, de verdade. Em todas essas vezes achou que a ansiedade era tanta que pularia de dentro de seu peito, mas sua ingenuidade a protegia de certa forma. Dessa vez ela de fato sentia o corpo se rebelando, trêmulo, a respiração inquieta, a agonia crescendo, uma ansiedade de quem já sabia onde estava se metendo e queria mesmo assim. Já estava frio nessa época do ano e já passava das onze da noite, o que só piorava a situação. Ela poderia muito bem esperar embaixo das cobertas, o que tecnicamente era a coisa sensata a se fazer, mas planejara esse momento tantas e tantas vezes em sua cabeça nos últimos meses que não conseguiria se mover para se agasalhar nem se quisesse.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel se contentou em ficar em pé, no centro do quarto, inquieta mesmo. Se proibiu de conferir no espelho pela décima vez como estava sua aparência, cansada de achar mais e mais defeitos toda vez que olhava, e também ciente de que a pouca luz que vinha do lado de fora diminuia a cada minuto. O importante era que a Madre gostaria, tinha certeza. Além disso, já tinha decorado cada pedacinho da sua roupa a essa altura: estava usando só a <i>lingerie</i> branca que havia comprado, o sutiã sem bojo contornando seus seios pequenos, a calcinha de renda dando um volume nunca antes visto na sua bunda, as meias destacando as coxas. Estava sem o véu também, e os cabelos como sempre cortados na altura do ombro. De ousadia, tinha recém cortado uma franja no espelho do banheiro. Não era exatamente sobre a testa, porque daria muito trabalho para colocar embaixo do véu se fosse, mas era um pouco mais curta que seu cabelo e se destacava. Antes de começar a se colocar mil defeitos, Irmã Raquel até sentiu <i>bonita</i> por um segundo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mas aí a ansiedade veio, é claro. Então Irmã Raquel estava com as mãos apertadas ao lado do corpo, os punhos fechados, e mordiscando o lábio inferior. A Madre chegaria a qualquer momento, ela tinha certeza, mas não sabia exatamente quando seria. Tudo que poderia fazer era esperar ali, parada no centro do quarto, pronta para ser o presente de <i>Dia de Consagração de Maria de Fátima</i> que decidiu que seria, esperando que isso fosse surpresa o suficiente, bom o suficiente, ou, ao menos, um pouco do que sua Madre merecia pelo esforço e dedicação.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel prendeu a respiração quando viu a porta se mexendo. Já não enxergava nada direito pela escuridão do quarto, e a luz e o vento que entraram pela porta estremeceram seu corpo inteiro. Viu a sombra que contornava o corpo da Madre quando ela se moveu para dentro do quarto parecendo distraída, e logo ela fechou a porta atrás de si. Irmã Raquel mal conseguia respirar, não conseguia se mexer, estava paralisada, aguardando, esperando ser notada. Madre Madalena deixou sua bíblia na mesinha ao lado da cama, ainda distraída, soltou um longo suspiro e acendeu a luz pelo interruptor ao lado da cama.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O coração de Irmã Raquel parecia que explodiria seu peito a qualquer momento, martelando como nunca, e os segundos se arrastaram um por um enquanto a Madre não se virava. Mas ela eventualmente se virou, e então a Madre a viu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A sensação para Irmã Raquel era a de que o tempo havia parado. Sua respiração era tão lenta e baixa que parecia inexistente; seu coração, até então acelerado, agora batia devagar, queimando sua adrenalina e transformando em outra coisa, talvez mais poderosa, <i>mais perigosa</i>; e, mais do que tudo isso, nenhuma das duas se moveu. Madre Madalena estava soltando a corda de sua cintura e assim parou, as mãos ainda desfazendo o nó.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Os olhos dela estavam indecifráveis. Irmã Raquel nem sempre tinha plena certeza do que a Madre estava pensando, mas costumava ao menos suspeitar. Naquele instante, entretanto, não fazia ideia do que se passava na cabeça da Madre. Ela estava parada, seu rosto, inexpressivo, mas seus olhos não paravam quietos um segundo, passeando pelo corpo de Irmã Raquel, descendo e subindo, parecendo buscar alguma coisa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Madre? — Irmã Raquel perguntou, a voz baixinha, trêmula, a ansiedade consumindo todo o seu interior novamente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Silêncio demais. <i>Demais</i>. A dúvida já tinha alcançado todas as suas certezas, agonizando de dentro para fora. Errara em achar que tudo isso era uma boa ideia? A roupa não era adequada? Será que ela… era…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena deu um passo, depois outro, depois outro, e logo suas duas mãos estão no rosto de Irmã Raquel, a ponta dos dedos se afundando nos cabelos dela, a palma escorregando num carinho pelas bochechas. Irmã Raquel fechou os olhos, inundada de alegria pelo contato, sem acreditar na proximidade, seu corpo inteiro reagindo à presença tão próxima da Madre.<i> Bom, tão bom, tão bom.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Minha… — a Madre murmurou como se fosse começar uma frase em seu ouvido, a boca colada em sua pele, o hálito quente em seu pescoço.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel abriu os olhos e se sentiu pulsar entre as pernas, ansiosa. A Madre estava com o corpo colado no dela, as mãos ainda fazendo um carinho em seu rosto, o olhar perdido no seu. Esperou o resto da frase, mas ele não veio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Minha…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Madre repetiu descendo as mãos para os ombros da Irmã, depois seios, e passou a ponta dos dedos no tecido do sutiã, contornando os mamilos dela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Minha, minha…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel só então entendeu que não era uma frase, que não viria uma frase. Era uma afirmação, um sinal de posse. Entender só piorou seu estado, só fez seu desejo se espalhar ainda mais, e aumentou sua satisfação também. Acertou. Deu o presente certo para a Madre, para sua Madre.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena desceu os dedos até a lateral da calcinha da Freira, seu olhar seguindo suas mãos, mas antes que fizesse qualquer coisa, parou. Voltou os dedos para o pescoço de Irmã Raquel e segurou seu rosto, impossibilitando que desviasse o olhar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Por quê?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O gesto da Madre era quase brusco, a forma como segurava seu rosto era restritiva, mas sua voz era doce. Era uma exigência, mas ela não estava brava. Tinha alguma coisa na sua voz, no seu olhar, na sua respiração cortada saindo pela boca, no seu hábito desmanchado pela metade, no caos da situação. Madre Madalena parecia… surpresa. Pior, parecia <i>perturbada</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Era pra ser um presente — Irmã Raquel murmurou, tentando não desmontar completamente sob o olhar da Madre. — Pela consagração. Pelo seu trabalho. Eu… — Engasgou nas palavras. — Eu escolhi. Pra você.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel nunca se cansaria da sensação absurda do frio na barriga, da adrenalina que cada interação com a Madre colocava no seu corpo. Esperou em silêncio quando a Madre  não a soltou, mas não respondeu de imediato também. Os olhos dela de novo passeavam pelo seu rosto e a proximidade queimava tudo na Freira, acendia seu corpo inteiro. Irmã Raquel mordeu o lábio inferior, tão ansiosa, tão necessitada, e isso pareceu estalar alguma coisa dentro da Madre.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena se moveu, finalmente, e puxou Irmã Raquel para um beijo. Irmã Raquel aproveitava cada um dos beijos da Madre como se fosse o primeiro e o último, como se a fome fosse consumir tudo que ela era, como se só existissem as duas no mundo inteiro. Os lábios dela eram tão macios, tão deliciosos, e devoravam os seus com tanta ânsia e urgência e era tão, tão bom. A Madre puxou Irmã Raquel para mais perto com as duas mãos em seu rosto, escorregando pelo pescoço, apertando os cabelos em sua nuca.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel gemeu ainda com os lábios juntos dos dela, o som saindo manhoso de sua garganta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você é minha — a Madre se separou apenas o suficiente para murmurar, e voltou a beijá-la.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel ousou colocar as mãos na cintura da Madre. Sem apertar, sem puxar, apenas deixou as mãos ali, sentindo a curva do quadril dela sob o hábito, delirando em antecipado, pensando na sensação futura de tirar a roupa da Madre e servi-la de todos os jeitos que a Madre permitisse. Era isso que queria, era o que sempre queria, agradar, servir, se entregar completamente para sua Madre, sua, sua Madre.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sua — a Freira arfou a palavra ainda de olhos fechados, tremendo quando a Madre beijou e lambeu seu pescoço, subindo até sua orelha.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Minha — a Madre reafirmou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mordeu o lóbulo da orelha da Freira, que soltou um gemido e subiu as mãos até o véu da Madre instintivamente, sem conseguir ficar afastada dela, sem conseguir se conter. Era tão bom, tão absurdamente bom, que Irmã Raquel nem mesmo tinha certeza de ser merecedora de tudo que a Madre lhe dava. Queria, não, precisava retribuir. Por isso pensara no presente. Não queria nunca que a Madre esquecesse de sua devoção, de sua entrega.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Madre voltou a lamber o pescoço da Freira, depois mordeu, e Irmã Raquel teve mais e mais certeza de que a Madre era a responsável pela sua vida. Parecia ser possível aguentar repetidas vezes aquela provocação, aquela tentação, todos os toques sensíveis e intensos da Madre e, ainda assim, Irmã Raquel amava. Amava sentir as garras de posse da Madre se mostrando, amava sentir de verdade que cada palavra de desejo da Madre era real, que sua devoção não era desapercebida. <i>Adorava</i>, se é que podia usar essa palavra. Adorava a Madre e cada coisinha que a Madre fazia por ela e deixava ela fazer em retorno.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Há quanto tempo? — A Madre levantou o olhar para olhos da Freira.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tem alguns meses que eu… — Irmã Raquel começou, achando que a Madre perguntou há quanto tempo estava planejando isso, mas parou quando viu um sorriso no rosto dela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Minha querida… — Deu mais um beijo nela, devagar dessa vez. — Há quanto tempo está aqui parada me esperando, é isso que quero saber.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Oh.</i> Irmã Raquel sentiu as bochechas corarem, sem saber se era pelo erro ou pelo tratamento de <i>querida</i>. Engoliu um monte de saliva, se preparando para confessar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Algumas horas. Tomei um banho depois da missa e desde então estou…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel parou de falar, de novo confusa e sem conseguir compreender a expressão da Madre. Não, não era bem que não compreendia, era o olhar da Madre que era muito intenso. Brilhava, fixo nela, e a boca da Madre estava entreaberta, sua respiração quente, suas mãos ainda possessivas no pescoço da Freira. Em todos esses meses, nunca se sentiu tão <i>dela</i>. Desconhecia sensação tão perfeita quanto essa, quanto a servidão que a Madre a proporcionava. Era Divino.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vamos pra cama, Irmã.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Madre puxou Irmã Raquel na direção da cama e parou com ela na beira, Irmã Raquel sentada sobre o colchão e a Madre de pé à sua frente. Irmã Raquel gostava dessa posição, de estar abaixo da Madre, de vê-la assim, nitidamente guiada pelo desejo, das possibilidades de servidão que apareciam. Esticou as mãos para levantar a saia da Madre, mas ela segurou seus dedos e os trouxe até os lábios. Colocou o indicador inteiro na boca, chupando com muito gosto. Já fizera isso outras vezes, em especial preparando os dedos da Freira para penetrá-la, mas parecia outra coisa dessa vez. Madre Madalena parecia brevemente uma devota, o olhar que via nela era, naquele momento, muito parecido com a paixão ardente que sentia queimar dentro de si. Uma entrega muito particular, uma urgência muito específica.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena sugou esse dedo, depois dois juntos, usando a língua, sugando e melando tudo. Irmã Raquel já não entendia bem onde iriam chegar, sem saber o que fazer diante de seus planos de agradar sendo desmoronados.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Madre? — Irmã Raquel queria entender.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mas ela não respondeu. Madre Madalena subiu na cama com as pernas ao redor da Irmã, guiando o corpo dela para cima. As duas se arrastaram devagar para trás, Irmã Raquel sentada entre as pernas da Madre, até pararem no centro da cama. Essa posição ainda era muito nova para Irmã Raquel, tão acostumada a ser quem se ajoelhava, quem estava por cima, pronta para chupar, lamber, para servir. Poucas vezes fizeram assim, em especial com a Madre ainda completamente vestida, a encarando como um presente descoberto, como uma ovelha rara de seu rebanho. Irmã Raquel abriu a boca para perguntar de novo, mas a Madre foi mais rápida, como se antecipasse suas dúvidas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu quero você. — Era uma afirmação, uma resposta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Madre se inclinou imediatamente, beijando de novo o pescoço da Freira e descendo pelo colo dos seios.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu sou sua — Irmã Raquel respondeu, a voz inocente e trêmula.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena sorriu com os lábios colados em sua pele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Quero <i>mais.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Madre desceu mais os beijos, até os seios da Freira, e mordeu um dos mamilos por cima do sutiã. Irmã Raquel não aguentou a sensação quente e se contorceu sob a Madre, gemendo, incrédula com a situação. Não era nada do que tinha planejado, não era a entrega que a Madre merecia. Era Irmã Raquel quem deveria estar satisfazendo a Madre, não o contrário.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Madre?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Perfeita — a Madre murmurou, ignorando a confusão da Freira. Lambeu de novo os mamilos dela sobre a roupa. — <a class="link" href="http://per.fei.ta?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=aniversario-de-3-anos-do-so-uma-rapidinha-extra-da-madre-e-da-freira" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Per.fei.ta</a>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Todos os movimentos da Madre refletiam concentração, um perfeccionismo de quem sabia o que estava fazendo, um cuidado e preciosismo apaixonado. Irmã Raquel, por outro lado, era uma confusão de sentimentos. Estava muito arrepiada e sensível, mas tão, tão perturbada. Estava mesmo tudo diferente do que havia planejado, mas não queria mais questionar ou reclamar. Afinal ainda era sua Madre e, no fundo, Irmã Raquel ainda era <i>dela</i> para o que ela quisesse.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— A serva perfeita. — A Madre desceu um dos lados do sutiã e abocanhou o mamilo, sugando, mordendo, lambendo com tanto gosto e ânsia e vontade. — O presente perfeito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel gemia baixinho, mordendo o lábio, sentindo pulsar entre as pernas, tão, tão molhada e sofrida. Ela segurou o lençol com as duas mãos, sem saber o que falar ou fazer além de se entregar completamente para sua Madre. Se Irmã Raquel não tivesse tanta certeza de que a noite era para ser uma surpresa organizada por ela, chegaria a suspeitar que a Madre estava planejando todos aqueles atos em sua cabeça, revisitando com ansiedade e desejo tudo que pensava, da mesma forma que Irmã Raquel fazia. Sabia que a Madre não planejara nada daquilo, entretanto, então tudo era pior. O peso do corpo dela sobre o seu, a presença dela entre as suas pernas, a língua passeando pelo seio esquerdo enquanto a mão apertava o outro, os dedos pinçando o mamilo, passeando pela renda do sutiã, descendo pelo seu quadril, tudo era absurdo, letal, insano.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena desceu os beijos de novo, passando pela cintura e barriga. Irmã Raquel não conseguia desviar o olhar, em choque, fantasiando o próximo passo da Madre. Ela iria… chupá-la? O mero pensar fez Irmã Raquel tremer. Não seria a primeira vez, mas, de novo, não era o que a Freira havia planejado. Seu objetivo de vida era servir e ali estava ela, deixando todo o trabalho para a Madre. Ainda assim, Madre Madalena parecia tão, tão satisfeita, que talvez Irmã Raquel estivesse entendendo tudo errado. Talvez deixar que a Madre fizesse o que queria fazer fosse servidão também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Madre lambeu as coxas da Freira, que se remexeu, tomada pelo tesão e desejo. Madre Madalena colocou as mãos espalmadas nas coxas de Irmã Raquel, mantendo-as abertas e no lugar. Era impossível não olhar para a Madre e, ao mesmo tempo, parecia impossível <i>continuar</i> olhando, a imagem sensual demais, enchendo Irmã Raquel ainda mais de desejo e vontades que não sabia sequer verbalizar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Consigo sentir seu cheiro daqui. — Madre Madalena parecia falar sozinha, murmurando enquanto beijava e lambia a coxa esquerda, depois a direita, ameaçando se afundar entre as pernas da Freira, mas não o fazendo, para desespero completo de Irmã Raquel.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena deixou uma mordida forte na coxa direita, uma que nitidamente deixaria marca. Irmã Raquel amava quando isso acontecia, amava olhar para o próprio corpo e lembrar de tudo que sua Madre já fizera dela, tudo que ainda poderia fazer.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Madre… — Irmã Raquel agora era apenas um eco de sua própria sanidade, um fio restante, nada mais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Made Madalena sorriu para a Freira, parecendo tão satisfeita.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Nem preciso tocar pra saber, eu sei como você vai estar… — Ela afundou o nariz entre as pernas de Irmã Raquel ainda por cima da calcinha, e esfregou o rosto ali.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel prendeu a respiração por um segundo, o corpo inteiro quente, mas logo estava arfando, impossivelmente excitada. <i>Molhada</i>. Tão molhada, tão consciente de que estava com tesão e de seu próprio desespero. Madre Madalena lambeu ainda por cima da calcinha e o gemido que Irmã Raquel deu saiu sem filtro nenhum, seguido de um suspiro alto, alto demais, até, mas a Madre nem sequer a repreendeu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Madre… Ah, Madre. — Os murmúrios da Freira eram desesperados. Não era de pedir nada em específico, mas estava cada vez mais ansiosa para receber o que agora sabia que iria receber.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Madre, por outro lado, não parecia ter pressa nenhuma. Voltou para as coxas de Irmã Raquel, alisando as meias com a ponta dos dedos, beijando por cada lugar que passava as mãos. Irmã Raquel respirava com dificuldade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Acho que vou querer você vestida assim mais vezes. — Madre Madalena não parou o que fazia para falar. Só continuou focada em beijar, por cima da meia ou diretamente na pele da Freira. — Muitas, muitas vezes.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Voltou a lamber por cima da calcinha de Irmã Raquel, que já não se aguentava mais. O quadril se movia sozinho na direção da boca dela, buscando desesperadamente mais contato, mais sensações, mais, só mais. Madre Madalena passou os dedos ao redor do elástico da calcinha no quadril da Freira, parecendo se preparar para tirá-la.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vestida assim pra mim, só pra mim. — Madre Madalena murmurava sozinha, alheia ao desespero da Freira, sem apressar nada. — Minha serva, minha, só minha.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A Madre puxou a calcinha pelas pernas da Freira, descendo até a tirar por completo. Voltou passando a língua na coxa direita dela, subindo até estar de novo com o rosto muito, muito perto da buceta da Freira. Suspirou forte, o ar se espalhando quente entre as pernas dela, atingindo todos os pontos sensíveis, e Irmã Raquel arfou, incapaz de se mover. Quer tanto, tanto aquilo. Estava ansiosa esperando, mas também ansiosa para todo o resto, independente do que a Madre quisesse fazer dela. Faria o que a Madre mandasse, qualquer coisa, o que fosse necessário<i>, </i>e deixaria que ela fizesse tudo que tivesse vontade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Fale pra mim o que você é — Madre Madalena murmurou ainda entre as pernas da Freira.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sua, Madre. Sou sua. — Irmã Raquel não hesitou em responder.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A resposta pareceu colocar fogo nas duas ao mesmo tempo, finalmente. Madre Madalena segurou o quadril de Irmã Raquel com as duas mãos, a puxou para perto, fechou os lábios no clitóris dela e sugou sem cerimônia alguma. Irmã Raquel tampou a própria boca com a mão direita porque a alternativa era gritar, e ela não podia, de forma alguma, gritar. Nunca, nunca, em toda sua vida, se acostumaria. A sensação era intensa demais, maravilhosa demais, incrível e tão, tão mais do que ela merecia. Sentia os olhos molhados de lágrimas, o corpo inteiro sensível, e a Madre sugando seu clitóris com tanto gosto era a coisa mais divina que já havia ocorrido em sua vida. Deus era Mulher, Irmã Raquel tinha certeza, e se manifestava na Madre.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel mexeu um pouco os dedos sobre a boca, sem destampar completamente, mas querendo deixar alguma voz sair, mesmo que pouca, tentando expressar o quanto era grata, o quanto devia sua vida inteira à Madre, o quanto ela havia transformado sua servidão, sua vida como Freira.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sua, Madre. — Irmã Raquel tentou articular, mesmo com tão pouco de sua mente funcionando. — Sempre…. Sempre pra te servir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena apertou ainda mais o quadril da Freira, sem parar de chupar e lamber, a língua tão gostosa e tão boa. Irmã Raquel se perguntou se a Madre também sentia essa mesma coisa, essa sensação de que seu corpo iria explodir, de que não aguentaria, nesse nível absurdo, porque a Madre sempre se portava tão melhor. Será que também era difícil para a Madre não gritar? Será que também era difícil não <i>chorar?</i> Irmã Raquel pensava tudo pela metade, sua mente uma explosão do rosto da Madre entre as suas pernas, da sua urgência sugando e lambendo, do tesão que emanava de seu clitóris e explodia em seu corpo inteiro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Madre, ah, Madre, tá tão gostoso. — Irmã Raquel choramingava baixinho, se esforçando para gemer baixo, usando tudo que restava de energia para não serem ouvidas fora daquele quarto, do santuário sua Madre, do <i>seu lugar no mundo</i>. — Eu vou… vou poder gozar?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A pergunta só então lhe ocorreu, tão comportada que era, mas toda a obediência daquele momento ficou para a Freira, não restando nada mais para a Madre que a mantivesse minimamente no lugar. Madre Madalena levantou de uma vez, passando em um segundo da configuração boca-enterrada-na-buceta-da-Irmã-Raquel para um beijo faminto e ancestral, parecendo buscar uma resposta para uma pergunta nunca dita, ou, talvez, conceder a única resposta possível para todas as perguntas já feitas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não houve calma, só sede e fome e urgência e a língua e o rosto das duas agora molhados do tesão de Irmã Raquel, o gosto tão bom que só fazia a Freira pensar no gosto da Madre, uma lembrança que sua boca precisava tanto recordar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena passou uma das mãos entre as pernas de Irmã Raquel, esfregou dois dedos do clitóris e desceu até meter os dois dentro dela, tão gostoso, esfregando o clitóris com o polegar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você <i>vai</i> gozar pra mim. — A Madre estava com o olhar fixo em Irmã Raquel, sem desviar. Parecia comer ela não só com os dedos, mas também com os olhos, com os braços, com o ar que existia entre as duas, como se tentasse ser uma só com ela. — Pra mim, e só pra mim, é uma ordem. — Cada palavra saia mais descompensada que a anterior, causando mais estrago que a anterior. — Minha, porra, só minha, só minha.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Um palavrão. A Madre falou um palavrão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O choque foi tamanho que Irmã Raquel não conseguiu se preparar e quando a Madre voltou a lamber o seio exposto, a língua passeando pelo mamilo rijo, os lábios se fechando para sugar e lamber, ela soube que não duraria mais nada. Sabia que ser ordenada para gozar, ainda mais dessa forma, ativava todos os seus instintos. Ela obedeceria, obedeceria sem precisar pensar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu acho que…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Pra mim — a Madre murmurou mais uma vez, sem nem deixar Irmã Raquel concluir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena estava diferente, tão fora de si, mas, ao mesmo tempo, tão ela mesma. Irmã Raquel poderia ousar dizer que a Madre parecia possuída, mas sabia que essa palavra não descrevia o que estava realmente acontecendo. A sensação era, na verdade, de que a Madre estava liberta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Só. Pra. Mim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena mordeu o seio com força, os dentes apertando a pele, e Irmã Raquel gozou de desespero puro. Deixou um gemido muito alto escapar e tampou a boca com pressa, com as duas mãos, segurando sua própria agonia, trêmula e desesperada, seu olhar assustado buscando o da Madre.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Quero te ouvir, minha querida — Madre Madalena falou baixo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel deixou gemidos escaparem por entre as mãos, tão controlados quanto possível, tão <i>descontrolados </i>quanto possível. A Madre continuava metendo e o prazer continuava explodindo dentro de seu corpo, as mãos tremendo sobre a boca e tentar conter tanto tesão e os gritos e o desejo parecia impossível, mas pela Madre, pela sua Madre, Irmã Raquel moveria qualquer esforço necessário.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ah, Madre. Ah…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Isso. — Madre Madalena a encorajou, sorrindo para os seus gemidos. — Isso, minha querida.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Com a Madre a olhando daquela forma, Irmã Raquel só queria gemer ainda mais. As pernas estavam trêmulas, as mãos logo foram para o lençol, apertando com força. Madre Madalena ainda meteu mais um pouco antes de diminuir o ritmo, um sorriso tão, tão grande no rosto, parecendo muito satisfeita. Irmã Raquel sentiu a adrenalina abaixar um pouco e uma sensação maravilhosa tomou conta dela. Se sentia tão boa, tão feliz, tão perfeita, exatamente como a Madre falava. Não estava errada na escolha do presente, a Madre havia, sim, gostado da surpresa. Não errou. Não errou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madre Madalena sentou entre as pernas de Irmã Raquel e levou os dedos até a boca, lambendo um por um com uma calma perturbadora, um show particular que atormentaria Irmã Raquel por dias a fio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Irmã Raquel tentou sentar também, mas logo a Madre colocou uma mão aberta sobre a barriga dela, indicando que não deveria se mover.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ainda não acabei. — Madre Madalena sorriu e Irmã Raquel arregalou os olhos. — Não sei se algum dia vou estar satisfeita de você, na verdade.</p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Como sempre, se quiserem falar sobre, minha DM está aberta e o <span style="text-decoration:underline;"><a class="link" href="https://kodinhag.straw.page/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=aniversario-de-3-anos-do-so-uma-rapidinha-extra-da-madre-e-da-freira" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">straw</a></span> também! Você também pode responder esse e-mail e falar diretamente comigo ;)</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso! Um xêro e um queijo,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Kodinha</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>Se quiser receber as rapidinhas antes de todo mundo, newsletter de fofocas mensal e textos e trechos exclusivos, considere </i></span><span style="color:inherit;"><span style="text-decoration:underline;"><i><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g&_bhlid=171b40959ce3873b349b49b3fefef8492dd3acf1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(82, 50, 87)">apoiar o meu catarse</a></i></span></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>. Além das recompensas, você me ajuda a continuar contando histórias!</i></span></p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="conhea-os-meus-livros">Conheça os meus livros:</h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Só uma rapidinha</b> <b>2</b>: <a class="link" href="https://payhip.com/b/4zIPi?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=aniversario-de-3-anos-do-so-uma-rapidinha-extra-da-madre-e-da-freira" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre diretamente comigo, com desconto</a> ou <a class="link" href="https://amzn.to/3zS3SO5?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=aniversario-de-3-anos-do-so-uma-rapidinha-extra-da-madre-e-da-freira" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre na Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Seja feita a vossa vontade: </b><a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/seja-feita-a-vossa-vontade/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=aniversario-de-3-anos-do-so-uma-rapidinha-extra-da-madre-e-da-freira" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre comigo com desconto ou na amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Só uma rapidinha</b> (o livro): <a class="link" href="https://payhip.com/b/3wtRx?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=aniversario-de-3-anos-do-so-uma-rapidinha-extra-da-madre-e-da-freira" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre diretamente comigo, com desconto</a> ou <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3kCvSy0&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=aniversario-de-3-anos-do-so-uma-rapidinha-extra-da-madre-e-da-freira" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre na Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Manda foto de agora</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3FNT2tI&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=aniversario-de-3-anos-do-so-uma-rapidinha-extra-da-madre-e-da-freira" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a> </p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Jogador número 3</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3NC3Gp0&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=aniversario-de-3-anos-do-so-uma-rapidinha-extra-da-madre-e-da-freira" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Mais de nós</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3FKcvv1&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=aniversario-de-3-anos-do-so-uma-rapidinha-extra-da-madre-e-da-freira" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Meus livros como Koda Gabriel <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/publicacoes/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=aniversario-de-3-anos-do-so-uma-rapidinha-extra-da-madre-e-da-freira#koda-gabriel" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui</a>.</p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=f3593b3c-d134-48ee-9de0-11a382917ec0&utm_medium=post_rss&utm_source=so_uma_rapidinha">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>Sex party da Alana - Só uma rapidinha</title>
  <description>um pouco de cerveja um pouco de orgasmo</description>
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  <pubDate>Wed, 30 Apr 2025 21:00:00 +0000</pubDate>
  <atom:published>2025-04-30T21:00:00Z</atom:published>
    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
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    <div class='beehiiv'><style>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;">Boa noite safades, tudo bom?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Março foi um mês sem newsletter porque minha vida meio que virou de cabeça pra baixo. Meu trabalho CLT puxou muito de mim quase o mês inteiro (até no dia do meu aniversário), e a exaustão bateu em minha porta e eu abri. Foi foda, e ainda não está particularmente fácil, mas estou levando da melhor forma possível.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Fiz o compromisso com os apoiadores do catarse de não deixar eles sem rapidinha, mas como também tenho o combinado por lá de enviar conteúdo em adiantado, achei melhor pular um mês na newsletter pública e garantir que ia chegar tudo certinho pra todo mundo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">A rapidinha desse mês é temática de aniversário porque escrevi ela pensando no meu aniversário (que foi mês passado, né), e traz de volta personagens gostosos que eu escrevi no <a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/feliz-navidad?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=sex-party-da-alana-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">natal</a>. Agora, Alana e Felix voltam para o aniversário da Alana. Uma festinha sexy e gostosa com amigues convidades pra ninguém sair sem gozar e ser feliz.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Bora se divertir?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>Se quiser receber as rapidinhas antes de todo mundo (inclusive, a do próximo mês já foi enviada por lá!), newsletter de fofocas mensal e textos e trechos exclusivos, considere </i></span><span style="color:inherit;"><span style="text-decoration:underline;"><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g&_bhlid=171b40959ce3873b349b49b3fefef8492dd3acf1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(82, 50, 87)"><i>apoiar o meu catarse</i></a></span></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>. Além das recompensas, você me ajuda a continuar contando histórias!</i></span></p><hr class="content_break"><h1 class="heading" style="text-align:justify;" id="sex-party-da-alana">Sex party da Alana</h1><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Você está convidade pro aniversário da Alana!</b></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E esse ano a festa será diferente ;) Uma <i>sex party </i>bem gostosa pra diversão de todes. Algumas regrinhas para boa convivência:</p><ul><li><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eu (Alana) serei considerada de uso livre durante à noite para todes. Fique a vontade, o aniversário é meu, mas quem ganha o presente é você 🫵.</p></li><li><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Isso <b>não</b> significa que você precisa fazer nada comigo, mas se quiser, pode.</p></li><li><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Isso também <b>não</b> significa que você precisa fazer algo com outras pessoas, mas se quiser, pode.</p></li><li><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sempre considere que você <b>não</b> tem o consentimento prévio de mais ninguém! Pergunte! Conversem!</p></li><li><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tendo consentimento, transem muito. Não precisa me deixar assistir, mas se quiser, pode.</p></li></ul><ul><li><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Todo mundo nu! Ao chegar, deixe suas roupas e sapatos no hall de entrada. Nada de se despir nervoso e espalhar roupas pela casa inteira, pelo amor de deus.</p></li><li><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Usem camisinha e lubrificante. Teremos ambos em quantidade à disposição. Os banheiros também estarão limpinhos e disponíveis para banhos rápidos. Aproveitem!</p></li><li><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Atualizem os testes de IST de vocês!</p></li><li><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Utilizaremos o esquema de semáforo como segurança: vermelho, amarelo e verde.</p></li><li><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Confirme sua presença comigo! Não é pra eu contratar buffet é pra eu te infernizar se você disser que não vem!</p></li></ul><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana estava nervosa. Ela continuava tentando se convencer de que era óbvio que estaria nervosa, mas continuava inconformada consigo mesma. A vida sexual com Felix — ou sua vida sexual, ponto — nunca tinha sido tão interessante. Não que antes fosse chata, mas agora que os dois estavam ativamente buscando coisas novas pra tentar, tudo estava cada vez mais excitante. E a situação específica dessa festa-de-aniversário-sex-party era nova, mas muitos detalhes dela não eram: Alana conhecia todos eles, já beijara e transara com todos eles, sozinhos ou em duplas ou grupos, e festas que eram simples já viraram uma pegação de horas. Até aí, tudo normal.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ser de uso livre a noite toda, entretanto… era uma enorme novidade. Não estar no controle já era uma grande novidade, para começo de conversa. Alana só se permitiu ser sub de outra pessoa duas vezes, as duas vezes com a mesma pessoa. E não é nem que ela não tenha gostado, porque gostou, ela só sempre teve dificuldade de relaxar e abrir mão do controle. Vic fora a única pessoa que conseguiu fazer Alana relaxar rápido, levá-la diretamente para o <i>subspace</i> sem tempo para ficar consciente de que estava entrando no <i>subspace</i>. As duas vezes foram perfeitas, eles só não tiveram muitas oportunidades de repetir. E agora… Vic nem estava ali ainda e seria o último a chegar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mas Alana sabia que estava divagando demais. Estava apoiada em uma banqueta da cozinha, mas que estava na sala, segurando um copo grande demais de cerveja e definitivamente perdida na conversa que estava rolando. Do seu lado direito, Felix, seu amor, em outra banqueta, e Rafa, o namorado dele, estava em pé e com a mão ao redor da cintura dele. Eles conversavam animadamente com Benji sobre alguma coisa que Alana com certeza deveria saber o que era, mas não sabia. Carol — namorada de Rafa —, e Emily — namorada de Alana —, estavam conversando na mesa há mais de uma hora sobre videogames. Nerdolinhas fofas, as duas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Se a situação fosse inversa, se Felix ou qualquer um dos outros estivesse se entregando para uso livre, ela estaria nesse momento esfregando a bunda da pessoa e dando tapas, pedindo foco, que não deixasse sua mente ir tão longe e que não ficasse tão ansiosa. Nenhum deles tinha muita experiência em dominar as situações, entretanto. Não tanto quanto ela e Vic, ao menos, e talvez por isso estava tão ansiosa, esperando que ele chegasse. Ele saberia acalmá-la. Ele sempre soube como acalmá-la.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana checou o relógio de novo. Eram quase nove, então Vic estaria ali talvez em meia hora. Ninguém fez nada com ela ainda, nem entre si, além de beijos molhados ocasionalmente. Ela conseguia ver paus duros, entretanto, e imaginar as bucetas molhadas. <i>Sabia</i> que todo mundo estava com tesão e sentindo uma leve energia no ar, mas também sabia que estavam todos meio tensos, talvez sóbrios demais, e desacostumados em ver Alana tão passiva.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Foi tirada de dentro de sua cabeça por Felix, que levantou seu rosto com a ponta dos dedos, agora parado na sua frente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tudo bem? — perguntou, parecendo preocupado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tudo bem. Um pouquinho nervosa, só. — Não tinha nada para esconder dele, nem queria esconder nada dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Acho que tá todo mundo um pouquinho nervoso. Talvez um pouco mais porque você parece tensa. Sabe que não precisa fazer nada que não quiser, não sabe? Pode desistir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana sorriu para ele de verdade. Não só porque o amava, mas porque sabia o que ele estava fazendo e tinha um pouquinho de orgulho de ter sido a pessoa que ensinou isso para ele. Existia um Felix antes e depois de aprender mais sobre consentimento. Parecia contraditório imaginar que ele ficou mais livre e se permitiu mais coisas depois de ter certeza que poderia dizer não, mas era, na verdade, óbvio. A segurança o deixou confortável para tentar, e tentar o levou a descobrir que gostava de quase tudo. Um safadinho delicioso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Foco, Alana — Felix a repreendeu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Felix a repreendeu.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Perceber isso fez seu pau se mexer sozinho, seu estômago se agitar. Caralho, como ele era gostoso. Bem treinado, conseguiria fazer um estrago na sanidade de Alana. Ainda precisavam marcar algumas sessões com Vic, que o treinaria para ser o <i>domme</i> que ele queria ser. Só de lembrar disso, ficou ainda mais excitada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Foco, Alana — ele repetiu, vendo que ela não parecia parar de pensar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você é sexy mandão, quem diria.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix ficou vermelho e pareceu quase dar um passo para trás, mas se manteve firme no lugar. Fofo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vai precisar se acostumar com a boca dela, meu bem. — Rafa beijou a bochecha dele, exatamente onde estava mais vermelho. — Alana submissa, tudo bem, Alana submissa <i>calada e obediente</i> é esperar demais, você não acha?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Isso só o Vic consegue e estou satisfeito de assistir ele fazendo. — Felix fez mais um carinho em seu queixo e desceu pelo seu pescoço, passando pelos seus seios e prendendo um dos mamilos com a ponta dos dedos. — Vou ficar feliz com a versão desbocada que goza de desespero. Só preciso treinar direitinho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana observou a interação dos dois, de novo ansiosa. Desejando… alguma coisa, qualquer coisa. Bebeu mais da cerveja, que já estava no limite para ficar quente e intragável.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tô bem, mesmo — respondeu, por fim, quando Felix não desistiu de ficar encarando-a, nitidamente esperando uma resposta. — Não quero desistir de nada. Me perguntando se <i>vocês </i>não querem desistir, talvez, mas tô bem.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Todo mundo tá aqui porque quer, Alanita. — Rafa se meteu na conversa, tentando acalmá-la também. — A gente gosta de você, gostamos um dos outros.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu tinha muitas regras.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim, você é controladora, uau, que surpresa chocante. — Ele revirou os olhos. — Por favor, sabe? Se fosse qualquer um aqui tão nervoso quanto você, você ficaria puta e amansaria a pessoa deixando ela doida de tesão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E quem me amansa de tanto tesão, Rafael? — Ela provocou, agora levemente irritada, já de pau duro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— O Vic. O resto de nós vai te olhar morrendo de tesão até ele chegar, você <i>sabia</i> disso. Não se faça.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Bufou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ele não é meu dono, sabia?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Rafa se aproximou mais e beijou seu pescoço, notando sua frustração.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Claro que não, Alanita. O chão vai se abrir antes de você deixar qualquer um passar uma coleira no seu pescoço — Rafa falou essas palavras murmurando no ouvido dela. Maldito, sabia o que estava fazendo. — Mas você vai relaxar quando ele chegar, a gente sabe disso, então tá todo mundo bebendo, mordiscando seus petiscos deliciosos e esperando pra poder morder um pedaço do prato principal. — Ele deixou uma mordida de leve no ombro dela. — Todo mundo que você convidou tá aqui justamente porque também queremos você, ou queremos ver qualquer coisa que for feita com você. Você já foi mais racional, Alanita.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana suspirou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vocês também ficam nervosos assim? Você — olhou para Rafa ao seu lado, um palmo menor que ela —, você que é <i>switch</i> desde sempre, você fica nervoso assim também?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Às vezes. Mas eu sei que sou <i>switch</i> desde sempre, você é bem menos acostumada com a mudança.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix deu uma risadinha.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Nunca achei que veria você perdendo a compostura, meu amor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu tô ótima — Alana retrucou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tá mesmo? — Felix fechou os dedos ao redor do pau dela já duro e massageou. — Tô vendo você ótima.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— <i>Ah, porra</i> — Alana murmurou baixinho, surpresa por não conseguir manter a boca calada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix esfregou a ponta do pau dela, melando os dedos de pré-gozo, sorrindo satisfeito com cada micro reação que ela expressava, da pequena mordida nos lábios até os punhos que se fecharam devagar. Levou os dedos até a boca e lambeu um por um.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— A gente vai te foder tanto, meu bem. — Comentou calmamente entre uma lambida e outra. — Tanto…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Já podiam começar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Começar o quê?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Ai.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Vic passou pela porta já nu, como todos, mas sério, diferente de todos. Logo atrás dele, Duda. Naquele momento ela não era Duda, entretanto. Já usava a coleira rosa com pompons e a guia estava na mão dele. Naquele momento, era a <i>pet</i> dele, e só isso. Alana se arrepiou com calafrios ansiosos e conseguia sentir os sorrisos de Felix e Rafa queimando ao seu lado. <i>Os filhos da puta estavam certos</i>. Claro que ela ficou inteira excitada e desesperada só de saber que Vic estava pisando no mesmo ambiente que eles. Inferno.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Olha só, parece que vamos mesmo começar. — Rafa deu uma risada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana ficou super consciente de cada coisinha ao seu redor de uma vez: Felix agora ao seu lado, mordendo o lábio inferior, sorrindo com o canto da boca; Rafa, logo ao lado dele, pau duro, sorrindo muito mais do que devia, <i>o filho da puta</i>; Benji, do seu outro lado, agora apoiado em uma banqueta, os braços cruzados, bebericando sua cerveja, também de pau duro, observando com fascínio, como sempre observava; Emily e Carol estavam se pegando na beira da mesa, os gemidos de Carol audíveis, seu desespero visível em seu olhar perdido.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E tinha Alana, claro, também consciente de seu próprio corpo, de seus mamilos rijos, de seu pau duro, da sua pele sensível e arrepiada, do desejo que pulsava no seu corpo inteiro agora que todos os seus maiores amores estavam ali, no mesmo cômodo, de uma forma ou de outra pretendendo prestigiar seu dia. Prestigiar o seu dia <i>com muito sexo</i>, importante mencionar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana gostava dessa sensação de sorte e poder e felicidade e maluquice que irradiava dela nesse momento.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ninguém me disse começar o que, mas olhando a quantidade de pau duro nessa sala, eu imagino.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele estava usando luvas pretas de couro, que tirou e colocou sobre o aparador da sala. Sabia que ele se sentia meio nu sem elas (que ironia) e que provavelmente logo cobriria as mãos com as luvas de látex preto que Alana comprara para a festa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Pode sentar, bichinho. — Ele entregou a coleira para Duda, que só agora Alana percebeu que estava com um livro nas mãos também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A existência de Duda fascinava Alana. Ela era <i>pet</i> de Vic, seu bichinho, e tinha regras e desejos muito específicos dessa interação dom e sub dos dois. Ela raramente transava, seja com ele ou com outras pessoas. Só andava nua pela casa dele — ou, agora, pela de Alana —, sempre de coleira, sempre pronta para se ajoelhar onde Vic mandasse, e se masturbava com frequência, sempre que ele mandava. Às vezes só para ele ver, às vezes para quem estivesse lá para assistir. Por um tempo, Alana sentiu bastante inveja da interação dos dois. Ciúmes, até. Demorou até entender que ela oferecia algo único para Vic, e vice versa, e, no fundo, Alana gostava disso. Gostava que ele ficasse satisfeito e passou a gostar de vê-la satisfeita também. Duda, no fundo, era adorável. Quietinha, gostosa e um tesão de assistir. E… uma gerente de projetos muito respeitável e séria quando estava trabalhando, o que era engraçado de observar acontecer também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu não vou pedir foco pra ela de novo, Vic. — Felix interrompeu o fluxo de pensamentos de Alana. — Quem sabe agora que você chegou ela relaxa e deixa todo mundo se divertir sem neura.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ele não… — Alana tentou falar, se levantando da banqueta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ele não é seu dono, blah blah, eu entendi. — Felix revirou os olhos. — E você ainda assim estava esperando por ele toda excitada e ansiosa. Vai negar?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana bufou e cruzou os braços, largado o copo de cerveja no lugar onde estava sentada.. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Se estava esperando por mim, eu cheguei.  — Vic se aproximou sem desviar o olhar dela, a segurou pelo pescoço e tomou seus lábios em um beijo voraz. Sua língua passeando pela dela com uma calma absurda, desejo e vontade derretendo devagar. — Me recuso a presenciar uma gostosa em uso livre que não gozou uma única vez até agora. — Ele murmurou as palavras com os lábios ainda sobre os dela, ainda a segurando pelo queixo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana foi abraçada por trás também e virou o rosto o suficiente só para ver o cabelo de Felix tampando todo o seu rosto enquanto ele se inclinava para beijar seu pescoço. Ele apertou sua cintura enquanto Vic tinha uma das mãos em seu quadril, e só ali, apertada entre os dois, Alana sentiu finalmente o corpo relaxar. Toda essa tensão era estranha para ela, toda essa ansiedade e o frio na barriga que não parecia passar. Ela gostava de todos eles, já tinha transado com todos eles, mas a configuração nova <i>realmente</i> a deixou muito mais tensa do que achou que iria ficar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Deixou a calma a tomar por um instante, com Vic dando beijos lentos em seus lábios e Felix passeando a língua pelo seu pescoço, subindo até sugar o lóbulo de sua orelha e depois descendo beijos molhados até seus ombros. Deixou a paz momentânea voltar a virar desejo, voltar a pulsar dentro dela, mas agora uma ansiedade boa, finalmente preparada. Nunca entenderia a mágica que Vic causava nela, mas já tinha visto o mesmo acontecer com Felix quando ele estava se preparando para uma cena que envolveria outras pessoas além dela. Nem tudo tinha explicação, só era como era.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você já está tão dura e melada, minha Alana — Vic falou entre os beijos, pausadamente, um tom de incredulidade em sua voz.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ninguém fez nada comigo, Vic… eu tô… — Alana tentou responder, mas foi interrompida.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tá precisando? — Vic sorriu completando a frase dela, observando-a enquanto ela tentava não fazer tanta cara de necessitada tão cedo. Não que conseguisse se controlar. — Felix, meu bem. Preciso dos seus dedos emprestado. Acha que consegue?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix levantou o rosto, mas Alana não ouviu nenhuma resposta nem viu sua reação. Só sentiu ele se virar por um segundo, mas logo ele se virou de volta. Um vidro de lubrificante com certeza foi aberto, pelo barulho, e ela não precisou se perguntar porque sabia o que iria acontecer. Sentiu os dedos de Felix esfregando seu cu devagar, sem pressa, estimulando. Vic parecia satisfeito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Bom… Obrigado, meu bem. Você sabe o que fazer. — Vic parou de olhar para Felix e voltou a olhar para Alana, muito carinho nítido em seu olhar. Alana queria derreter. — Está na hora da diversão dos convidados dessa festa começar, pra diversão da nossa aniversariante ser ainda maior.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Como se estivesse obedecendo um comando, Felix enfiou um dedo dentro dela e Alana não segurou o gemido na garganta. Fechou os olhos por um segundo, mordendo o lábio inferior, se remexendo um pouco a cada movimento de Felix e sentindo o próprio pau se esfregando nas coxas de Vic.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Que gostoso, meu amor. — Ele sussurrou. Felix metia gostoso, gostoso demais. — Tenho algo pra você, mas preciso que confie em mim. Mais do que nunca, eu diria.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix parou o que fazia e Alana abriu os olhos de uma vez. Vic desenrolou o que até então parecia uma pulseira grossa em seu braço, mas logo ficou claro o que era. Ele levantou a mão e terminou de abrir o tecido: uma venda. Alana sentiu o coração acelerar. Vic não precisou nem dizer exatamente o que planejava, porque, de novo, ela sabia. Já tinha feito o mesmo com Felix antes, mas do outro lado. Sabia também porque ele estava sugerindo isso, e o amou um pouco mais quando entendeu. Seria assustador, mas também a acalmaria. Sem a expectativa de agradar a todos, de se preocupar com cada um individualmente, de <i>performar</i>, seja lá o que isso signifique, Alana poderia se entregar. Era isso que Vic estava pedindo, no fundo: entrega.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana acenou que sim. Primeiro devagar, ansiosa, mas resolveu repetir em voz alta:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Confio. Podemos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Já estava funcionando, ela percebia. Havia se esquecido completamente que estavam sendo assistidos, mas lembrar disso, ao invés de enchê-la de pânico, a deu um calor gostoso na barriga. Se perguntou se todos sentiam a eletricidade no ar, se estavam tão excitados e ansiosos quanto ela, se desejavam tanto o que viria a seguir quanto ela. Em níveis variados, ela imaginava que sim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Vic beijou Alana uma última vez antes de vendá-la, um carinho tão característico dele, mas, ao mesmo tempo, tão destoante. Ela sabia que ele poderia ser muito mais rígido. Já o vira ser muito mais rígido, e, inclusive, já fora uma <i>domme</i> mais rígida ao lado dele. Mas ali, no seu aniversário, em um dia de uso livre, estava sendo gentil. Alana por um segundo se perguntou se deveria se sentir ofendida, mas sabia que essa gentileza vinha de outro lugar. Era preocupação, não desrespeito. Era… fofo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Fechou os olhos antes de Vic colocar a venda, mas mais pela sensação do que necessidade. Ele a encaixou no lugar com maestria, com a facilidade de quem já tinha feito isso um milhão de vezes antes, e a prendeu bem, amarrando ao redor de seu cabelo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Agora… — Vic murmurou em seu ouvido no instante seguinte, enquanto ela ainda estava se adaptando a escuridão. — Relaxe, meu amor. <i>Se conseguir</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana sentiu a risada na voz dele, sentiu a provocação, mas não teve muito tempo de se demorar nesse sentimento porque Felix voltou a meter o dedo dentro dela e, ao mesmo tempo, Vic começou a lamber seu ombro e pescoço também. Apesar de no escuro, ela ainda tinha algum sentido de orientação porque os dois continuavam com os corpos colados com o dela, a segurando no meio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ainda assim, tudo passou a ser apenas sensações e sentidos. A língua de Vic em sua pele, substituída pela de Felix. Sons de beijos molhados tão perto de seu ouvido que só poderiam significar os dois se beijando, apertando-a ainda mais entre eles para se aproximarem. Vic subia e descia os dedos pela lateral esquerda do corpo dela, às vezes indo até seu seio e contornando seu mamilo, às vezes parando em suas costelas, e logo descendo até suas coxas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Vic murmurou alguma coisa bem baixo, inaudível, e Felix diminuiu o ritmo. Alana sentiu o vazio por um segundo, ansiando pela volta do ritmo crescente, seu corpo protestando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não… — murmurou, irritada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Meu amor… — Vic passou para o outro lado do rosto de Alana, lambendo sua clavícula e deixando uma mordida no pescoço com certa força. — Você é <i>nossa</i> pra usar e temos a noite inteira. Não precisa ter medo, não vamos te deixar sem gozar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana estava em alerta, sensível a cada movimento dos dois, consciente de cada toque, de cada movimento dos dedos de Felix, de como Vic parecia de propósito pressionar sua coxa contra o pau dela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Outra boca se fechou sobre o mamilo direito de Alana, nitidamente de uma terceira pessoa, que também fechou os dedos ao redor do seio, apertando, trazendo mais para perto da boca. <i>Sim</i>, Alana pensou. <i>Sim, isso, assim, era isso que eu queria</i>. Levantou as mãos buscando o rosto de Vic, querendo mais um beijo, querendo se segurar em alguém, alguma coisa, sem saber se conseguiria segurar muitos gemidos, sem <i>se importar</i>, na verdade, mas ele segurou suas duas mãos antes que ela pudesse tocar seu rosto. Levou-as até sua boca e beijou os dedos, depois lambeu e sugou o indicador e o anelar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Fantasiei a semana toda usar sua mão de dildo até gozar, Alana — Vic falou baixinho. — E não sei se consigo ir embora hoje sem isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana sentiu seu corpo tremer só de imaginar a cena. Só de imaginar Vic molhado, escorrendo em seus dedos, seu clitóris inchado e sensível. Só de imaginar ele fazendo tudo isso com a sua mão <i>sem deixá-la ver</i>. Era terrível e delicioso na mesma medida. Piorava quando Alana imaginava tudo que poderia estar acontecendo <i>ao mesmo tempo</i> em que isso aconteceria.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Agora?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Antes que Vic pudesse responder, Felix falou por cima do ombro de Alana.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Acho que ela está pronta, Vic.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Pronta</i>. Os toques de Felix ainda eram lentos, uma tortura, mas gostoso demais. Ela discordava da ideia deles de que precisava ser preparada de alguma forma, mas gostou de ser tocada mesmo assim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você quer começar? — Vic perguntou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Só preciso do meu <i>strap</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Uma língua molhada subiu de seu mamilo até seu pescoço, quente, fazendo os dedos de Alana formigarem.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Posso começar — Rafa murmurou no ouvido dela, baixinho, a voz rouca.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O gemido que Alana soltou não foi intencional, mas não teria sido tão bom se fosse.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Por favor… — ela murmurou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix tirou os dedos de dentro dela devagar, deixando-a tonta por um segundo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não esperava gostar tanto de te ver implorando, meu amor. — Felix lambeu o ponto exato onde Rafa estava no segundo anterior. — Divirta-se, Rafa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana nunca se imaginou mordendo o lábio e prendendo a respiração para o som de um pacote de camisinha sendo rasgado, mas a vida era mesmo uma caixinha de surpresas. Vic continuava ali, os lábios deixando beijos no rosto dela, no pescoço, na clavícula, as mãos buscando a cintura dela, o quadril, apertando os mamilos ocasionalmente. <i>Estou aqui</i>, ele dizia com cada pedaço de seu corpo. <i>Estou aqui, relaxe, estou cuidando de você e dessa cena</i>. Ela gostava disso. Não é que não confiasse nos outros, mas confiava na experiência de Vic. No cuidado dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Me diz se doer — Rafa falou baixinho, esfregando a cabeça do pau molhada de lubrificante no cu dela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O desejo era tão grande dentro dela que Alana tinha medo de gozar com pouco. Rafa era gostoso, tão gostoso, mas nunca fizeram assim, os dois. Geralmente ele transava mais com Felix. Ela já tinha assistido algumas vezes, e já comeu o Rafa. Assim, desse jeito, nunca. Queria, queria muito. Agarrou a cintura de Vic quando Rafa começou a meter, gemendo com a cabeça apoiada no peito dele, fechando os olhos só por reflexo, a pele já suada e quente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele era bom, muito bom. Enfiou o pau nela, metendo em pé mesmo, o que era tão raro de conseguir. Felix era muito mais baixo, e Vic um pouco mais alto, e as alturas nunca davam certo. Rafa, por outro lado, funcionou perfeitamente. Ele segurou seu quadril e apoiou a cabeça em seu ombro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Meu deus Alana, como você é uma delícia. — Rafa estava arfando, gemendo nas costas dela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Vic arrumou os fios do cabelo de Alana, jogando todos para um lado, acariciando a lateral de seu rosto. Alana sentia falta de ver, mas não conseguir ter certeza do que aconteceria a cada segundo era gostoso, muito gostoso. A surpresa do toque de Vic em seu rosto, no pescoço, em seus mamilos, era boa demais. Sentir cada investida de Rafa, metendo com força e gemendo em seu ouvido, as mãos apertando seu quadril, gostoso, gostoso demais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Quer saber o que está acontecendo, meu amor? — Vic murmurou para Alana.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— S-sim… — Alana esfregou o rosto contra a pele de Vic, gemendo baixinho, usando-o de apoio para não desmoronar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Vic não hesitou em responder.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Rafa, atrás de você, está vermelho e suado, com uma carinha de tesão muito gostosa. — As palavras de Vic eram carregadas de tesão e luxúria, mas também muito afetuosas. Alana respirava com dificuldade, imaginando a cena em um delírio. — Ele está te fodendo bem gostoso, mas também tá com uma cara muito boa de quem quer ser fodido.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Quero mesmo — Rafa retrucou, arfando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tô vendo. E o Felix também, que tá aqui do lado sem saber se vai meter o pau dele em você, meu amor, ou no Rafa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Felix</i>, Alana pensou. <i>Ah, Felix, meu amor, ele deve estar tão, tão melado</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vem cá. — Vic falou com alguém. Se moveu um pouco, mas não se afastou de Alana. — Ah, Felix, você é sempre perfeito, uh? — Sons de beijos estalados e sorrisinhos e gemidos. — Abre a boca, meu amor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana abriu sem pensar, sem nem ter certeza que Vic falava mesmo com ela. Vic enfiou os dedos melados na boca dela, com o que Alana poderia jurar ser o gosto de Felix. Claro que Felix estava assistindo e todo melado e indeciso sobre o que fazer a seguir. Claro que seu garoto, seu bonequinho, seu <i>precioso </i>estava sofrendo de tesão e precisando de alguém para colocá-lo na linha  e fazer ele gozar. Alana gemeu mais, sugando e lambendo os dedos de Vic, imaginando o clitóris de Felix na sua língua, rebolando no pau de Rafa com satisfação.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— É sempre uma delícia te ver chupando — Felix faltou alto, de algum lugar à direita de Alana. — A boca boa e satisfeita… vontade de te colocar pra chupar meu pau, Alana.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O coração de Alana errou vinte batidas ao ouvir seu nome na boca de Felix. Eles normalmente se chamavam de meu bem, meu amor, ou com os nomes de cena. Ouvir seu nome inteiro na boca dele seria esquisito em qualquer outro momento, mas ali… pareceu sujo e erótico e safado e pornográfico da melhor maneira possível.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tá esperando o quê? — Alana retrucou, porque sim. Podia, queria, <i>esperava</i> que todos a fodessem.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Um silêncio seguiu e então Rafa se afastou, saindo de dentro dela, e Vic também se afastou. Estava sozinha, sem orientação e sem saber quem estava ao seu redor, e onde.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— De joelhos — Felix ordenou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix <i>ordenou</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana obedeceu querendo rir. Não dele, só… da situação como um todo. Do absurdo excitante em que havia se metido. Da sorte que tinha de ter as pessoas mais gostosas do mundo todas juntas na sua sala.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E abra essa boca bonita pra mim, Alana. — Ela obedeceu também, colocando até a língua para fora e os braços para trás. A cena completa. Felix a segurou pelo queixo antes de continuar: — Vou te foder com meu pau até todo mundo estar satisfeito com a visão de você toda babada e melada, Alana. E aí vou esfregar meu clitóris na sua língua até gozar. <i>Porque eu posso</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Porra</i>. Felix puxou o rosto de Alana um pouco para cima e nitidamente se aproximou, sua respiração quente se espalhando pelo rosto dela.  </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você é nossa, hoje.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana não teve tempo de processar seu desespero antes de sentir Felix esfregando o dildo em sua língua e meter em sua boca. Ela sabia exatamente qual dildo era só pelo formato e porque foi ela que deu esse presente. Um dildo roxo brilhante, grosso na medida certa, que fazia Felix se sentir poderoso e sexy. Alana sempre amava a visão, sempre amou quando ele usava esse dildo, e amou agora de novo, o pau escorregando dos seus lábios até sua garganta a cada movimento de Felix. <i>Perfeito</i>. Felix era perfeito e Alana precisaria lembrá-lo disso muitas e muitas vezes depois daquele momento, muitas vezes repetindo o quanto ele era maravilhoso e sexy e fodia tão bem a boca dela. Conseguia sentir o próprio pau pingando de tesão e vontade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana chupou e lambeu e subiu eventualmente as mãos penas coxas de Felix até apertar sua bunda. Felix gemia com o gatinho manhoso que ele realmente era, e Alana nunca, nunca, nunca iria se cansar dessa sensação. De ouvi-lo assim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você é boa demais, Alana. Que boca boa, puta merda. — Felix <i>xingando</i> era um bom sinal, um ótimo sinal.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana salivava ainda mais só de imaginar como ele estava melado e excitado. Sentia a própria baba escorrer pelo queixo, sentia o tesão pingando ainda mais de seu pau.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Quero gozar sentando no pau dela — Rafa comentou como quem fala do clima, e nada fez Alana hesitar até então, mas isso fez, e ela engasgou com o pau de Felix. Não era medo, era <i>ânsia</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Acho que alguém gostou da ideia — Vic comentou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Bora — Felix nem questionou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Passaram da fase de <i>sexo friamente calculado</i>, então.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Bom.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana gostava disso. Gostava que agora se sentia pronta para isso também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix se afastou, tirando o pau da boca dela, e de novo Alana estava sozinha. A venda que ajudou a começar tudo agora a irritou um pouco.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Posso ver agora? — perguntou olhando ao redor, buscando a localização de Vic sem saber onde ele estava.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Estava esperando você pedir, meu amor. — A voz de Vic veio da sua direita.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana virou o rosto na direção da voz e não conteve o sorriso ao sentir o toque de Vic em seu cabelo, mexendo um pouco até retirar sua venda. Precisou piscar várias vezes, os olhos desacostumados com a luz, e quando finalmente conseguiu distinguir o que estava ao seu redor, a primeira coisa que viu a deixou sem palavras: Emilly sobre a mesa de sua cozinha, pernas abertas, Carol metendo em sua buceta e Benji se masturbando com o pau sobre a boca dela. Os três estavam gemendo baixinho, ofegando, e Alana nem entendeu como não ouviu eles direito antes. Estava tão concentrada em não morrer e se acalmar que só… não notou. Eles pareciam se divertir, entretanto, e a visão era boa demais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Do outro lado da sala, sentada no canto do sofá, as pernas também abertas e o olhar fixo em Alana, estava Duda. O livro estava solto em seu colo, fechado agora, e Alana podia jurar que Duda estava escorrendo entre as pernas. Molhada mesmo, brilhando, e nitidamente há muito desistiu de se distrair. Que bom que estava gostoso pra todo mundo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Deixo você ver mais daqui a pouco, meu bem. — Felix se aproximou de novo, guiando o corpo dela para trás, para se deitar. — Agora quero gozar, e o Rafa também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana sentiu a boca salivar em antecipação. Deitou com as mãos ao lado do corpo e observou Felix se aproximando para sentar em sua boca, do jeitinho que ele tanto gostava, podendo se esfregar a vontade, rebolar a vontade. Antes que ele terminasse de sentar, Vic o interrompeu com um toque no ombro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Me empresta seu pau? — Ele falou sorrindo, claro. — Acho que vou precisar dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix tirou o dildo da cinta e entregou para ele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Todo seu. Faça bom uso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E então Felix sentou sobre a boca de Alana, seu clitóris sobre a língua dela. O <i>porra</i> que ele soltou foi tão genuíno que fez Alana levar as mãos até as coxas dele, ajudando-o a rebolar e se esfregar na boca dela. Era delicioso. Ele estava molhado demais e deslizava muito fácil, seu clitóris estava inchado, saltado, daquele jeito gostoso de chupar e lamber e sugar, e Alana fez direitinho, fez como Felix amava, fez do melhor jeito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E nem tentou controlar os arrepios e gemidos engasgados quando sentiu Rafa colocando uma camisinha no seu pau e espalhando lubrificante da cabeça até a base. Não adiantava fingir porque certamente só iria piorar, e de fato piorou quando Rafa sentou nela devagar, lento, sem urgência nenhuma.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Rafa rebolou primeiro só sentando na pontinha, só a cabeça dentro de si, fazendo Alana tentar xingar em protesto. Tudo era engasgado pela buceta de Felix, impossivelmente deliciosa em sua boca. Rafa foi se acostumando e se preparando aos poucos até sentar inteiro, quicando com gosto no pau de Alana, gemendo para ela, gemendo <i>com </i>ela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Logo a sala era inteira feita de gemidos. Os de Rafa, os de Felix, os engasgos de Alana, as vozes e gemidos e safadezas um pouco distantes de Carol, Benji e Emily, e a vozinha baixa de Duda que completou a orquestra:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Posso me masturbar?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">De alguma forma, ela veio do sofá até bem perto dela, sentada sobre os joelhos ao lado de Vic, a cabeça se esfregando na perna dele, o olhar indo da cena no chão para Vic e para a mesa de jantar, e depois tudo de volta. Alana só via um pouco da cena pelos cantos, mas nem estava se esforçando muito para ver e nem queria, não naquele momento. Estava sensível demais, perdida demais na sensação de lamber e sugar o clitóris de Felix enquanto Rafa sentava e rebolava em seu pau.  </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Claro que pode, bichinho. — A voz de Vic ainda era séria, mas baixa e misturada aos gemidos de todo mundo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana afundou as unhas curtas na bunda de Felix, puxou o corpo dele ainda mais forte perto de seu rosto, esfregou a língua nele com ainda mais intensidade, e queria gozar mais do que tudo em sua vida. Felix estava perto, ela conseguia sentir, conseguia ver suas pequenas mudanças, o conhecia bem demais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ah, porra, Vic, caralho. — Rafa começou a xingar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana olhou para onde Vic estava e não o encontrou e assumiu que ele estava fazendo alguma coisa com Rafa, alguma coisa gostosa, nitidamente. Teve certeza quando sentiu a ponta do dildo se esfregando em sua bunda, entrando devagar, metendo ritmadamente. Vic estava fodendo Alana e provavelmente masturbando Rafa ao mesmo tempo, <i>o filho da puta</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Duda estava sentada na parede ao lado deles, se masturbando de pernas abertas e gemendo até revirar os olhos. Alana não conseguia mais ver o que acontecia na mesa, mas <i>escutava</i> nitidamente agora, Emily e Carol gemendo alto, quase gritando, e Benji murmurando elogios e safadezas pra elas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Melhor. Aniversário. De. Todos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana estava muito, muito perto de gozar. Não pararia por nada, nem obrigada, e continuou lambendo Felix. Alana começou a mexer o quadril tanto quanto conseguia, metendo mais fundo em Rafa enquanto ele sentava e rebolando contra o dildo que entrava e saia de sua bunda também. Era perfeito. Tudo que ela tinha desejado e mais, muito mais, e era só o começo, só a <i>porra</i> do começo. Ela ainda queria mais de todos eles, ver mais, sentir mais, gozar mais até estar fraca, até perder a noção da hora e da própria fome e do próprio corpo, até ser obrigada a deitar porque o corpo desistiu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O desejo misturado ao momento e somado aos gemidos e a cena e o tudo que a cena ainda poderia ser fizeram Alana gozar muito, muito gostoso. Ela gemeu muito, se esforçando pra não parar completamente com Felix, mas nem precisava de tanto empenho: ele segurou seus cabelos, apoiou um dos pés no chão e a outra perna ainda de joelhos, e se esfregou de verdade na língua dela, gemendo e gemendo alto até gozar melado e molhado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana estava pra morrer de tanto tesão, seu orgasmo parecendo infinito e sofrido mesmo quando Felix e Vic diminuíram o ritmo, e seu pau já doía um pouco — agonizante, mas tão, tão delicioso e intenso —, quando Rafa gozou melando sua barriga, gemendo o nome de Vic bem alto, parando de rebolar aos poucos até parar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix saiu de cima de Alana e sentou ao lado deles, liberando sua visão de novo. Ela respirou fundo, o sorriso mais tonto de felicidade no rosto, uma alegria que não cabia dentro de si.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ah, porra, que maluquice isso tudo — Alana falou rindo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Rafa ainda estava sentado em seu colo, Vic estava sentado ao lado dele lambendo porra dos dedos, Duda estava apoiada na parede lambendo os próprios dedos também, e os sons da mesa mudaram, agora mais baixinhos e calmos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu quero um banho rapidinho, mais uma cerveja, um potinho de petiscos e que alguém me foda em aproximadamente vinte minutos, por favor — Alana nem respirou enquanto falava.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Minha vez! Falei primeiro! Se virem! — Benji gritou lá da mesa, a voz momentaneamente fraca e esganiçada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Todos riram alto, as risadas ecoando no ambiente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Round 1/Vários.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A noite estava só começando.</p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Como sempre, se quiserem falar sobre, minha DM está aberta e o <span style="text-decoration:underline;"><a class="link" href="https://kodinhag.straw.page/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=sex-party-da-alana-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">straw</a></span> também! Você também pode responder esse e-mail e falar diretamente comigo ;)</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso! Um xêro e um queijo,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Kodinha</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>Se quiser receber as rapidinhas antes de todo mundo, newsletter de fofocas mensal e textos e trechos exclusivos, considere </i></span><span style="color:inherit;"><span style="text-decoration:underline;"><i><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g&_bhlid=171b40959ce3873b349b49b3fefef8492dd3acf1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(82, 50, 87)">apoiar o meu catarse</a></i></span></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>. Além das recompensas, você me ajuda a continuar contando histórias!</i></span></p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="conhea-os-meus-livros">Conheça os meus livros:</h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Só uma rapidinha</b> <b>2</b>: <a class="link" href="https://payhip.com/b/4zIPi?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=sex-party-da-alana-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre diretamente comigo, com desconto</a> ou <a class="link" href="https://amzn.to/3zS3SO5?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=sex-party-da-alana-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre na Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Seja feita a vossa vontade: </b><a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/seja-feita-a-vossa-vontade/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=sex-party-da-alana-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre comigo com desconto ou na amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Só uma rapidinha</b> (o livro): <a class="link" href="https://payhip.com/b/3wtRx?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=sex-party-da-alana-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre diretamente comigo, com desconto</a> ou <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3kCvSy0&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=sex-party-da-alana-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre na Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Manda foto de agora</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3FNT2tI&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=sex-party-da-alana-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a> </p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Jogador número 3</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3NC3Gp0&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=sex-party-da-alana-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Mais de nós</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3FKcvv1&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=sex-party-da-alana-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Meus livros como Koda Gabriel <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/publicacoes/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=sex-party-da-alana-so-uma-rapidinha#koda-gabriel" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui</a>.</p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=0a882b46-ad61-43ce-8159-9bd2feaa3a1d&utm_medium=post_rss&utm_source=so_uma_rapidinha">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>Cachorrinha - Só uma rapidinha</title>
  <description>vem aqui que agora eu to mandando vem meu cachorrinho a sua dona tá chamando</description>
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  <pubDate>Thu, 27 Feb 2025 21:00:00 +0000</pubDate>
  <atom:published>2025-02-27T21:00:00Z</atom:published>
    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
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    <div class='beehiiv'><style>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;">Boa noite safadinhes!!!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Esse mês foi um caos completo do lado de cá e por muito pouco a gente não ficou sem rapidinha. Mas eu queria muito escrever essa história e quando cismei que daria certo, fiz dar certo (porque sou meio doido, 100% doido). Postaram no twitter essa imagem no começo do mês e ela passou obviamente a morar num triplex na minha cabeça sem pagar aluguel. Eu sabia que só estaria satisfeito quando escrevesse algo sobre ela, e a ideia demorou, mas veio.</p><div class="image"><img alt="" class="image__image" style="" src="https://media.beehiiv.com/cdn-cgi/image/fit=scale-down,format=auto,onerror=redirect,quality=80/uploads/asset/file/37964181-06f4-4698-92cc-c139becd25ac/image.png?t=1740688931"/></div><p class="paragraph" style="text-align:left;">Agora vocês vão conhecer Maria Alice, submissa, coisinha, desbocada, e Katrina, sua Lady, uma dama, a fonte de todo o seu terror e de todo o seu tesão.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>Se quiser receber as rapidinhas antes de todo mundo, newsletter de fofocas mensal e textos e trechos exclusivos, considere </i></span><span style="color:inherit;"><span style="text-decoration:underline;"><i><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g&_bhlid=171b40959ce3873b349b49b3fefef8492dd3acf1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(82, 50, 87)">apoiar o meu catarse</a></i></span></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>. Além das recompensas, você me ajuda a continuar contando histórias!</i></span></p><hr class="content_break"><h1 class="heading" style="text-align:justify;" id="cachorrinha">Cachorrinha</h1><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>domme e sub, degradation, ela senta que nem um cachorrinho, essa bunda bonita foi feita pra apanhar, inspecting (leve), desbocada (positivo) (porque ela ganha exatamente o que quer)</i></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Nem fodendo — Maria Alice parou no meio do caminho, ainda a uns dez passos de distância de sua <i>domme</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Você não está onde mandei, coisinha — Katrina não se deu o trabalho de responder o susto de Maria Alice.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice estremeceu. Se ajoelhou, depois ficou de quatro e engatinhou na direção de Katrina. A <i>domme </i>sorriu, parecendo satisfeita, e descruzou as pernas, abrindo espaço para sua submissa se ajoelhar ali. Maria Alice não conseguiu evitar olhar de novo para o que a assustou, o novo adereço encaixado na bota de Katrina que ela desmontava lentamente. <a class="link" href="https://bsky.app/profile/ehkoda.bsky.social/post/3lhlso5ebw224?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=cachorrinha-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Uma espécie de harness que segurava um dildo sobre o peito de seu pé, e uma varinha mágica</a> apoiada em sua perna. Katrina tirou o dildo e o deixou de lado, depois tirou também a varinha, mas manteve o harness. Maria Alice encarava cada movimento sem conseguir desviar o olhar. Se Katrina acreditava que ela sentaria ali, estava redondamente enganada.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Foco, coisinha — Katrina estalou os dedos na frente dela, o que nunca era um bom sinal.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice se ajoelhou, a coleira pendurada no pescoço, os seios a mostra, sem calcinha, meias pretas semitransparentes nos pés. Exatamente como Katrina gostava. Tentou não olhar pra baixo de novo, mas estava ciente de que ainda iriam discutir sobre <i>a novidade</i> em breve. Também tinha quase certeza de que perderia essa discussão.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Fez tudo que devia fazer hoje?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Sim, Lady — Maria Alice apoiou a cabeça na perna de Katrina, sem olhar nos olhos, mas ainda evitando olhar pra baixo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Liste pra mim — Katrina afagou os cabelos dela, tirando os que tampavam seu rosto.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice respirou fundo e limpou a garganta antes de começar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Lavei e pendurei as minhas roupas, limpei as coisas do gato, almocei minha marmita no horário exato, fiz as minhas horas de trabalho também. E terminei a apresentação que nem era pra hoje, mas consegui adiantar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Hm… Bom, muito bom. — Katrina pareceu pensar por um segundo. — E você se depilou?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Sim! — Maria Alice correu em se corrigir. — Sim, Lady. A máquina nova é perfeita, na verdade. Obrigado, era exatamente o que eu queria.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Katrina segurou Maria Alice pelo queixo e ergueu seu rosto, parecendo tentar ler nele alguma coisa que Maria não sabia o que era.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Deita e me mostra como ficou.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Aqui?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Sim.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— No chão?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Sim, coisinha. No chão, aqui, agora. Pare de me questionar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice teria vergonha de admitir em voz alta o tesão que sentiu quando Katrina fechou a cara e ficou séria enquanto ordenava. Não que fosse fã de deitar no chão, mas gostava de obedecer. Gostava mais ainda quando Katrina falava assim com ela, irritada com a desobediência, prestes a decidir puni-la.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ela arredou um pouco para trás ainda de joelhos e depois tombou o corpo pro lado, se sentando. Se apoiou nos cotovelos antes de deitar, e por fim deixou o corpo ceder sobre o piso gelado. Ao menos estava gelado, era um alento naquele tempo quente.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Abra as pernas.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice abriu as pernas, os joelhos dobrados, imaginando o que sua Lady estava pensando ao vê-la assim.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Boa garota. — Katrina sorriu, parecendo gostar da vista, e Maria Alice derreteu um pouco no chão. — Se mostra pra mim, use as mãos.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice respirou fundo antes de descer as mãos entre as pernas, se abrindo com a ponta dos dedos, deixando seu clitóris e a entrada e <i>tudo</i> bem visíveis para sua Lady. Seu coração batia com força no peito, seu olhar incapaz de desviar do dela, medindo, sentindo, buscando a aprovação.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Katrina se levantou e passou a bota — a outra, o pé que estava livre — pela parte de dentro da coxa esquerda de Maria Alice. O couro escorregou contra sua pele em uma sensação engraçada que a fez querer rir, mas ela não ousaria.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Ficou ótimo, coisinha. Ótimo. — A voz de Katrina sempre fez Maria Alice delirar. Ela queria se rastejar pra ela, se entregar pra ela, deixar que Katrina tomasse o controle de tudo que quisesse. — Senta.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice se apoiou de novo nos cotovelos e sentou sobre os joelhos, o rosto na altura das coxas de Katrina. Olhou pra cima, pros olhos dela, e se sentiu levemente ridícula por estar excitada com uma inspeção tão pequena, tão sutil. Não pensou muito, entretanto, porque Katrina estendeu os dedos e fez um carinho em sua cabeça.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Boa garota. Está tão obediente hoje… Achei que teria trabalho com você. — Katrina deu um passo estratégico, colocando a bota com o harness pra frente. O olhar de Maria Alice vacilou. — Me dá sua coleira.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ela pegou a guia que estava solta entre os seus peitos e levantou a mão, entregando para sua Lady. Não conseguia parar de desviar o olhar para a bota, para o harness, para o que ela já sabia que acabaria fazendo, embora ainda não conseguisse se imaginar fazendo. Como diabos ela deveria fazer isso? Precisaria se agarrar à perna dela como um cachorro carente?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Foco, coisinha. — Dessa vez Katrina puxou seu cabelo para trás, erguendo sua cabeça. Maria Alice <i>riu, </i>um pouco maníaca, um pouco maluca, mas<i> adorando</i> a sensação. — Ah, está se divertindo, é?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— A-ham — Maria Alice provocou.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Queria um pouco mais daquilo. De força, de ordens, de humilhação, por que não? Queria ser colocada no seu lugar. Se iria terminar a noite engalfinhada na perna de Katrina, que ao menos estivesse descompensada de tesão.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Katrina ergueu a mão que segurava a coleira, deixando Maria Alice permanentemente com a cabeça inclinada para trás, o olhar fixo em sua domme. Katrina pareceu pensar por um segundo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Vai me foder ou vai ficar só olhando? — Maria Alice provocou <i>mais</i>, só porque podia.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Katrina fechou a cara, parecendo irritada.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Abre as pernas. — Katrina não desviou o olhar de Maria Alice, esperando, e a garota obedeceu. — Bom. Quero que desça sua mão e sinta como você está. Que descreva cada detalhe, coisinha.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice até tentou resistir, mas estremeceu ainda assim quando passou os dedos pelo clitóris.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Eu tô… — Mordeu o lábio, respirou fundo. — Tô molhada, muito molhada. — Maria Alice se esfregou mais, o dedo circulando ao redor do clitóris. — Sensível, mas ainda não muito. — Pinçou o clitóris e segurou um gemido. — Um pouco duro, mas… — Sorriu, olhando fixamente pra Katrina antes de terminar a frase: — honestamente? Acho que você pode fazer melhor do que isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Katrina sorriu de volta, um sorriso quase diabólico.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Levanta a mão e lambe seus dedos. — Katrina ignorou a provocação com elegância dessa vez, sem demonstrar nem um grau de irritação. — Chupa direitinho, coisinha. Com essa boca boa e safada.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice não discutiu, mas só porque gostava daquilo. Levou os dedos até a boca com satisfação e lambeu com vontade. Olhou pra Katrina o tempo todo, sugando a ponta dos dedos, passando a língua, sentindo seu gosto e gemeu de satisfação. Maria Alice ainda não estava entregue, mas queria tanto, tanto estar. Queria incomodar Katrina até que ela a deixasse completamente entregue, quase a força, se fosse necessário.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quando Maria Alice terminou de lamber os dedos, um a um, Katrina repetiu a ordem:</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Faz de novo. Me conta como está agora.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Esse jogo lento era gostoso, tão gostoso. Maria Alice desceu os dedos de novo e dessa vez demorou a falar. Esfregou seu clitóris, adorando a sensação, adorando se tocar, adorando como estava molhada e sensível. Só gemeu baixinho, o olhar vacilando, as pernas trêmulas, os dedos pinçando o clitóris, escorregando até sua entrada.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Não falei pra se masturbar. — Katrina puxou a coleira, chamando a atenção de Maria Alice e interrompendo o que ela fazia. — Limpa esses dedos.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice, no fundo, era obediente. Ou talvez… obediente quando a interessava. Lambeu tudo de novo, ainda mais intensamente que antes, ainda mais gostoso, ainda mais melado. Se sentia gostosa… poderosa, talvez? Ainda que não estivesse no comando, ainda que fosse só uma <i>coisinha</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Você é uma delícia insuportável, coisinha. — Katrina comentou, os olhos brilhando. Maria Alice gostou de ouvir exatamente o que estava pensando. Gostou que sua Lady visse o quanto se sentia safada e exibida e gostosa. — Fica de quatro pra mim.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Katrina soltou a guia, deixando espaço pra Maria Alice se mover, e ela obedeceu sem questionar dessa vez. Se afastou um pouco para trás ainda ajoelhada, depois inclinou o corpo para frente, empinando a bunda e abrindo um pouco as pernas.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— De primeira? — Katrina deu a volta ao redor dela e parou perto de sua bunda. — Talvez eu nem precise ser tão dura assim… com você sendo tão fácil e tão dócil. — Ela estava nitidamente debochando de Maria Alice.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Está pensando em me recompensar por ficar de quatro? Já foi mais exigente, minha Lady. — Maria Alice devolveu ácido de volta, a língua mais atrevida do que o corpo comportaria ser punida. Não importava muito.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O tapa veio sem aviso, mas com força. Acertou o lado direito da bunda de Maria Alice, que gemeu no automático como a safada que ela realmente era. Mais um, agora do outro lado, e Maria Alice nem conseguiria discutir ou explicar o porquê de ter aberto mais as pernas e empinado mais a bunda. Era safada e oferecida e gostava de apanhar, só isso, nada mais.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice queria pedir pra ir de novo, mas não teve tempo. Katrina se ajoelhou, apertou suas nádegas com as duas mãos, abriu sua bunda e começou a lamber seu cu. A língua molhada, esfregando, lambendo, um beijo grego tão gostoso, tão melado. Ela esfregou os dedos na buceta de Maria Alice, deslizando fácil da sua entrada até seu clitóris porque ela estava muito molhada. Tão gostoso, Katrina fazia tudo — absolutamente tudo — ser tão gostoso.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Você não merecia isso, viu <i>coisinha</i>. — Katrina parou pra falar e pareceu aproveitar o momento pra descer mais um tapa.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Contraditório</i>, Maria Alice pensou. Katrina voltou a lamber e merecendo ou não era bom pra caralho, era delicioso demais, era a melhor das sensações. Era o céu e o inferno e tão intenso e tão safado e tão pornográfico, de certa forma, as duas no chão da sala molhadas e suadas e Maria Alice com a bunda aberta enquanto Katrina metia a língua no seu cu, as duas gemendo e suspirando e sofrendo. Maria Alice queria morrer, se possível.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Não, não merecia isso, nada disso, desbocada desse jeito, malcriada desse jeito. — Katrina fez outra pausa, respirando fundo, arfando enquanto falava.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ela continuava segurando a bunda de Maria Alice com força, exibindo tudo, os dedos tão apertados mesmo sem unhas grandes deixava marcas. Maria Alice se sentia vista, tão vista, inteiramente, como se essa posição e estar sendo segurada e a coleira e o chão e tudo mais fossem só somatórios da coisinha safada e sexual que ela era. Do brinquedo tarado e incontrolável.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Porra… — Maria Alice gemeu, sem aguentar segurar mais, quando Katrina passou a lamber sua entrada, descendo até o seu clitóris devagar. Ela estava tão, tão molhada e tão pronta. Queria tanto ser fodida, queria muito ser fodida, e só parecia restar a humilhação de choramingar. — Porra, aí, continua, mais, mais, porra, porra.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Katrina parou imediatamente.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Ah, coisinha… — Mais um tapa, quase milimetricamente no mesmo lugar dos outros. Era bizarro, queimava, mas era tão, tão bom. — Você sabe exatamente quando e onde vai ter mais, não sabe?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Katrina falou murmurado, ainda com a boca tão perto de Maria Alice, o ar quente que ela soprava arrepiando tudo. Maria Alice empinou mais a bunda, como se isso fosse sequer possível, abriu mais as pernas, e desmontou de vez quando Katrina voltou a lamber seu clitóris com uma calma que nem fazia sentido.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Katrina se moveu um pouco, parecendo trocar de posição, e Maria Alice não entendeu bem por quê. Sentia o vazio de estar sem o toque dela, sem a língua dela, sentia seu clitóris pulsando em antecipação e desejo e descontrole, mas tudo fez sentido quando sentiu também, ao mesmo tempo, Katrina lambendo sua buceta e esfregando seu cu com a ponta dos dedos, pressionando sua entrada.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Por favor — Maria Alice murmurou baixinho porque queria tanto que Katrina enfiasse mesmo esse dedo, que a fodesse pra valer, de verdade, com força, até ela ver estrelas e esquecer o próprio nome.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Já está implorando? — Katrina pareceu dar risada. — Não é assim que se faz, se estiver, coisinha.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ela enfatizou o <i>coisinha</i> com gosto nos lábios, o que obviamente fez Maria Alice querer retrucar, irritada com o jogo e com o tesão e por não gozar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Se você quer que eu implore então me faz implorar, minha La-dy. — De propósito, enfatizou o nome dela com a mesma entonação, o mesmo deboche, a mesma graça.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Não dava nem pra dizer que ela não mereceu o que aconteceu.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Você não pode gozar, coisinha. — Katrina enfiou o dedo enquanto falava, metendo do jeitinho exato que Maria Alice queria, e ela soube instantaneamente que fez merda.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice sabia que seria torturada, sabia que o final dessa noite só poderia ser um, sabia que ia terminar como a cadelinha que verdadeiramente era, rebolando no pé de Katrina, agarrada à sua perna, gemendo e choramingando e implorando pra poder gozar, pra poder gozar ao menos uma vez. Maria Alice sabia disso e se odiou um pouquinho por ser tão bocuda, mas estava com tesão demais para completar qualquer pensamento. Só fez gemer, rebolar no dedo de Katrina, empinar a bunda e inclinar mais e mais o corpo pra frente.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Isso, sim, Lady, sim, isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Katrina deu risada, parecendo satisfeita, e enfiou mais um dedo. Maria Alice quis morrer. Morrer talvez acabasse com tudo aquilo, talvez a libertasse da constante sensação de que iria explodir, de que não iria aguentar. Morrer talvez liberasse o tesão enjaulado dentro de si, que parecia tanto querer romper a sua pele e mastigar a sua carne de dentro pra fora. Era um tesão infernal, delicioso, gostoso demais, absurdo demais.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Katrina continuou metendo nela, mas se mexeu um pouco. Se posicionou ao lado de Maria Alice, apoiando o peso do corpo em um dos joelhos, a maldita bota bem do lado da cara dela.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Se você gozar sem autorização, coisinha, vai passar um mês só podendo gozar na minha bota. — Katrina sorriu com malícia. <i>Aí não, porra</i>. — Mas se tudo acontecer como eu suspeito que vai, depois da primeira vez você vai tomar gosto pela coisa. — Katrina continuava metendo com a mão esquerda, o movimento tão gostoso, e abaixou o tronco, falando mais perto do rosto de Maria Alice. — Vai tomar gosto e <i>pedir</i> pra rebolar no meu pé, coisinha. Safada e putinha desse jeito, incontrolável, insaciável. — Katrina sorria tanto e Maria Alice quase não conseguia olhar, porque o sorriso diabólico dela dava mais tesão ainda. — Sexo de cachorro pra minha cachorrinha tarada.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Porra, porra, porra, maldita, filha da puta</i>. Maria Alice xingava todos os palavrões possíveis dentro de sua mente, mas não conseguia falar nenhum. Não era mais nada além de coisinha a essa altura, só servia pra gemer, pra rebolar, o rosto tão colado no chão que a bochecha doía, a bunda tão empinada que a coluna chegava a doer, os joelhos afundados no chão que cobrariam o preço no dia seguinte.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Me toca direito. — Maria Alice formulou a frase com muito custo, irritada, sentindo o tesão molhando as coxas.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Não te ouvi, coisinha.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Não consigo gozar assim, você sabe. — Maria Alice estava transtornada de tanto tesão. Não aguentava mais, não aguentava mais um segundo daquilo. — Você sabe, tá me torturando de graça, porra.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice sentiu lágrimas nos cantos dos olhos. Gemia tanto que a garganta arranhava, a boca seca. Precisava gozar, precisava mais do que tudo gozar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Tô mesmo. Você gosta, não finja que não. — Katrina não parou em nenhum momento. Seus dedos se mexiam em Maria Alice, acertando todos os lugares certos dentro dela, deixando-a sempre tão perto do orgasmo, mas nunca deixando ela gozar. — É o que você é, coisinha. Safada e obediente, no fundo. Discute como uma desbocada só porque gosta de apanhar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Katrina voltou a se posicionar atrás de Maria Alice, mudou um pouco a posição dos dedos e desceu mais um tapa. Era desajeitado, tudo meio sem ritmo, talvez menos fraco do que poderia ser, mas não fazia diferença nenhuma a essa altura.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Você bate boca como se não gostasse, como se não fosse feita pra ser usada, pra ser fodida, pro meu prazer, coisinha. Como se não fosse minha pra eu fazer o que eu quiser.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mais um tapa, e mais outro, e Maria Alice sentiu o coração parar por um segundo quando percebeu que talvez gozasse assim, de verdade, pra valer, pela primeira vez. Era assustador, assustador pra caralho, e, em especial, <i>errado</i>. <i>Puta merda, puta merda, puta merda</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Lady… por favor, minha Lady, por favor, por favor. — Maria Alice sentia o rosto todo molhado pelas lágrimas, as coxas molhadas de tesão, o clitóris sensível até ao ar, por deus.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Você sabe o que pedir se quiser gozar, coisinha.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>A porra da cinta na bota</i>, <i>a porra da cinta, a porra do caralho da cinta na porra da bota dela</i>. <i>Inferno, inferno, inferno</i>. Maria Alice choramingava alto, tão alto, delirando de tesão, tão entregue que se Katrina tivesse ciência exata do quanto, talvez soubesse que poderia destruí-la ali mesmo. Maria Alice nem teve mais forças para se irritar quando percebeu que Katrina <i>já</i> sabia disso e já estava a destruindo, ali, naquele momento, com quase nada.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">As lágrimas não paravam de rolar pelas bochechas de Maria Alice, molhando o chão, seus gemidos já saiam desconexos da garganta, agudos, descontrolados. Ela levou as mãos pra cima, esfregando o próprio rosto, desesperada, com a certeza de que gozaria assim, que realmente era possível gozar assim, só com os dedos dela fodendo seu cu e a ideia de que seria punida, a ideia de que teria que se agarrar à perna dela, a ideia de ser uma cachorrinha desesperada, entregue, insaciável. Só com a ideia de que, no fundo, era esse sexo que ela merecia, olhada de cima, choramingando e implorando pra gozar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Lady eu acho que vou, eu acho, eu vou, eu…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Katrina parou de novo, de uma vez. Tirou os dedos e se afastou, deixando Maria Alice ainda mais irritada, agora vazia, tão perto e tão longe do orgasmo. <i>Que filha da puta, filha da puta maldita</i>. Katrina nem disse nada. Só levantou, passou ao redor dela e voltou para o sofá. Maria Alice viu só a sombra dela pelo canto do olho, mas não se moveu. Não sabia se conseguia ou se queria ou se podia. Escutou cada coisinha que Katrina fazia e sabia exatamente o que ela estava fazendo. Seu coração acelerou ainda mais, disparado, e nem parecia humanamente possível.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Katrina voltou e parou na frente de Maria Alice dessa vez.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Pode sentar, coisinha.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice estava arrepiada e tensa na mesma medida. Ansiosa, sentia os dedos tremendo, o coração nervoso, os lábios secos. Passou a língua neles por costume, mas não era suficiente. Tentou se levantar devagar e sentar sobre os joelhos, mas estava cansada e o corpo cedeu, fazendo-a cair de bunda no chão. Olhou pra cima, depois pra baixo, depois pra cima de novo. Diante da cinta, do dildo e da varinha, hesitou.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Quer gozar ou quer ficar assim o resto da noite? — Katrina estava falando gentilmente. Era óbvio, porque estava fazendo a <i>gentileza</i> de deixar Maria Alice gozar assim, e só assim.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">A merda é que Maria Alice queria gozar. <i>Precisava</i> gozar. Estava surtada demais, arrepiada demais, desfeita demais, morrendo de tesão e frustração. Irritada pra caralho. Se não gozasse, ia dormir puta, tinha certeza, e seria uma merda acordar no dia seguinte também.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Quero gozar — murmurou, a voz não mais do que um sussurro.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Não ouvi, coisinha.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice tossiu. <i>Que merda, que inferno, que caralho</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Quero gozar, Lady.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Bom…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Katrina se mexeu, a bota livre para trás, a bota com o dildo e a varinha mágica pra frente, mais perto ainda de Maria Alice.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Ligue o vibrador e goze, então. — Katrina estava sorrindo de novo. A filha da puta estava sorrindo de novo. — Vou só assistir, você que se faça gozar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice tremeu com cada palavra dela. <i>Inferno</i>. Olhou pra bota de novo, pra cima de novo. Por alguma razão, quando se imaginou sentando, no meio delírio do seu tesão, não pensou no que precisaria deixar de ser tocada, esperar Katrina montar tudo de novo e <i>então</i> sentar naquela cinta, sentar <i>no pé</i> de Katrina. Não imaginou que seria algo que faria consciente, embora não estivesse tão consciente assim. Por alguma razão achou que tudo aconteceria automaticamente, não pensou na transição, achou que sentaria em êxtase, surtada, sem controle.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Se Maria Alice fosse um pouquinho mais paranoica, acharia que Katrina estava rindo dela, mas sabia que não era exatamente isso. Katrina também estava morrendo, disso Maria Alice tinha certeza. Não era muito sobre gozar ou não gozar, era mais sobre o controle, sobre ver Maria Alice se render e encarnar completamente a <i>coisinha</i>, sobre conseguir o que queria, assistir o que queria, causar as sensações que ela queria. Katrina dormiria satisfeita de ver sua coisinha gozando e choramingando e implorando <i>exatamente</i> como mandou, então não ria dela, não de verdade. Sorria para ela, por ela, em uma eterna provocação e garantia de que seria atendida.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Então Maria Alice esticou o braço e apertou o botão que ligava a varinha mágica. O barulho alto do motor vibrando ecoou em sua mente e ela sabia que o único jeito de abafá-lo era sentando nele, se esfregando contra ele. Não tinha mais volta, não tinha mais o que desistir. Maria Alice já não tinha mais neurônios o suficiente em si para fingir que não queria isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Se iria para o inferno, que abraçasse o capeta.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ergueu a ponta de sua guia e entregou para Katrina, que segurou, enrolando a ponta em sua mão.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E então… então Maria Alice fez o que se imaginou fazendo muitas e muitas vezes desde o começo da noite. Tirou forças de algum lugar para se ajoelhar, ergueu o corpo sobre o pé de Katrina e segurou o dildo com uma das mãos. Alinhou com sua buceta e sentou de uma vez. Sem se esfregar, sem se preparar, sem dar a chance de desistir, também.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Foi tão imediatamente recompensada que quase se arrependeu de não ter feito isso antes. O dildo era perfeito, o mais perfeito de todos. Levemente curvado na ponta, grosso como ela gostava, não grande demais. O dildo era perfeito e Katrina era perfeita, fodia bem demais, tão bem, até mesmo quando… <i>Porra</i>, até quando Maria Alice estava aos seus pés, se esfregando tão desesperada e necessitada. O vibrador da varinha só piorava a situação, vibrando diretamente em seu clitóris, apertando, fazendo vibrar até a base do dildo, que estremecia dentro dela quanto mais ela rebolava.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice desistiu de se apoiar nos joelhos. Mudou sua posição, sentando de vez no pé de Katrina, as pernas ao redor da perna dela. Sem saber direito onde colocar os braços, ela se agarrou a coxa de Katrina. Era grossa e gostosa de apertar, um bom apoio quando se segurava, e, odiaria admitir, mas isso era bom pra caralho.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ali estava ela, finalmente entregue, definitivamente rendida, gemendo como se nunca antes tivesse gozado, como se estivesse esperando por esse momento há anos, como se sua vida dependesse desse orgasmo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Agora sim, coisinha. — Katrina passou a mão no cabelo de Maria Alice e puxou a guia dela, fazendo-a olhar para cima. — Meu cachorrinho, minha, minha coisinha.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice rebolou e gemeu mais quando ouviu isso, o pau fundo dentro dela, o clitóris tão inchado e sensível que parecia impossível aguentar mais tempo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Isso, coisinha, isso. Geme, choramingue, implore pra gozar. — Katrina não parava de falar, parecendo tão satisfeita, tão… feliz.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice só aí percebeu que estava chorando de novo, lágrimas escorrendo pelas bochechas, gemido atrás de gemido escapando de sua garganta, virando um lamento, choramingando de novo, desesperada.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Só vai faltar latir, coisinha.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice choramingou ainda mais só de imaginar, sem saber se isso seria demais, se isso seria cruzar alguma linha que não sabia se estava pronta pra cruzar e que talvez cruzasse mesmo assim. Pior, que talvez gostasse de cruzar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Me deixa gozar, Lady.<i> </i>— Maria Alice começou a implorar de verdade, porque não sabia mais o que fazer além disso. Katrina abriu a boca, mas nem teve tempo de falar. — Por favor, por favor, me deixa gozar, por favor, eu quero tanto, eu quero tanto gozar, por favor, por favor, por favor, por favor.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice continuou murmurando por favor e por favor enquanto rebolava com mais força no pé de Katrina, as unhas enfiadas na coxa dela, os peitos sensíveis se esfregando no tecido da calça, tão perto de gozar, tão perto, tão tão perto. Precisava, precisava disso, precisava ou iria morrer ali, melada, molhada, humilhada, rendida e sempre, sempre uma coisinha.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Você pode, coisinha, se me agradecer enquanto gozar. — Katrina fez uma pausa. — Agradeça sua Lady por te deixar gozar no meu pé.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Katrina mal teve tempo de terminar de falar. Maria Alice sentiu o orgasmo em partes do seu corpo que nem sabia que existiam, começando no seu ventre e se espalhando nas coxas, nas pernas, no tronco, nos seios, nos braços, os dedos formigando, a cabeça aérea, a vontade de gritar entalada na garganta.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>— </i>Obrigada, obrigada, obrigada. — Os murmúrios eram baixos, meio desconexos, sem ritmo, um delírio completo. — No seu pé, obrigada, obrigada, porra, obrigada, porra, porra, caralho, ai, ai, caralho, porra, obrigada. — Maria Alice não tentou formar frases, só gemeu e murmurou e continuou se esfregando, querendo mais um, mais um por favor, de novo, bem rápido, sem parar. Precisava de mais, mais, mais e mais.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Duas vezes, coisinha? — Katrina afagou a cabeça dela com uma gentileza que não fazia sentido com o desespero de Maria Alice. Sua <i>domme</i> parecia tão satisfeita. — Você consegue gozar de novo pra sua Lady? <i>Que cãozinho bom você é.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Maria Alice nunca se imaginou gozando ao ouvir alguém a chamar de cãozinho, mas a vida tem dessas coisas mesmo. Parou de rebolar e só deixou o corpo apertado contra o vibrador da varinha mágica, gemendo de fato como uma cadela, talvez quase ganindo, sem saber se murmurava obrigado ou outra coisa, palavrões, gritos, gemidos, um delírio e desespero que não tinham começo ou fim.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ficou ali tremendo e gemendo por um tempo que não soube contar até que Katrina passou a mão entre sua perna e o corpo de Maria Alice e desligou o vibrador. Maria Alice não se moveu, ainda agarrada a perna de Katrina, ainda aérea, ainda sofrendo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Que gostoso, coisinha. Eu sabia que você não iria me decepcionar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Se conseguisse completar um pensamento, Maria Alice teria respondido com um <i>filha da puta.</i></p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Como sempre, se quiserem falar sobre, minha DM está aberta e o <span style="text-decoration:underline;"><a class="link" href="https://kodinhag.straw.page/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=cachorrinha-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">straw</a></span> também! Você também pode responder esse e-mail e falar diretamente comigo ;)</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso! Um xêro e um queijo,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Kodinha</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>Se quiser receber as rapidinhas antes de todo mundo, newsletter de fofocas mensal e textos e trechos exclusivos, considere </i></span><span style="color:inherit;"><span style="text-decoration:underline;"><i><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g&_bhlid=171b40959ce3873b349b49b3fefef8492dd3acf1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(82, 50, 87)">apoiar o meu catarse</a></i></span></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>. Além das recompensas, você me ajuda a continuar contando histórias!</i></span></p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="conhea-os-meus-livros">Conheça os meus livros:</h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Só uma rapidinha</b> <b>2</b>: <a class="link" href="https://payhip.com/b/4zIPi?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=cachorrinha-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre diretamente comigo, com desconto</a> ou <a class="link" href="https://amzn.to/3zS3SO5?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=cachorrinha-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre na Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Seja feita a vossa vontade: </b><a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/seja-feita-a-vossa-vontade/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=cachorrinha-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre comigo com desconto ou na amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Só uma rapidinha</b> (o livro): <a class="link" href="https://payhip.com/b/3wtRx?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=cachorrinha-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre diretamente comigo, com desconto</a> ou <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3kCvSy0&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=cachorrinha-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre na Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Manda foto de agora</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3FNT2tI&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=cachorrinha-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a> </p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Jogador número 3</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3NC3Gp0&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=cachorrinha-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Mais de nós</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3FKcvv1&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=cachorrinha-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Meus livros como Koda Gabriel <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/publicacoes/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=cachorrinha-so-uma-rapidinha#koda-gabriel" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui</a>.</p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=ae6a52f5-3b34-445f-bf99-eace2670e8c7&utm_medium=post_rss&utm_source=so_uma_rapidinha">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>#50 - Só tem uma cama - Só uma rapidinha</title>
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  <pubDate>Wed, 29 Jan 2025 21:00:00 +0000</pubDate>
  <atom:published>2025-01-29T21:00:00Z</atom:published>
    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
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No começo de fevereiro faz oito anos que me entendi e mais ou menos oito anos que me chamo Koda, que decidi abraçar quem eu realmente sou, me desprender do que me amarrava, chutar mais um (de muitos) armários, viver a minha vida como ela merecia ser vivida, ou não viver.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Essa newsletter é mais nova (está quase completando três anos), mas é parte fundamental da minha identidade e de quem eu sou. Escrever sobre a pluralidade do desejo e corpos queer me mudou, mudou muitas das pessoas que me leem, e trouxe pra todos nós uma libertação gostosa de existir fora do binário, fora do normativo, de desejar como queremos desejar. Pra mim, o Só uma rapidinha é sobre a permissão pra ser herege, pra ser safado, pra ser fetichista, pra ser <i>promíscuo</i>. Todos aqueles nomes que dizem ser horríveis, que as igrejas condenam, tudo que a sociedade normativa rejeita. Nós somos, nós podemos. É nosso desejo, são os nossos corpos, os nossos fetiches, o nosso sexo, e fodam-se eles.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nesse dia da visibilidade trans, teremos, claro, uma rapidinha com uma pessoa trans. Não a primeira nem a última dentre os meus trabalhos, mas mais uma, ainda bem. Espero que gostem! </p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>Se quiser receber as rapidinhas antes de todo mundo, newsletter de fofocas mensal e textos e trechos exclusivos, considere </i></span><span style="color:inherit;"><span style="text-decoration:underline;"><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g&_bhlid=171b40959ce3873b349b49b3fefef8492dd3acf1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(82, 50, 87)"><i>apoiar o meu catarse</i></a></span></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>. Além das recompensas, você me ajuda a continuar contando histórias!</i></span></p><hr class="content_break"><h1 class="heading" style="text-align:justify;" id="s-tem-uma-cama">Só tem uma cama</h1><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu estava ferrada. Tipo… muito ferrada. Ferrada pra caralho. Ela queria continuar listando palavrões dentro de sua cabeça porque um ou dois não pareciam fazer jus ao tamanho da merda. Não reparou na mochila que deslizou devagar da sua mão até cair no chão com um baque abafado pelo tapete pesado, nem no suor que escorria pela lateral de seu rosto e, demorou vários segundos até perceber que estava tremendo, o copo em sua mão ameaçando derramar café a qualquer momento.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu estava muito, muito ferrada.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>Quem fez merda?</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">, foi a primeira coisa coerente que pensou quando a respiração ficou um pouco menos afetada e conseguiu ao menos parar de apertar tanto o copo de café. </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>Porque alguém fez merda, com certeza</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">. </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>E porra, não pode ter sido eu, né?</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">, Manu continuava na espiral de pensamentos. Ela sempre conferia as reservas uma, duas, três vezes. Confirmava com o hotel, quando necessário, até porque muitas vezes ela tinha exigências. </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>Deus, a Alexandra vai me matar</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">. Se não fosse tão cheia de classe era capaz de segurá-la pelos cabelos e arrastar sua cara pelo quarto inteiro, mas como era, então provavelmente iria ouvir um sermão de três dias e dormir no tapete. Porra, dormir no tapete seria fácil, imagina ser demitida?!</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu estava muito ferrada e Alexandra ia querer sua carne viva, mesmo que a culpa fosse inteiramente do hotel. A culpa era do hotel, não era? </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>Faz diferença, no fim das contas?</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> Seus pensamentos estavam acelerados, repassando cada momento da reserva onde algo possa ter dado errado, e, principalmente, se ainda tinha alguma chance de corrigir essa cagada.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>Vocês tem reserva? Todos os nossos quartos já estão reservados hoje</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">. A voz do atendente da recepção ecoava em sua cabeça. Na hora ela sorriu, preparada, e confirmou o número da reserva. Agora, a voz dele soava como uma lembrança fantasmagórica de que não havia como corrigir seu erro nesse hotel. Ou em qualquer hotel que preste num raio considerável de quilômetros, de qualquer forma, porque era véspera de ano novo e todos os ricaços estavam por ali e era esse o exato motivo de Alexandra estar ali também.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu estava muito, muito, muito ferrada.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Puta merda.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Alexandra chegaria a qualquer momento. De fato, só não estava ali porque toparam com um investidor no saguão e ela decidiu conversar um pouco com ele. Manu subiu primeiro porque estava exausta e não era importante para aquela conversa em particular, o que por sorte a ganhou alguns minutos para… Para o que, afinal? Se preparar mentalmente? Inventar uma desculpa? Respirar fundo e aguardar o sermão? Alexandra não ficou milionária sendo gentil e Manu sabia disso. Por isso sempre foi </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>perfeita</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">. Não cometia erros, sempre verificava o seu trabalho mais de uma vez e nunca se recusava a acompanhar uma viagem de negócios, mesmo que ela acontecesse no ano novo que deveria estar com a sua família.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Isso era a definição precisa do seu inferno pessoal.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Manuela por que você está parada na porta do quar…</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Merda.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">A voz de Alexandra morreu na metade da frase, encarando a mesma coisa que Manu encarava há minutos demais. Sem tempo nenhum para corrigir sua cagada.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Eu não sei o que…</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Silêncio — Alexandra a interrompeu.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Ficaram as duas paradas ali, lado a lado, encarando a única cama do quarto em silêncio. Era uma cama grande, não dava para contestar isso, mas, ainda assim, uma única cama.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Eu… — Manu tentou de novo, mas parou de falar quando Alexandra a encarou com um olhar indecifrável.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Não que Manu soubesse o que iria dizer. Não fosse seu pânico completo, ficaria grata por Alexandra interromper as suas tentativas de se explicar. Porque ainda tinha juízo, não tentou de novo. Esperou, se esforçando para não voltar a tremer, enquanto Alexandra continuava passeando os olhos pelo quarto do hotel. Todo o resto era exatamente como ela sempre pedia: grande, uma cozinha compacta disponível, varanda com vista e cadeiras, uma mesa para trabalho, um sofá confortável… Um sofá! Deus, como se esqueceu do sofá. Quase suspirou aliviada e ficou feliz com as exigências tão específicas da chefe.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Posso dormir no sofá — cuspiu de uma vez para não ter tempo de ser interrompida ou desistir de falar.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Alexandra a encarou de novo, séria.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Você está proibida de dormir no sofá.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Pera, quê? Merda. Seria no tapete então? Uma vozinha dentro de sua cabeça insistia em lembrá-la que ela poderia ser </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>demitida</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">, mas ela se recusava a pensar nisso. Não seria demitida nem que tivesse que implorar. Ganhava bem, lutou por esse emprego e não o perderia por uma burrice, ainda que fosse </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>sua</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> burrice. Ou de outra pessoa, isso ainda carecia de investigações.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Mas Alexandra… — Tentou de novo. — Bom, eu vou descer e verificar o que aconteceu, talvez eu tenha cometido um erro…</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Você não cometeu erro nenhum, eu não teria te contratado se cometesse erros. — Vindo de Alexandra, isso foi tão próximo de um elogio que Manu se esqueceu por um segundo da situação absurda em que estava metida. Caralho, o dia só ficava mais estranho. — O gerente do hotel me ligou diretamente para se desculpar por um erro de </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>overbooking</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> e perguntou se um quarto com uma cama de casal me atenderia e não vi problemas em aceitar.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Ela sabia.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Ela… sabia.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Você não me disse nada. — A voz de Manu saiu um pouco mais emburrada do que pretendia e se arrependeu assim que ouviu o tom de suas palavras. Não devia discutir com a sua chefe ou muito menos…</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Não imaginei que dormir ao meu lado por algumas noites em uma cama grande seria um desconforto tamanho que precisava de aviso prévio.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>Porra, Manu.</i></span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Não foi isso que…</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Não temos como nos realocar, então se você não estiver confortável, eu mesma dormirei no sofá.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Que? Não! Não, Senhora Alexandra, não foi isso que eu quis dizer. Está tudo bem. Eu acho? — Estava tudo bem, né? Não seria ruim assim. Não é como se Alexandra não fosse absurdamente lind… Não. Manu não pensaria isso, em especial não pensaria isso agora. — Achei que eu tinha errado a nossa reserva e estava muito preocupada com o que você iria dizer.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Como eu disse, não contrato pessoas que cometem erros, especialmente não como minha assistente pessoal. — Alexandra caminhou de verdade para dentro do quarto agora. — Nossas malas já foram entregues?</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu acenou concordando e então se lembrou de que devia falar.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Estão ali ao lado do guarda-roupa. Também já alinhei o jantar, deve chegar daqui… — Ela conferiu o relógio. — Cinquenta minutos. Você pode tomar um banho e eu vou confirmar sua agenda para amanhã.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Tire a noite pra descansar, Manuela. É ano novo, se algum dos idiotas não aparecer amanhã, azar o deles e sorte a nossa. Já basta estarmos trabalhando, não precisa se sobrecarregar.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Mas não é…</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— É uma ordem, Manuela. Descanse, não me faça dizer duas vezes.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu apenas observou enquanto sua chefe pegou sua necessaire da mala e entrou no banheiro. Não conseguiu se obrigar a sentar na cama, ainda não. Pegou sua mochila do chão e tirou algumas coisas de dentro, deixando sobre a mesa. Separou o que precisaria para o dia seguinte, ciente de que, no segundo em que parasse de se movimentar e fizesse como a chefe ordenara, iria de fato </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>entender</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> o que aconteceria nas próximas horas — nos próximos dias —, e talvez sua cabeça entrasse em parafuso, e Manuela Ferreira não entrava em parafuso. Manuela Ferreira também não tinha mais um crush enorme na sua chefe gostosa, claro que não, porque ela era muito profissional.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Estava. Tudo. Perfeitamente. Sob. Controle.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Era quase melhor se ela tivesse mesmo cometido um erro, porque aí a agonia que estaria consumindo sua mente seria outra. Agora, não conseguia parar de pensar que Alexandra sabia, sabia que iriam dormir juntas por vários dias e não disse nada. Pior, concordou tranquilamente. E aí não disse nada. Como se não fosse nada de mais dormir ao lado dela, como se Alexandra não fosse conhecida por ser uma quarentona gostosa e bonita que era o desejo de todas as pessoas, novas e mais velhas, como se Manu não tivesse gastado todo seu primeiro ano como funcionária enfiando o desejo que sentia sempre que colocava os olhos na chefe em uma caixinha e jogando fora no fundo de sua mente.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu nem percebeu quando foi que começou a socar os itens na mesa com força, reorganizando o que já estava organizado. Que merda Alexandra tinha na cabeça? Como caralhos Manu ia sobreviver a essas cinco noites? Como iria dormir e relaxar? Não estava acostumada a dormir com outra pessoa, então não sabia se rolava muito, ou se roncava. E se acordasse no meio da noite abraçando Alexandra?</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Seus pensamentos foram interrompidos quando Alexandra saiu do banho. Gastara quase trinta minutos apenas nesse soca soca na mesa, sem descansar nem fazer nada de útil, que maravilha. Sentiu o coração acelerar quando reparou que Alexandra estava usando somente um roupão branco. Não era a primeira vez que via a chefe assim — nem seria a última —, mas era a primeira vez que a via assim logo antes de saber que iriam dormir juntas. Na mesma cama. As duas.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu correu para a própria mala e murmurou um </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>vou tomar banho também</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> apressado antes de se trancar no banheiro. Encostou o corpo contra a porta e respirou fundo. Por que estava tão tensa? Era só se comportar, não seria difícil. Não era incontrolável, não era uma sede urgente e, acima de tudo isso, valorizava o próprio emprego o suficiente para não ser a primeira a tentar nenhum movimento — ela ignorou que sua mente foi muito específica em adicionar o </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>primeira a tentar algum movimento</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">, dando margem pra insanidade completa de que talvez Alexandra tentasse qualquer coisa. Não. Manu estava perfeitamente sob controle, iria tomar um banho gelado, vestir o seu pijama decente e dormir do seu lado da cama, sem qualquer problema.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Só que não.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Quando Manu saiu do banho, Alexandra estava usando um </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>babydoll</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> preto com muita renda que fazia o contorno perfeito dos seus seios e era, se pudesse opinar, curto na medida certa. Manu carregava culpa católica o suficiente pra saber que tentação era algo a ser resistido, mas também tinha rompido com tudo isso o suficiente para desejar ainda assim, para estar disposta a se entregar ainda assim. E não tinha como Alexandra não saber o que estava fazendo. A chefe não era boba, nem inocente. De fato, várias vezes já havia comentado sobre roupas que usava para reuniões por saber que muitos acionistas eram homens babacas que pensavam com a cabeça de baixo. Então… ela sabia o que estava fazendo, né? Mas por quê? Por que provocar Manu desse jeito?</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Vou ligar para a recepção e pedir para subirem com o jantar. Eles tentaram entregar, mas disse que você estava tomando banho e mandei voltarem quando eu ligasse, para a comida não esfriar.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Não precisava ter me esperado, Senhora Alexandra.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Manuela…</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Perdão, Alexandra. — Se corrigiu, lembrando que a chefe já havia dito algumas vezes que ela podia ser menos formal fora dos ambientes de trabalho, já que passavam tanto tempo juntas. — Não precisava ter me esperado, você não almoçou direito, devia ter aceitado o jantar.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Eu queria te esperar, Manuela. — Ela pegou o telefone e conversou rapidamente com a recepção. — Pronto, já vão subir. Bonito o seu pijama.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu sentiu as bochechas quentes com o comentário. Era só um pijama, diferente da roupa sexy da chefe. Uma blusa de alças finas com um decote que não exibia seus seios, por serem pequenos, e um short escuro larguinho nas coxas. Sentiu que deveria retribuir o elogio, mas não conseguiu encontrar nenhuma frase que não soasse demais. </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>O seu também</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> era eufemismo, mas qualquer coisa além disso talvez ultrapassasse uma linha imaginária. </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>Seu babydoll me faz querer me ajoelhar pra você</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> certamente estava fora de cogitação.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Obrigado — respondeu, simplesmente. — O seu… O seu… </span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Uma batida na porta interrompeu o fiasco que seria qualquer coisa que Manu tentasse falar. Aproveitou a deixa e abriu a porta para o funcionário, que deixou um carrinho com o jantar das duas e um vinho com aparência de caro em um balde com gelo. Manu encarou a bebida, mas não fez nenhum comentário. Agradeceu o funcionário e trouxe o carrinho para perto da mesa, percebendo agora que suas coisas foram tiradas dali e devolvidas para a mochila.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Perdão, Alexandra, acabei tirando tudo e esqueci que ainda precisávamos jantar.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Você está estranha hoje. Pedindo desculpas por tudo, não descansou quando mandei descansar. Não sou de vidro, guardei as coisas, está tudo bem. Vem, vamos jantar.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu colocou os pratos na mesa enquanto Alexandra abria e servia o vinho. Ela ofereceu uma taça para Manu, que sabia que não deveria aceitar, mas aceitou mesmo assim. No começo, não conversaram muito. A chefe parecia despreocupada, mas Manu estava nervosa, tensa, sentindo até o calor que emanava da presença de Alexandra ao seu lado. Mas o álcool logo fez seu efeito. Logo elas estavam rindo juntas, comentando sobre a festa recente que foram juntas para tentar conseguir contatos para um novo contrato e sobre como tudo deu errado.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">O vinho ajudou e atrapalhou. O nervosismo no estômago de Manu parecia menor, estar perto da chefe não parecia tão agonizante, mas, ao mesmo tempo, era como se ela estivesse hiperconsciente disso. Ela tinha menos medo, mas perceber isso a deixava apavorada. Não impedia, entretanto, que ela aproveitasse para observar a curva dos seios dela por cima do </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>babydoll</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> toda vez que a chefe se inclinava em sua direção</span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>, </i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">ou que ela encostasse sutilmente no braço de Alexandra sempre que tinha a oportunidade, ansiosa para sentir sua pele quente.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Não pareceu impedir Alexandra também, que aproximou a cadeira das duas quando foi mostrar algumas fotos antigas no celular, passando um dos braços ao redor de Manu e segurando o corpo dela colado no seu.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Era tudo um jogo. Se parecia muito com um jogo, ao menos. Complexo, com muitas peças e variáveis, e cada mini movimento seu causava um mini movimento em Alexandra. Todo lugar que ela tocava fazia a pele de Manu queimar, como se suas terminações nervosas estivessem entrando em parafuso. Para cada olhar um pouco mais demorado que Manu dava na direção da chefe, Alexandra gastava minutos olhando como se saboreasse os lábios de Manu à distância.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">E então uma sequência de coisas aconteceu muito rápido.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu se inclinou sobre a mesa para buscar a garrafa de vinho já quase no fim, e seu seio direito encaixou quase que perfeitamente na mão de Alexandra. As duas pararam qualquer movimento, tão próximas, separadas por uma fina camada de pijama, e Manu sentiu a respiração errada, o coração acelerado. Desistiu de pegar a garrafa e se levantou devagar, se afastando do toque de Alexandra, tentando encontrar o que dizer, como se justificar, como explicar o que acabou de acontecer.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Eu… — tentou, endireitando o corpo na cadeira, mas não conseguiu terminar.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Alexandra subiu os dedos pelo braço de Manu, sentindo sua pele, e não hesitou em nenhum momento. Subiu até seu pescoço, passou os dedos pela sua nuca, e segurou os cabelos dela quase sem força, apenas o suficiente para trazer o rosto dela para perto. Assim, num piscar de olhos, Manu estava a dois dedos de distância de Alexandra. Se tivesse um pouco mais de coragem — e um tanto a menos de medo —, poderia se inclinar por meros centímetros e tomar os lábios da mulher com os seus. Poderia beijá-la até seu fôlego desaparecer, até descobrir se poderiam ir para a cama, até que tivesse a chance de realizar cada um dos pensamentos devassos que teve nos últimos meses trabalhando com ela.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Alexandra se aproximou mais e mais e mais e Manu fechou os olhos, pronta para o beijo, pronta para o que viesse. Abriu de novo quando sentiu os lábios de Alexandra escorrendo da sua bochecha para o pescoço, a língua molhando a pele, um rastro de luxúria e desejo escorrendo pelo seu corpo. Manu estava tão molhada e desesperada que daí muito pouco talvez fosse mesmo capaz de verbalizar o que tanto queria, mas tinha medo de admitir. Se Alexandra continuasse assim, segurando ela tão perto, esfregando o rosto contra a sua pele, respirando quente e forte, suspirando… Manu talvez entregasse até o que não tinha.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Não vou deixar você fazer nada para acabar se arrependendo amanhã, Manuela — Alexandra murmurou baixinho no ouvido de Manu, e se afastou, soltando seus cabelos, os lábios deixando seu rosto, a pele deixando sua pele.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Mas eu…</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Pra cama — Alexandra ordenou. Um milhão de pensamentos obscenos cruzaram a mente de Manu diante da ordem, seu ventre pulsando, a ansiedade consumindo seu interior. — Nós vamos </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>dormir</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">, por favor, não interprete minha ordem da forma errada.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu queria espernear, emburrada, mas ainda tinha um pouquinho de orgulho e sanidade, então se levantou e foi para o lado esquerdo da cama sem perguntar o que Alexandra preferia. Não importava, afinal, elas só iriam dormir. A cada passo, Manu conseguia sentir a calcinha molhada, as pernas fracas, conseguia sentir ainda o fantasma do toque de Alexandra em seu pescoço, de seus lábios molhando sua pele.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Não entendia, não entendia mesmo. Por que provocar se não iria terminar o serviço?</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Por que assoprar se não iria morder?</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Deitou bem na ponta, passou a coberta por cima dos ombros e virou para o lado, olhando para a parede, longe do olhar, da sensação e do toque de Alexandra. Estava emburrada. Talvez mais do que tinha direito de estar, mas não importava muito. Tudo que estava de alegre e solta pelo álcool há minutos atrás agora se transformou em uma irritação acima da média, desconfortável, que colocou um beiço permanente em seus lábios.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Sentiu a cama se mexer, a luz apagar e logo estavam as duas no escuro.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Boa noite, Manuela. Durma bem.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Não respondeu, mas também não dormiu. Se obrigou a ficar parada por um tempo, mas acabou se revirando na cama vezes demais. Ela conseguia sentir todos os lugares de sua pele que Alexandra tocou pinicando, coçando, ardendo, as lembranças do toque dela, dos dedos desbravando sua pele exposta, do seu agarrão — tão mais leve do que poderia ser — em seus cabelos, dos poucos centímetros que separaram a boca das duas horas atrás.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu ficou ali se odiando por um bom tempo, e depois passou a odiar Alexandra. Era totalmente compreensível o medo de a angústia que Manu sentia, qual era a desculpa da chefe? Era </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>ela</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> quem estava no poder da situação, se qualquer uma das duas iria se descontrolar, tinha que ser ela. Estavam tão, tão perto… </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>Não faça nada pra não se arrepender amanhã, Manuela</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">, a voz de Alexandra ecoava em sua mente, mas tudo que ela conseguia pensar é que já estava arrependida, mas por motivos totalmente diferentes o que a mulher ao seu lado imaginava.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Não soube bem quando foi que dormiu, um sono leve e esquisito, cheio de sonhos molhados, gemidos, toques e orgasmos atrás de orgasmos. Ao menos ainda podia sonhar. Quando acordou, horas depois, o céu naquele estado meio claro e meio escuro das primeiras horas da manhã visível apenas pelas frestas da cortina, Manu poderia ter tido o tempo de processar o que sonhou, processar o quando estava molhada e sensível e mexida com tudo que aconteceu, mas não teve.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Ao invés disso, paralisou na posição exata que estava, no meio de um movimento para se espreguiçar, quando notou duas coisas: primeiro, Alexandra estava abraçando Manu, com o braço passado ao redor de seu corpo, segurando-a perto, a cabeça afundada no seu pescoço; segundo, o quadril das duas estava muito, muito colado, e, a não ser que estivesse completamente maluca, Manu tinha certeza que conseguia sentir uma ereção contra sua bunda.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Muitas coisas começaram a fazer sentido naquele momento. Porque Alexandra havia ficado surpresa em saber que Manu não a conhecia antes do trabalho, mas não decepcionada, como muitos outros ricaços de quem já ouviu falar. Porque ela tinha tantas consultas e exames médicos marcados de forma regular, em um ciclo que sempre deixou Manu intrigada. Porque era tão ligada em assuntos da comunidade LGBT no dia a dia e porque apoiava tantas causas por baixo dos panos, ainda que não falasse tanto disso publicamente. Manu sempre imaginou que Alexandra era bissexual, mas não que era… trans. Não imaginou que a mídia perdoaria esse tipo de informação também, mas não era como se Manu fosse especialmente ligada em sites de fofoca ou coisas do tipo.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu parou por um segundo, se perguntando se isso mudava alguma coisa, mas o fato de que seu corpo continuava quente e desejando, o fato de que continuava se sentindo molhada e pulsando, o fato de que ainda não havia se movido para sair do abraço da chefe, ainda que pudesse, ainda que fosse fácil, talvez entregasse por si só que nada mudava. Ainda estava morrendo de tesão, ainda estava puta que Alexandra não havia feito nada. Não de forma consciente, ao menos, porque seu subconsciente parecia estar trabalhando de forma plena, fazendo-a abraçar Manu enquanto dormia.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>Maldita Alexandra</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu não aguentava mais e uma das duas precisava fazer alguma coisa. Se virou devagar, tentando não sair do abraço de Alexandra, e suspirou aliaviada quando reparou que ela não havia acordado. Ainda não, ao menos, o que dava alguns segundos para Manu tentar decidir se iria mesmo fazer isso. Não queria… Melhor, não </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>devia</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> acordar Alexandra tocando em seu corpo, não sem autorização, embora estivesse nesse exato momento fantasiando a possibilidade de descer os dedos, envolver o pau de Alexandra em sua mão e masturbá-la devagarinho até ela acordar, até seus gemidos serem audíveis. Mas não faria isso, </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>ainda não.</i></span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Ao invés disso, se inclinou para perto de Alexandra o quanto conseguia sem encostar em seu rosto de fato, e falou baixo:</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Alexandra. — Esperou alguns segundos antes de repetir. — Alexandra.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">A chefe piscou algumas vezes, murmurando alguma coisa incompreensível, e pareceu passar pela mesma linha de raciocínio de Manu ao notar que estava abraçada com ela, o corpo colado no dela. Arregalou os olhos, e Manu quase quis rir. Nunca, em todo esse tempo, viu Alexandra assustada. E ali estava ela, assustada.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Manuela, eu…</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Xiu — Manu devolveu a ordem de silêncio de horas atrás, se sentindo estranhamente satisfeita.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Respirou fundo, deixando os segundos assentarem a sua própria agonia e, com sorte, a de Alexandra também. Deixou o olhar fixo no dela, reparando nas ruguinhas ao redor dos olhos dela, no canto do seu sorriso — o que era surpreendente, porque não via a chefe sorrindo tantas vezes assim —, reparou no contorno de seus lábios, tão bonitos, e na cor marrom tão profunda e bonita de seus olhos. Com muito cuidado, pegou uma mecha do cabelo dela e tirou da frente de seu rosto, colocando-a para trás, ainda se esforçando para não encostar indevidamente na pele dela. Esse cuidado era contraditório com a proximidade de horas atrás, e quase contraditório com a proximidade que estavam agora. Não queria encostar nela de forma consciente sem consentimento. Sentiu quando a respiração de Alexandra se acalmou um pouco, sincronizando com a sua, e aproveitou essa deixa para reunir sua coragem.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Alexandra, posso te tocar? — A voz de Manu estava tão baixa, tão arrastada, tão… grave. Como se viesse do fundo de sua alma.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Ela acenou primeiro, concordando, mas acrescentou:</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Mas não precisa, Manuela. Eu…</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Não perguntei se precisa, perguntei se eu posso.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Alexandra suspirou e fechou os olhos por um segundo.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Pode. Claro que pode, Manuela. Você pode fazer comigo o que quiser.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>Porra</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">. O jeito que ela disse cada uma dessas palavras, a voz ainda carregada de sono e um tanto de sensualidade, sua expressão de entrega… Manu não esperou. Passou os dedos ao redor do pescoço de Alexandra e a trouxe para um beijo, finalmente. Quando decidiu fazer isso, pretendia ter calma, mas foi tudo pro caralho com Alexandra murmurando </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>pode fazer comigo o que quiser</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">. Manu queria </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>tudo</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">, então. Fazer de tudo, receber de tudo, e queria agora, queria que quando chegassem para o almoço, precisasse fechar as pernas de tanto tesão, só de lembrar.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Juntou os lábios nos de Alexandra em desespero, derretendo com a pressão deles, com a língua dela se esfregando na sua, a vontade, a urgência que, ela tinha certeza agora, não era só sua, era das duas. Passou a perna ao redor do corpo de Alexandra, trazendo ela ainda mais pra perto, e soltou um gemido entre os beijos quando sentiu a ereção dela pressionada perfeitamente entre as suas pernas.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Ai, porra — murmurou, quendo mais, mais, mais.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Rebolou o quadril ali, sem cortar o beijo, tão bizarramente feliz que poderia gargalhar. A fricção era tão boa, se esfregando contra o seu clitóris mesmo com toda aquela roupa entre as duas, que era impossível não gemer baixinho, soltando os lábios de Alexandra vez ou outra só pra suspirar de tesão.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Você sabia? — Alexandra perguntou em uma dessas pausas, os olhos curiosos.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Não. Mas… como dá pra ver— Manu decidiu que rebolar mais, apertando mais o corpo de Alexandra contra o seu, responderia mais do que suas palavras.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Já estava irritada com a roupa entre as duas e se afastou pronta para arrancar cada peça do seu corpo só pra estar mais perto de Alexandra, só pra poder se esfregar nela de fato, sentindo a cabeça de seu pau contra o seu clitóris, mas a chefe segurou seu braço no meio do caminho. Ah, não, de novo não.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Não vem com esse papo de se arrepender de novo, Alexandra, pelo amor de deus — Manu não escondeu a irritação em sua voz.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Alexandra riu, tombando a cabeça pra trás.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Não sou tão boba, Manuela. Ia te dizer que você está com pressa, e não precisa ter pressa.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Foi você que me provocou a noite inteira e veio com “ah você vai se arrepender&quot; depois.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Alexandra sentou também, dando mais beijinhos lentos em Manu, parecendo realmente interessada nessa coisa de </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>não vamos ter pressa</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Eu estava preocupada com você. — Mais beijos, devagar, esfregando os dedos no pescoço e na nuca de Manu. — Mas meu subconsciente foi muito mais forte, aparentemente.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Ainda bem.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu decidiu tomar a iniciativa de novo e beijou o pescoço de Alexandra, </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>sem pressa</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">, como ela havia dito, esperando e medindo suas reações. Não foi interrompida, então continuou avançando, subindo até sua orelha, mordendo ali muito satisfeita ao sentir Alexandra arrepiada sob suas mãos.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Nunca imaginei que você seria cautelosa no sexo — Manu murmurou, divagando enquanto lambia e beijava a pele dela.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Ah, eu não sou. Eu disse que não tenho pressa, é diferente. — Finalmente Alexandra </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>fez alguma coisa</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> e segurou os cabelos de Manu, puxando-os para atrás e tirando o rosto dela de seu pescoço. Ela gemeu satisfeita. — Eu quero te saborear, Manuela. Estou assumindo que isso aqui — olhou para Manu como se devorasse seu corpo inteiro — não é algo que você queira de hoje, nem que você queira </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>apenas </i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">hoje. Teremos muito tempo e eu quero aproveitar cada segundo do jeito certo.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— E qual o jeito certo? — Manu só perguntou pra provocar, porque gostou da sensação das mãos da chefe no seu corpo de modo possessivo e mandão.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Alguma coisa mudou no olhar de Alexandra. Manu não saberia dizer o que, mas algo mudou.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Ah, Manu… — Alexandra se inclinou na direção dela, respirando fundo com o nariz em seu pescoço, e arrastou os lábios até perto do seu ouvido. Manu estremeceu ao ouvir seu apelido na boca da chefe pela primeira vez, incapaz de imaginar o quanto duas sílabas poderiam ser tão carregadas de luxúria. — Quero te chupar, te lamber, sentir seu gosto, e te foder, e te foder, e te foder, deixar você me foder também. Aqui, na minha sala, na sua cama, na minha cama, dentro do carro, no estacionamento, no cinema, em todo lugar que você me deixar por as mãos no seu corpo, Manu.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu não respondeu, não seria capaz. Só puxou Alexandra pra mais um beijo, dane-se a calma, dane-se a falta de pressa. Se Alexandra queria tudo, que começassem com tudo agora mesmo.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Alexandra puxou a blusa de Manu por cima de sua cabeça e a empurrou deitada para a cama, parecendo também perder a compostura com as provocações e a pressa dela.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Eu me imaginei nessa exata posição tantas e tantas vezes — Alexandra sentou sobre o quadril de Manu, olhando-a de cima. — Sempre pareceu tão errado, mas isso nunca me impediu de pensar, de desejar, de sonhar.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Ela se inclinou sobre Manu, lambendo sua barriga, subindo devagar na direção dos seios. Manu prendeu a respiração, ansiando pelo contato, desesperada. Isso estava mesmo acontecendo. Estava seminua embaixo de sua chefe, que estava nitidamente de pau duro e usando apenas um </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>babydoll</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> que agora já parecia comprido demais. Alexandra estava mesmo prestes a…</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Alexandra passou a língua pelo mamilo esquerdo de Manu, depois fechou os lábios e sugou sem pressa. Se Manu conseguisse raciocinar, com certeza pensaria muitos palavrões. Não conseguia, entretanto, perdida em algum ponto entre o prazer e a incredulidade. Ao invés disso, se esforçou para decorar detalhes o que acontecia, ainda com um tanto de medo de que amanhã Alexandra só se arrependesse de tudo.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Então na cabeça de Manu, tudo estava documentado: toda vez que ela passava os dentes nos seus mamilos, leve o suficiente para não doer, forte o suficiente para mantê-los duros e sensíveis; as mechas do cabelo dela se arrastando em sua pele; como ela delicadamente desceu os dedos pela barriga de Manu, traçando o caminho até o seu quadril, e passeou os dedos por um tempo pela barra do shorts; o olhar quente dela quando se levantou, os lábios molhados, e começou a lamber o outro seio enquanto começava a descer os shorts.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu ajudou, erguendo o quadril e puxando os shorts para baixo com as mãos.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Você quer meu gosto, então me prova — Manu murmurou, puxando o rosto de Alexandra pro seu e beijando ela de novo.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Tomou o lábio dela com os dentes, mordendo, sugando, e não escondeu gemidos quando Alexandra finalmente — finalmente, finalmente, finalmente, finalmente, </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>finalmente</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> — desceu os dedos entre as suas pernas e a sentiu. Manu estava ridiculamente molhada, os dedos dela escorregando fácil de seu clitóris até sua entrada. Estava sensível, melada e ansiosa por mais.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Alexandra se afastou um segundo e levou os dedos até os lábios, esfregando a ponta neles antes de lamber. Soltou um gemido baixinho que fez o estômago de Manu quase explodir de ansiedade e antecipação. Alexandra desceu os dedos de novo, esfregando o clitóris dela, e voltou a beijar seu pescoço.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Hm… Ma-nu-e-la… — Alexandra murmurou as sílabas do nome dela com um delírio evidente. — Você sempre me pareceu tão profissional…</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Quase pareceu uma ofensa.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Eu sou profissional. — Se defendeu, mas no exato segundo, Alexandra enfiou dois dedos nela, então todas as palavras saíram gemidas. Maldita.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Eu sei que é… — Ela estava usando todo o corpo para meter em Manu, que rebolava contra a sua mão. — Por isso mesmo nunca achei que…</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Nunca achou que eu iria abrir as pernas pra você? — Ah, ali estava de novo, a irritação de Manu por ser tocada de forma tão lenta.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Nunca achei que você ia me deixar encostar em você da forma que fosse. Eu nem sabia que você gostava de mulher.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Agora foi ofensa de verdade.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Alexandra, é bom você me foder direito pra eu esquecer que você acabou de dizer que eu tenho cara de hétero.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Eu vou. — Ela enfiou mais um dedo, o polegar esfregando o clitóris dela ao mesmo tempo, seus seios pendendo sobre os de Manu, o tecido do </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>babydoll</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> esfregando tudo, começando a grudar de suor.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Manu puxou o </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>babydoll</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> pra cima sem esforço e Alexandra se apoiou de um lado para remover a alça de um dos braços, depois do outro, e Manu teve certeza que se isso fosse um sonho, se tivesse batido a cabeça no banheiro do hotel e estivesse em coma, não queria acordar. Não queria nunca sair desse momento, o olhar de Alexandra perdido no seu, os dedos de Manu percorrendo o corpo dela, subindo até os seus mamilos, apertando e medindo como ela fechava os olhos, como mordia o lábio, como não parava de meter mesmo sendo provocada.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Era tão bom e tão quente e tão sexy que Manu nem queria gozar, ainda não, entendendo agora tudo que Alexandra disse sobre fazerem tudo, de todas as formas, em todos os lugares. Ela queria isso. Queria ser tomada em todos os lugares, até os mais públicos, só pra descobrir a sensação de estar nos braços de Alexandra em cada um deles.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Bendito </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>overbooking</i></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Eu vou… vou gozar — gemeu, se sentindo um pouco patética de durar tão pouco.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Era isso que você ganhava ao ser provocada antes de dormir, ter sonhos eróticos a noite inteira e acordar com sua chefe pronta pra te comer. Um orgasmo rápido demais, quase vergonhoso.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Tão rapidinho, Ma-nu-e-la.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Foi o seu nome dito assim, de novo, pausado, como uma prece e uma provocação ao mesmo tempo, que a levou ao orgasmo. Estava tremendo, agarrada ao corpo de Alexandra, gemendo e murmurando e ainda rebolando o quadril contra os dedos dela. Foi tão bom e ela queria mais, queria de novo, queria agora, o tempo todo.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">O despertador tocou, entretanto, anunciando que faltavam trinta e cinco minutos para a primeira reunião do dia.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Nãaaaaao — protestou, irritada. — Não pode ser.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Hm… Acho que nossa diversão matinal acabou — Alexandra tinha um sorriso no rosto. Um sorriso!</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Eu nem te fiz gozar, como você está tão feliz?</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">— Acho que vou ter que aguentar firme o dia todo, olhando pra você e seu terninho que me enlouquece… E antes da festa de ano novo você pode fazer o que quiser comigo, Manuela.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Merda.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Precisaria aprender a não corar e ficar excitada toda vez que Alexandra falava o seu nome, ou logo teriam um sério problema.</span></p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Como sempre, se quiserem falar sobre, minha DM está aberta e o <span style="text-decoration:underline;"><a class="link" href="https://kodinhag.straw.page/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=50-so-tem-uma-cama-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">straw</a></span> também! Você também pode responder esse e-mail e falar diretamente comigo ;)</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso! Um xêro e um queijo,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Kodinha</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>Se quiser receber as rapidinhas antes de todo mundo, newsletter de fofocas mensal e textos e trechos exclusivos, considere </i></span><span style="color:inherit;"><span style="text-decoration:underline;"><i><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g&_bhlid=171b40959ce3873b349b49b3fefef8492dd3acf1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(82, 50, 87)">apoiar o meu catarse</a></i></span></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>. Além das recompensas, você me ajuda a continuar contando histórias!</i></span></p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="conhea-os-meus-livros">Conheça os meus livros:</h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Só uma rapidinha</b> <b>2</b>: <a class="link" href="https://payhip.com/b/4zIPi?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=50-so-tem-uma-cama-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre diretamente comigo, com desconto</a> ou <a class="link" href="https://amzn.to/3zS3SO5?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=50-so-tem-uma-cama-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre na Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Seja feita a vossa vontade: </b><a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/seja-feita-a-vossa-vontade/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=50-so-tem-uma-cama-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre comigo com desconto ou na amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Só uma rapidinha</b> (o livro): <a class="link" href="https://payhip.com/b/3wtRx?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=50-so-tem-uma-cama-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre diretamente comigo, com desconto</a> ou <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3kCvSy0&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=50-so-tem-uma-cama-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre na Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Manda foto de agora</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3FNT2tI&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=50-so-tem-uma-cama-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a> </p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Jogador número 3</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3NC3Gp0&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=50-so-tem-uma-cama-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Mais de nós</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3FKcvv1&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=50-so-tem-uma-cama-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Meus livros como Koda Gabriel <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/publicacoes/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=50-so-tem-uma-cama-so-uma-rapidinha#koda-gabriel" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui</a>.</p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=f0d15ee3-5342-4de0-8ba3-69207160eba4&utm_medium=post_rss&utm_source=so_uma_rapidinha">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>#49 - Feliz navidad  - Só uma rapidinha</title>
  <description>I can feel the evil coming but Felix, never bad</description>
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  <pubDate>Mon, 30 Dec 2024 21:00:00 +0000</pubDate>
  <atom:published>2024-12-30T21:00:00Z</atom:published>
    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
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    <div class='beehiiv'><style>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;">Bom dia Safades, tudo bom?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Essa é a última rapidinha do ano de 2025, um especial de natal levemente atrasado. Enviei ela primeiro no catarse (<a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=49-feliz-navidad-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"><i>inclusive, considere me apoiar por lá! tem recompensas exclusivas e conteúdo adiantado!</i></a>), e agora ela está chegando aqui na newsletter para coroar esse fim de ano, uma última vez de calcinhas e cuecas molhadas para você, safadinhe.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Essa história faz parte de uma ideia que tive e que também conversei sobre no catarse nos últimos meses. Eu falei um pouco sobre a ideia no trecho extra exclusivo enviado <a class="link" href="https://www.catarse.me/projects/180624/posts/161134?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=49-feliz-navidad-so-uma-rapidinha#posts" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui</a>, mas explicarei melhor aqui também. Li um livro mês passado sobre uma mulher que estava precisando de dinheiro e começa a se prostituir em um site pra ganhar mais grana. O site é organizado por fetiches, dos leves aos pesados, e as propostas das pessoas são baseadas nesses fetiches. O livro é dividido em capítulos com clientes e fetiches diferentes, e apesar de achar a proposta muito boa, fiquei muito tempo pensando em como seria uma versão parecida do conceito, mas com um casal, e não com desconhecidos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Assim nasceram Alana e Felix, um casal de dois não binários muito gostosos que preencheram uma lista bdsm e decidiram ir testando coisas novas uma a uma. Esse é o primeiro texto de outros que virão sem ordem ou data específica. Espero que gostem! Meu presentinho de natal pra vocês, por serem tão bonzinhes comigo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Esse foi um longo ano do lado de cá. Escrevi muita coisa (muita mesmo!), finalizei a primeira versão do romance de quadrisal (eu falei bastante dele no catarse e mandei trechos, então se quiser conhecer os personagens de uma vez, lá é o lugar!), lancei a kinktona, bati minha meta de 1000 inscritos na metade do ano, e, para minha surpresa, dei <i>check</i> em tudo que coloquei como objetivo desse ano no meu diário. Estou muito grato e muito feliz.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Apesar de muitas turbulências, sinto que estou saindo inteiro desse ano, e cheio de vontade de agradecer. Obrigado a cada um de vocês que está inscrite nessa newsletter e que apoia meu trabalho. Você que lê quietinhe, você que comenta nas redes, você que me manda mensagem no privado ou surta em público também. Você que pode me apoiar financeiramente, mas também quem não pode. Fazer arte é o que me mantém vivo, e é muito melhor quando eu posso compartilhar com as melhores pessoas e as mais safadas de toda a internet. Meus safadinhes 😛 Obrigado por me acompanhar na insanidade desse ano, de mais freiras se pegando até marmita de vampiros e, bom… a delicia de uma domme mamãe noel e um brat gostoso que será o texto de hoje.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Um beijo em cada um, amo vocês ❤️ E vamo pra putaria!</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><sub>Você pode ler uma versão completa dessa retrospectiva, com outras informações e fofocas </sub><sub><a class="link" href="https://www.catarse.me/projects/180624/posts/162418?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=49-feliz-navidad-so-uma-rapidinha#posts" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui no catarse.</a></sub></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">ps: Pretendo fazer o aviso de conteúdo desses textos no formato de mensagens de texto dos dois bem no começo, combinando um pouco o que terá em cada cena.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>Se quiser contribuir com o meu trabalho, considere </i></span><span style="color:inherit;"><span style="text-decoration:underline;"><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g&_bhlid=171b40959ce3873b349b49b3fefef8492dd3acf1" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow" style="color: rgb(82, 50, 87)"><i>apoiar o meu catarse</i></a></span></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);font-family:Helvetica, Arial, sans-serif;font-size:16px;"><i>. Você recebe recompensas exclusivas e conteúdo adiantado, além de me ajuda a continuar contando histórias!</i></span></p><hr class="content_break"><h1 class="heading" style="text-align:justify;" id="feliz-navidad">Feliz Navidad</h1><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>[12:20, 17/12/2024] </i><b><i>Alana</i></b><i>: Vamos começar em terreno seguro, que tal? Comprei uma fantasia e só preciso que você faça o que faz de melhor: seja bonito e obediente, mas não muito, tá bom? Vou separar uma chibata fina, pode ou não ser necessária. Você que irá definir. Te amo, beijinhos. </i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix não estava ansioso. Tinha essa sensação queimando no fundo do seu estômago, claro, mas não era ansiedade, claro que não. Felix estava… excitado. Não marcaram um horário, mas ele conhecia Alana o suficiente para saber que ela escolheu esse dia de propósito, só porque ele estava fora de casa e só chegaria de noite. A obrigação, nada além disso, foi o que manteve Felix com a bunda colada na cadeira do escritório durante toda a tarde, tentando trabalhar e falhando miseravelmente. Ele gostava da sensação da espera, entretanto. Dessa descarga elétrica que indicava que algo aconteceria em breve, da agonia e desespero. Ok, talvez Felix estivesse um pouco ansioso, mas era <i>bom</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele já havia checado o relógio uma, duas, cinco, dez vezes na última hora. Os minutos pareciam se arrastar. Felix não poderia fazer nada além de esperar algum sinal de Alana, algum indicativo do que deveria fazer depois do trabalho. Até lá, ele balançava as pernas na cadeira e respondia mensagens de trabalho devagar, porque seu cérebro não conseguia focar em nada por tempo o suficiente. Por sorte as reuniões mais importantes aconteceram de manhã, dado que a essa altura seu cérebro já estava derretendo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O celular vibrou no seu bolso e Felix estava com ele nas mãos muito mais rápido do que seu orgulho seria capaz de admitir. Seu coração martelava em seu peito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>[16:54, 17/12/2024] </i><i><b>Alana</b></i><i>:</i> Hoje é dia de treino de costas, né?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Por que caralhos importava que dia era hoje? Felix nem estava lembrando de academia. Antes de qualquer resposta engraçadinha ter tempo de ser formulada, mais uma mensagem chegou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>[16:55, 17/12/2024] </i><i><b>Alana: </b></i>Se estava pensando em faltar, despense. Vá, faça seu treino, gaste um pouco dessa ansiedade que eu sei que está aí.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>[16:56, 17/12/2024] </i><b><i>Felix:</i></b> Eu queria ir direto para casa…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>[16:56, 17/12/2024] </i><i><b>Felix:</b></i> A gente não ia…?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>[16:57, 17/12/2024] </i><b><i>Alana:</i></b> Não me questione, Felix. Academia, tome um banho e peça um uber pra voltar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix estava arrepiado. Imaginou Alana ali, segurando seu cabelo, ordenando com sussurros em seu ouvido, pressionando o pau duro nas suas costas. <i>Inferno</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>[16:59, 17/12/2024] </i><i><b>Felix:</b></i> Sim, minha Senhora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Usou o tratamento que haviam combinado depois de preencher a lista. Não porque a cena já tinha começado, mas porque já tinha percebido como Alana ficava quando ele a chamava assim. Mesmo à distância, conseguia imaginá-la arrepiada, as engrenagens de sua mente trabalhando para desenhar os contornos do que faria com Felix. Ele gostava disso, gostava de entregar o controle pra ela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não sabia se gostava tanto assim da ordem de ir para academia, entretanto. Não é que faria mal, mas estava mesmo ansioso para chegar em casa e descobrir o que fariam. O que talvez desse razão para Alana: precisava gastar essa energia, dissipar essa angústia e o nervosismo no estômago. Treinar ajudaria. Treinar sempre ajudava.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Já que não conseguiria escapar do treino, pensou em algo diferente para ajudar. Conferiu no banco de horas e, de fato, tinha uma hora que poderia gastar saindo mais cedo. Na maior parte do tempo nem se importava com isso, deixava esse tempo guardado até virar salário extra no fechamento trimestral, mas agora essa hora seria muito útil.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>[17:08, 17/12/2024] </i><i><b>Felix:</b></i> Eu tenho uma hora extra. Posso sair mais cedo, minha Senhora?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sentiu os músculos tensos. Era uma tentativa, e não era tolo de achar que Alana não perceberia o que estava fazendo. Sabia, entretanto, que ela também não era particularmente maldosa. Os segundos até a resposta chegar pareceram eternos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>[17:10, 17/12/2024] </i><i><b>Alana:</b></i><i> </i>Espertinho, você.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>[17:10, 17/12/2024] </i><i><b>Alana:</b></i><i> </i>Mas pode. Não quero te torturar. Hoje não. Ainda não.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix conteve uma risada, incrédulo. Se ela considerava escolher o dia em que ele estaria longe dela para preparar uma surpresa como “não tortura&quot;... Ah, essa lista <i>bdsm</i> foi a melhor das ideias que Alana já teve. Esse seria mesmo só o começo da brincadeira.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>[17:11, 17/12/2024] </i><i><b>Felix:</b></i> Vou sair, então. Obrigado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>[17:12, 17/12/2024] </i><i><b>Alana:</b></i> Obrigado o quê?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>[17:12, 17/12/2024] </i><i><b>Felix:</b></i> Obrigado, minha Senhora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>[17:13, 17/12/2024] </i><i><b>Alana:</b></i> :) Estou te esperando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix juntou suas coisas, bateu ponto e guardou o celular. Se despediu dos colegas de trabalho que provavelmente só veria dali um mês, no próximo encontro presencial, e colocou os fones enquanto caminhava até a academia. Era no meio do caminho entre o trabalho e sua casa, para criar o hábito de caminhar. Estava funcionando bem, só não era o que ele pretendia fazer nesse dia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ainda assim, fez. Desceu cinco quarteirões e foi direto para o banheiro da academia se trocar. Deixou a mochila no armário e foi treinar. Com as músicas no volume máximo e a sequência dos exercícios anotada no celular, se esforçou para de fato gastar a energia como Alana mandou. Executou as séries com mais força e ódio do que o normal e ainda fez trinta minutos de esteira, mesmo que isso, tecnicamente, fosse contra a sua pressa. Queria voltar para casa pronto para ser colocado no seu devido lugar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando entrou no banheiro de novo para tomar seu banho, Felix estava cansado pra caralho. Não no nível <i>vou chegar em casa e morrer</i>, mas certamente no nível <i>não consigo sentir nada além de fadiga</i>. Era bom. Estava um pouco mais pronto para ser o submisso perfeito que Alana tanto gostaria de ter. Gastou mais tempo do que a média no banho também porque queria estar cheiroso para ela. <i>Sua Senhora</i>. Lavou o corpo inteiro com um óleo de banho cheiroso, os cabelos com seu melhor shampoo e condicionador, e só se vestiu quando estava satisfeito. Cheiroso, bonito e pronto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Vestiu a roupa que havia separado no começo da semana para academia, uma bermuda e camisa simples. Se tivesse pensado nisso antes de sair de casa, teria escolhido roupas melhores, mas sabia, no fundo, que o melhor seria mesmo <i>roupa nenhuma.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Pediu o uber e ponderou se deveria avisar Alana. Conclui que sim, mas apenas compartilhou a localização da corrida com ela e não disse nada. Não foi respondido, também. Gastaria quinze minutos até sua casa, apenas. Normalmente essa distância passava num piscar de olhos, mas dessa vez, é claro, sua percepção de tempo mudou tudo. O trânsito parecia em câmera lenta, ainda que não estivesse pior do que o normal. Felix estava determinado a não voltar para o estágio inicial da ansiedade, mas era difícil. Foi todo o trajeto se esforçando para não balançar a perna, esfregando a palma da mão no tecido da bermuda.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Estava tudo <i>perfeitamente sob controle</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Exceto, é claro, que não estava.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix abriu o portão do prédio com os dedos trêmulos. Subiu de elevador com a respiração acelerada. Abriu a porta de casa com as pernas fracas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Escuro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Silêncio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Deixou a mochila no sofá da sala, fez carinho nos gatos, e andou devagar pelo corredor que levava até o quarto. Na penumbra e no silêncio, conseguia ouvir sua própria respiração e os batimentos descoordenados dentro do peito. Quando parou na entrada do quarto, reconheceu Alana sentada no canto da cama. Foi ela quem acendeu a luz.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Meu gatinho. — Alana tinha um sorriso quase afetuoso no rosto, mas foi a última coisa que Felix reparou antes de paralisar por completo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando conseguiu processar o que Alana vestia, Felix pensou em dar risada. Foi seu primeiro instinto, mas ela morreu na garganta quando ela se levantou, rebolando enquanto andava na direção dele. O sorriso afetuoso havia desaparecido e um safado e quente estava no lugar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana estava usando um sutiã vermelho brilhante de látex, uma calcinha pequena também vermelha, que não escondia como seu pau já parecia duro e melado, um corpete vermelho que contornava sua cintura perfeitamente e se ligava com cintas até meias arrastão vermelhas sete oitavos. A fantasia ficava completa, entretanto, com luvas de látex vermelhas com pelúcia branca na parte de cima, e uma espécie de mini capa vermelha, com uma touca e também detalhes da mesma pelúcia branca.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela era mamãe noel.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana estava vestida de mamãe noel sexy.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E, <i>porra</i>, como ela estava sexy.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix não moveu um músculo e talvez tenha até parado de respirar. Alana se aproximou até colar o corpo com o dele e Felix sentiu a respiração dela, quente, se espalhando em sua pele. Ela segurou seu pescoço sem muita força, apenas o suficiente para levantar seu rosto. Subiu a língua pelo pescoço dele, até sua orelha, e lambeu ali também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Está pronto pra me contar se você foi um bom gatinho esse ano? — A voz dela estava tão, tão sexy.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix gemeu baixinho. A mão dela ao redor de seu pescoço fazia arder sua pele, como se ela estivesse pegando fogo. A voz em seu ouvido, os lábios tão colados em sua pele, faziam seu estômago se revirar da melhor forma possível. O coração estava acelerado e mal começaram. Teria que admitir, quando finalmente conseguisse, que os nomes que escolheram para a cena eram bons demais. No começo, achou que seriam uma bobagem, que não ficaria tão excitado, ao menos não com o seu, mas Alana dizia <i>meu gatinho</i> de um jeito tão ensandecido que fazia a posse parecer uma coisa boa. Naquele momento, era. Talvez justamente porque não fosse uma posse que amarra, mas uma posse de entrega, de comum acordo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mas estava divagando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Se continuar pensando demais assim, talvez eu precise te punir. É pra ficar aqui, comigo. — Alana andou ao redor dele, apertando sua cintura por trás. — Você fez o que eu mandei?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim — Felix murmurou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Malhou? — Alana beijou a nuca dele devagar. Felix concordou com um aceno lento, estremecido.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Fiz esteira também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Hm… — Ela beijou de novo, soprando ar quente na nuca dele. — Quanta proatividade, meu gatinho. Tomou seu banho? — Ele acenou de novo. — Direitinho?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tá duvidando de mim?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana agarrou a parte de trás do cabelo dele com certa força e tombou sua cabeça para trás.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Olha a boca. Me responda direito. — A voz dela estava séria e Felix não devia estar tão excitado. Ela parecia brava, mas só conseguiu deixá-lo ainda mais molhado. Ela suavizou o puxão. — Vamos de novo. Tomou banho?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim, minha Senhora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Direitinho? — O tom de voz era provocador.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim, minha Senhora. — Feliz respondeu com a voz estremecida. — Usei meu óleo de banho, creme depois também. Tudo pra você.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix sentiu Alana sorrindo com os lábios em sua pele quando disse a última frase. A felicidade e o tesão se misturavam dentro de seu estômago.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tira sua camisa — Alana ordenou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele se atrapalhou um pouco com a barra da camisa, que estava uma parte para dentro dos shorts, mas conseguiu passar a camisa pela cabeça depois de alguns segundos. Jogou-a ao lado da cama e, por instinto, começou a se virar na direção de Alana. Foi segurado pelo pescoço e paralisou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu não disse pra se virar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sentia o coração acelerado, pulsando no exato ponto onde a mão dela encostava em sua pele. Tanta tensão que parecia elétrico, se sentia prestes a explodir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana passou os dedos pela base de sua coluna, subindo devagar. Felix tentou não tremer tanto, mas era meio impossível. Estava arrepiado e sensível e ela sabia exatamente onde encostar, quanto encostar, que botões apertar, tudo. Ela o conhecia inteiro. Ela se afastou por alguns segundos e Felix conseguia escutar o coração batendo dentro de seus ouvidos, sua respiração alta, o silêncio do quarto quase opressivo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana não demorou a voltar, mas Felix só entendeu o que havia acontecido quando ela subiu a chibata entre as suas pernas, esfregando sua panturrilha esquerda, depois sua coxa. Seu short era curto, mas largo, e a chibata entrou sem problemas, subindo o tecido enquanto subia pela sua coxa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tire os shorts agora. — Alana se afastou de novo. — Algo que diz que você está sem cueca, meu gatinho. Eu não sei se fico maravilhada ou irritada com você. — Felix segurou uma risada. Ela estava certa, ele estava sem cueca. Fez de propósito. — Sempre andando por aí com pouca roupa, um safado oferecido.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix desceu os shorts enquanto ela falava, se divertindo mais do que devia com as provocações dela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E se alguém na academia te visse assim, nos aparelhos sem cueca, hm? — Ela o trouxe pra perto no exato instante que ele ergueu o corpo e soltou os shorts. Felix quis discutir e dizer que não malhou sem cueca, mas ela estava tecnicamente certa. Ele não malhou sem cueca <i>hoje</i>. Já aconteceu antes. Alana colocou a mão entre as pernas dele, sentindo como estava molhado, sentindo seu clitóris inchado. — É isso que você queria exibir pra eles?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A ideia era divertida, embora talvez só na teoria. Felix não tinha interesse em nenhuma daquelas pessoas, mas gostava de provocar Alana.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sou o mais gostoso e o mais melado daquela academia, o que é bonito é pra ser mostrado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana afastou a mão das pernas dele e puxou Felix pelos cabelos de novo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Hoje você é <i>meu. — </i>Sua voz saiu ríspida, mas mais uma vez, era mais excitante do que capaz de repreender Felix de verdade. Ele estava com tesão demais para sentir qualquer culpa. — Vai se mostrar quando eu<i> </i>mandar, e apenas quando eu mandar. Então me diga se alguém te viu assim hoje, melado e duro e <i>oferecido</i>. Porque se alguém te viu assim… não sei se posso dizer que você foi um bom gatinho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix quase <i>quis</i> mentir. A ideia estava ali, pairando, uma mentirazinha só pra esquentar mais a cena. Sentiu as palavras na garganta, mas mordeu a língua, se repreendendo. Não mentira para ela. Não mentiria para sua Senhora. Escolheu dizer uma verdade conveniente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não sei se me viram, minha Senhora. Eu estava de cueca, mas estava melado e duro e excitado o dia todo. Não sei dizer se a cueca e o shorts tampavam o suficiente. Você… Minha Senhora, você sabe como eu fico. É difícil…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ah, é muito difícil disfarçar, eu sei. Seus mamilos — ela escorreu os dedos até os mamilos dele, apertando e puxando — ficam duros e sensíveis, dá pra ver em todas as suas roupas. E consigo ver seu clitóris saltado, consigo ver como você fica. É tão óbvio. — Alana passou os dentes na pele do pescoço dele, parecendo irritada. — Qualquer um que te olhe consegue ver quando você está excitado assim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix estava… rendido. Estava se deliciando das reações dela, de cada palavra que ela dizia, de como ela parecia estar gostando desse controle todo. Eles já fizeram muitas coisas, mas essa cena, por alguma razão, tinha um sabor de coisa nova, ainda que familiar. Felix gostava disso. Poderia se acostumar com isso. <i>E é só o primeiro item da lista…</i>, pensou. Tanta, tanta coisa pra descobrir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você está divagando de novo — Alana de fato mordeu dessa vez, no ombro de Felix. Doeu pra caralho. — Na beira da cama, agora. Empina a bunda.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Obedeceu sem pensar, o corpo se movendo por instinto, tesão e obediência. Apoiou o peito nos lençóis e empinou um pouco a bunda, tanto quanto conseguiu. Alana puxou um dos travesseiros e soltou ao seu lado, e ele sabia o que fazer. O apoiou embaixo do quadril, agora sim empinando a bunda de verdade. Mesmo com as pernas meio fechadas, já se sentia bem exposto. Queria tanto descobrir como ela iria usá-lo. Como iria puni-lo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">  Felix sentiu a chibata fria em sua nuca e descendo pelas suas costas devagar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você pode ser bom, tão bom, meu gatinho. E ainda assim… — Ela subiu a chibata de novo, trilhando todo o caminho de volta pra sua nuca. Felix estava muito arrepiado. — Você sempre acaba escolhendo ser um gatinho safado e exibido e cheio de tesão…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não consigo evitar, minha Senhora — Felix murmurou, virando a cabeça para o lado e esfregando a bochecha contra o lençol. — Eu sou assim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Claro que é. — Alana bateu a chibata entre as coxas dele, indicando que devia abrir mais as pernas. — Até agora você está sendo <i>insuportável</i>. Falando sem permissão — ela desceu batidas leves por dentro da coxa direita —, pensando demais — subiu de novo, batendo na esquerda agora —, se fazendo de inocente quando você não passa de um gatinho <i>safado e puto</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana bateu com força pela primeira vez, de baixo pra cima, e acertou o clitóris de Felix. O gemido dele saiu agudo e desafinado, incrédulo, até. Não estava esperando apanhar agora, não desse jeito, mas <i>porra</i>, a dor era gostosa demais. <i>Caralho</i>, absolutamente tudo que Alana fizesse seria gostoso demais. <i>Inferno</i>. Esfregou a cara no lençol, tentando afastar os pensamentos, tentando focar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Divagando de novo, meu gatinho. — Mais uma chibatada em seu clitóris, surpreendentemente próxima do lugar da anterior. Sentia o clitóris ardendo e latejando. — Quando vai entender que eu quero você <i>aqui</i> e <i>comigo</i>?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não é de prop… — Mais uma chibatada. — Puta merda. — Mais uma. — Caralho. — Mais uma.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix estava gemendo sem parar agora, tesão e raiva misturados. Queria xingar todos os palavrões existentes.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Enquanto você continuar divagando demais e falando demais eu vou continuar batendo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Como poderia se controlar? Era impossível.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu não fiz de propó… — Mais uma chibatada e Felix estava tão, tão perto de quebrar. — Ah, <i>minha Senhora</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Seu clitóris latejava sem parar agora, a ardência e a dor se espalhando dele para os lábios e pulsando até sua entrada, que sentia escorrendo. Felix tinha lágrimas descendo pelas bochechas também, molhando o lençol e gelando sua pele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Preciso ensinar modos para o meu gatinho. — Alana passeou com a chibata na bunda de Felix,  acariciando sua pele. — Precisa se comportar se quiser recompensas, precisa ser um <i>bom, bom gatinho</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu aceito a punição, minha Senhora. Eu aceito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix mantinha as mãos fechadas ao lado do rosto, agarrando o lençol, os dedos doloridos da força que fazia. Tanto tesão, tanto desejo, explodindo. E seu clitóris parecia pulsar como se soletrasse o nome dela <i>a-la-na a-la-na</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Os dedos dela entraram em Felix de uma vez. Dois, talvez três, escorregaram com facilidade porque ele estava obscenamente molhado. Ela foi até o final e começou a meter de forma ritmada, com força e fundo. Felix se movia na cama, tremendo, gemendo, morrendo e morrendo e morrendo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Meu gatinho, a sua buceta é seu maior pecado. Tão molhada, tão pronta. Você gosta demais de apanhar, talvez punição pra você seria eu te largar aqui e não te deixar gozar, não encostar em você.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não, não, não, não, por favor, não.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana riu. Uma risada alta, que apertou o estômago de Felix como uma ameaça, mas não parou de meter nele. <i>Ainda bem</i>, era tudo que ele conseguia pensar. Ainda bem que ela o conhecia, que sabia exatamente como meter, que não precisava de instrução nenhuma para saber onde encostar, como encostar, como fazer forte e fundo e rápido do jeito que Felix gostava. Ainda bem que podia ficar ali, se esforçando para ficar parado com a bunda empinada, enquanto ela fazia um estrago na sua sanidade e apagava qualquer vontade que ele tinha de pensar em outras coisas, qualquer tentativa inútil da sua mente de divagar para assuntos aleatórios.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Era só Alana, Alana, Alana, seus dedos entrando e saindo e seus toques estratégicos no clitóris de Felix, que ainda queimava das batidas. Felix já não tinha vergonha de gemer, de murmurar, de rebolar contra os dedos dela querendo mais, mais e mais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Abriu as mãos contra a cama, murmurando <i>por favor, por favor, Alana, por favor</i>, tremendo inteiro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você não tem autorização pra gozar — Alana disse, mas não parou nem mudou seus movimentos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mas…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Nem pra falar, gatinho malcriado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Porra.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix sentia a indignação queimando dentro de si quase tão forte quanto seu tesão. Ela precisaria diminuir o ritmo em algum momento se queria que ele não gozasse. Impossível segurar tanto assim. Simplesmente impossível. Tentou se concentrar em outra coisa. Na textura do lençol, nos seus pés no chão gelado, tentou puxar qualquer um dos pensamentos aleatórios que sempre insistiam em invadir sua mente nos momentos mais incômodos, mas nada veio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sua mente era apenas dela, só dela, dos dedos dentro de sua buceta, da mão espalmada no meio das costas, da respiração dela perto do seu ouvido, do peso dos seios dela perto da sua nuca, da sua voz e de suas ordens. <i>Alana, Alana, Alana.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você não tem autorização pra gozar — ela repetiu, provavelmente observando como Felix estava gostando demais da situação. — Vai me avisar e eu vou parar. É uma ordem.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu vou… vou tentar… — Felix murmurou. No ritmo que ela estava, não tinha certeza se teria tempo. Estava com medo de começar a falar e já ter gozado quando terminar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana o segurou pelos cabelos, erguendo sua cabeça do colchão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você vai conseguir. Não se mostre <i>ainda mais</i> malcriado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela soltou Felix de novo e levou a mão até seu clitóris, esfregando enquanto continuava metendo. Apesar de irritado, Felix queria obedecer. Queria obedecer de verdade e ser um bom gatinho, queria chegar tão perto de gozar quanto fosse possível. Então aguentou. Revirando os olhos, gemendo, mordendo o lábio inferior e tão desesperado que talvez fosse capaz de socar a própria cabeça na parede se isso fosse aliviar um pouco do seu tesão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix se segurou e esperou e esperou até sentir os dedos formigarem, a cabeça aérea, até a sensação ser a de que iria explodir se não gozasse, que iria derreter, que já havia enlouquecido e isso era só a consequência. Esperou até conseguir ouvir perfeitamente cada metida de Alana porque o som era molhado e escorregadio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu vou… Minha Senhora, eu acho que eu vou…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O orgasmo estava ali, tão perto, tão perto, e Felix bateu a palma da mão algumas vezes no colchão, suando frio, arfando, desesperado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana não parou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Por que ela não parou?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não aguento mais, eu vou gozar, eu vou gozar, para ou eu vou gozar… — Felix insistiu e só então ela parou, tirando os dedos de uma vez.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Vazio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Silêncio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix abaixou a cabeça, esfregando o rosto no lençol buscando alguma sanidade, algum ponto de âncora, buscando algum resquício de controle sobre o próprio corpo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sente, meu gatinho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele se moveu devagar, primeiro subindo as pernas para a cama, depois virando o corpo de lado e só então, com ajuda de Alana, ergueu o tronco e sentou na beira da cama com as pernas balançando para fora. Observou as coxas levemente avermelhadas na parte de dentro e sorriu sozinho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Encontrou o olhar de Alana pela primeira vez desde que começaram a cena. Como era possível ela parecer ainda mais bonita e ainda mais gostosa do que meia hora atrás? Talvez fosse seu ar de <i>domme</i>, talvez a fina camada de suor brilhando em sua pele, talvez o fato de que agora seus peitos pareciam querer escapar do sutiã, ou seu pau que parecia que iria estourar a calcinha a qualquer momento.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ou talvez fosse a capacidade dela de tornar o ato de se hidratar durante o sexo uma coisa sexy, porque ela segurou a garrafa de água gelada com uma das mãos e com a outra puxou Felix pelos cabelos e tombou sua cabeça um pouco para trás.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Abra a boca — ordenou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E derramou água aos poucos na sua língua, dando o tempo ideal para ele engolir grandes goles e se refrescar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Como ela fazia isso? Felix precisaria treinar muito para não decepcioná-la quando chegassem no ponto da lista que o permitiria testar uma inversão nesses papéis. Teria que aprender muita coisa para ser o <i>domme</i> perfeito para sua <i>domme</i> favorita.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Acho que meu gatinho está pronto para receber o seu presente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix arregalou os olhos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Um presente? Pra mim? — Usou todas as suas forças para não se agarrar ao braço de Alana quando ela se afastou. Queria lamber sua pele e ronronar abraçado com ela, mas isso poderia esperar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— De joelhos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela deixou a garrafa de volta no móvel da tv e deu um passo para trás, dando o espaço que Felix precisaria para se ajoelhar na frente dela. Ele não hesitou e desceu um joelho, depois o outro, e sentou sobre os calcanhares, encontrando a posição que normalmente era mais confortável para chupar Alana sem precisar pensar. Seria esse o seu presente? Seu corpo tremeu em antecipação, a boca salivando, o desejo fazendo seu clitóris voltar a pulsar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana segurou o queixo de Felix e o ergueu, seu olhar fixo no dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Abra o seu presente, meu gatinho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Por um segundo, Felix ficou muito confuso. Abrir o quê? E então ela mexeu o quadril um pouco para o lado e ele viu. A calcinha tinha laços dos dois lados, bem amarrados e firmes, e realmente tinha um bordado em dourado que lembrava um embrulho de presente. <i>Que filha da puta</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix lambeu os lábios, ansioso, e levou os dedos trêmulos até o quadril dela. Desfez um dos nós e um lado da calcinha caiu. A estrutura rapidamente se desfez e o pau dela escorregou para fora, duro e melado, a cabeça inchada e parecendo tão, tão sensível. Não fosse a ordem, Felix teria esquecido a calcinha e já começado a chupar aí mesmo. Entretanto, se concentrou para abrir o outro lado, as mãos tremendo ainda mais agora, e deixou o tecido cair no chão quando terminou. Alana estava muito, muito melada. O pré-gozo estava brilhando na cabeça do pau dela a ponto de escorrer. Felix queria tanto lamber que se sentia tonto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana voltou a segurar seu rosto, com mais carinho dessa vez.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você finalmente obedeceu um pouco, meu gatinho. Insuportável, mas sempre, sempre acaba cedendo. Você não resiste quando estou te comendo direitinho. — Alana parecia maravilhada, os olhos brilhando, os dedos quentes no rosto dele. Felix apenas acenou concordando, incapaz de tirar os olhos dela. — Você quer o seu presente, não quer?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Por favor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana fechou a cara.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Por favor, minha Senhora. Por favor. — A resposta de Felix foi imediata. Ainda estava se acostumando com o tratamento, mas precisava confessar que era muito sexy ser corrigido. Gostava de vê-la brava. Nunca imaginou isso com tanta clareza quanto agora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Abra a boca, língua pra fora, mãos para trás.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix fez como ela mandou, ansioso, fechando uma mão ao redor da outra nas costas, tentando impedir que voltasse a tremer. Esperou por um segundo até que Alana, ainda segurando seu rosto, segurou o pau com a outra mão e esfregou a cabeça em sua língua. Felix fechou os olhos, delirando de tesão, gemendo de boca aberta e língua pra fora, adorando o gosto dela, ansioso para engolir tudo. Tudo mesmo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Fechou os lábios ao redor do pau dela quando ela colocou mais pra dentro de sua boca e sugou, chupou, deixando ela ditar o ritmo, deixando Alana foder sua boca o quanto quisesse, aproveitando cada segundo da sensação. Era tão terrivelmente bom.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Isso, meu gatinho. — Alana agora o segurava pelo cabelo, mexendo o rosto de Felix na direção de seu pau e gemendo enquanto falava, arfando também. — Vai me chupar até eu gozar e vai me deixar pintar seu rosto de porra, porque quero te ver assim. Esse é o <i>meu</i> presente. <i>Você</i> <i>é meu</i>, meu presente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix estava rendido. Entregou não só sua boca, mas seu corpo inteiro para o prazer de Alana, que naquele momento — e em tantos outros —, era o seu prazer também. Chupou com vontade, passando a língua, os gemidos engasgados na garganta. Estava delirante, desesperado, sentia sua buceta escorrendo entre as coxas e aproveitava cada movimento dela para esfregar um pouco o próprio clitóris nos calcanhares. Alana não percebeu ou não se importou em proibir, apenas continuou fodendo sua boca e repetindo o quanto ele finalmente estava sendo obediente e bonzinho até que o puxão em seu cabelo ficou ainda mais forte.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana deu um passo para trás, tirando o pau da boca de Felix, e começou a se masturbar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Continue assim, boca aberta, língua pra fora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Puxou mais o cabelo dele, tombando sua cabeça inteiramente para trás, e Felix não tinha certeza se existia um céu, mas se existisse, ele teria o gosto da porra de Alana e a sensação seria exatamente essa, a de estar de joelhos diante da sua deusa enquanto ela o agraciava. Alana gozou em todo o rosto de Felix, melando tudo, escorrendo em sua língua, algumas gotas pingando em seu peito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix estava em êxtase. Alana deu apoio para que ele ficasse de pé e o que ela fez ele não esperava: segurou seu rosto com as duas mãos e passou a língua em todos os lugares que tinha acabado de melar de porra, lambendo, limpando, chupando. Suas bochechas, as pálpebras, na testa, no nariz, no queixo, e então juntou os lábios com os dele em um beijo profundo e melado e gostoso. Felix queria tanto, tanto gozar que faria qualquer coisa, o que ela mandasse, o que fosse necessário.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu quero… — Murmurou, mas ela o interrompeu com beijos. — Eu quero… — Alana insistiu, segurando-o, devorando sua boca. Irresistível, impossível, indomável. — Ai, porra, eu quero gozar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana não disse nada nem parou os beijos. Só empurrou Felix um pouco para trás e suspendeu uma de suas pernas, apoiando-a na cama, e voltou a enfiar os dedos nele. Alana o devorou como se sua vida dependesse disso, sugando sua língua, mordendo seu lábio, beijando seu pescoço e fodendo sua buceta sem parar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tão bom. Bom pra caralho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix não ia aguentar muito daquilo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu posso gozar agora? Mesmo? Não sei se aguento segur…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Pode. Vai gozar pra mim, olhando pra mim, gemendo pra mim. Meu, meu, meu gatinho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana mordeu e chupou a pele de Felix até sentir que estava gozando, tremendo em seus braços, gemendo e murmurando e segurando o corpo dela, temendo não ter forças mais para se segurar de pé.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Meu, meu gatinho, tão gostoso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alana não deixou ele cair. O manteve junto de seu corpo, firme, até a respiração dele se acalmar e ele parar de tremer, acariciando seu cabelo e beijando sua testa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vou te dar uma água e vamos tomar banho — ela murmurou. — Ainda tenho uma ou duas coisinhas que quero testar antes de dormir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Felix sorriu ainda com o rosto colado no peito dela. Esse com certeza foi o melhor natal da sua vida.</p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Espero que tenha se divertido como eu me diverti escrevendo e a gente se vê ano que vem</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Como sempre, se quiserem falar sobre, minha DM está aberta e o <a class="link" href="https://kodinhag.straw.page/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=49-feliz-navidad-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"><span style="text-decoration:underline;">straw</span></a> também! Agora também estou com um canal no <a class="link" href="https://t.co/y97HSPvlV2?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=49-feliz-navidad-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">telegram</a> onde mando notícias, fofocas e novidades aleatórias, em um ambiente mais informal!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso! Um xêro e um queijo,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Kodinha</p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="conhea-os-meus-livros">Conheça os meus livros:</h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Só uma rapidinha</b> <b>2</b>: <a class="link" href="https://payhip.com/b/4zIPi?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=49-feliz-navidad-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre diretamente comigo, com desconto</a> ou <a class="link" href="https://amzn.to/3zS3SO5?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=49-feliz-navidad-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre na Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Seja feita a vossa vontade: </b><a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/seja-feita-a-vossa-vontade/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=49-feliz-navidad-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre comigo com desconto ou na amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Só uma rapidinha</b> (o livro): <a class="link" href="https://payhip.com/b/3wtRx?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=49-feliz-navidad-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre diretamente comigo, com desconto</a> ou <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3kCvSy0&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=49-feliz-navidad-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Compre na Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Manda foto de agora</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3FNT2tI&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=49-feliz-navidad-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a> </p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Jogador número 3</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3NC3Gp0&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=49-feliz-navidad-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Mais de nós</b>: <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/openURL?url=https%3A%2F%2Famzn.to%2F3FKcvv1&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=49-feliz-navidad-so-uma-rapidinha" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Amazon</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Meus livros como Koda Gabriel <a class="link" href="https://kodagabriel.com.br/publicacoes/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=49-feliz-navidad-so-uma-rapidinha#koda-gabriel" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui</a>.</p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=bf26b359-cfa8-4353-b4df-60b33cfa2e3d&utm_medium=post_rss&utm_source=so_uma_rapidinha">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>#10 - Surrender - Kinktona - Koda G.</title>
  <description>per-fei-to</description>
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  <pubDate>Wed, 04 Dec 2024 21:00:00 +0000</pubDate>
  <atom:published>2024-12-04T21:00:00Z</atom:published>
    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
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    <div class='beehiiv'><style>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;">Safadinhes, tudo bom?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Esse é o último texto da <b>kinktona</b>. É, eu sei, chorando e dessa vez é pelos olhos mesmo. Que loucura gostosa foi esse evento, que delicia foi receber tanta gente foda aqui na minha casa, que gostoso foi compartilhar esses textos safados com vocês. Estou orgulhoso de mim mesmo e de todas as pessoas que convidei por terem entregado histórias tão incríveis e dedicado tanto tempo a esse projeto.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">De verdade, me enche de amor e alegria ver a proporção que isso tomou, saber que tinha gente semanalmente aguardando os envios, se preparando, ansioses pra descobrir quem são as pessoas autoras e sobre o que elas escreveram. Foi tudo muito melhor do que eu poderia ter imaginado, com um resultado muito melhor do que eu poderia ter imaginado. Foi incrível, de verdade, e muito obrigado a cada um que acompanhou e vibrou comigo nas redes e por aqui. Cês fizeram um não binário e os amigos dele muito felizes!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Com o fim da kinktona, voltaremos ao normal dessa newsletter: envios mensais de textos eróticos queer escritos por mim. E porque eu sei que chegou uma galera nova aqui, vou me apresentar e falar brevemente do que já fiz e do que eu faço aqui no Só uma rapidinha.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Meu nome é Koda! Sou programador e escritor de pornô queer e transviado. Já escrevi alguns contos e novelas que você pode encontrar na <a class="link" href="https://amzn.to/3VjjKRG?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">amazon</a> ou no <a class="link" href="https://payhip.com/kodag?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">meu site</a>. O Só uma rapidinha é minha newsletter gratuita onde me permito experimentar diferentes textos, personagens e delícias eróticas pra minha diversão e a de vocês também 😉 Também tenho um <a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">catarse</a> onde é possível apoiar meu trabalho de forma recorrente e receber recompensas exclusivas todo mês!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Lembrem-se de conferir a lista de aviso de conteúdo logo no começo do texto e se mantenham segures! Bora?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);"><i>Se quiser contribuir com o meu trabalho, considere </i></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);"><a class="link" href="https://www.catarse.me/kabare?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"><i>apoiar o meu catarse</i></a></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);"><i>. Você recebe recompensas exclusivas e me ajuda a continuar contando histórias!</i></span></p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="aviso-de-contedo"><span style="color:rgb(67, 67, 67);">Aviso de conteúdo</span></h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>inspecting</i>, <i>praise kink</i>, vários parceiros, amigos que transam, femdom (e dommes de outros gêneros também), enby sub, sexo em público, <i>ele é perfeito e nunca vão deixar ele esquecer isso</i></p><h1 class="heading" style="text-align:left;" id="surrender">Surrender</h1><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri conseguia vê-los sem muito esforço mesmo estando atrás do balcão. O horário mais movimentado estava quase acabando, mas eles estavam ali há horas em uma mesa estrategicamente escolhida. Era do lado direito da porta de entrada, perto da janela, em uma mesa redonda que era feita para abrigar muitas pessoas além dos três que estavam ali. Yuri conseguia vê-los sem esforço porque era exatamente isso que eles queriam. Estavam rindo, os três. Conversando enquanto trabalhavam, cada um fazendo uma coisa diferente, cada um com sua bebida, além de um pratinho com sanduíches e salgados. Aurora dançava ao som da música ambiente, Mica parecia concentrado, com fones de ouvido, e Juniper rabiscava em seu caderno, provavelmente desenhando alguma coisa. Não havia nada de particularmente especial ou alarmante naquela cena. À primeira vista, pareciam ser o que eram: amigos trabalhando juntos.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Entretanto…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Oi, boa noite! Queria um cappuccino grande, por favor.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri piscou algumas vezes, se trazendo de volta para a realidade, lembrando sua mente de que estava trabalhando. Estava em público, sendo visto, e se deixou levar pela expectativa do que aconteceria em breve. Tentou focar ao menos parcialmente no atendimento, seguindo o <i>script</i> padrão, mas sua atenção toda vez era roubada por qualquer movimento mínimo que eles faziam na mesa. Ridículo. Patético. Confirmou o pedido e se virou para ajudar Karina na preparação. Ela não costumava precisar, mas Yuri queria ocupar as mãos e, por Deus, parar de olhar para os três ao menos por um segundo. Não deveria ser tão difícil, mas sua mente estava sendo inundada de ideias, nenhuma santa, do que aconteceria mais tarde, de como o provocariam até o horário de fechar o café, de como cuidariam direitinho dele depois que a porta fosse fechada e as janelas cobertas.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quando se virou de volta para o balcão, entretanto, a pessoa que fez o pedido não estava ali. Mica estava exatamente onde a garota do pedido deveria estar. Seu cabelo preto estava parcialmente preso hoje, um coque com uma parte solta e caindo sobre seu pescoço, e usava uma camisa que parecia ter sido feita sob medida para combinar com seu tom de pele marrom.  O sorriso era largo, seu olhar magnético mirava Yuri como se pudesse comê-lo ali mesmo, sobre o balcão, para todo mundo ver.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Ela sentou ali ó! — Ele apontou para uma mesa no fim do salão. Yuri conferiu e a garota realmente estava lá, esperando. — Vou querer mais um <i>croissant</i>, meu bem. E acho que você deveria ir ao banheiro.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O coração de Yuri fez um barulho dentro do seu peito equivalente ao uma escola de samba inteira. Ele olhou para a mesa por cima do ombro de Mica. Juniper e Aurora estavam olhando na sua direção, também com sorrisos safados no rosto. Juniper estava até apoiando o rosto sobre as mãos, e, Yuri podia apostar, estava provavelmente balançando os pés no ar, já que era pequeno demais para encostar eles no chão quando se sentava nas cadeiras do café.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Vou levar seu pedido na mesa, senhor — Yuri respondeu.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mica deu a risadinha de quem entendia o que estava por trás disso. Yuri estava sendo um bom atendente, claro, mas também queria se aproximar deles por um segundo. Mica fez um sinal de joia e voltou para a mesa.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri levou o café para a garota, seguindo mais uma vez o <i>script</i>, agradecendo pela visita e reforçando que se precisasse de algo, poderia chamá-lo. Voltou para o balcão e pegou o <i>croissant</i> em um pratinho e foi na direção da mesa dos amigos. Colocou o prato ao lado do computador de Mica e não conseguiu impedir o calor nas bochechas quando sentiu o olhar dos três sobre si. Aurora estava com as mãos no colo, segurando o vestido, os cabelos loiros bagunçados, mas tão bonitos. Juniper estava mais ao fundo na mesa e só estava visível porque seu computador estava de lado, e não aberto na sua frente. Seu cabelo caia sobre os seus olhos, sua pele marrom brilhava, e seu sorriso era o de quem estava aprontando.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Obrigada, Yuri — Aurora respondeu por eles e apoiou o rosto na mão direita, sem desviar o olhar. — Fiquei sabendo que você precisa ir ao banheiro.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">De novo, Yuri sentiu o coração batendo com força. De novo, a ansiedade e o desejo se espalhando pelo seu corpo inteiro. De novo, uma urgência esquisita de ser tocado e usado. Tudo ficava ainda mais latente sob o olhar dos três.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Acho que preciso — respondeu.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Hm… E se comporte quando voltar, tá bom? — Aurora pediu e Juni deu uma risadinha, seguido de Mica. Eles tornariam isso uma tarefa muito difícil, Yuri tinha certeza.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Acenou antes de se retirar, fechando as mãos com força para contar o leve tremor de seus dedos. Passou para trás do balcão de novo e avisou Karina que iria ao banheiro rapidinho. Ela apenas acenou e disse que tomaria conta do caixa. Yuri tinha sorte. Sorte que Karina ainda parecia mais sua colega de trabalho do que sua chefe, embora a Senhora Romano tenha aparecido cada vez menos e deixado cada vez mais as coisas nas mãos da filha. Sorte que ela era tão gentil com suas esquisitices, e, por Deus, sorte que duas vezes por semana ela deixava Yuri fechar a loja sozinho porque tinha aulas de dança. Sem isso, não poderia cometer essa pequena loucura.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Passou no seu armário, pegou sua mochila e a levou consigo para dentro do banheiro dos funcionários. Não precisava usar o banheiro de verdade. Precisava de um item que estava dentro de sua mochila, em uma sacolinha pequena de tecido. Tateou o bolso da frente, procurando, e então ergueu o paninho rosa. Tirou dali um vibrador de calcinha também rosa, <i>formato anatômico, bateria de longa duração, controlável à distância, perfeito para usar com o seu amor</i>. Yuri se lembrava perfeitamente do que dizia a caixa que recebeu da mão dos três. Como poderia esquecer?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Apertou o botão de liga/desliga e o vibrador tremeu nos seus dedos por cinco segundos, e então parou. A luz continuou piscando, indicando que estava ligado e aguardando comandos do controle, que obviamente não estava com ele. Yuri estremeceu mais uma vez. Soltou o cinto e desceu a calça preta que sempre usava para o trabalho, depois abaixou a cueca e encaixou o vibrador no lugar. Subiu tudo de volta, fechou o cinto e apalpou entre as pernas, sentindo o formato do vibrador, sua textura lisa se esfregando em seu clitóris que já estava meio melado em antecipação.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ele conhecia a sensação de usar o vibrador. Não nessas circunstâncias, ainda não, mas os três obviamente o fizeram abrir as pernas e encaixar o vibrador na frente deles. Obviamente testaram enquanto bebiam cerveja e comiam batata frita na sala de casa, rindo, conversando, sorrindo e acariciando o não binário que fechava as pernas, mordia o lábio de tanto tesão e apertava o tampo da mesa em desespero. Eram especialistas em fazer ele sofrer e o pior era que gostava disso.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri saiu do banheiro, deixou a mochila de novo no armário e voltou para o balcão com as pernas fracas. Não poderia estar tão morto tão rápido, ainda tinha algumas horas até o final do turno. Duas, para ser mais exato. Duas horas e uma ordem muito clara: não podia gozar. Esse era o combinado. Esse era seu desafio da semana, sua provocação, e sua recompensa seria de acordo, se conseguisse se comportar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Duas horas.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Karina olhou para Yuri demoradamente quando ele voltou.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Tá tudo bem, Yu?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Tá sim, Ká. Né nada não.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ela não pareceu acreditar, mas Yuri não quis dar tempo das dúvidas dela aumentarem e voltou para o caixa. O movimento diminuiria na próxima hora até praticamente zerar e então ele precisaria embalar o que sobrasse do balcão e deixar na geladeira de funcionários o que não quisesse levar pra casa. Deveria limpar o balcão e a estufa, as máquinas de café, as mesas, fechar as janelas, lavar o chão. Normalmente dividia essas atividades com Karina e não demoravam mais do que trinta minutos, mas hoje deveria fazê-las sozinho. Além disso, bom, dessa vez <i>eles </i>estavam ali.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri encarou os três na mesa, esperando que um deles olhasse em sua direção, que pudesse ao menos confirmar que fizera como pedido. Depois de algumas tentativas, seu olhar cruzou com o de Juni. Yuri fez um joia com a mão e Juni cutucou Mica, sussurrando alguma coisa pra ele, e os dois fizeram joia de volta. Yuri suspirou lento, ansioso pelo que viria, mas logo acabou se distraindo com o trabalho de novo. Entregou mais cafés, salgados, pãezinhos, sucos. Estavam com um movimento acima da média para esse dia e horário, e tudo isso o distraiu o suficiente para até se esquecer do que aconteceria em breve.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quando o movimento finalmente diminuiu, Yuri já não se lembrava mais do vibrador entre as pernas. Ele deveria ter imaginado desde o começo que esperariam esse momento, quando ele parecesse distraído o suficiente, para começar. O vibrador ligou quando ele estava na mesa ao lado da <i>deles</i>, anotando o pedido de um garoto emo vestido inteiramente de preto e com uma franjinha.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Merda.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri se inclinou um pouco pra frente e quase gemeu, mas ocultou com uma tosse nervosa. Pediu desculpas para o cliente e continuou atendendo, usando todas as forças para as mãos não tremerem segurando a caneta sobre o papel, para não morder os lábios involuntariamente, para não começar a piscar devagar, como sempre fazia quando estava morrendo de tesão. Era difícil. Sentia as vibrações no seu clitóris e, mesmo sem ter certeza, sentia os olhares <i>deles</i> queimando suas costas.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Conferiu o relógio quando voltou para o balcão. Trinta e cinco minutos para o fim do turno. Poderia ser pior, né? Eles já fizeram muito pior, se Yuri parasse para pensar. Já fora torturado por horas e horas, mas sempre dentro de casa. Era a primeira vez em público. A primeira vez de todos eles. Yuri sentou por um segundo na cadeira ao lado do caixa, mas logo Juniper levantou a mão na mesa <i>deles</i>, chamando sua atenção. Quase foi correndo, como um bobo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Sim? — Yuri parou ao lado da mesa.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Queria mais um café, por favor — Juni sorriu pra ele com malícia.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Cla..claro. — Assim que abriu a boca e começou a falar, Yuri sentiu as vibrações em seu clitóris aumentarem. — Já pego pra você.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Andou devagar de volta para o balcão, tentando não rebolar — se para trazer o vibrador mais para perto ou se para afastá-lo, não saberia dizer, de qualquer forma. Seus movimentos estavam quase robóticos, mas ele estava se esforçando muito para não parecer tão esquisito. A única pessoa que poderia notar era Karina, porque os dois ou três clientes que ainda estavam ali pareciam concentrados em suas próprias mesas.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri fez mais um café para Juni, do jeito que ele gostava, e não pôde deixar de notar o olhar de Karina o seguindo pelo salão até a mesa. Torcia que ela não decidisse encrencar com os amigos ali. Não era a primeira vez que eles passavam a tarde e a noite estudando ali, conversando, rindo. Sempre consumiam, embora uma vez ela tivesse comentado que não precisavam comer nada que não quisessem, e que poderiam ficar ali. Ainda assim, o fato de estar agindo estranho e estar sendo observado preocupava Yuri.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Aqui está, senhor. — Entregou o café no centro da mesa e Juni puxou para o lado de seu caderno.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Todos os três deram risadinhas.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Senhor? Juni tá mais pra…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Sem ofender, Mica.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— É um diabinho, esse garoto. — Aurora passou os dedos no rosto dele, que sorriu pra ela. — Não só ele.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Aurora encarou Yuri com um desejo queimando no olhar. Era nítido, ela não parecia nem um pouco interessada em esconder. Desceu uma das mãos para o colo e, Yuri sabia, estava provavelmente tocando o próprio pau embaixo da mesa. <i>Porra, que delícia</i>. Pensar nisso não ajudava em nada com as sensações que já se acumulavam em seu ventre, seu clitóris extremamente sensível. O vibrador se mexia toda vez que ele andava, às vezes vibrando no lugar exato que Yuri gostava, às vezes não mais do que uma vibração distante e um lembrete de seu tesão. Gostoso, ainda assim.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Só mais quinze minutos, meu bem — Aurora comentou, e Yuri percebeu que provavelmente estava fazendo uma cara de desespero pra ela.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quinze minutos. Quinze longos minutos.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Voltou para o balcão porque ficar em pé com os amigos seria demais. Sem conseguir ficar quieto — um misto de ansiedade e desejo e tesão tomando conta de seu corpo —, começou a fechar o caixa, guardar as comidas que sobraram e limpar as máquinas. Karina continuava o observando, mas esperou até que todos os clientes tivessem ido embora para fazer alguma coisa.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quando o garoto emo saiu, Karina foi atrás dele e desligou o neon de “Estamos abertos, café quentinho” que normalmente ficava aceso do lado de fora. Também abaixou as proteções das janelas, uma aquisição relativamente recente da mãe dela para que eles se sentissem mais confortáveis limpando a loja no fim do turno à noite sem que as pessoas ficassem observando do lado de fora. A senhora Romano não fazia ideia do uso que essas proteções teriam agora. Yuri estava pronto para dizer &quot;boa noite&quot; para Karina quando ela passou por ele e o chamou:</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— A gente pode conversar ali nos fundos?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri olhou brevemente para os amigos e torceu para sua cara não transparecer o pavor que sentia.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Claro. Claro.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Secou a mão no avental e seguiu Karina para a parte de trás. Sentiu o vibrador aumentar e aumentar até o que parecia ser o máximo enquanto andava. Que filhos da puta. Sabia que eles não conseguiriam alterar as configurações do vibrador até que voltasse para a frente da loja, porque o alcance para mudanças era relativamente pequeno. Ficaria vibrando assim, dessa forma, até que ele voltasse para o balcão e algum deles decidisse ter piedade. Karina o levou até o escritório de sua mãe e sentou atrás de uma mesa de escritório. Yuri se apoiou contra a parede, tentando não transparecer a agonia e o desejo e o pânico que sentia.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Karina respirou fundo antes de falar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Eu não vou ficar de joguinhos. Me fala o que tá acontecendo entre você e seus amigos. — Karina estava com o olhar fixo nele, séria. — E não minta pra mim, Yuri. </p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri mordeu o lábio inferior e tombou a cabeça para trás. Não queria mentir para Karina, mas não sabia como falar a verdade também. Sentia que ela era sua amiga depois de tanto tempo trabalhando juntos, e não é como se nunca tivessem falado sobre sexo. Só nunca… dessa forma. Levou os dedos até o rosto e massageou ao lado dos olhos. O vibrador ligado no máximo não ajudava, não ajudava <i>mesmo</i>. Não conseguia se concentrar. Não conseguia pensar direito. E sabia que, se abaixasse o rosto de novo, o olhar de Karina estaria sobre si.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Eu… — Yuri começou, mas parou. — A gente…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Sem problemas, tô com tempo. — Karina se inclinou na cadeira. Ela normalmente não era assim, não falava assim, e a seriedade na voz dela causava calafrios em Yuri.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ele fechou os punhos. Se ao menos o vibrador o desse um <i>maldito</i> segundo de paz para pensar, para raciocinar alguma coisa para dizer para Karina.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— É só que… — Yuri tentou falar de novo, mas quando tentou olhar para Karina, sentiu o coração acelerar quando a encontrou apoiada sobre a mesa, segurando um sorriso visivelmente safado. —  Ah, merda. Você sabe. Como você sabe?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Karina deu risada. Ela deu risada!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Eu não tinha certeza, mas agora fica difícil não achar que estou certa. O que vocês pretendem aprontar no <i>meu </i>café? Acredito que tenho ao menos o direito de saber.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri tinha tanto tesão acumulado que já sentia as pernas fracas. Inferno. Respirou fundo mais uma vez.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Eles querem… — Não soube bem de onde tirou coragem para terminar a frase. — Querem se divertir comigo. Tecnicamente… já estão se divertindo comigo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Tecnicamente? — Karina voltou a se inclinar na cadeira, parecendo se divertir muito com a situação. — Seja mais específico.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri olhou para o lado, incapaz de falar olhando pra ela.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Me fizeram colocar um vibrador — murmurou. — Na cueca.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Hm… — Karina ficou em silêncio por um minuto. — E vão se divertir mais com você quando eu for pra aula de dança, é isso?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri acenou, ainda olhando para algum ponto na parede ao lado dela, e não para ela. Karina se levantou, passou ao redor da mesa e parou de frente para Yuri, o rosto muito perto do dele. Esticou a mão na direção do quadril dele, na altura perfeita para sentir seu clitóris e o vibrador se quisesse. Yuri achou que iria morrer.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Posso sentir? — perguntou, a voz nada além de um sussurro.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Porra, porra, porra, porra</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">A mente de Yuri estava acelerada, sua sanidade há muito apenas o resquício do que já foi. Karina, a sua colega de trabalho gostosa, as coxas mais fartas que já viu em toda sua vida, os lábios mais carnudos, o cabelo mais sedoso, os maiores peitos… estava pedindo para sentir o vibrador na sua cueca. <i>Porra</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Sim. — A voz de Yuri também estava fraca e baixa.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Karina encaixou a mão sobre a sua cueca, no formato perfeito para sentir o vibrador e apertá-lo ainda mais contra o seu clitóris. Yuri mordeu o lábio inferior com força, segurando um gemido que iria com certeza sair alto demais. Ela continuou com a mão ali e esfregou um pouco, massageando mais seu clitóris, mandando mais e mais ondas de prazer e desespero por todo o corpo de Yuri. Morreria ali. Pior: <i>gozaria ali</i>. Na mão da sua chefe-colega de trabalho que nem deveria saber que ele estava fazendo essa maluquice pra começo de conversa.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Eu não vou pedir pra participar. Não sei se seus amigos… não sei se me querem lá, a gente não se conhece direito. Eu também sou tímida. — Karina estava falando baixo, perto do ouvido de Yuri, que não conseguiu segurar uma risada ao ouvir a garota mais extrovertida que ele conhecia se chamar de tímida. — Eu sou, seu ridículo. Pra <i>isso</i> eu sou. — Ela deixou um beijo no pescoço dele e respirou fundo, soprando ar quente em sua pele. — Mas eu quero assistir. Você… Vocês me deixam assistir? Daqui mesmo. Das câmeras de segurança.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri não sabia se estava aliviado de não ser xingado ou se seu desespero tinha acabado de ficar ainda maior. Não seria apenas usado pelos amigos, seria <i>observado</i> e desejado pela sua chefe. <i>Porra</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Como se fosse um vídeo pornô especial?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— O mais especial de todos, eu diria. —- Karina soltou Yuri e se afastou, limpando um pouco de suor na manga de sua camisa. — Mas você pode dizer não. Vocês todos podem dizer não, e daí eu vou pra minha aula e só vou pedir pra vocês por favor, por favor limparem tudo depois. E não transem no meu balcão, pelo amor.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Eu jamais cometeria essa atrocidade.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— É bom mesmo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri perdeu a paciência e segurou o vibrador com uma das mãos, afastando-o só um pouco do seu corpo para conseguir ao menos formular uma frase coerente.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Eu acho que… Acho que não me importo. Você pode ver.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Karina acenou, parecendo satisfeita, os olhos brilhando.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Mas pergunta pra eles também. Eles precisam saber.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri riu.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Ah, Karina. Acho que você vai descobrir um lado deles que não fazia ideia que existia.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Então me deixa descobrir. Vai lá, conversa com eles. Se tiver tudo bem, faz um sinal pra câmera que fica atrás do balcão. Consigo posicionar ela.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Karina se sentou mais uma vez e Yuri soltou o vibrador, sentindo de novo as pernas fracas, o coração acelerado. Acenou pra ela antes de sair e começar a caminhar de volta para o salão. <i>Que porra eu to fazendo?</i>, se perguntou, e não conseguiu encontrar nenhuma resposta decente ou coerente para justificar o sim que disse para Karina. O pior era também não encontrar nenhuma justificativa para dizer não. Ela era gostosa, ele gostava dela, e se não iria o demitir, que mal faria se ela estivesse vendo? E só a <i>ideia </i>de que estava sendo observado acrescentava uma camada tão deliciosa ao que fariam.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quando voltou para o salão, os três já tinham guardado os notebooks e cadernos e estavam conversando baixinho, todos virados para a porta, esperando quando Yuri voltaria. Nada discretos. Sua cara provavelmente demonstrava nervosismo, porque os três fizeram silêncio imediatamente quando o viram. Esperaram que se aproximasse antes de falarem todos juntos, um por cima do outro:</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Tá tudo bem? — Mica segurou Yuri pelo braço.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Yuri? — Juni arregalou os olhos.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Ela percebeu, não é? — Aurora foi direto ao ponto.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri fechou as duas mãos, nervoso, e acenou devagar, concordando.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Que merd… — Juni começou.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Ela pediu pra assistir — Yuri o interrompeu. — Se tiver tudo bem por vocês.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Os três fizeram silêncio e se entreolharam. Poucos segundos depois, acenaram também, concordando.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Mas você tá de boa? — Aurora questionou. Yuri sentiu as bochechas corarem. — Ah… Não precisa responder. Diz pra ela que tudo bem. Ela pode vir pra cá.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Ela vai ver pelas câmeras.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Hm… Bom. Ela pode vir pra cá se quiser, por mim. — Aurora insistiu, Mica e Juni concordaram. — Diz pra ela e vamos começar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri fez um sinal de joia pra câmera e, em seguida, também fez um gesto chamando ela para vir para o salão. Não tinha certeza que ela entenderia, e, se entendesse, não saberia se ela de fato viria. Entretanto, o recado estava dado. Ia se virar de volta para os amigos, mas Juni passou a mão ao redor de seu pescoço e começou a lamber sua pele e dar beijinhos e mordidas.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Você vai ser bonzinho pra gente hoje? — Juni perguntou, suspirando contra o seu pescoço. Yuri acenou, concordando. — Bonzinho e obediente? Pra nós três? Nós quatro?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Sim… — Yuri já estava gemendo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O vibrador entre suas pernas estava bem fraco agora, quase esquecido no fundo de sua mente no meio de tanta tensão e antecipação.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Então tira sua roupa — Juni ordenou.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri estremeceu, mas obedeceria. Virou-se para a mesa. Aurora estava sentada em uma das cadeiras e Mica ao seu lado, os dois de mãos dadas, observando enquanto Juni tomava o controle daquele começo de interação. Juni estava apoiado na beira da mesa, esperando.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Com os dedos trêmulos, Yuri tirou seu avental. Jogou sobre a mesa vazia ao seu lado antes de descer os dedos para o cinto, abrindo-o devagar. Estava acostumado a ser observado pelos amigos, assim, exposto, objeto de desejo, mas agora havia uma nova pessoa nesse arranjo. Sentia o olhar de Karina em sua nuca, ainda que ela não estivesse ali, ainda que só estivesse o vendo pela câmera. Seu corpo inteiro estava arrepiado.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Enrolou o cinto com cuidado e o deixou na mesa também. Desabotoou sua camisa, soltando-a da calça, e sentiu o coração explodindo no peito quando Aurora murmurou algo no ouvido de Mica, que sorriu muito safado para Yuri. <i>Porra</i>. Estavam planejando alguma coisa indecente, ele tinha certeza.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Foco — Juni chamou sua atenção.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Deus</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Terminou de tirar a camisa e dobrou. Tirou os sapatos, as meias, a calça. Ficou, por alguns segundos, somente de cueca e binder. Nunca antes sentiu tanto tesão e tensão ao mesmo tempo. Achava que sabia o que era morrer de desejo antes de uma cena, achava que conhecia as reações do próprio corpo, mas o coração acelerado, a respiração incerta e os dedos que não se aquietavam eram uma soma desesperadora e nova.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Não precisa tirar o binder se não quiser — Aurora interviu. — Sabe disso.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri acenou pra ela, mas não foi por isso que parou. Estava aguardando a permissão de Juni para continuar. Sentia-se observado, sentia o desejo queimando no olhar dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Dá uma volta pra gente. — Ele olhou para a câmera. — Devagar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri rodou lentamente, exibindo o corpo para os três presentes e para a câmera. Seu peito era pequeno e tinha uma barriguinha que os três adoravam. Seu cabelo estava curto e repicado, suas coxas eram grossas e cheias de pelos macios, sua cueca destacava isso. Poderia, em outro momento — talvez alguns anos antes — sentir vergonha de se expor assim, de se exibir assim, mas não mais. Tinha orgulho do seu corpo, se sentia delicioso e <i>sabia </i>que gostavam disso. Que olhassem. Que o desejassem. Se mostraria e adoraria cada reação dos três. <i>Dos quatro</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Bom garoto. — Juni sorriu pra ele. — Tire o resto.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Se esforçando para manter os dedos firmes, desfez o encaixe do binder e soltou a peça. Desceu a cueca também, com calma para não deixar o vibrador cair no chão.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Dá aqui — Aurora pediu, a mão esticada. Yuri entregou.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E então duas coisas aconteceram ao mesmo tempo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Do seu lado esquerdo, Aurora levou o vibrador até a boca e lambeu toda sua extensão molhada, sugando o gosto de Yuri dali, cada gota.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Do seu lado direito, Karina entrou no salão e sentou em uma das mesas do canto, afastada deles o suficiente para não ser o centro da atenção, mas perto o suficiente para observar o que faziam.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Porra</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri soltou um suspiro nervoso, inspirando e expirando. Aguardou a próxima ordem em silêncio, esperando enquanto os amigos olhavam para Karina por alguns segundos, como se a comprimentassem, de igual para igual. Era tão, tão sexy ver os quatro no poder. Ainda que Karina não fizesse nada, ainda que não o encostasse, era delicioso demais.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Minha vez. — Aurora levantou da cadeira, serelepe, quase saltitando. À primeira vista, ela parecia uma mulher muito fofa. Ela de fato era, na maior parte do tempo, ao menos. Quando o assunto era sexo, entretanto, a história era outra. — Tire suas roupas dessa mesa, ela vai funcionar perfeitamente para o que quero fazer.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Enquanto Yuri juntava suas peças de roupa e movia para uma cadeira, Aurora e Mica juntaram duas mesas quadradas de madeira, criando uma superfície perfeita para… <i>Merda</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Sente aqui, Yuri. — Aurora apontou para a mesa. — E Karina, meu bem, prometo ajudar a limpar tudo direitinho depois.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Sem problemas, queridos. Fiquem à vontade. — A voz de Karina estava tão sensual e gostosa. Tão diferente da voz do dia a dia, do trabalho.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Talvez você queira chegar mais perto, mas só se quiser — Aurora falou para Karina, e então se virou de volta para Yuri, que só então conseguiu se mover para obedecer a ordem.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Apoiou-se em uma cadeira e subiu sobre a mesa, sentando no centro de uma delas, a ponta das pernas para fora, os braços servindo de apoio atrás das costas. Não sabia como se posicionar ou o que queriam dele, mas tinha certeza que logo descobriria.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Vire para o lado de cá. — Aurora indicou. Yuri se moveu, apoiando os pés no centro da outra mesa. Estava de frente para Karina agora. Maldita Aurora. — Vou inspecionar seu corpo, Yu. Vou inspecionar você. Vou ver se está molhado, se está suado, vou apertar seus mamilos e sentir suas coxas e tudo que eu conseguir fazer. E vou te exibir no processo, pra quem te conhece… e pra quem está te vendo pela primeira vez.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri acenou, concordando, o coração acelerado, seu clitóris pulsando entre suas pernas.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Você sabe o que dizer se quiser que eu pare. — Aurora o lembrou, mesmo que não precisasse. — Até lá, vou me divertir com você.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Ai, caralho</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Juni e Mica se sentaram ao redor da mesa, aguardando, sorrisinhos atrevidos no rosto. Em algum lugar dentro de si, Yuri tinha certeza que Karina se aproximaria também, era só uma questão de tempo. Tão, tão sensual. <i>Porra, porra, porra</i>. Queria tanto que ela se aproximasse. Que o visse. Que o desejasse.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E então Aurora começou.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Sente com as costas retas — ordenou.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri endireitou o corpo e Aurora passou uma das mãos ao redor de seu pescoço, puxando seu rosto para cima. Afundou o nariz em seus cabelos e esfregou o rosto, depois segurou os fios com a outra mão e tombou o rosto de Yuri para trás.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Cheiroso e macio, como sempre. Tão gostoso e bem cuidado, o meu Yu.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri queria morrer ao ouvir cada palavra, desesperado e cheio de tesão com o menor dos elogios de Aurora. Ela continuou seu caminho e passou os dedos no pescoço de Yuri, sentindo sua pele, subindo até as orelhas, descendo de novo até os ombros. Andou ao redor da mesa, se posicionando de lado em relação à Yuri, e escorregou a ponta dos dedos pelos mamilos dele. Estavam duros, saltados, chamativos, e Aurora circulou os dois, massageando e sentindo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Sempre tão pronto e tão excitado, Yu. Os mamilos mais deliciosos. Vocês conseguem ver? Como ele está.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Uhum — Juni acenou, o olhar vidrado.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Podemos tocar? — Mica questionou, a mão esticada na direção da mesa.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Ainda não, meu amor. Observe. Veja como ele é… — Aurora lambeu entre os peitos de Yuri e subiu com a língua molhada até o seu pescoço e bem perto de sua boca. — Veja como ele é <i>perfeito</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri precisou morder o lábio inferior com força para não se contorcer e se encolher sobre a mesa com os toques e elogios de Aurora. Era quente, tão quente, e tão sensual e tão erótico cada coisa que ela dizia, cada toque contra sua pele. Yuri se sentia delirante, sortudo, um escolhido divino para esse momento, para essas pessoas, suas pessoas favoritas.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Aurora pinçou o mamilo esquerdo de Yuri, testando a força nos dedos e nos puxões e medindo cada reação dele. Yuri apertou os dedos contra o tampo da mesa, desesperado para se agarrar a alguma coisa, qualquer coisa. Não pretendia esconder nenhuma de suas reações, então deixou os gemidos saírem a cada puxão, cada onda de dor e desejo que se espalhava pelo seu corpo. Yuri estava desesperado de tesão, se sentia molhado e o corpo inteiro estava sensível, ainda que tivessem feito tão pouco.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Os melhores peitos, os mamilos mais deliciosos… De apertar… —- Aurora reproduziu o que falou. — De puxar. — De novo, fez exatamente como falava. — De morder… — Se inclinou sobre Yuri e mordeu com força a lateral de seu peito. Sabia que deixaria uma marca e fez de propósito. — De sugar, de usar, de oferecer. — Aurora lambeu e beijou mais o peito de Yuri. — Mica, vem cá.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mica levantou e foi até ela, parando ao lado de Yuri. Aurora estendeu a mão sobre o peito dele, indicando e servindo, e Mica não hesitou em aproveitar. Se inclinou sobre Yuri e lambeu seu mamilo direito, depois mordeu, sugou. Manteve a mão apertando firme o outro peito e Yuri agora gemia sem pudor nenhum, trêmulo e surtando e querendo mais e mais e mais. Todos eles. Rápido. Forte.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Você é tão gostoso e tão safado e tão delicioso, meu Yu. Tão insuportavelmente delicioso. — Aurora murmurava repetidamente, a voz baixa e arranhada. — Abra as pernas.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri obedeceu, abrindo um pouco as pernas, sem saber exatamente até onde poderia ir sem que os pés escorregassem para fora da mesa. Inclinou o corpo um pouco mais para trás, se apoiando agora nos cotovelos, e foi quando viu Karina se aproximando mais deles. <i>Sim, sim, sim</i>, era tudo que conseguia pensar. Não fazia ideia de como algo que não havia acontecido até meia hora atrás poderia ser tão essencial agora, como se <i>precisasse</i> ser visto por ela também, desejado e tocado por ela também.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Juni percebeu a aproximação de Karina e a convidou para sentar ao seu lado, onde Mica estava até alguns minutos antes. Karina aceitou. Karina… aceitou. Yuri mordeu o lábio inferior, sem conseguir decidir se o que o enlouquecia mais eram os lábios de Mica nos seus peitos, os dedos pinçando seus mamilos, o olhar maníaco de Aurora ou os olhares safados de Juni e Karina. Juni comentou algo no ouvido de Karina, que riu um pouco enquanto olhava para Yuri. Não era uma risada ruim, era quase maléfica, era nítido. Aquele olhar, aquelas expressões, não poderiam ser nada além de desejo puro e simples, não havia nada que pudesse enganar Yuri quanto a isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Abra mais as pernas — Aurora repetiu a ordem.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri abriu mais, devagar, tentando sentir a borda da mesa com os pés. Quando parou, se sentia completamente aberto e exposto. Sabia que conseguiam ver o quanto estava molhado, como seu clitóris estava, conseguiam ver a parte interna de suas coxas e o caminho de pelos de sua barriga até sua buceta. Conseguiam ver <i>tudo</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Aurora soltou um longo e audível suspiro.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri morreu um pouco naquele instante. Perceber o vestido saltado onde o pau dela estava duro e provavelmente todo melado só piorou sua situação.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Porra, porra, porra</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri adorava quando Aurora o olhava assim. Como se ele fosse precioso, como se fosse a melhor coisa do planeta, como se ela mal conseguisse se controlar ao seu redor e todo o seu corpo fosse um altar, um templo. Aurora estava inspecionando, exibindo e compartilhando o corpo de Yuri, sim, mas também o adorando com todas as suas forças e Yuri amava, amava essa sensação.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Aurora se inclinou entre as pernas de Yuri, o lábio inferior preso entre os dentes, o olhar fixo e queimando de tesão. Colocou os dedos em pinça ao redor do seu clitóris, massageou devagar e escorregou até sua entrada sem dificuldade, sentindo e esfregando.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Você é tão… — Aurora murmurou e então mordeu o lábio de novo. — Ai, tão perfeito, meu Yu, sua buceta é tão perfeita e está toda molhada assim… Prontinha pra ser usada, pra servir, pra dar prazer pra gente. — Ela esfregou mais os dedos e levou até a boca, lambendo devagar. — Pra gente e pra você mesmo, né? Meu Yu é um putinho safado, você tá adorando, não está? Aposto que está pensando em coisa muito pior do que o que estamos fazendo agora.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ela estava certa. Claro que estava. Enquanto ela o tocava com tanta gentileza e murmurava as coisas mais sexys e obscenas para ele, Yuri pensava em ser fodido pelos quatro em todos os seus buracos até seu corpo não ter mais forças para impedir orgasmo atrás de orgasmo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Porra</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri sentia um ganido pronto para sair de sua garganta, contido apenas pelos gemidos que não paravam e pelo fino fio que era o resquício de sua sanidade. Isso tudo era muito, muito melhor do que qualquer coisa que ele poderia ter imaginado antes. Queria morder alguma coisa, queria rosnar, queria deixar seu tesão escapar de alguma forma incontrolável e indomável, algo que chegasse perto de descrever o quanto estava adorando a sensação de ser inspecionado, exibido, compartilhado. Tanta atenção era demais, muito mais do que imaginou.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Porra</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Aurora acenou para Juni e Karina se aproximarem.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Divirtam-se, amores. — Aurora sorriu para elas e se apoiou de lado na mesa, perto de Mica, que continuava alternando beijos, lambidas e mordidas nos seios de Yuri.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Juni não demorou e desceu os dedos por sua buceta, melando e escorregando até sua entrada. Deslizou dois pra dentro fácil, fácil <i>demais</i>, e adicionou mais um logo em seguida, sem hesitar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Tão apertado e quente. Porra Yuri, você é uma delícia mesmo, eu nunca me acostumo com a sensação de meter em você.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri subiu a mão esquerda e apertou a bunda de Mica, unhando com força, desesperado. Ele pareceu receber isso como um incentivo e mordeu um dos seios, o que só piora. Yuri xingou baixinho, arfando, tentando manter o quadril imóvel enquanto Juni metia os dedos devagar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Karina se aproximou com cautela. Tinha o olhar fixo entre as pernas de Yuri, mas os dedos pareciam se mover em câmera lenta. Ela tinha permissão para fazer isso — <i>porra</i>, Yuri duvidava que existia algo que <i>não</i> permitiria depois desse dia —, mas parecia hesitante, como se estivesse a ponto de quebrar. Ela finalmente — finalmente, finalmente, finalmente — tocou o clitóris de Yuri e foi terrível. Esfregou com a ponta dos dedos, depois formou uma pinça e o masturbou, e Yuri se sentia tão molhado e tão duro e tão sensível que parecia que iria explodir. Juni sorriu pra ele como um capeta endemoniado, Aurora observava cada uma de suas reações com luxúria, Mica parecia estar preso em seu próprio mundinho, adorando sua parte favorita do corpo de Yuri, e Karina… Karina parecia em transe.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Seu clitóris tá tão inchado… Tão melado, tão duro, meu deus Yuri… — A voz dela estava rouca, seus dedos estão trêmulos, deslizando na buceta de Yuri com facilidade. — Tão… ai, eu vou ser assombrada por isso, olha… — Ela olhou para Juni, parecendo buscar alguma resposta ou confirmação.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Eu tô vendo — Juni concordou, sem parar o que fazia. — Ele é assim, ele é…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Perfeito — Karina o interrompeu. — Perfeito. Melado, duro e perfeito. A cena mais deliciosa que já vi na vida, que eu já senti. Acho que… Nossa, acho que eu cometeria um crime só pra poder te chupar, Yuri. Sentir se o gosto do seu clitóris duro e perfeito é tão incrível quanto… isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Você pode, Karina — Aurora respondeu à pergunta não dita. — Meu Yu está aqui para isso. Será a nossa diversão e nós seremos a diversão dele, então se você quiser se abaixar e chupar o clitóris dele, você pode. Você deve, até.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Karina olhou para Aurora parecendo completamente perdida e Yuri teve certeza que ela iria se abaixar e iria chupar, ainda que ela parecesse não ter certeza ainda. Ele conseguia sentir o desejo dela quase tão claro quanto o seu, tudo explícito no seu olhar, nos seus dedos tremendo, no subir e descer de seu peito descompassado. E se ela estava ansiosa, Yuri estava pegando fogo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Como incentivo, Mica levantou o olhar e segurou uma das pernas de Yuri abertas. Juni e Aurora seguraram a outra, analisando as reações de Karina a cada segundo que se passava.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Ali, aberto, exposto, desejado, exibido, cobiçado, Yuri se sentiu como um troféu. Um prêmio, uma iguaria em um jantar. Ele era a própria festa, mas também o convidado; estava sendo comido e ordenado e inspecionado, mas também endeusado e adorado e, <i>porra</i>, como, como seria recompensado.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Karina se inclinou sobre a mesa, seus seios pendendo para frente, fazendo volume na camisa, e se posicionou entre as pernas de Yuri. Passou os braços ao redor de suas coxas, um de cada lado, e Yuri soube o momento exato em que ela decidiu que faria mesmo aquilo, porque foi o momento exato em que Yuri soube que estava arruinado. Juni deixou Aurora e Mica segurando as pernas de Yuri abertas e usou as duas mãos para abrir mais a buceta dele, exibindo ainda mais o seu clitóris, deixando-o pronto para ser lambido, sugado, devorado. Yuri viu o olhar de Karina se perdendo e se perdeu junto, se preparando para a explosão de desejo que viria a seguir.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quando Karina fechou os lábios ao redor do clitóris de Yuri, o mundo pareceu derreter. Sua boca soltou todos os palavrões conhecidos; seu peito subia e descia, mas era de novo e de novo prensado contra a mesa por Mica, que não queria perder um segundo de contato; as unhas de Aurora ao redor de sua coxa direita estavam deixando marcas, era evidente, e Yuri conseguia vê-la esfregando a ereção contra a borda da mesa; Juni manteve as mãos no lugar, abrindo Yuri para Karina, e se aproveitou da posição para deixar mordidas nas coxas dele, mais marcas para o dia seguinte, mais marcas para nunca se esquecer dessa noite.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E tinha Karina.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Sugando seu clitóris com os lábios fechados, saboreando, soltando gemidos baixinhos, suas unhas apertando as coxas de Yuri.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>Porra, porra, porra, porra, porra, porra</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— É tão… — Karina começou a falar, mas desistiu e voltou a chupar. — Ah, Yuri, meu Deus… — Ela não parecia conseguir se afastar por mais do que um segundo, apenas o suficiente para recuperar mais um pouco de fôlego e continuar. — Tão grande, tão duro… — Ela esfregava a língua e passeava os lábios e sugava e lambia e Yuri estava tão feliz e radiante e surtado que não saberia descrever todas as sensações. — Perfeito. Porra, perfeito.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Talvez morrer fosse assim.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quando você faz o que tinha que fazer e sua vida deu certo e a morte te acolheu como uma velha amiga, talvez seja essa a sensação. Seu corpo inteiro em chamas, cada pedacinho, tesão e tensão e desejo e ansiedade se espalhando e pulsando e pulsando, mas era tudo tão, tão certo e maravilhoso que foda-se que Yuri não conseguia respirar direito e foda-se que estava arfando e foda-se que estava empapado de suor e foda-se que seu corpo inteiro iria doer no dia seguinte, ele só queria mais mais mais.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri gemia e rebolava e murmurava <i>mais, Karina, mais, porra, mais, ai Aurora, ai Juni, Mica, porra, porra, porra</i> mordendo o lábio inferior e não conseguia deixar de pensar que Karina parecia estar chupando como se Yuri fosse a melhor coisa que ela já provou na vida. Ela parecia em transe, tão dedicada e empenhada e tão boa no que fazia. Era gostoso demais, demais, demais. Yuri sabia que não aguentaria muito mais tempo. Não com tantos estímulos, não com tantas mãos em seu corpo, não sendo <i>eles</i> ali.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Karina não parou, Juni não parou, Aurora não parou, Mica não parou.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri sentiu seus braços tremendo, suas pernas fracas estremecendo, seu corpo inteiro entregue ao prazer, rendido. Seus gemidos viraram murmúrios sem sentido, seus lábios inchados e doloridos depois de tantas mordidas, seus seios marcados com os dentes de Mica, seus mamilos vermelhos de puxões, suas pernas doloridas da posição, e seu clitóris…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Aurora murmurou alguma coisa para Karina, Yuri tinha certeza absoluta, mas não conseguiu ouvir o quê. Se sentia embaixo d’água, inundado, mas percebeu perfeitamente quando Karina se inclinou para o lado e abriu espaço. Juni tomou o lugar que era de Aurora segurando a perna de Yuri no lugar, e Aurora enfiou dois dedos na boca, sugando e lambendo de forma audível.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri soube o que ela iria fazer antes que ela fizesse, mas não ajudou em nada.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Aurora enfiou os dois dedos na buceta dele, fundo, rápido, aproveitando o quanto ele estava molhado e úmido. Meteu ali uma, duas, três vezes, até que pareceu satisfeita e desceu os dedos para o cu de Yuri, Esfregou sua entrada, molhando, e enfiou um dos dedos devagar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri não aguentava mais. Não parecia ser possível aguentar mais.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Juni sorriu com maldade e enfiou três dedos onde há pouco estavam os de Aurora, metendo com força em sua buceta.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Karina sugava seu clitóris com devoção, ainda que prejudicada, agora que dividia sua buceta com mais duas mãos.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Mica se mexeu e foi para trás de Yuri, esticando os braços ao lado de seu corpo e apertando seus mamilos enquanto murmurava em seu ouvido.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Olha pra eles, Yu. — A voz de Mica era tão gostosa. — Fodendo você, chupando você, tão gostoso e tão molhado. Três pessoas te comendo sem uma gota de lubrificante porque você é safado demais e está sempre escorrendo pra gente.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Demais. Tudo era demais.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Até a Karina… Há quanto tempo você está fantasiando com ela? Pensando que ela podia tirar seu avental e te foder atrás desse balcão, ein? Putinho assim, aposto que ia pro banheiro se masturbar pensando nisso, não é?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri não se lembrava mais nem de seu nome.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Você é <i>mesmo</i> perfeito, Yu…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Ah, porra, me deixem gozar? Por favor, me deixa gozar, por favor, porra, porra… — Yuri falou pela primeira vez em muito tempo, incapaz até de entender como as palavras descobriram o caminho para sair de sua boca.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O <i>sim</i> dos quatro foi uníssono.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— É claro que você pode gozar, meu Yu. — Aurora, como sempre, quis provocar ainda mais. — Você é delicioso, é safado demais, é <i>perfeito</i>, e garotos perfeitos merecem gozar. Goza pra gente, meu Yu.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">E Yuri, como sempre, obedeceu.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O prazer explodiu em seu corpo e em seu peito e no meio de suas pernas e em seus braços e na ponta de seus pés e Yuri gemeu e gritou e revirou os olhos com tanta força que teve a sensação de ter visto dentro de sua própria cabeça. Estava delirando, surtando, incapaz de se comportar e se conter.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri tentou fechar as pernas, tentou recobrar algum senso de si, mas todas as mãos o mantiveram exatamente no mesmo lugar enquanto continuavam fazendo exatamente o que estavam fazendo. Estava sendo torturado, seu orgasmo sendo levado a outro nível com um dedo de Aurora em sua bunda, outros três de Juni em sua buceta, a língua quente de Karina no seu clitóris, as mãos safadas de Mica apertando seus mamilos.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Yuri demorou muito tempo para conseguir se acalmar ao menos um pouco, ainda arfando, ainda sofrendo, ainda delirando, e só conseguiu sorrir abestado olhando para o teto. Que sorte. Que sorte a sua esses quatro estarem em sua vida.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Aurora tirou os dedos de dentro dele e se afastou, saindo do seu campo de visão. Todos se afastaram um pouco, o silêncio reinando por um segundo. Yuri reuniu forças para dizer:</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Porra, isso foi tão bom.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Seu peito fazia cosquinha, sentia uma felicidade dentro de si que não parecia caber.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Aurora deu uma risada fácil, alta, feliz.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">— Eu só vim pegar água, meu Yu. A diversão acabou de começar.</p><hr class="content_break"><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Não tenho nada além de obrigado pra dizer. Obrigado por me permitirem fazer a arte que eu amo, por acreditarem nela mesmo quando eu duvido, por comemorarem cada coisinha comigo, por cada mensagem de surto, por cada comentário. Cês não tem noção do quanto essa newsletter foi e é importante pra mim, do quanto esse projeto foi importante pra mim, de como isso aqui se tornou minha casa, um lar que me permite ser o que eu sou e que, espero, permite que vocês sejam quem são. Que desejem, que explorem, que se divirtam. Sou grato, mesmo. Obrigado por estarem nessa jornada comigo, espero que tenham gostado. Até o próximo texto, querides safades.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Um beijo estalado,</p><figcaption class="blockquote__byline"> Kodinha </figcaption></blockquote></div><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Leia todos os textos da <b>kinktona</b>!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-spillways?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">1 - Spillways - Isabelle Morais</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">2 -</a><b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"> </a></b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">A mesa da masmorra - Anita Saltiel</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-senhora-e-o-verme?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">3 - A Senhora e o Verme - Larissa Siriani</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-agua-dourada?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">4 - Água dourada - Ariel F. Hitz</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-toque-fantasma?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">5 - Toque Fantasma - Alex Fernandes</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-o-arquimago-do-outono?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">6 - O Arquimago do Outono - Fai Mazell</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-disque-punheta?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">7 - Disque-punheta - Lacie</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-reflexos?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">8 - Reflexos - Suh Roman</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-ofegar?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=10-surrender-kinktona-koda-g" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">9 - Ofegar - Levi Sasyk</a></p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;"></p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=81a303a8-8538-4ee1-bf3b-d6a3dce902c8&utm_medium=post_rss&utm_source=so_uma_rapidinha">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>#9 - Ofegar - Kinktona - Levi Sasyk</title>
  <description>me enforca por favor? </description>
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  <pubDate>Wed, 27 Nov 2024 21:00:00 +0000</pubDate>
  <atom:published>2024-11-27T21:00:00Z</atom:published>
    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
    <dc:creator>Levi - Sasyk</dc:creator>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;">Olá querides safades, tudo bom? </p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Bora que bora que hoje tem mais <b>kinktona</b>, a maratona kink do Só uma rapidinha! Essa é a penúltima semana desse evento kink delicioso, e esse é o último autor convidado. Na semana que vem, encerro essa montanha russa com um texto meu 🙂 Mas ainda não terminamos, então vamos que vamos.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quem escreve pra vocês hoje é o <b>Levi Sasyk</b>!</p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="apresentao">Apresentação</h3><p class="paragraph" style="text-align:left;">Levi, ou Sasyk, — <a class="link" href="https://bsky.app/profile/sasyk.bsky.social?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=9-ofegar-kinktona-levi-sasyk" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">bsky</a>, <a class="link" href="https://www.instagram.com/sasyk_/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=9-ofegar-kinktona-levi-sasyk" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">instagram</a> — é uma pessoa transmasculina aquileana e autor de obras LGBTQIAP+ envolvendo principalmente a demografia BL. Tende também sempre a explorar personagens extremamente humanos, disfuncionais e falhos. Seu principal trabalho é Pillow Talks, quadrinho publicado gratuitamente online e em formato físico pela Indievisivel Press. A série conta, até o momento, com o primeiro volume do quadrinho, &quot;Pillow Talks: Hanahaki&quot; e a novel erótica &quot;Pillow Talks: Eros&quot;. O segundo volume do quadrinho, &quot;Pillow Talks: Divino&quot; está atualmente sendo lançado online e será lançado no físico no fim do ano.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Lembrem-se de conferir a lista de aviso de conteúdo logo no começo do texto e se mantenham segures! Bora?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);"><i>Se quiser contribuir com o trabalho de Levi, considere doar qualquer valor para </i></span><a class="link" href="mailto:sacsyk@gmail.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">sacsyk@gmail.com</a><span style="color:rgb(32, 33, 36);"><i> para o ajudar a continuar contando histórias.</i></span></p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="aviso-de-contedo"><span style="color:rgb(67, 67, 67);">Aviso de conteúdo</span></h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>amab x amab; dry humping; breathplay (com um pequeno twist); opostos se atraem; ficantes em acordo de não envolver sentimentos (que eles falham miseravelmente).</i></p><h1 class="heading" style="text-align:left;" id="ofegar">Ofegar</h1><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tu é maluco? Teu pulmão tá podre, porra!</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Estou ciente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tu quer morrer, é, Dazai?!</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim. Mas não vejo qualquer relação entre isso e a presente discussão. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não é necessário a Nico dar voz aos palavrões que Dazai sabe estarem se acumulando no fundo de sua garganta. O silêncio por si só comunica indignação. Exasperação. Uma exaltação que carrega um toque de ofensa, escorrendo pelas linhas de expressão do rosto de Nico para pesar-lhe as sobrancelhas e os cantos dos lábios em reprovação. É tão clara, tão próxima do exagero que os olhos de Dazai escapam em direção ao torso dele à procura do pouco de pele visível sob a camiseta, procurando e ansiando pela fagulha que costuma incendiar mera irritação ao ponto de alimentar uma fúria visível, dourada e particularmente bela. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Suas sobrancelhas se erguem, o desapontamento claro demais para confundir-se com qualquer outra emoção. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não há ouro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não há raiva a ser descontada, por Nico, nele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dazai meneia a cabeça, dando um único passo para trás e em direção ao aparador contra qual Nico o aprisiona com promessas até então jamais ditas. Ele tateia a superfície de vidro cegamente, afasta quaisquer itens decorativos no caminho com muito menos cerimônia do que se esperaria de alguém sempre munido de tanta graça. O olhar dele sobe novamente, sustentando o de Nico, e ele apoia o próprio peso em ambas as mãos para então se sentar sobre a mobília, a coluna reta contra a parede e o sutil, lento e ridiculamente delicioso abrir de pernas convidando Nico a tomar seu lugar em meio a elas. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele o faz, sem qualquer hesitação. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">As mãos procuram pela cintura de Dazai, pausando nela e se enfiando quase que de imediato sob a blusa dele em busca de pele ao invés de tecido. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Faz isso comigo não, Dazai — ele diz. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— É um pedido inocente, menino de ouro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O desprazer de Nico mais uma vez toma sua expressão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Papo reto, Dazai, nada inocente sai da tua boca. Nunca. Nem tuas flores. Tu tá querendo que eu te enforque.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não — Dazai o corrige. — Eu quero que você me foda. E também que me enforque enquanto o faz. Não vamos abrir mão do contexto, certo? Ele é importante. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Com contexto fica ainda pior, porra!</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— É um fetiche. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Teus fetiches são problema teu, caralho! Tenho nada a ver não. Tu vem com uns papo meio burro quando tá com tesão, né? Tu tá ligado que não dá conta de duas sentadas sem meter a bombinha de asma na garganta? Tu jura… — Nico fecha os olhos, engole um ou dois palavrões. Ele tenta argumentar de maneira pacífica. — Tu jura mesmo que da conta de ter tudo isso e também de me ter apertando teu pescoço? Perigoso pra caralho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Qual o pior que pode acontecer?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Foda-se o pacifismo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tu morrer, porra! Tu é maluco? Tu perdeu a noção? Tu ou morre, ou vai parar na porra do hospital!</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— A asfixia erótica é uma prática realizada de maneira controlada… </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nico ri. Não há qualquer humor no som. Soa como uma corda prestes a se arrebentar. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Pô, valeuzão, Wikipédia. Só que tu tá pedindo isso pra um cara que tem zero controle!</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Na verdade, menino de ouro, devo dizer que acho admirável o autocontrole que tem quanto a mim. Para alguém movido pela violência, me surpreende como há uma linha muito bem definida a meu redor, até mesmo no sexo. Você me fode forte, gostoso e cheio de desespero. Em qualquer lugar que eu quiser, qualquer posição que eu inventar, quantas vezes eu pedir. Você já me amarrou, amordaçou, filmou, usou gelo e… ouro… — Dazai conta cada memória nos dedos — Você é surpreendentemente bom em dirty talking… Voce já concordou em blasfemar o próprio Deus em que acredita. E ainda assim… Diz não para spanking, asfixia erótica e eu tenho a impressão que o faria cair no choro caso ousasse propor que me humilhasse de verdade. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Absorto em seu próprio discurso, Dazai falha em antecipar a resposta de Nico a suas palavras. Ele opta pela linguagem que melhor expressa a irritação que se enraíza em seu peito — a de ações, não palavras — e segura o rosto de Dazai com uma das mãos, os dedos se afundando nas bochechas dele com força o suficiente para servir de alerta. E só. É uma advertência, não uma agressão, e Dazai percebe o controle do qual fala, claro na maneira como Nico o aperta sem jamais chegar a machucar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Dazai — ele diz. — Na moral, na moralzinha, não começa que não tô afim. Tu quer dar, não quer? Porque eu quero te comer. Uma vez, uma vez só, me deixa te comer em paz. Vamos transar normalzinho, rapidinho, hm? </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dazai sacode a cabeça para se livrar da mão de Nico.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você <i>vai</i> me comer, menino de ouro. Sua mão estará ao redor do meu pescoço…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ah, puta que pariu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E minha mão ao redor de seu pulso. Sempre que me encontrar em desespero por ar, irei apertá-lo. Comunicarei meus limites.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Teu cu que tu vai, Dazai! — Nico protesta. — Tu parece que esquece que é maluco. Que tu topa tudo por tesão. Quer saber o que tu vai fazer? Pensando positivo, vai: tu vai tentar estender o prazer ao máximo, sufocar, desmaiar e aí o palhaço aqui vai ter que te levar pro pronto-socorro e explicar que tava apertando teu pescoço, mas, né, tu não avisou que ia dar ruim porque <i>noooooooossa, eu amo tanto o eufemismo!</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>— </i>Hedonismo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A cabeça de Nico pende para trás e um grunhido arranha sua garganta ao escapar. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Uma das mãos procura por seu próprio rosto, massageando as sobrancelhas, pálpebras, e então deslizando para baixo como se ele assim pudesse forçar para fora de si a exasperação que endurece suas feições. Ele olha para Dazai novamente, ainda sentado no aparador, ainda carregando determinação em seu sorriso, graça e insinuação em seu abrir de pernas. E Nico sabe que poderia muito bem dar meia volta, caminhar de volta para casa e resignar ambos à frustração diante de um prazer que fora prometido e jamais cumprido — haveria, de certa forma, uma vitória nisso — mas ele também sabe que até mesmo sua teimosia é capaz de tremer diante daquele sorriso, talvez vacilar diante de seu próprio querer.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E ele o quer <i>tanto</i>. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tu quer brigar, é? — Nico pergunta. Ele se aproveita do silêncio que precede uma possível resposta para dar um único passo adiante e sentir o tampo de vidro do aparador tocar-lhe as pernas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele se encaixa em meio às pernas de Dazai e cada uma de suas ações seguintes surpreendem o suficiente para deter possíveis respostas às perguntas que as intercalam. São retóricas. Peças de uma verdade incontestável, repletas de uma provocação que lhes é muito familiar. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tu adora me peitar, né? — ele pergunta e enfia os dedos nas abas que seguram o cinto de Dazai, puxando o quadril dele para mais perto da beirada com uma impaciência que quase deságua na violência. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dazai consegue apenas dar voz a uma exclamação. De surpresa ou prazer, ambos igualmente satisfatórios.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nico continua:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não era tu que sempre escolhia prazer? Acima de tudo? — ele pergunta. E a mão desce, roçando o tecido da calça de Dazai e então tocando-o bem em meio às pernas entreabertas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dazai pressiona os lábios para conter um suspiro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nico sorri. E continua:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tu tá aí, doido pra brigar. Me testando, me provocando… Mas eu tô afim de outra coisa. Tu sabe o quê? — ele pergunta. E a mão sobe de novo, desfazendo a fivela do cinto de Dazai com uma destreza que denota prática, anos de familiaridade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dazai entreabre a boca, mas Nico é mais rápido. A mão busca pelos lábios dele e os pressiona com a palma antes que qualquer palavra possa encontrar voz. Nico não fala de novo, não ainda. Ele precisa provar seu ponto, comunicar ambos sua impaciência e seu tesão, para então ler em cada detalhe da reação de Dazai que a determinação que carrega é também capaz de se desfazer diante do querer.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele move o quadril para frente e Dazai sente de imediato. A urgência de Nico, pesada e <i>dura</i> contra seu próprio pau. Roçando. Pressionando. Afastando-se e então tocando-o novamente como se ele tentasse fodê-lo através das roupas. A fricção é tão satisfatória quanto a própria reação de Dazai, cujos cílios tremem em meio a um revirar de olhos, a voz escapando pelas frestas dos dedos de Nico em um gemido.   </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sentiu? — Nico sussurra.  — Durasso. Tá ligado no que eu quero agora?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele beija as costas da própria mão, como se oferecesse e negasse a Dazai uma prova de si.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Abre mais as pernas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dazai não reflete sobre a própria obediência, apenas atendendo à ordem de Nico. É o que é, afinal. Imperativo ao invés de sugestivo. Um jogo de alternância de controle, agora tomado de Dazai, talvez à força, talvez como uma barganha. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não importa. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Satisfaz a Nico vê-lo derretendo por sobre o aparador a cada esfregar de seu pau, as pernas abertas em uma entrega óbvia ao prazer, a pele quente sob os dedos que lhe sobem as costas e traçam a espinha e a boca que busca pelo pescoço. Satisfaz a Dazai senti-lo cada vez mais duro contra si, ofegando em seu ouvido, talvez sequer capaz de apreciar o momentâneo controle que tem sobre a situação ao estar ele próprio igualmente desesperado por mais. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tô maluco pra te foder, Dazai — Nico ofega uma risada. — Porra. Bem aqui. Vou te comer bem aqui.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dazai suspira uma risada através dos dedos de Nico. É parcialmente um gemido, tão carregado de calor, de tesão, que o argumento de minutos atrás já não mais lhe parece impor condições para que sigam em frente. Parece enfim seguro a Nico remover a mão da boca de Dazai. Mas não apenas isso, ele anseia por ouvir-lhe a voz, o arrastar de sílabas que compõem seu nome — <i>Fran-cis-co </i>— ou uma súplica para tê-lo dentro dele, sem floreios, ou meias verdades. A simplicidade do querer cai bem em Dazai. A impaciência também. E acima de ambos, a obscenidade que Nico quer crer ser o único capaz de trazer a seu vocabulário. <i>Me fode</i>, <i>me come</i>, <i>me faz gozar, anda rápido, bem gostoso, mais forte, até que eu me esqueça de quem sou. </i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>— Francisco…</i> — ele murmura.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Fran-cis-co.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A última sílaba parecendo oferecer-lhe os lábios para beijar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nico segura o rosto dele e pressiona as testas, uma contra a outra. Suas voz também não se eleva acima de um sussurro, derramando como segredos incongruentes, certamente inconsequentes, de sua boca diretamente para dentro da de Dazai. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tu tá me deixando maluco, viu? — Nico confessa. — Quantas vezes tu quer gozar?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dazai solta uma risada que é engolida de prontidão. Escaldante. Os braços envolvem o pescoço de Nico, a boca toca a dele em um ato que não ainda o concede o beijo faminto que parecem ansiar, equilibrando-se em uma frágil, decerto perigosa provocação onde cada palavra desenha o formato dos lábios de Dazai contra os dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não me dê tanto poder assim. Sou insaciável.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Então vou te fazer gozar a noite toda. Vou te fazer gozar tanto que tuas pernas vão até falhar — Nico o cobre de promessas, os lábios tocando, roçando, beijando os de Dazai ao fim de cada uma delas. — E aí eu vou te carregar até tua cama. Vou te virar de costas e subir em ti e eu vou continuar a te comer. De novo e de novo, contigo gozando um monte de vezes gritando meu nome.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Francisco — ele sussurra.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Hm…?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Faça <i>o que quiser</i> comigo. Agora, nesse momento, sou inteiramente seu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">É a escolha de palavras.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O pronome possessivo, oferecido tão prontamente a um homem possessivo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Arrebenta tensão em ação como um fio elétrico que não mais suporta a própria voltagem, energizando todo o corpo de Nico com a urgência de consumir Dazai por completo. Ele o beija com a boca aberta, engolindo o gosto das últimas palavras ditas, a recíproca não apenas verdadeira como imediata e de igual desespero. Nico pergunta, silencioso porém agressivo, o mesmo <i>Tu é meu? </i>que tão frequentemente permeia seus pensamentos quando na presença de Dazai, cujo o corpo arqueia contra o dele, as mãos agarrando-lhe o rosto, a língua o provando de volta e a boca buscando a dele e os dentes se chocando e não é apenas um <i>sim</i> é um <i>com toda certeza</i> é deliciosamente molhado e desesperado e um banquete mutuamente antropofágico e Nico continua a repetir repetir repetir e repetir a mesma pergunta para deliciar-se com a mesma resposta:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>tu é meu?</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>sim</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>apenas meu?</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>seu por completo apenas seu irrevogavelmente seu da maneira mais sincera</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">As mãos de Nico tocam esfregam apertam com toda a violência que lhes é familiar e as de Dazai agarram desabotoam puxam tecido e zíper com um desespero certamente incomum e as calças de nico caem até seus joelhos. A cueca mal chega até lá e o gemido que ele deposita na boca de Dazai é vociferado com todo o peito ao ter os dedos dele ao redor de seu pau. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">é como se não houvesse tempo a perder pois certamente <i>não lhes resta fôlego </i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">e tudo o que dazai veste da cintura para baixo é arrancado de suas pernas pois não há nada nesse momento que nico queira mais do que estar dentro dele </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">fodê-lo de uma vez só </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">reduzir dazai à loucura ridiculamente obscena que sempre lhe cai tão </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">tão </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">tão </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>tão</i> bem </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">mas céus o peito de dazai dói </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>ele precisa de ar</i> </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">tanto quanto precisa da língua de nico em sua boca </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">do pau de nico não apenas se esfregando contra o dele mas arruinando sua compostura </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">tomando seu corpo </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">confundindo sua mente ao entrar e sair e entrar e sair e</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">dazai o puxa para si ao invés de se afastar</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">ele o beija de novo e de novo </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">ele precisa de ar</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">mas ele se recusa a deixá-lo ir</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">ele quer gozar</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">talvez gozar mesmo antes de nico enterrar o pau em seu corpo</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">as costas se arqueiam em direção ao toque de nico e ele se recusa a se afastar</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>ele precisa respirar </i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">e é tarde demais quando ele sente o pau de nico pressionar contra si e ameaçar entrar</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Com um arfar alto e chiado, Dazai enfim se afasta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"> E tudo para por um segundo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O próprio Nico precisa de um momento para recuperar o fôlego. Ele não olha para Dazai, não de imediato. Ele não ouve ainda o chiar da respiração dele acima do acelerar de sua própria. Nico espalma ambas as mãos na superfície do aparador, uma de cada lado de Dazai, seus braços trêmulos em uma ameaça de ceder sob o peso de seu corpo. Ele, então, fecha os olhos. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tu quase… só com… né? — é o que consegue dizer. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Por mais inviável que seja, nesse momento, organizar uma linha de palavras com coerência o suficiente para ser considerada uma sentença, a satisfação no tom dele é clara o suficiente para ambos. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dazai, porém, não o responde.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tu quase gozou… — Nico tenta de novo, após alguns instantes. — Tu treme quando tá pra gozar… né? Tu quase gozou só com um beijinho. Se eu tivesse metido em ti um pouquinho antes de tu ficar sem ar, tu não teria aguentado… né?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sem resposta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E quando ele enfim ergue os olhos para Dazai, a sintaxe o escapa mais uma vez.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A visão é tão obscena. Tão bonita, tão <i>deliciosamente </i>explícita. O corpo dele caído sobre o aparador, como se jogado ali de qualquer maneira, mas, ao mesmo tempo, com cuidado como se posasse para uma pintura. Ele parece sem forças, ruborizado, coberto apenas pela camisa meio desabotoada que revela parte de seu peito enquanto deixa partes — apenas o suficiente — para que a imaginação complete.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Os olhos de Nico descem. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">As pernas de Dazai permanecem entreabertas ao redor das dele — sem calças, sem cueca, apenas pele inteiramente nua — e é o contraste entre a sugestão de erotismo da parte superior do corpo dele e a vulgaridade explícita da inferior que água a boca de Nico. O pau de Dazai pesa em meio às pernas, tão obsceno e dolorosamente duro, a cabeça melando as coxas de pré-gozo. Elas tremem em sutis espasmos de prazer.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Os olhos de Nico tornam a subir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A cabeça de Dazai, recostada contra a parede, pende para o lado, o cabelo cobrindo-lhe parcialmente os olhos. É o suficiente para envolver-lhe em mistério enquanto também revela vislumbres de uma expressão tão carregada de indecência que Nico mal é capaz de ponderar antes de se inclinar para frente, as mãos procurando pela cintura de Dazai para então subir-lhe a espinha junto de um arrepio, o queixo descansando no vai e vem violento do peito dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Porra — Nico ri. — Devia mesmo ter metido em ti. Sem caô, acho que eu gozava também. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dazai arfa uma risada e então tosse, engasgando-se com a própria respiração. Nico beija o peito dele através da blusa, molhando o tecido com saliva. O que ele mais quer, nesse momento, é tê-lo ao redor de seu pau, sim, mas seu desejo e sua imaginação vão muito além. Ele é igualmente insaciável. Ele quer beijar-lhe a boca mais uma vez, levá-lo de novo ao limite do próprio fôlego. Talvez fazê-lo gozar antes mesmo de colocar seu pau dentro. E então de novo, ao fodê-lo. E de novo, ao comê-lo por trás. De novo, com Dazai por cima. De novo. De novo. De novo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Jamais deixando-o respirar. Sem pausas. Sufocando-o cada vez mais com seus beijos, fodendo o ar para fora de seus pulmões, reduzindo-o a uma loucura obscena que jamais encontra fôlego para gemidos ou provocações ao ter cada ofegar rasgando-lhe a garganta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Até que não lhe sobre porra.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E se eu não te deixar recuperar? E se eu meter em ti agora mesmo? Quanto tu dura?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Pouco. E você?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nico ergue os olhos ao ouvir a voz de Dazai novamente. Lenta, mais grave do que lhe é comum, o peito ainda subindo e descendo em um ritmo que pouco a pouco afasta Nico da razão, guiando-o na direção contrária: a do desespero, não da temperança.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Se tu me olhar desse jeitinho enquanto eu te como, duro nada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Então gosta do que vê?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Pra caralho. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Me sufocar te dá tesão, não dá?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O murmúrio de concordância de Nico sai apenas pela metade antes que ele compreenda a armadilha para a qual foi direcionado. Ele vê, enfim, nas entrelinhas da entrega que Dazai faz de seu próprio corpo a ele, a satisfação de provar seu ponto. O ar de superioridade que Nico não foi capaz de identificar enquanto refém do próprio querer, da parte de si que sempre clama por arruinar Dazai — apenas um pouco. Apenas o suficiente para que perca a graça e o orgulho, substitua-os pela indecência que veste agora. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">É apenas na cama que Nico consegue forçá-lo para longe da eloquência, é apenas com o próprio corpo que consegue subjugar Dazai à própria humanidade. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Me sufoca, Francisco.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O nome desarma Nico. O arrastar de <i>Fran-cis-co</i>. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Apertando teu pescoço, não.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— De outro jeito, então. Do jeito que você acabou de fazer. Foi gostoso, né?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nico hesita.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Faz de novo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mas…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Faz de novo. — Dazai insiste. — Dessa vez, com o pau dentro de mim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nico se rende à ação antes mesmo que sua cabeça registre tudo o que lhe é dito. O pedido final, o indecoro de palavras o despe de qualquer razão, qualquer comedimento que lhe poderia restar e a boca desenha um caminho desajeitado pelo pescoço de Dazai, molhando-lhe a pele, provando-lhe o corpo, lambendo cegamente em busca de mais um beijo — igual ou além em termos de fervor quando comparado ao anterior. Nico sente um gemido tremer a garganta de Dazai antes de ouvi-lo e é quando se afasta de súbito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele quer ver.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele quer sufocá-lo, ele pretende fazê-lo, mas acima de tudo ele quer <i>ver</i> a expressão tomar conta de Dazai quando privar seus pulmões já muito debilitados daquilo que mais precisam.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não é Dazai com suas propostas e fetiches pouco convencionais, mas a própria natureza visual de Nico a sua maior antagonista. Há apelo, claro, em sufocá-lo com beijos, sentir o corpo dele tremendo em resposta à asfixia e o tesão que ela indubitavelmente o proporciona, mas a ideia de permitir que seus olhos devorem Dazai até os ossos enquanto sente o corpo dele tremer de prazer ao redor de seu pau é de uma conotação artística tão ridiculamente tentadora que Nico apenas percebe o próprio dilema ao ver seus dedos tocarem o pescoço de Dazai, envolvendo-o com uma leveza incerta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dazai sorri. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— O beijo não lhe parece o suficiente?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu quero ver — Nico confessa. — Eu quero te ver sem ar. Revirando o olho de tesão. Se acabando de dar. Quero ver meu pau entrando e saindo e teu corpo tomando de novo e de novo e pedindo mais, porque tu ama quando eu te como direitinho. Quero te ver gozar, quero ver porra saindo de ti, quero ver a carinha que tu vai fazer quando eu continuar te comendo enquanto tu goza.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Então aperta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Aí é que tá: eu não quero.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele diz, porém não remove sua mão. Dazai consegue percebê-lo revirando a própria mente à procura por uma alternativa. Há subtexto em tal negativa, ele entende, clara demais na maneira como os dedos de Nico o acariciam ao invés de apertar. Não é a asfixia que o incomoda, mas sim chegar em tal objetivo com uma ação já tão enraizada na violência à qual ele se recusa a submeter Dazai.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Posso tentar um negócio?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sempre admirei sua criatividade. E já fui mais que claro: faça <i>o que quiser</i> comigo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Abre a boca.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A obediência de Dazai é ausente de decoro o suficiente para fazer Nico vacilar.  Ele agarra o rosto dele com apenas uma mão e é sua boca que avança primeiro, aguada e fora de seus próprios planos, lambendo dentro da de Dazai e então se afastando antes que a recíproca o desarme em um beijo. Os dedos deslizam pela bochecha dele, tocam-lhe os lábios, sentem a respiração quente, tão quente, incendiarem-lhe as pontas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele desliza dois para dentro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nico não vai muito fundo, não na primeira vez. Ele toca a língua de Dazai, sente o fogo e o molhado que ele carrega dentro de si, e os desliza para fora lentamente ao sentir a boca dele se fechar em um molde perfeito para chupa-los por completo ao saírem. Ele avança de novo, um pouco mais fundo, apenas o suficiente para forçar uma tossida para fora de Dazai. Eles saem de novo. Apenas até a metade. O movimento seguinte é muito mais súbito, agressivo, os dedos desaparecendo até seus nós, as pontas quase tocando o fundo da garganta de Dazai. O som molhado de engasgar que ele oferece a Nico é delicioso. Tão alto. Tão espontâneo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— É tipo como se eu tivesse fodendo tua boca — Nico ri. — Tu não consegue falar, mas tu me olha implorando pra ir mais fundo, pra meter mais forte. É assim que tu gosta, Dazai?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O aceno de cabeça de Dazai é sutil demais para ser compreendido, mas há afirmativa o suficiente nas lágrimas que ameaçam escorrer de seus olhos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tu vai chorar de tesão? Ou tu vai chorar porque tá engasgando?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando a mão de Dazai procura pelo pulso de Nico, ela não o aperta para que pare. Ao contrário, a firmeza com a qual seus dedos o envolvem é um incentivo, um pedido para que vá mais fundo. Ele o faz. A garganta de Dazai se fecha ao redor dos dedos de Nico em visível desespero quando o ar entra apenas em pequenos soluços, e é tão <i>lastimável</i> que o pau dele não esteja dentro para devassá-lo ainda mais, em cima e em baixo, boca e cu ao mesmo tempo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dazai solta um som estranho; talvez um gemido sufocado, ou um pranto desesperado por mais. Sua mão livre tateia cegamente em busca do pau de Nico, tão grande em meio aos dedos, tão duro ao ser segurado e esfregado contra o seu próprio, tão quente no ir e vir desajeitado que Dazai oferece a ambos em meio a ofegos. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele o quer <i>agora </i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>imediatamente </i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>tão desesperadamente </i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>por favor </i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>por favor </i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>me fode francisco </i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">ele precisa de nico da maneira mais indecente e alucinada e <i>humana</i> </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">porque ser sufocado é  tão gostoso </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">a fricção de seu pau contra o dele é tão prazerosa </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">mas nada disso é o suficiente e é como se tudo nesse momento o condenasse a permanecer na beira do precipício de um orgasmo </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">que apenas uma metida </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">uma única metida do pau de nico poderia concedê-lo </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">porque nada mais o satisfaria da mesma maneira que tê-lo </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">grande </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">e duro </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">e quente </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>dentro de si</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">nico geme palavrões sob seu toque e fode a mão ao redor de seu pau mas o som é tão distante por trás do próprio engasgar de dazai</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">ele diz algo</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">uma reclamação ao arrancar a mão de dazai para longe de si</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">não é o suficiente para ele também e dazai sabe que ele quer foder seu corpo e não sua mão ele quer gozar dentro ele quer comê-lo agressivamente através dos tremores de um orgasmo ele quer ver a própria porra escorrer pelas coxas de dazai ao terminar</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">ele pergunta algo e dazai não é capaz de ouvir</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">ele pergunta de novo e dazai não consegue se importar</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">ele pergunta pela terceira vez </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E ao perceber que não obteria qualquer resposta a sua pergunta, Nico remove os dedos da garganta de Dazai em um movimento único e súbito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dazai tosse. Ofega, também, mas principalmente tosse. O peito dói. Os pulmões chiam com cada inspirar. Ele não se importa. Ele está com raiva. Do cessar abrupto de seu prazer. Nada além. Ele olha para Nico novamente. Ele cospe cada uma de suas palavras com fúria:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Por que você <i>parou</i>?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nico segura-lhe o rosto com uma mão, os dedos molhados escorregando pela bochecha.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Porque meu pau tá duro pra caralho. — ele diz, direto e calmo. — Porque tu esquece do mundo quando tá pra gozar, mas tu vai gozar é no meu pau. E eu vou gozar dentro de ti, não na tua mão. É uma delícia tu se apertando todo enquanto goza. Também parei porque te perguntei três vezes cadê a porra da camisinha e tu não respondeu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você prefere sem.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Prefiro. Mas tu enche o saco quando esqueço de tirar e te encho de porra.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Bolso da calça. De trás.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Lubrificante?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Lá no quarto, acredito. Pode ir sem.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tu esqueceu?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você já chegou com paciência de menos e tesão demais, querendo me foder na sala. Esquece o lubrificante.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Porra, no cuspe? Certeza?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— <i>Foda-se,</i> Francisco!</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O que surpreende Nico não é apenas o quão subitamente a voz de Dazai se eleva. Ou o vocabulário crasso, muito mais comum a ele próprio. É o tom. O desespero que implora pelo prazer cuja negativa se estende em meio a perguntas triviais. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Porra… — ele ri.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Só me come. Me come e me sufoca.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nico abre um sorriso. Muito além do mero curvar de lábios que tende a exibir a cada ocasião em que silencia Dazai. É largo. Genuíno. Um sorriso que mostra todos os dentes ao compreender o descuido de Dazai ao oferecer-lhe tão prontamente uma recíproca a seu querer. Ele cega Dazai com tamanha euforia, o faz hesitar ao se perceber incapaz de desviar o olhar. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">É como erguer os olhos diretamente para o sol.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nico continua a carregar aquele sorriso ao se inclinar para frente e pressionar suas testas uma contra a outra. Mal restam traços de impaciência nas feições de Dazai, há muito deixados de lado e substituídos por uma curiosidade sincera, quase inocente, que logo dá vez a um querer muito mais pesado, ainda que igualmente sincero. Ele surge com a sensação das mãos de Nico deixando seu rosto à procura de seu quadril, movendo-o para mais perto de si com um único puxão. Dazai sente as pernas dele em meio às suas, abrindo-as mais em um convite ao sentir o peso e a forma do pau duro que agora descansa contra sua coxa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele em nenhum momento o notou buscando e então vestindo a camisinha.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele também não notou a palma que lhe é oferecida logo abaixo da boca, até que Nico diz:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Cospe.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dazai o faz. Apenas um pouco de saliva, a boca seca em partes iguais de cobiça e calor, clamando por ser molhada com mais um beijo de Nico. Aquele beijo. Não os que ele costuma oferecer-lhe, mas o mesmo primeiro beijo que hoje o sufocou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nico cospe também. A mão desce em meio a eles e os olhos de Dazai a acompanham, o observam correr os dedos e misturar saliva com a pouca lubrificação oferecida pela camisinha. E a urgência de Dazai lhe corre tão fundo, tão crua nas veias que os movimentos de Nico lhe parecem lentos demais, uma provocação, uma tentativa de arrancar-lhe do peito a submissão de um pedido.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Mais rápido</i>. <i>Francisco, anda rápido. Mete em mim logo. Vai, bem fundo</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mas não há qualquer lentidão. Os movimentos que parecem a Dazai se arrastar ocorrem em meros segundos. Uma linha de ação desajeitada, movida por impaciência e carregadas daquele toque de agressividade que sempre acompanha Nico. Ele pula etapas. Não há tempo para preparação. <i>Dazai que pediu no seco</i>. Ele aguenta. Ele força as pernas dele a se abrirem mais, ao máximo, por completo. As calças caídas no joelho o incomodam, limitam seus movimentos. Mas também não há tempo para isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"> O som que ambos deixam escapar quando Nico agarra o quadril de Dazai com ambas as mãos e começa a deslizar o pau para dentro dele é tão pesado, tão líquido e quente e desvairado que não forma qualquer palavra. Nada que descreva o prazer de possuir e ser possuído, de dominar e de ser dominado, de <i>foder</i> e <i>ser fodido</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Relaxa. — É tudo que Nico consegue dizer. Ele força a testa contra a de Dazai, as palavras seguintes tremendo tanto quanto seus lábios. — Relaxa o corpo. Olha pra mim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Céus, como a obediência cai bem a Dazai.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tá ok? Tá doendo?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Escuta. — Dazai agarra o rosto de Nico com as mãos e há também agressividade em seu toque. — Se você não continuar… Se você não meter esse pau até o talo em mim imediatamente, eu vou enlouquecer. Continua.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E, céus, como a obediência cai bem a Nico.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele força o quadril para frente, deslizando para dentro centímetro por centímetro. Isso também parece enlouquecer Dazai, pesar o olhar que Nico sustenta com seu próprio. Ele sempre teve apreço por ver o corpo dele aceitando o seu, há um apelo único em assistir o próprio pau entrando pela primeira vez. Mas Nico não olha para baixo, não dessa vez.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele observa Dazai.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A maneira como sua expressão transita por dezenas de emoções antes de lavar-lhe as feições com o mais completo deleite. Como as sobrancelhas franzem, as lágrimas escorrem dos olhos, o queixo despenca em um escancarar de boca que força para fora o pouco ar que lhe restava nos pulmões. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nico <i>quase</i> goza.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Só de tê-lo ao redor de seu pau e perceber que o próprio Dazai também quase gozou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Os cílios de Dazai tremem. Suas mãos também. Seu corpo, sua sanidade. Os braços envolvem Nico, ambas as mãos agarrando o tecido da camiseta dele para puxá-lo mais para perto e forçar todo o corpo dele a desenhar uma curva paralela à formada por seu próprio. Lágrimas escorrem de suas bochechas, saliva de seu queixo, e ele esconde o rosto na curva do pescoço de Nico, quase subindo nele, quase se erguendo por completo do aparador atrás de si.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Me fode — ele soluça. — Me fode o mais forte que conseguir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Pode ser apenas um pedido, mas tem o efeito muito mais próximo de um gatilho. Um que Nico não sabia estar esperando, um que incendeia sua mente, tão rápido e efetivo que suas ações não mais dependem de razão. Ele endireita as costas e o corpo de Dazai é erguido junto ao seu, todo seu peso dele agora sustentado pelas mãos de Nico em sua bunda. A primeira estocada de Nico é dada de pé. A segunda, também. A terceira, quarta, quinta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Na sexta, o pau dele escorrega para fora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dazai soluça contra o ombro dele, o próprio pau molhando a camiseta de Nico com pré-gozo com o esfregar de cada ir e vir. Nico se aproxima do aparador mais uma vez para apoiar Dazai contra o móvel. Ele o aguarda soltá-lo. Deita-se contra o vidro com ambas as pernas abertas e o rosto dentro de seu campo de visão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>E lá está</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O obsceno, o vulgar, a indecência, o que há de mais <i>delicioso</i> que Nico é apenas capaz de ver ao fodê-lo forte o suficiente para anular qualquer decoro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nico não diz nada. Ele não hesita. Ele não busca pelo afeto de um beijo, não mais, não agora que todo seu corpo se encharca com a necessidade de tomar Dazai para si. Ele puxa o quadril dele para perto, encaixa uma das mãos por trás de um dos joelhos dele para forçá-lo para cima e abri-lo mais, expô-lo, tê-lo inteiramente para si. Ele mete de uma só vez, em meio a um choro de prazer e desespero que escapa de Dazai com a mesma força que o pau de Nico o adentra.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Há uma selvageria em seus movimentos, no encaixe perfeito de seus corpos, na ferocidade daquele ir e vir, talvez jamais condizente com humanos, talvez reservada exclusivamente àqueles tão terrivelmente mais humanos que os demais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dazai é incapaz de falar. Ele mal consegue respirar ao ter todo o ar fodido para fora de si. Mas quando ele olha para Nico e abre a boca, escancarando-a o suficiente para que sua língua deslize para fora, a mensagem é clara.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Me sufoca. Me asfixia. Não para.</i> <i>Me come. Me fode. Me destrói.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nico se aproxima para lamber-lhe a língua, derramar na boca dele uma risada tão grave e ardente que o juízo de Dazai derrete antes mesmo que ele enfie os dedos em sua boca. São três de uma vez. Forçados em sua garganta tão, tão fundo que Dazai se vê sem fôlego quase que imediatamente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A cabeça dele pende para trás e bate contra a parede e a língua de nico busca seu pescoço tão quente tão molhada tão deliciosa e a maneira com a qual ele sussurra o nome de dazai é tão lasciva tão indecente tão maravilhosamente ausente de pudor que dazai quer abraçar todo aquele erotismo mas ele é incapaz de gemer ele é incapaz de <i>respirar</i> mas seu corpo inteiro se aperta ao redor do pau de nico e ele diz seu nome de novo dessa vez com o tom de um xingamento como se fosse um palavrão como se fosse incapaz de acreditar que foder alguém possa ser tão gostoso e ele continua a sussurrar ele diz <i>caralho tu é tão gostoso tu é tão apertadinho </i>e também <i>vou te fazer gozar tanto</i> e também <i>tu tá quase lá tu tá se tremendo inteiro tu tá quase gozando dazai tu vai gozar?</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">e dazai pensa <i>sim</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>caralho sim eu tô quase gozando</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>por favor não para me fode mais forte</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">a maneira como nico geme seu nome é incomparável a maneira como ele se recusa a desviar seus olhos dos de dazai também e ele quer que dazai ouça o quão vulgar seu próprio nome pode soar quando o corpo dele aperta o pau de nico daquele jeito gostoso e ele quer que foder dazai de toda e qualquer maneira possível com o pau com os dedos com os olhos</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>meu deus francisco</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>eu vou</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>gozar</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>desmaiar</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">dazai não é capaz de suportar mais</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">a mão procura pelo pulso de nico e ele hesita o suficiente para que sua visão fique turva porque <i>meu deus eu tô quase lá vai de novo vai mais forte me reduza ao que há de mais vulgar me transforme em pornografia</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Prestes a perder a consciência, ele então aperta o pulso de Nico.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele remove os dedos da garganta de Dazai de imediato. E talvez seja o alívio que toma seu corpo com aquela primeira lufada de ar. Talvez seja a maneira como Nico enterra cada centímetro de si nele, particularmente fundo agora que ambas as mãos agarram o quadril de Dazai. Talvez seja a visão que tem de Nico, tão igualmente entregue, suado, explicitamente pornográfico.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Talvez seja a maneira como Nico se inclina contra ele, lambe-lhe a boca, ameaça continuar a sufocá-lo — agora com um beijo — e então opta por fazê-lo engolir um sussurro:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— É tão gostoso dentro de ti que eu nunca vou te deixar ir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dazai goza. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele goza forte, ele goza violentamente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E talvez seja a maneira como o corpo de Dazai aperta seu pau em consecutivos espasmos, forte o suficiente para rachar o pouco que resta de sua sanidade. Talvez seja como Dazai o encara durante todo o decorrer de seu orgasmo, as bochechas vermelhas, lágrimas e cuspe manchando-lhe o rosto. Talvez seja como a boca dele desenha — sem jamais dar voz — palavras que Nico sabe que jamais será capaz de confirmar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>É tão gostoso dentro de ti que eu nunca vou te deixar ir</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Não irei a lugar algum.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nico também goza.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Um último chocar de quadris, alto como um tapa. Fundo, tão fundo. E tudo para.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eles caem um sobre o outro, contra o aparador, a mão de Nico espalmando a parede em um esforço para suportar-lhe o peso, seu pau ainda dentro, ainda se deleitando com os últimos espasmos de prazer que o corpo de Dazai o oferece.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dazai ofega em meio ao silêncio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E eles continuam assim por bastante tempo. Talvez até mais do que durou toda essa rapidinha.</p><hr class="content_break"><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Oi! Aqui é Levi.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Talvez você me conheça de Pillow Talks, de onde saíram esses personagens. Talvez me conheçam como o cara do namorado grego. Talvez não me conheçam — e a vocês, muito prazer!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">O que eu mais gosto de escrever no erótico são experimentações. As primeiras vezes, a maneira como um casal — ainda mais sendo um casal composto por um vanilla e um kinky — se adequa a cada kink, tão universais enquanto muito particulares. E foi isso que trouxe a vocês nesse texto! Espero que tenham gostado!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Agradeço demais ao Koda pela honra de me chamar para esse projeto e também por toda a paciência com o atraso que tive. A literatura erótica é muito mais completa contigo, Kodinha!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Obrigado demais por lerem! Me contem o que acharam.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Beijo!</p><figcaption class="blockquote__byline"> Levi </figcaption></blockquote></div><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Leia todos os textos da <b>kinktona</b>!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-spillways?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=9-ofegar-kinktona-levi-sasyk" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">1 - Spillways - Isabelle Morais</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=9-ofegar-kinktona-levi-sasyk" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">2 -</a><b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=9-ofegar-kinktona-levi-sasyk" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"> </a></b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=9-ofegar-kinktona-levi-sasyk" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">A mesa da masmorra - Anita Saltiel</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-senhora-e-o-verme?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=9-ofegar-kinktona-levi-sasyk" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">3 - A Senhora e o Verme - Larissa Siriani</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-agua-dourada?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=9-ofegar-kinktona-levi-sasyk" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">4 - Água dourada - Ariel F. Hitz</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-toque-fantasma?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=9-ofegar-kinktona-levi-sasyk" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">5 - Toque Fantasma - Alex Fernandes</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-o-arquimago-do-outono?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=9-ofegar-kinktona-levi-sasyk" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">6 - O Arquimago do Outono - Fai Mazell</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-disque-punheta?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=9-ofegar-kinktona-levi-sasyk" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">7 - Disque-punheta - Lacie</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-reflexos?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=9-ofegar-kinktona-levi-sasyk" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">8 - Reflexos - Suh Roman</a></p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">E se você leu até aqui, essa é a penúltima rapidinha de dez com autores convidados. Estamos na reta final, então fica por aqui, manda pra amigues, divulga nas redes sociais e me ajuda a levar esse projeto mais longe ❤️ </p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso! Um xêro e um queijo,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Kodinha</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"></p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=6b814361-7f8d-41e6-ba2c-04e0faf305ea&utm_medium=post_rss&utm_source=so_uma_rapidinha">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>#8 - Reflexos - Kinktona - Suh Roman</title>
  <description>um tapinha não dói</description>
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  <pubDate>Wed, 20 Nov 2024 21:00:00 +0000</pubDate>
  <atom:published>2024-11-20T21:00:00Z</atom:published>
    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
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    <div class='beehiiv'><style>
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Estamos nos aproximando do final, mas ainda tem coisa boa pra rolar.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quem escreve pra vocês hoje é a <b>Suh Roman</b>!</p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="apresentao">Apresentação</h3><p class="paragraph" style="text-align:left;">Suh Roman (ela/dela) — <a class="link" href="https://www.instagram.com/suhroman/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=8-reflexos-kinktona-suh-roman" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">instagram</a>, <a class="link" href="https://x.com/_suhroman?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=8-reflexos-kinktona-suh-roman" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">twitter</a> — é, antes de tudo, fã. De música, de pessoas, de histórias. Paulistana formada em Design e Publicidade, trabalha em diversas áreas no mercado editorial. Atuou em projetos como “Orçamento sem falhas” da Nath Finanças e “Boletinhos: como virar um adulto sem surtar”, de Alan Soares. Em 2017 fundou a Rainbow Comunicação, uma agência de comunicação para escritores, que em 2020 se tornou a Afeto, agência literária com foco em autores pretos e outras minorias.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Eu descobri que Suh escrevia ano passado e foi na cara, coragem e ousadia que a convidei para se juntar nessa kinktona. Tô muito feliz que ela aceitou, muito feliz com a história que ela escreveu e me tremendo de ansiedade pra vocês poderem ler também.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Lembrem-se de conferir a lista de aviso de conteúdo logo no começo do texto e se mantenham segures! Bora?</p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="aviso-de-contedo"><span style="color:rgb(67, 67, 67);">Aviso de conteúdo</span></h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>spanking </i>(não combinado previamente), praise kink, <i>vou te foder até o stress sair do seu corpo, </i>dedo no cu, sexo na frente do espelho</p><h1 class="heading" style="text-align:left;" id="reflexos">Reflexos</h1><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Fim de tarde no meio da semana, não é de se surpreender que o táxi pare em uma longa fila de carros. O motorista avisa que levará cerca de vinte minutos para chegar no hotel, apesar da proximidade. Ao encostar a cabeça na janela e agradecer à informação recebida, Cris checa o celular mais uma vez. A mensagem enviada há alguns minutos continua sem resposta, mas com um sorriso leve nos lábios tudo o que faz é enfiar o celular no bolso do agasalho de moletom. Consegue perfeitamente imaginar Benício cochilando e o próprio aparelho caído no peito, como já o encontrou tantas vezes. A rotina exaustiva somada a uma cama confortável é a combinação perfeita.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mais do que vinte minutos depois e bem acomodado no banco de trás, Cris se assusta quando o celular vibra. Nem mesmo percebeu que havia pegado no sono e, um pouco atrapalhado, tira o aparelho do bolso ao mesmo tempo em que o carro diminui a velocidade. Pela janela já enxerga a fachada do hotel, então ajeita o boné e o capuz na cabeça, agradece ao motorista e deixa o veículo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">É só no elevador que abre a mensagem recebida há alguns minutos. Como esperado, a confirmação de que Benício não respondeu antes porque adormecera faz com que solte um riso leve por baixo da máscara, mas Cris não se dá ao trabalho de responder, apenas guarda o aparelho novamente no bolso e deixa o elevador em direção ao quarto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Se sente um pouco bobo com o nervosismo que revira seu estômago ao ouvir o som da porta destrancar. Cris entra devagar e ouve os passos no assoalho antes mesmo de terminar de fechá-la, e então um baque contra seu corpo o faz arfar em meio a um riso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Com os braços ao seu redor e o queixo em seu ombro, Benício emite um som que se parece com algo entre um resmungo e um miado. Cris ri e larga a bolsa no chão. Por cima do ombro do outro, abaixa a máscara que ainda cobre seu rosto e fica livre para afundá-lo no pescoço dele e respirar fundo. É sua vez de emitir um som baixinho de satisfação. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Benício aperta ainda mais os braços ao seu redor, quase ao ponto de tirá-lo completamente do chão. Não que não esteja acostumado à falta de noção do próprio tamanho que ele tem, mas chega a fazer uma careta quando suas costas reclamam da falta de jeito, mas não importa, faz tanto tempo que não conseguem fazer isso assim, tranquilamente, que Cris não liga de carregar uma eventual dor nas costas por alguns dias. Na ponta dos pés, ri baixinho a espera dele afrouxar o aperto logo em seguida, o que não acontece. Com um grunhido baixo, dá alguns tapinhas em seu ombro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Respirar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele se afasta rápido e o olha com as sobrancelhas erguidas, quase como se checasse se o apertou demais, provavelmente sabendo que sim. Cris termina de tirar a máscara ainda rindo e volta a puxá-lo para perto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Espera aí — Benício sorri e mesmo que se aproxime ao ser puxado, com o queixo ele indica tudo o que Cris ainda usa cobrindo a cabeça — Deixa eu ver.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Com um riso fraco e os ombros levemente caídos, a primeira coisa que tira é o capuz. Não chega a acompanhar a reação do outro, mas com os olhos baixos consegue vê-lo se balançar nos próprios calcanhares. Um suspiro depois, Cris se livra também do boné.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não ficou nada demais. — Resmunga enquanto afasta sem sucesso a franja agora curta que cai sobre os olhos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Benício nem mesmo espera que retire a própria mão antes de pentear os fios para trás com os próprios dedos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Aw, ficou lindo!</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O tom que ele usa faz Cris franzir o nariz e a outra única reação que tem é se aproximar de novo para se esconder na curva do pescoço dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu ainda não me acostumei.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E não sabe nem se quer se acostumar. Começou por um sidecut que durou só algumas semanas para gravar apenas algumas cenas. Não era de todo ruim, ainda se parecia com algo que talvez fizesse um dia, embora no começo tenha sido trabalhoso manter. Com o avanço das gravações, entretanto, dessa manhã não podia passar. Foi o combinado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mas você acabou de cortar. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Benício acaricia sua nuca agora exposta demais pelos fios extremamente curtos. Cris não se lembra da última vez em que usaram uma máquina para cortar seu cabelo. Mais um suspiro e se afasta, sacudindo a cabeça ao puxar o capuz de volta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O olhar de Benício se torna preocupado e se tem algo que Cris não suporta é preocupar o namorado, mas ao mesmo tempo não é como se conseguisse se esconder de quem já o conhece tão bem. Se esquivando dele, só então pega a bolsa largada no chão, se livra dos tênis e segue o caminho para dentro do quarto, sentindo nas costas o peso do outro o observando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu vou tomar um banho pra tirar... — Gesticula como se mostrasse os vestígios do corte ainda pelo corpo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris larga a bolsa agora em cima da cama, evitando encarar Benício.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Leve o tempo que precisar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A sugestão — se é que pode considerar assim — vem em um tom carinhoso e soa estranha aos ouvidos de Cris, que assente com a cabeça, entra no banheiro e tranca a porta. Quando estão sozinhos, não costuma fechá-la para tomar banho, mas dessa vez parece apropriado delimitar seu espaço, mesmo que esteja ali justamente para ficarem juntos. De alguma forma é como se mantivesse Benício seguro do lado de fora também de seus pensamentos. Cris se livra das roupas sem pressa, quase preguiçosamente. Em seguida abre o chuveiro e espera a água aquecer ainda do lado de fora do box.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cruzando com o próprio olhar no reflexo, é a primeira vez que  se olha no espelho desde que saiu do salão. Fazer isso agora, sozinho, tem um gosto que ainda não consegue identificar. Os olhos carregam mais do que só o cansaço da rotina recente e intensa de ensaios e gravações do filme. Cris ergue a mão e toca os fios da franja que quase cobrem os olhos, mas não ousa tocar as laterais ou a própria nuca raspada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Faz tantos anos que não usa um corte como aquele. Se lembra do exato dia em que decidiu que não cortaria mais o cabelo. Pensando bem, foi um ato simbólico de sua parte, para se convencer de que a partir daquele momento não se importaria mais com o que as outras pessoas pensavam. Antes disso havia sido a música, então os cabelos, as roupas, as escolhas profissionais e os posicionamentos cada vez mais claros. Não faz tantos anos assim, mas parece já ter sido uma vida toda e esse no espelho não se parece nem um pouco com a pessoa que escolheu ser.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A água quente o recebe como um abraço bem-vindo. A força da ducha massageia seus ombros e Cris consegue relaxar um pouco, fazendo o possível para que o amargo dos pensamentos seja lavado junto com a falta de energia de um dia todo fora de casa. Está ali para aproveitar a companhia do namorado que pouco tem conseguido encontrar e é só com isso que precisa se preocupar hoje.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">É com esse pensamento que Cris tenta sair do banheiro. Usando um dos roupões de banho disponibilizados pelo hotel, usa também uma toalha de rosto para secar o cabelo. Do pequeno sofá que tem no quarto Benício sorri ao vê-lo e seu coração se derrete pelo que sabe que será apenas uma das milhares de vezes na noite.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Melhor? — Ele pergunta ao estender os braços em sua direção.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris solta um riso fraco pelo nariz, nem um pouco impressionado com o fato dele simplesmente saber que tem algo de errado. Benício o puxa pela cintura para que se sente de lado em seu colo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Só tô um pouco cansado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tudo o que o outro faz é emitir um som baixo em concordância. Ele mesmo termina de secar o excesso de água de seus cabelos e deixa a toalha no braço do sofá antes de envolvê-lo em um abraço confortável. Cris se deita em seu ombro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não tá esquecendo de nada? — Benício pergunta baixinho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris sorri de leve e nega com a cabeça enquanto mantém os olhos fechados. O resmungo indignado de Benício arranca um riso baixo de Cris, que deixa um beijo suave no maxilar dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu ia te beijar mais cedo, mas você parecia mais interessado nesse cabelo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele ergue uma mão e acaricia sua nuca.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Nesse cabelo... — Benício repete como quem julga o tom que Cris usa para falar de si mesmo. — Eu tava curioso para ver o quão lindo você ficou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris grunhe, mas ao invés de se dar ao trabalho de responder, vira o rosto dele para si e junta os lábios. O contato simples por si só já é o suficiente para mandar embora mais um pouco da tensão que vem carregando no corpo, mas quando o outro entreabre os lábios e pede passagem entre os seus é que Cris se lembra do quanto sentiu falta dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">As agendas de ambos não têm facilitado encontros como esses. Às vezes pensa em como é um péssimo namorado, pouco presente, mesmo que se falem todos os dias e acompanhem de perto a vida um do outro. Ficou mal-acostumado com como tudo isso começou e em como nos últimos anos conviveram quase diariamente por conta do trabalho juntos. Agora às vezes parece até mesmo que moram em cidades diferentes.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Benício segura seu rosto com uma das mãos enquanto o beija sem pressa e o mantém apoiado em um de seus ombros. O modo como ele desliza os lábios sobre os seus faz com que Cris amoleça cada vez mais e não segure os pequenos ruídos de satisfação. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você vai me falar o que tá acontecendo nessa cabecinha?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Benício pergunta ainda em seus lábios e não hesita em beijá-lo de novo quando Cris resmunga e apenas puxa o rosto dele para perto novamente. Dessa vez faz questão de aprofundar mais o beijo, sorrindo quando ele é quem agora deixa escapar um gemido quando explora sua boca com mais vontade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você tá me enrolando...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele diz baixinho e Cris desliza as unhas por sua nuca. Ambos riem quando Benício estremece e grunhe.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não tô, eu só quero ficar com você.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris usa sua melhor e mais manhosa voz para convencê-lo a deixar aquele assunto de lado, o que parece funcionar quando ele volta a beijá-lo. Logo o sente deslizar a mão pela lateral de seu corpo e apetar sua cintura. Como sentiu falta do arrepio gostoso que as mãos dele em seu corpo causam. Se ajeitando melhor em seu colo, afunda os dedos nos longos fios de cabelo que Benício vem conservando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu achei que estivesse feliz com o papel — ele murmura em seus lábios.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Precisa conter um revirar de olhos quando se afasta e deixa a cabeça cair para trás, olhando o teto. Infelizmente conhece Benício o suficiente para saber que ele não vai sossegar enquanto não souber exatamente o que está pensando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu tô feliz com o papel — Cris responde ainda na mesma posição e fecha os olhos, suspirando. — Tô muito, é só que...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ao deitar novamente a cabeça no ombro do outro, pensa em como elaborar aquilo em voz alta. Fazer esse filme é um sonho realizado e nem consegue mensurar a importância de um papel como esse em sua carreira. O personagem é tão grandioso e com tantas camadas que precisar cortar os cabelos deveria ser a menor das questões. Cris se sente envergonhado por sentir o que está se sentindo. Pequeno e até meio indigno da confiança que estão depositando nele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu não sei se consigo explicar — murmura, e quando ergue os olhos, Benício tem o semblante paciente e carinhoso de sempre. Cris suspira. — É só que... Parece que não sou eu, mas também não é o personagem ainda? Eu... Eu tô me sentindo estranho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você sabe que tá lindo, né?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris ri fraco e fecha os olhos de novo, negando com a cabeça.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu não sei se é sobre isso, mas obrigado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dessa vez ele não diz nada e não precisa olhá-lo para saber que ele está à espera de que encontre as melhores palavras para tentar explicar. Em silêncio, Cris brinca com o botão que ainda está fechado na camisa do outro. Abre e depois vai para o próximo e o próximo, até que tenha espaço mais do que o suficiente para deslizar a mão sob o tecido e contra a pele quente do peito dele. Ancorado pela sensação gostosa, tenta se lembrar de como se sentiu há pouco tempo enquanto se olhava no espelho do banheiro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Quando eu era mais novo, eu queria ter o cabelo comprido. — Quase hesitante, é inundado pela forte memória. — E eu comecei a deixar crescer. Minha mãe dizia que eu estava lindo, que era estiloso... Em casa nada disso nunca foi problema, você sabe. — Cris sorri calmo enquanto ainda desliza os dedos carinhosamente pela pele macia do outro. — Por um tempo eu achei que era por eu gostava de rock e alguns dos meus ídolos tinham toda essa coisa de cabelão e unhas pintadas, mas depois eu percebi que era também como eu gostava de me expressar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Até hoje — Benício completa, assentindo com a cabeça como quem concorda com o que diz.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Até hoje.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Por um momento, Cris pensa em encerrar por aí. A lembrança em si não causa nenhum desconforto, mas as que a acompanham fazem com que se encolha um pouco. O nó que se forma em sua garganta não combina em nada com o clima que deseja para a noite. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não precisa continuar. — Benício parece entender bem o caminho que sua cabeça faz quando o abraça mais firme. — Eu me lembro daquela entrevista em que contou isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris quase não consegue segurar quando seus olhos se enchem. É claro que ele se lembra, é claro que ele assistiu a uma entrevista sua. Tudo o que faz é assentir com a cabeça e aproveitar a breve sensação que a informação lhe causa para esconder o rosto contra o ombro dele, no entanto, o peso no peito não vai embora de imediato.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">No dia em que disse para a mãe que queria cortar o cabelo, ela não o questionou. Não precisava, diante dos dias em que passara trancado no quarto ou forjando um motivo qualquer para faltar às aulas. Ela perguntou quando gostaria de fazer e Cris respondeu que naquele dia mesmo, recusando a sugestão da mãe de adiar um pouco mais. Sabia que era uma tentativa de fazê-lo esperar, de fazer com que o que quer que estivesse sentindo assentasse dentro do peito e desistisse da ideia. Parece que Cris está revivendo aquela tarde em que chegou do salão com os cabelos mais curtos que se lembra já ter tido.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Até hoje.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O que sentiu ao se olhar no espelho mais cedo agora parece um pouco mais claro. Cris não se reconhece assim como não se reconheceu quando era só um adolescente tentando encontrar a própria identidade. Os motivos agora são completamente diferentes dos que o levaram a fazer isso antes, mas por mais que a essa altura tenha completa consciência de que é muito mais do que um corte de cabelo, o estranhamento é o mesmo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris suspira e esfrega o próprio rosto, penteando para trás os fios que incomodam em sua testa. Não percebe a força desnecessária que usa até Benício afastar com cuidado a mão que puxa o próprio cabelo. Deixando-a cair no colo, resmunga baixo quando o sente pentear os fios para trás usando os dedos com cuidado. A mão dele em seguida desce pela parte de trás de sua cabeça e Cris amolece um pouco em seus braços.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não existe nada nesse mundo que faça você deixar de ser quem é, nada — Ele beija seu rosto. — Olha aonde você chegou. — O sussurro acompanha outro beijo — Você é lindo, Cris, em todos os sentidos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Apesar do assunto, o tom e os toques deixam bem claros as intenções de Benício. Ele deposita mais um beijo em seu maxilar em seguida, agora com os lábios um pouco mais abertos, e o carinho faz Cris gemer baixinho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O assunto parece realmente ficar de lado quando ele desliza os beijos em direção ao seu pescoço. Ele começa só encostando os lábios, deslizando-os e causando um arrepio gostoso. Cris murmura em deleite quando sente os beijos se tornarem mordidas e chupões cuidadosos que deixam um rastro molhado por onde passam. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tão lindo — ele sussurra praticamente dentro de seu ouvido.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A essa altura o calor que o mantém aquecido não é o do banho recém tomado e Cris estremece de um jeito que não estava esperando quando Benício corre as unhas por seu couro cabeludo onde os fios estão bem curtos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não — choramingando, é tudo o que consegue responder enquanto se agarra a camisa do outro. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele não cessa o carinho nem mesmo quando tenta afastar a mão dele de seus cabelos, pelo contrário, os dedos pressionam mais firmes sua nuca e Cris se pega estremecendo mais uma vez ao puxá-lo pelo colarinho para mais um beijo. As línguas se enroscam sedentas. Cris segura Benício também pelos cabelos e geme em seus lábios quando ele o puxa ainda para mais perto. A mão em sua nuca desliza pelo resto do seu corpo e o segura pela dobra de seu joelho. O corpo parece reconhecer o toque em uma espécie de memória muscular.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vai me deixar te mostrar o quanto eu te acho lindo? — Benício começa a subir a mão, dessa vez por dentro do roupão enquanto sussurra em seus lábios. Cris nega com a cabeça. — Preciso que fale comigo em voz alta, meu bem.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Com ele afundando os dedos em sua coxa, fica difícil encontrar ar até para pensar, quanto mais para dizer qualquer coisa. Os dedos apertam ainda mais o punhado de cabelos dele que ainda segura e Cris não acha possível que cérebro faça alguma conexão coerente com a boca dele tão perto da sua. Benício sobe mais a mão e agora aperta logo abaixo de sua bunda, as pontas dos dedos provocando muito além da coxa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não. — Abafa um gemido direto em seus lábios.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Se estivesse em seu modo petulante, Cris responderia com um tapa bem dado ao sorriso presunçoso que Benício abre. Com o polegar, puxa o lábio inferior dele devagar até que escape direto para dentro dos seus e então morde até ouvi-lo gemer. O som faz com que seu pau já meio duro pulse necessitado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não? — ele pergunta e a próxima coisa que sente é Benício afastando suas nádegas para provocar sua entrada. — Porque não parece.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele desliza os lábios sobre os seus e Cris sente o rosto esquentar gradativamente, mas apesar disso, todo o sangue de seu corpo termina de descer para o meio de suas pernas. Benício ainda perde algum tempo o provocando quando volta a beijá-lo. Os lábios se afastam dos seus mais uma vez quando ele ergue a mão e desliza os dedos contra os próprios lábios. Cris já acha a boca dele obscena por si só, apenas por existir tão bonita, carnuda, adornando aquele maldito sorriso que derrete tanto seu coração quanto suas pernas, mas quando ele desliza dois dedos para dentro e chupa com um gemido, Cris acha que vai desmaiar. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Já está de olhos fechados novamente quando ele abocanha a pele de seu ombro, afastando com o rosto mesmo o roupão já meio aberto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Beni... — geme quando ele pressiona com mais força os dedos agora molhados de saliva que o provocam, mas nada além disso. — Por favor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Com outro riso daqueles que o fazem querer bater nele, Benício afasta a mão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Assim eu vou te machucar — ele diz simples e estapeia a lateral de seu quadril ao mesmo tempo em que move as pernas para expulsá-lo do colo. — As coisas estão na minha mochila.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris grunhe quando começa a levantar e quase cai quando coloca o primeiro pé no chão. Sob um arfar risonho do outro, prefere fingir que só tem relação com estar tonto de tanto tesão e não com o fato de ser cronicamente desastrado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando volta para a poltrona munido do frasco de lubrificante, Cris aproveita alguns segundos para apreciar a bela vista que é o namorado. Meio corado de calor, o rubor vai além de suas bochechas, para o peito. Ele ainda tem camisa meio aberta e amassada como deixou e suas calças sociais justas nas coxas grossas não escondem nada da sua ereção. Com um sorriso de canto, Benício não parece ter nenhum problema em ser observado por seus olhos famintos. Cris se pergunta quando foi que ele ganhou aquela confiança toda. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Benício o puxa pelo laço do roupão que termina de abrir quando se aproxima. Ao contrário do outro, Cris sente as orelhas pegarem fogo quando ele se inclina para frente e deixa um beijo molhado em seu abdômen, empurrando o tecido pelos ombros e deixando-o completamente nu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Viu? Lindo. — Benício desce os olhos lentamente por seu corpo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Desviando o olhar com um riso fraco e negando com a cabeça, Cris tenta lutar contra a vontade de se esconder. Joga no colo do outro o frasco que ainda segura e espera não muito paciente enquanto ele lambuza os próprios dedos. Quando Benício estende um dos braços em sua direção, não hesita em se aproximar, se deitando de barriga para baixo em suas coxas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele solta um riso que parece um pouco surpreso enquanto o acomoda na posição.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Achei que alguém tinha me dito não há alguns minutos?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Cala a boca.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Benício ri um pouco mais e aperta um dos lados de sua bunda ao mesmo tempo em que esfrega sua entrada agora com mais vontade. Cris já não sabe mais se foi uma boa ideia se deitar nessa posição quando sente o pau esfregar contra a coxa dele a cada mínimo movimento. Talvez devesse pedir para ele tirar a roupa de trabalho, mas a ideia de estar completamente nu com ele completamente vestido é excitante na mesma proporção que constrangedor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu gosto quando você tá assim. — O tom dele é quase como se comentasse sobre o tempo, a pressão dos dedos em si é torturante. — Tão desesperando para que eu encoste em você que fica até obediente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris geme um xingamento quando cada uma daquelas palavras parece correr toda sua espinha. Chega a rir fraco de si mesmo, do quanto é pateticamente suscetível a quase qualquer coisa que saia daquela boca maldita.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não me enrola — pede baixinho </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Benício sorri e coloca mais pressão no movimento. Cris move o quadril na direção de sua mão, mas o que o faz ofegar de verdade é quando a sente a fricção do tecido da roupa dele no próprio pau.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não vou — ele diz enquanto força o primeiro dedo para dentro e Cris entreabre os lábios. — Porque você fica ainda mais lindo assim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">As mãos procuram qualquer coisa no que se agarrar e encontram apenas o tecido do braço do sofá. Os movimentos dele são lentos, o acostumando aos poucos, mas Cris nem tem tempo de reclamar muito quando ele acrescenta mais um dedo e começa a abri-lo devagar. Os gemidos são abafados no próprio ombro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Olha só você... — Benício diz baixinho enquanto afasta bem suas nádegas, provavelmente querendo ter uma visão clara do que faz — Sempre se abrindo tão fácil pra mim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris não sabe se o gemido manhoso que deixa escapar é pelo que o outro disse ou por ele ter começado a empurrar mais um dedo para dentro de si. Benício pressiona firme os dedos da outra mão antes de dar um tapa fraco demais em sua bunda, mas que o faz se contorcer. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mais forte. — Soa tão desesperado que sente mais uma vez o rosto esquentar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não é algo que já fizeram antes.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não é algo que Cris nem sequer já pensou em fazer com alguém.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você tem certeza?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu não vou quebrar — responde ainda no mesmo tom ofegante, se contorcendo e agarrando com mais força o braço do sofá. — Ou vou, tanto faz, só... Por favor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Benício respira tão alto que consegue ouvir. O tempo que ele demora ponderando seu pedido, porém, é longo demais. Quando ele volta a abri-lo com os dedos, Cris se esfrega ainda mais firme em sua coxa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você sabe o que fazer se for demais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">É tudo o que ele diz antes de tirar os dedos de si sem aviso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris não tem tempo de assentir com a cabeça quando sente o primeiro tapa. Uma onda de prazer percorre seu corpo de um jeito que não achava que fosse possível. O próximo vem não muito tempo depois e junto do próprio gemido, consegue ouvir Benício também ofegar. Ele esfrega novamente sua entrada, coloca e tira rapidamente dois dedos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Meu deus, você vai me matar — Benício respira pesado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Recebendo a declaração como um combustível, Cris arqueia as costas e empina ainda mais o quadril para ele. Benício esfrega a mão em um dos lados de sua bunda e acerta mais um tapa. A certeza de que ele também está gostando o deixa ainda mais excitado, se é que é possível.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Outro tapa, dessa vez mais forte que os anteriores e Cris precisa abafar o gemido no próprio ombro. O pau escorre pré-gozo, pulsando friccionado contra a perna do outro, estimulado ainda mais a cada novo tapa que faz com que se mova mesmo que minimamente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Benício puxa o ar por entre os dentes sempre que esfrega a pele agora sensível. Cris provavelmente ficará por uns dias com a lembrança gostosa dos dedos dele em sua bunda. Talvez ainda sinta quando se sentar no dia seguinte.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mais um tapa e outra onda de prazer o toma.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Por favor — choraminga, o corpo trêmulo quando precisa se concentrar em não gozar logo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Já implorando, meu bem? — A voz de Benício parece escorrer tesão direto em seus ouvidos. — Mas você tá sendo tão bom garoto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não sabe se está completamente comprometido, mas só isso faz com que seu pau escorra ainda mais e com certeza já deixou uma mancha úmida na calça do outro. Cris costuma ser paciente quando eles entram nesse clima, <i>seu</i> <i>corpo</i> costuma ser mais paciente, mas especialmente hoje está difícil se controlar e esperar o tempo que o outro parece não estar se importando em passar ali, na mais recém-descoberta dos dois. Outro tapa e é inevitável, Cris pisca mais demorado e franze o cenho quando chega muito perto de seu ápice.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu... Eu posso gozar? — A voz quase não sai quando pede trêmulo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Só com isso, amor?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Benício provoca e esfrega com mais força a pele antes de deixar mais um tapa, fazendo Cris choramingar de desespero e respirar fundo algumas vezes, tentando se agarrar ao que resta de controle.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Por favor...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Por favor o quê? — Agora Benício volta a colocar dois dedos em Cris e pressiona diretamente sua próstata. — Você quer gozar?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Quero. — Cris assente com a cabeça mesmo que talvez ele nem consiga ver e choraminga. — Por favor?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Benício torce os dedos dentro de si e o som que deixa os  lábios de Cris é algo que beira o animalesco, entre um grunhido e um ofego alto demais. Os olhos embaçam quando se enchem de lágrimas e não acha que seja possível tremer mais do que está tremendo no momento.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu amo ver você assim — ele diz baixinho e novamente puxa o ar por entre os dentes. — Abrindo mão do controle, cedendo e me esperando dizer quando pode gozar. — Benício agora dá tapinhas fracos na pele dolorida enquanto ainda move os dedos. — Eu nem preciso mais te amarrar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O gemido choroso que Cris solta só com a ideia do uso de qualquer restrição é um pouco constrangedor. Faz tanto tempo... Talvez devesse parar de ceder tão rápido, talvez devesse atuar um pouco mais, afinal, mas ao mesmo tempo em que fica zonzo com a quantidade de pensamentos do que poderia resultar em qualquer coisa que lhe dê mais prazer, Cris só quer ser obediente para Benício.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Goza, meu bem. — A permissão vem acompanhada de um afago rápido na cabeça.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris não hesita em começar a se esfregar devagar contra a coxa dele, ao mesmo tempo em que move o quadril contra os dedos dentro de si, tentando encontrar um ritmo para as duas coisas. Não que vá demorar muito, já estando tão no limite. O bico que se forma nos lábios, porém, é inevitável.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu achei que você fosse me foder.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E quem disse que não vou? — Ele aumenta a rapidez com que empurra os dedos e Cris revira os olhos. — Nós temos a noite toda.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não conseguindo pensar em nenhuma resposta ousada para dar, Cris xinga baixo e se apoia melhor no braço do sofá para aumentar a pressão do quadril. Benício ofega e o sentimento é confuso entre o constrangimento de estar sendo observado daquele jeito, tão desesperado, e a excitação de ser claramente desejado. O que o faz atingir seu limite é ouvir o outro gemer.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Olha só como você fica lindo gozando — Benício fala baixinho e não reclama quando Cris obviamente suja sua roupa — Lindo, lindo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris fecha os olhos quando estremece com o elogio e é tomado pela onda de espasmos e calor ainda mais intenso. A sensação é de que o orgasmo não tem fim. Quando volta a si aos poucos, solta o tecido do sofá no qual ainda estava agarrado e os dedos doloridos deslizam para o próprio rosto, só então percebendo algumas lágrimas que escaparam. Cris solta outro gemido baixinho quando rebola devagar contra o estímulo ainda oferecido por Benício.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando ele afasta os dedos de si, Cris precisa reunir alguma força para se levantar, mesmo com a ajuda dele. De joelhos no pouco espaço que sobra no sofá, só então vê a bagunça que fez na calça do outro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ops, sua roupa. — Solta uma risadinha de canto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Benício tem os olhos no mesmo lugar, mas os ergue assim que Cris limpa com os dedos os vestígios de seu orgasmo no próprio abdômen e em seguida os leva até a boca, lambendo devagar. O outro respira tão fundo que é quase possível ouvir seus pulmões se expandindo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu vou te foder tanto...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O pau de Cris imediatamente pulsa na esperança de que, além de uma ameaça, aquilo seja uma promessa. Os olhos se arregalam de susto quando em um impulso ele o segura pela cintura e o tira do sofá, e precisa reencontrar seu equilíbrio em tempo recorde para se manter de pé com as pernas ainda um pouco trêmulas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E eu já tenho até uma ideia do que vou fazer com você. — Benício estreita os olhos e os desvia rapidamente em outra direção.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris acompanha seu olhar e não controla o ofego que deixa seus lábios ao dar de cara com o próprio reflexo no espelho enorme na parede do quarto. Por mais que queira, não consegue desviar o olhar da completa bagunça que está. A pele brilha com uma camada fina de suor, a bunda marcada, provavelmente com a impressão perfeita dos dedos de Benício se olhar mais de perto. O cabelo completamente desgrenhado agora deixa a mostra suas orelhas que se encontram impossivelmente vermelhas, assim como seu rosto e parte do peito. Se for possível mesmo morrer de vergonha, talvez hoje seja o dia para provar que sim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Beni... Não.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu não estou te pedindo. — Ainda sentado, o tom dele é quase entediado enquanto termina de abrir os botões da camisa e se livra dela. — E bom, você sempre sabe o que dizer se <i>realmente</i> não quiser.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele faz uma pausa como se o esperasse falar alguma coisa, mas Cris abre e fecha a boca mais de uma vez antes de se dar por rendido. No fundo, também sabe que só precisa de uma palavra, um único sinal, para que tudo aquilo acabe. Mas também, no fundo, não quer outra coisa no momento que não seja ser o que Benício espera.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Como imaginei. — Ele sorri de canto e se levanta. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O som do cinto dele se abrindo causa em Cris pequenos tremores de ansiedade e, ainda parado no meio do quarto, leva uma mão até o meio das próprias pernas para se encontrar quase completamente duro de novo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Benício se livra das calças justas junto com a cueca e Cris não evita umedecer os lábios quando sente água na boca ao vê-lo tão pronto. Nos poucos segundos que tem para observá-lo, faz uma anotação mental de fazer isso mais vezes naquela noite. Parece que toda vez que se encontram ele está ainda mais bonito, se é que é possível. Seu namorado é uma obra-prima e sorte a sua poder ver, tocar e provar cada pedacinho dela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando ele se aproxima novamente não é do jeito mais cuidadoso. Se parece como um de seus abraços desajeitados que Cris aprendeu a amar, mas o beijo é mais faminto e arranca gemidos sem pudores de ambos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A passos atrapalhados, Cris estremece violentamente quando sente o espelho gelado contra a pele quente de suas costas. Benício esfrega o corpo no seu e o faz colocar os braços ao redor de seu pescoço enquanto ainda se beijam. Sempre gosta quando ele chega nesse ponto de estar muito perto de também perder o controle. Dá para sentir por como ele corre firme as mãos por todo seu corpo, como se quisesse atravessar os dedos em sua pele, fundir o corpo no seu. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sem qualquer aviso, porém, ele se afasta e Cris reage com um som assustado quando a lateral do rosto é pressionada contra o espelho e sente Benício se esfregando exatamente entre suas nádegas. Um gemido mais alto é contido quando morde o próprio lábio inferior e Cris sorri quando ouve o outro gemer sem reservas perto de seu ouvido.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">As pernas quase o traem quando Benício se afasta repentinamente. Pelo espelho, o observa ir apressado até onde deixou o lubrificante e despejar uma quantidade considerável no próprio pau. Ele se aproxima enquanto ainda move a mão ao redor de si mesmo e acena com a outra.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Pode se afastar desse espelho — ele diz sem dar espaço para contestações. Um pouco confuso com o pedido, Cris dá um passo incerto para trás e Benício volta a se encaixar entre suas nádegas. — Eu quero você se olhando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Por uma fração de segundos Cris pensa em usar a <i>safeword</i>. Seria a primeira vez entre os dois. O coração parece que vai sair pela boca em antecipação e honestamente duvida de que conseguirá ir até o final se precisar ficar encarando seu reflexo logo nesse momento, logo hoje. Ainda assim, o desejo de ser bom para Benício prevalece. Ele o conhece, conhece seus limites e o nível de confiança construído ali garante de que, na verdade, o poder está em suas mãos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando Benício começa a deslizar o pau para dentro, Cris apoia as duas mãos no espelho. A cabeça pende para frente quando geme choroso, mas logo Benício a puxa para trás pela franja, obrigando Cris a fazer exatamente o que ele quer. As investidas também não demoram a começar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris nunca se imaginou tão exposto, tão vulnerável. Ainda está muito sensível do orgasmo anterior, mas não é por isso que precisa se segurar várias vezes para não fechar os olhos. Obrigado a olhar para si mesmo enquanto é fodido pelo namorado, observa gradativamente quando os olhos começam a brilhar um pouco demais, se enchendo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Meu deus, Cris. — Benício ofega em sua nuca lhe causando ainda mais tremores. — Você é... Você é tão bom, tão quente. Que saudade eu tava.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">É tudo o que Cris deseja, ser bom para Benício.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A mão dele escorrega de seu cabelo, mas não ousa desviar os olhos de si mesmo, embora queira olhar para ele também. Cris encara a própria imagem vendo quando umas gotas de suor deslizam de sua têmpora para o rosto e se perdem na linha de seu maxilar. Um gemido mais alto quando ele acerta sua próstata e franze o cenho. Cris está uma bagunça.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris <i>é</i> uma bagunça.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu não vou aguentar muito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Com as mãos ainda apoiadas no espelho, choraminga quando sente seu ápice se aproximar e o calor se instalar ainda mais intenso em sua virilha. Ao mesmo tempo, começa a rebolar e se movimentar contra as investidas do outro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A mão dele vai para seu pescoço e, pela visão periférica, Cris vê quando Benício apoia o queixo em seu ombro. Ele respira fundo, claramente tentando se controlar enquanto pressiona os dedos em sua garganta, arrancando um gemido ainda mais alto de Cris.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Olha como você é lindo — ele sussurra em seu ouvido e a voz estremecida entrega que ao menos Cris não é o único afetado por ali. — Lindo, gostoso... E toda vez que você ousar duvidar disso eu vou te foder exatamente assim, com você vendo como você fica ainda mais lindo com meu pau enterrado em você.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não é preciso mais para que seu pau pulse com vontade e a visão fique turva quando o novo orgasmo vem de uma só vez, sem aviso. Cris não tem ideia do quão alto geme enquanto ainda sente as investidas de Benício, mas espera que as paredes do quarto sejam grossas o suficiente. A sensação é de que sua audição está momentaneamente comprometida quando ouve os gemidos dele um pouco distantes, e então sabe que ele também gozou quando para fundo dentro de si.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Deitado com a cabeça para trás no ombro do outro, Cris parece retomar os sentidos aos poucos. A respiração pesada de Benício em seu pescoço é a primeira coisa que sente, em seguida a firmeza com que as mãos dele o mantêm seguro no lugar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris resmunga ainda com o cérebro derretido demais para conseguir formular qualquer frase ou se mexer. Benício deixa seu corpo devagar, mas não se afasta, permanecendo ali pelo tempo que Cris precisar para se recuperar. Ele rodeia seu corpo com os braços e observa pelo espelho, o que só nota depois de algum tempo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Bom garoto. — Ele dá um daqueles sorrisos de tirar o fôlego.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cris estremece tão forte que ambos caem em uma risada gostosa. Sente o abraço dele ficar ainda mais firme e ser acompanhado de beijos carinhosos em seu ombro, pescoço e rosto. Com um sorriso amolecido e lutando para não fechar os olhos, aprecia as bochechas coradas do namorado e o cabelo desgrenhado molhado de suor grudado na testa. Em seguida olha para si mesmo. Talvez nunca tenha se visto tão... nu. E ali, sem qualquer vestígio do que estava nublando sua visão, não é que Cris gosta do que vê?</p><hr class="content_break"><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Oie!</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Suh aqui, diretamente de uma fresta do armário da escrita hahaha. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Para todos os efeitos, eu não escrevo. É o que costumo dizer por aí. Na verdade, eu voltei a escrever no final de 2022 depois de dezesseis anos parada, mas apesar de curtir muito e ser livre escrevendo o que eu quiser, eu não tenho qualquer pretensão de que isso deixe de ser só um hobby ou de abrir minhas coisas para todo mundo. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Só o Koda pra me tirar momentaneamente desse armário! E que bom que eu aceitei o convite, me senti muito importante e honrada. Espero que você que chegou até aqui tenha curtido tanto quanto eu curti escrever o Cris e o Beni.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nos vemos por aí.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Um beijo,</p><figcaption class="blockquote__byline"> Suh </figcaption></blockquote></div><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Leia todos os textos da <b>kinktona</b>!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-spillways?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=8-reflexos-kinktona-suh-roman" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">1 - Spillways - Isabelle Morais</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=8-reflexos-kinktona-suh-roman" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">2 -</a><b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=8-reflexos-kinktona-suh-roman" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"> </a></b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=8-reflexos-kinktona-suh-roman" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">A mesa da masmorra - Anita Saltiel</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-senhora-e-o-verme?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=8-reflexos-kinktona-suh-roman" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">3 - A Senhora e o Verme - Larissa Siriani</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-agua-dourada?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=8-reflexos-kinktona-suh-roman" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">4 - Água dourada - Ariel F. Hitz</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-toque-fantasma?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=8-reflexos-kinktona-suh-roman" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">5 - Toque Fantasma - Alex Fernandes</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-o-arquimago-do-outono?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=8-reflexos-kinktona-suh-roman" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">6 - O Arquimago do Outono - Fai Mazell</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-disque-punheta?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=8-reflexos-kinktona-suh-roman" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">7 - Disque-punheta - Fai Mazell</a></p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">E se você leu até aqui, essa é a oitava rapidinha de DEZ com autores convidados que virão nas próximas semanas. Estamos na reta final, então fica por aqui, manda pra amigues, divulga nas redes sociais e me ajuda a levar esse projeto mais longe ❤️ </p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso! Um xêro e um queijo,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Kodinha</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"></p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=5d9ead94-a562-4fd8-9b08-b9bfbe32e359&utm_medium=post_rss&utm_source=so_uma_rapidinha">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>#7 - Disque-punheta - Kinktona - Lacie</title>
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  <pubDate>Wed, 13 Nov 2024 21:00:00 +0000</pubDate>
  <atom:published>2024-11-13T21:00:00Z</atom:published>
    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
    <dc:creator>Lacie</dc:creator>
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Até o dia 04 de dezembro teremos textos novos por aqui toda semana, cada um de uma pessoa convidada diferente, e todos muito queer e kink!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quem escreve pra vocês hoje é a <b>Lacie</b>!</p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="apresentao">Apresentação</h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Lacie</b> (ela/dela) — <a class="link" href="https://x.com/lacieverso?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=7-disque-punheta-kinktona-lacie" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">twitter</a>, <a class="link" href="https://www.instagram.com/lacieverso/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=7-disque-punheta-kinktona-lacie" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">instagram</a>, <a class="link" href="https://tiktok.com/@lacieverso/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=7-disque-punheta-kinktona-lacie" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">tiktok</a>, <a class="link" href="https://bsky.app/profile/lacie.bsky.social?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=7-disque-punheta-kinktona-lacie" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">bluesky</a> — é escritora de Salvador - BA e é apaixonada por dramas gays. Suas histórias passeiam pelo triste e pelo dolorido e entregam lágrimas e putaria na dose certa! Os personagens desse conto fazem parte do Lacieverso e são os protagonistas de “Sincronicidade”, uma <i>webnovel</i> sobre um rapaz que é destinado a matar o homem que ama — do contrário, todo o universo perecerá.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Tô bastante feliz de recebê-la por aqui e queria dizer que essa é uma temática que eu gosto muito e espero que vocês gostem também!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Lembrem-se de conferir a lista de aviso de conteúdo logo no começo do texto e se mantenham segures! Bora?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);"><i>Se quiser contribuir com o trabalho da Lacie, considere doar qualquer valor para </i></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);"><i><a class="link" href="mailto:lacieverso@gmail.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">lacieverso@gmail.com</a></i></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);"><i> para a ajudar a continuar contando histórias.</i></span></p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="aviso-de-contedo"><span style="color:rgb(67, 67, 67);">Aviso de conteúdo</span></h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>exibicionismo, guidance, eles acabaram de se conhecer, punheta guiada, fast burn</i><span style="font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i> </i></span></p><h1 class="heading" style="text-align:left;" id="disquepunheta">Disque-punheta</h1><p class="paragraph" style="text-align:left;">A universidade pública era completamente diferente daquela escola minúscula de interior que um dia Amin frequentou. Sempre soube que tinha boas chances no vestibular porque Ehre, seu irmão, sempre conseguiu prover a casa e não deixava Amin trabalhar para ajudar a complementar a renda, dizendo que ele deveria sempre se esforçar para conseguir um futuro melhor. Não queria dizer que os dois não passaram dificuldades, mas com o irmão trabalhando na prefeitura e sendo o <i>crush</i> da filha do prefeito, eles tinham algumas regalias. Uma delas foi conseguir acomodações para prestar o ENEM na capital, e agora, meses depois, Amin conquistara com afinco uma vaga para a Licenciatura em Letras na UFBA. Infelizmente a logística de se mudar para a capital era outra história. Ehre não conseguiria largar seu trabalho, mas com alguma ajuda, eles conseguiram um quarto livre em um pensionato próximo à faculdade, com o detalhe de que deveria compartilhar o quarto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sasha, um rapaz alto e forte, não era o tipo de companhia que Amin estava esperando, mas também não era das piores. Eles conviviam bem no quarto, e a casa tinha uma sala em conjunto com uma pequena cozinha que eles podiam utilizar. Sasha era uma pessoa bastante carismática e fazia questão de dividir a comida que fazia, mesmo sabendo que Amin não tinha tanto dinheiro para contribuir. Era uma pessoa pacífica, mas o problema de fato...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Era Leia. Vulgo a namorada de Sasha, uma menina que ele conhecera na faculdade, mas tinha um histórico completamente diferente dos dois. Ela era de uma família abastada e fazia questão de dizer isso e sempre pedir comida para as duas, além de sempre oferecer alugar um apartamento para as duas. Sasha sempre negava com um sorriso, mas, de vez em quando, Amin se perguntava se seria bom caso ele finalmente aceitasse. Assim, ele pararia de receber encomendas e encomendas em nome do outro de <i>binders</i>, coleiras e outros itens que ele temia nem saber o nome, apenas a função...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E certamente, os dois faziam <i>muito proveito </i>dessas funções.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">No começo, era apenas durante os finais de semana, mas conforme o relacionamento dos dois avançou, Leia costumava aparecer mais e mais na pensão. Como dividiam o quarto, Sasha pedia para Amin esperar na sala. O problema para ele não era esperar do lado de fora, mas sim os barulhos. Leia gemia <i>alto, </i>e Amin não tinha dinheiro para fones abafadores de ruído. Sem falar que, quando o cansaço o abatia, ele queria descansar na cama, e não em um sofá mequetrefe de mais de trinta anos. Ele sabia que poderia reclamar com a dona do pensionato, que vinha uma vez pela semana deixar recomendações e obrigações, além de levar o pagamento, mas Amin não queria forçar uma situação complicada. Por isso, começou o hábito de estudar pela biblioteca da faculdade, e voltar a pé para o pensionato, uma caminhada de uns quinze minutos durante a noite. Amin agradecia por ser homem, porque a situação acabava sendo mais tranquila para ele. Não era totalmente seguro, mas ninguém mexera com ele até então.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Um dia em particular, no meio do semestre, ele voltou para a pensão e ao ouvir os barulhos em seu quarto, suspirou. Deixou suas coisas em cima da mesa, e, apesar de não se sentir tão cansado, ele não queria estudar. Pegou sua chave e deixou a mochila em cima do sofá, assim como o celular. Uma coisa que ele queria fazer há algum tempo, desde que se mudou, era ir para a praia, que ficava a poucos metros do pensionato. Não pretendia se molhar, mas ao menos poderia apreciar o pôr-do-sol e espairecer um pouco a cabeça.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A caminhada foi lenta enquanto ele observava o passar de carros e pessoas entrando em farmácias e mercadinhos para realizar as compras do dia e retornar para suas casas. Amin sorriu, sentindo enfim a brisa marítima em seu rosto. Ele gostava muito da cidade onde nascera, mas havia algo no mar que o atraía... como se seu próprio ser pertencesse às águas. Seu irmão brincava que ele era filho de Yemanjá, mas Amin não sabia o quanto isso era verdade. De qualquer forma, ao chegar na passarela, seus passos o levaram a descer as escadas e experimentar a areia fofa da praia. Ele tirou suas havaianas, afinal, queria ter a experiência por completo. Pelo movimento, a maré estava enchendo, e havia algumas poucas pessoas aproveitando o que restava do sol naquele dia de outono. Ele aconchegou-se em uma das pedras, mergulhando os pés na água que vinha e voltava, e fechou os olhos. Sentiu sua energia se repor, como se tudo que ele precisasse no momento era de uma pequena conexão com a natureza. Claro que tinha as preocupações mundanas: as notas da faculdade, se o irmão não estava sendo assediado pela filha do prefeito, se ele conseguiria voltar para casa no São João... eram inúmeras, mas naquele momento, nada importava.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Oi? Você tá bem?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sua meditação foi atrapalhada por uma voz e Amin voltou a abrir os olhos. Quase imediatamente achou que estava sonhando, porque a pessoa à sua frente só poderia ter saído de um romance de banca.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele era um homem alto, com os cabelos dourados presos em um rabo de cavalo baixo, e olhos azuis faiscantes, contrastando com a herança dos pais indianos, que o agraciaram com uma tez marrom escura e olhos castanhos avermelhados. A roupa de Neoprene dele estava aberta e pendurada ao redor da cintura, deixando seus braços e torso livres, e Amin teve de fazer muita força para não encarar o peito musculoso do rapaz, e sim seu rosto, que estava cheio de preocupação. Nas mãos, ele carregava uma prancha, e Amin adivinhou se tratar de um dos surfistas que vira mais cedo nadando entre as ondas. Ele estava próximo demais de si, a pele levemente bronzeada e com o cheiro de mar...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Uh? — Ele se amaldiçoou no momento que sua própria resposta atingiu seus ouvidos. Pelo amor de Deus, ele era um estudante de Letras, mas todas as palavras lhe falhavam agora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você tá bem? Cê tá parado aí a um tempão, meus amigos falaram que tu tava chapado ou passando mal.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Nenhum dos dois — Amin respondeu, ríspido. — Estava apenas aproveitando o mar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ah, que pena. Já ia pedir um pouco.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Amin achou que o estranho já iria embora, mas ao contrário do que esperava, ele se sentou ao seu lado no coral, sorrindo. Sentiu seu coração falhar uma batida. Havia algo no olhar do outro que o atraía, enquanto ele tentava com muita força prestar atenção ao seu rosto e não ao modo como as gotas de água desciam por sua clavícula...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mausi.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Que... — Amin foi mais uma vez eloquente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Meu nome é Mausi. E o seu?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ah... Amin.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Amin, eu nunca te vi por aqui. É novo na cidade?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim, vim do interior para estudar na UFBA.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sabia. Eu nunca teria esquecido seu rosto se já o tivesse visto nas baladas lá do <i>Red River.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sentiu suas bochechas corarem. Era isso mesmo que estava acontecendo? Um surfista bonitão dando em cima dele? Não era como se Amin fizesse distinção de gênero ao se atrair, mas nunca chegara a fazer nada com ninguém. Agora tinha a tentação de todos os seus desejos mais íntimos em forma de gente e aparentemente interessado em si. Droga, o que ele deveria fazer? Não sabia como flertar, e parecia patético aos seus próprios olhos. Sem falar que estava com uma bermuda e camisa qualquer, que disfarçavam a barriga que nunca viu exercícios ou trabalho pesado na vida.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você estuda o quê?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Hm... Letras. Licenciatura.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tem cara mesmo disso. E eu?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Hu?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Qual você acha que é o meu curso?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Amin sorriu um pouco. A situação era completamente surreal.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não saberia dizer. Mal sei seu nome.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mausi, eu falei. Tenho vinte e três anos. Moro na Vitória, estudo Administração. Gosto de vir aqui na praia de Ondina tanto quanto possível pra nadar ou andar. E agora, eu gostaria muito de ter um encontro contigo, porque eu sei um tesouro quando vejo um. E aí, topa?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Se Amin antes estava envergonhado, agora ele decididamente queria morrer. Colocou as mãos no rosto para tentar esconder o rosto rubro, mas ao roubar um olhar para Mausi, sabia que o outro estava completamente entregue, e não era uma pegadinha.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu... Eu só não... o que fazer. Eu... Eu nunca namorei — confessou numa voz baixa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Achou que Mausi fosse rir, mas ele apenas ofereceu uma mão em sua direção, dizendo:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não se preocupe. Nós temos todo o tempo do mundo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Talvez não fosse tão ruim assim. Amin segurou em sua mão, apertando-a com força, sentindo as gotas de mar entre os deles, o calor entre eles aumentando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Posso lhe comprar um lanche? Tem uma lanchonete que curto aqui.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Desculpe... eu esqueci a carteira no pensionato. Sem falar que a grana tá curta... — admitiu, sem olhar para ele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tudo bem. Podemos deixar para outro dia, mas... Posso levar você em casa?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Amin corou ainda mais. Mas o dia já morria, e, francamente, era tão ruim assim? Ele era jovem e tinha um rapaz interessado nele. Não era o suficiente? Ele assentiu e os dois se levantaram. Mausi o guiou até o grupo de amigos dele, que se apresentaram, mas Amin não conseguiu prestar atenção. Estava com os batimentos do coração nos ouvido e quase teve uma parada cardíaca quando Mausi tirou a roupa de Neoprene e ficou apenas de sunga no meio da praia. Os dois foram até o carro de um dos seus amigos deixar a prancha e suas outras coisas de praia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu já volto. Vou deixá-lo em casa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ê... tá namorando, Mausi?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele apenas sorriu para o amigo e segurou  a mão de Amin  mais uma vez. Os pensamentos de Amin estavam voando em todas as direções.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E aí, você tá gostando de Salvador? — Mausi puxou assunto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim. Gosto do mar... e conheci pessoas legais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu sou uma delas?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Amin quase morreu ao se engasgar com a saliva, ao passo que Mausi ria. Por fim, Amin limitou-se a dizer:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu acho que sim. Eu só... — ele hesitou por um momento. — Eu não sei como te dizer isso, mas eu nunca tive algo assim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Assim como?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Amin fez menção às mãos dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ah, tu é virgem?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Pela terceira ou quarta vez naquele dia ele pediu à terra que o engolisse, para ver se ele suportava a vergonha. Apenas assentiu, e os dois caminharam em silêncio chegando à entrada do pensionato.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Se quiser, eu te ensino os macete. Amin... —- Mausi parou a sua frente, o olhar sério e decidido. — Eu não sou de fazer isso, sabe, de sair dando em cima de qualquer um. É só que eu tive a impressão que se eu te deixasse ir, não ia mais te ver, e isso não quero. Eu realmente gostei de ti.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mausi...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Então eu não me importo de esperar, ou de te ensinar coisa. Sou paciente. Sei lá, eu só quero você. Então, por favor, dê uma chance pra isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Amin assentiu. Mausi sorriu, e aquilo o fez sorrir também. Os dois aproximaram os rostos e, ao ser beijado, Amin pensou que sim, era aquilo que faltava na sua vida. Podia não dar certo, podia ser que terminasse mal... mas o que importava era que tinha começado bem pra caralho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O beijo tinha gosto de mar e ele, além do mesmo cheiro, tinha uma aura parecida... um leve perfume de lavandas. Sentiu a língua dele tocar seu lábio e timidamente abriu a boca, permitindo sua passagem, e sentiu ele explorando seu interior. Suas mãos foram para os cabelos curtos de Amin, enquanto as de Amin exploravam o peito bronzeado e forte. E... droga, ele era muito gostoso mesmo. Estava quase convidando o outro para entrar quando ouviu um barulho de grito vindo da pensão, e os dois se separaram.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tá tudo ok?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Acho que a dona veio pra cá.... — Amin suspirou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Fica ruim pra você se eu ficar?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Acho que sim, mas eu quero te ver de novo. — Amin puxou ele para mais um beijo rápido.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Hehehe. Anota meu telefone então, por favor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Amin abriu a porta para conferir lá dentro, e, aparentemente, a confusão vinha de um dos quartos. Voltou para fora e avistou Mausi próximo ainda. Eles trocaram telefone e mais um beijo antes de se separarem.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vamo marcar um dia de sair. — Mausi convidou. — Cê não foge de mim não, viu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não pretendo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Seus pensamentos estavam completamente perturbados, mas ao entrar de novo, Amin percebeu sobre o que era a confusão. Aparentemente era Sasha brigando com a dona do pensionato, que tinha pegado os dois em uma situação comprometedora. E agora Sasha estava fazendo as malas, enquanto Leia, nervosa, chamava um uber.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu vou ficar bem, Amin — Sasha tentou tranquilizá-lo. — A gente resolve isso depois.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Qualquer coisa, eu tô aqui, viu?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sei. De boas, fica bem.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E os dois partiram, deixando Amin com seus pensamentos. Ele voltou para o quarto, que ainda tinha algumas coisas de Sasha, e Amin prometeu que iria guardá-las até que o outro voltasse para pegar. Tomou um banho, para então se deitar na cama de solteiro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O sono não viria com facilidade, ele percebeu ao zapear pelo telefone até às uma da manhã. A situação com Sasha era um problema, mas era nos lábios de Mausi que seus pensamentos se concentravam, e ele já se sentia meio duro entre as pernas. Droga, queria ter feito mais coisas com ele, mas entendia que eles ainda tinham bastante tempo. Era apenas o início. Era...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele voltou para o aplicativo de mensagens onde os dois conversaram mais cedo e encarou a foto de perfil<i> </i>dele. Lógico, era uma sem camisa. Ele suspirou, sentindo seu membro acordar mais ainda. Deslizou o dedo pela foto... Droga, ele ficava muito bem assim...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E aí a chamada se completou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Alô? — Ouviu a voz do outro perguntar, um pouco grogue. — Amin?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Merda — xingou. — Desculpa, Mausi, eu só...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tava com tanta saudade assim? — ele brincou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim, mas... Não pretendia te acordar. Desculpa. Vou desligar...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Que nada, eu demorei a dormir também. Desliga não, quero ouvir tua voz até dormir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Amin se sentiu corar mais uma vez, mas a perspectiva era bastante agradável. E Mausi dissera que ele poderia ligar a qualquer hora...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— No fim, qual foi a confusão aí?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Expulsaram meu colega de quarto porque a dona pegou ele transando com a namorada aqui, e aparentemente isso é proibido porque eles não são casados ainda. Toda uma treta. A namorada também abusa vindo aqui quase todo dia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E cê ficava de vela?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Por isso fui pra praia hoje. Mas ainda bem que fui... por que conheci você.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ohh, tu é muito romântico.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Cala a boca. Não é como se você tivesse esquecido.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Claro que não. Mas agora estamos com espaços limitados para todos os modos que quero beijar você...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mausi.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Castamente, claro. Posso esperar até nosso casamento.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Amin riu, mas o movimento no torso apenas o fez lembrar da sua ereção dolorosa entre as pernas. Ele queria ser beijado, queria ser tocado por Mausi....</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mausi. Posso ser cara de pau?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Pode, desde que não peça dinheiro emprestado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu tô muito duro lembrando do nosso beijo hoje — confessou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Amin ouviu o rufar dos tecidos, enquanto o outro se posicionava melhor na cama.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Porra, Amin. Puta que o pariu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Desculpe...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Desculpe é o caralho, porque agora eu tô com as bola roxa. E não posso te comer.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Amin soltou uma risada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não é você que disse que tínhamos tempo?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Temos, mas caralho. Caralho... Tira uma foto?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Amin sentiu até os ombros corarem com aquela pergunta, mas se ele já tava no inferno, era melhor abraçar o capeta. Ajeitou-se na cama e tentou não pensar no irmão o julgando pelo que estava prestes a fazer. Abaixou a cueca e mostrou seu membro, que estava pulsante e corado, além de bastante duro. Tirou a foto, o flash ecoando pelo quarto, e mandou pelo aplicativo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mausi soltou um som quase inumano.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Quero uma sua também — pediu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Caralho... Ok.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A foto demorou alguns segundos dos dados móveis para receber, mas quando viu os músculos definidos e a rola grande e grossa de Mausi, Amin quase sentiu chegar ao ápice. Ele respirou fundo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Amin... — Mausi o chamou. — Posso fazer algo? Pode ser esquisito, mas...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— O quê?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Posso... te guiar? Cê falou que não sabia dessas coisas, mas eu curto ficar no comando, e gostaria muito de te ver gozar só com o que digo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ah... — O que ele tinha a perder? — Ok.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Se você quiser parar a qualquer momento, só falar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mausi... por favor. O que você quer que eu faça?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Hm... Primeiro, quero que tire essa cueca. Ela é bonitinha, mas cê não precisa dela agora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Não preciso mesmo</i>, Amin pensou. Deixando o celular cair para o lado, tirou o que restava da sua roupa e ficou completamente nu na cama. Ainda bem que Sasha foi expulso, porque não teria coragem de fazer essas coisas com ele no mesmo quarto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Agora... toque seu pau, devagar. Não pode gozar ainda. E seja lento.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mausi...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ainda meio sem jeito, fez como o pedido, sentindo o alívio ao tocar o pau esquecido e rígido. Bombear lentamente trouxe aquela agonia gostosa que começou a se acumular em seu ventre. Estava filmando sua ereção — o que seu irmão pensaria disso, ele se questionou — e seus gemidos eram captados pela câmera do celular. Mausi não conseguia ver a expressão de Amin desse ângulo, mas sua tela mostrava a dele: seu rosto estava avermelhado e sua respiração estava visivelmente afetada, mas ele mantinha o olhar fixo no pau de Amin e um sorriso diabólico no rosto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você gosta disso? — Sua voz era em um tom grave e ansioso. — Gosta de ser tocado? Porra, eu quero muito te tocar, sentir o gosto da tua pele.... Cê é muito gostoso, Amin. Eu quero que você toque seus mamilos, devagar, puxando-os porque sei que tu deve ser sensível pra um caralho...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mausi… — Suspirou contra o telefone.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nunca se imaginara em tal situação. Era vergonhoso ouvir aquelas palavras, ao mesmo tempo que o fogo em seu interior se alimentava delas. Era a primeira vez que fazia algo do tipo, mas se fosse assim sempre com Mausi, ou ainda melhor, Amin estava certamente apreciando esse novo lado da vida. Ele passou os dedos por um de seus mamilos, sentindo-o duro e sensível, e imaginou a boca de Mausi sugando e deixando marcas com os dentes. Ele seria malvado, e não o deixaria gozar? Ou o recompensaria por ser um bom menino que obedece às suas ordens?  </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Puxou seu mamilo de leve, gemendo contra o telefone. A respiração entrecortada de Mausi provava que ele também estava bastante afetado. O comando veio novamente em uma voz de registro baixo, mas decidida.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tu tem KY?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tenho...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ora, que safadinho. — Amin riu um pouco. — Sabe usar?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sei sim. Isso você não precisa ensinar...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Amin, pegue o pote então.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Demorou alguns segundos para se situar e ir em direção à mesinha de canto, de onde tirou o produto e espalhou por sua mão. Com habilidade, seus dedos já familiares com aquele caminho, sentiu o toque gelado contra sua entrada e enfiou dois dedos em si, sentindo o desconforto conhecido rapidamente se derreter em tesão. Seus gemidos já eram mais livres e ele queria um pouco de vingança também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mausi, eu quero você. Quero você dentro de mim...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Porra... Amin.... Não goze ainda. Eu quero ver você.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Um gemido de frustração escapou dos seus lábios. Ele ainda estava insatisfeito, porque os dedos não o preenchiam da forma que ele queria, sua entrada pulsava pedindo um contato mais íntimo. Repousou o celular entre as pernas, de modo que ficasse de pé com o soquete atrás, com o ângulo voltado para seu pau e sua bunda. Com uma mão explorava mais o seu interior, enquanto a outra ainda lentamente bombeava seu pau, que estava vermelho e com a glande expelindo o pré-gozo. Amin não fazia ideia de que Mausi conseguia ver o seu rosto, mas imaginava que devia estar com uma expressão de uma grande vadia. <i>Céus, isso é bom demais para ser verdade, </i>pensou. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Porra, Amin, tu é muito gostoso. Seu cu tá engolindo seus dedos. E seu pau… Quero muito saber qual é o gosto dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Os olhos de Amin brilharam na escuridão, porque naquele momento se lhe oferecessem um portal de teletransporte para qualquer lugar, ele escolheria aparecer sentado naquele pau, e o mundo seria destruído antes que tirassem ele de cima de Mausi.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Amin…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mausi, eu <i>preciso </i>gozar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Na tela, Mausi sorriu. <i>Que maldito sorriso.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você vai ser um bom menino e esperar mais um pouco.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mausi… Por favor…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Paciência, Amin.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tenho nenhuma não, caralho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A risada de Mausi ecoou de forma caquética pelo chiado do celular, mas claro que ele estava se divertindo. Não era ele com a necessidade de dar, de gozar naquele instante mesmo ou ele morreria. Ou algo assim. Não sabia mais diferenciar seu tesão de um ataque cardíaco.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Pode ir mais devagar… Enfie mais um dedo dentro de você.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Porra, Mausi.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sem boca suja, Sr. Amin. É uma chamada de respeito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vai se foder. Melhor, venha <i>me </i>foder. <i>Por favor.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tudo a seu tempo… — Amin queria socar aquele sorriso da cara dele, mas fez o que foi pedido. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Meio sem jeito inseriu o terceiro dedo, sentindo ele alcançar aquele espaço tão precioso dentro de si. Seu pau deixou cair mais líquido em sua barriga, mas ainda manteve a mão nele calma e precisa, apesar de querer mandar tudo às favas. Sua boca oferecia gemidos, e mais uma vez agradeceu por Sasha não estar ali para ver aquilo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Amin… — Mausi disse, sôfrego. — Amin, eu quero te ver gozar. Goza pra mim. Eu deixo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Como se tudo que precisasse fosse uma permissão, Amin aumentou a velocidade do vai e vem, e já não se reconhecia mais, apenas precisava de alívio. Quando o gozo veio, sentiu sua mente nublar, e apenas uma impressão ficou: de aquele fora o melhor orgasmo que tivera em vida. Seu esperma contrastava com a pele escura mesmo na noite iluminada apenas pelo celular, e ele jogou a cabeça para trás, tentando recuperar o fôlego. Após alguns segundos, pegou o celular de volta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ainda tá aí? — perguntou brincando, mas com medo de que o outro tivesse ido embora. Tinha ficado tudo muito silencioso. — Mausi... — Nem sabia o que dizer, além de chamar pelo nome dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O outro parecia ainda mais perturbado que ele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Porra, foi a melhor foda da minha vida e nem meti em ti.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Calma que temos todo o tempo do mundo — brincou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Calma porra nenhuma. Tô chamando o uber pra ti vir pra cá agora. E traga o KY...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mandão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— O seu mandão. Agora venha logo, puta que o pariu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Pensando que estava prestes a cometer a maior loucura de sua vida, Amin apenas se deixou descansar um pouco antes de arrumar a mochila com o material da faculdade e com uma muda de roupas. Talvez fosse apenas um caso, mas enquanto entrava no uber, pensava que agora tinha uma vida inteira pela frente, e ainda queria várias caminhadas na praia com Mausi... E quem sabe, o mesmo número de fodas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Afinal, eles tinham todo tempo do mundo.</p><hr class="content_break"><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Olá, amoras! Aceitam um chá? Um biscoitinho doce?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Espero que vocês tenham curtido (hehe) este pequeno conto pertencente ao Lacieverso. Amin e Mausi moram na minha cabeça sem pagar aluguel há mais de vinte anos, e estou deliciada em finalmente trazê-los à tona.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Agradeço muito ao Koda pelo convite, este conto foi uma saída da zona de conforto hehehe. Primeira vez que ambiento uma história aqui em salvador city, foi ótimo revisitar espaços que fazem parte da minha história.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Amin e Mausi fazem parte do meu próximo projeto, Sincronicidade, que deverá sair em algum momento em 2025. Se você estiver ansioso, pode começar a leitura por Hortênsias, que é o primeiro romance do lacieverso, e pode ser lido gratuitamente em <a class="link" href="https://lacieverse.com?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=7-disque-punheta-kinktona-lacie" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">lacieverse.com</a>. Tenho esperanças também de lançar o catarse do livro físico no primeiro semestre de 2025, vamos ver se o destino colabora…</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Para mais notícias sobre o lacieverso, escrita ou simplesmente um lugar seguro para desabafar, recomendo meu <a class="link" href="https://t.me/+NpsDk8lo1TM1NThh?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=7-disque-punheta-kinktona-lacie" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">canal do telegram</a>! É aberto ao público!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Muito obrigada e espero que tenham aproveitado bastante, </p><figcaption class="blockquote__byline"> Lacie </figcaption></blockquote></div><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Leia todos os textos da <b>kinktona</b>!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-spillways?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=7-disque-punheta-kinktona-lacie" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">1 - Spillways - Isabelle Morais</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=7-disque-punheta-kinktona-lacie" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">2 -</a><b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=7-disque-punheta-kinktona-lacie" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"> </a></b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=7-disque-punheta-kinktona-lacie" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">A mesa da masmorra - Anita Saltiel</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-senhora-e-o-verme?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=7-disque-punheta-kinktona-lacie" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">3 - A Senhora e o Verme - Larissa Siriani</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-agua-dourada?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=7-disque-punheta-kinktona-lacie" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">4 - Água dourada - Ariel F. Hitz</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-toque-fantasma?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=7-disque-punheta-kinktona-lacie" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">5 - Toque Fantasma - Alex Fernandes</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-o-arquimago-do-outono?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=7-disque-punheta-kinktona-lacie" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">6 - O Arquimago do Outono - Fai Mazell</a></p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">E se você leu até aqui, essa é a sétima rapidinha de DEZ com autores convidados que virão nas próximas semanas. Fica por aqui, manda pra amigues, divulga nas redes sociais e me ajuda a levar esse projeto mais longe ❤️ </p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso! Um xêro e um queijo,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Kodinha</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"></p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=0be73133-dfe6-4e1a-a0dd-cc97c2c99a91&utm_medium=post_rss&utm_source=so_uma_rapidinha">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>#6 - O Arquimago do Outono - Kinktona - Fai Mazell</title>
  <description>itens mágicos pouco ortodoxos</description>
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  <pubDate>Wed, 06 Nov 2024 21:00:00 +0000</pubDate>
  <atom:published>2024-11-06T21:00:00Z</atom:published>
    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
    <dc:creator>Fai Mazell</dc:creator>
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    <div class='beehiiv'><style>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;">Olá querides safades, tudo bom? </p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Bora que bora que hoje tem mais <b>kinktona</b>, a maratona kink do Só uma rapidinha! Até o dia 04 de dezembro teremos textos novos por aqui toda semana, cada um de uma pessoa convidada diferente, e todos muito queer e kink!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quem escreve pra vocês hoje é o <b>Fai Mazell!</b></p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="apresentao">Apresentação</h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><b>Fai Mazell </b></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">(ele/dele) — </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><a class="link" href="https://x.com/faimazell?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=6-o-arquimago-do-outono-kinktona-fai-mazell" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">twitter</a></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">, </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><a class="link" href="https://www.instagram.com/faimazell/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=6-o-arquimago-do-outono-kinktona-fai-mazell" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">instagram</a></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">, </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><a class="link" href="https://bsky.app/profile/faimazell.bsky.social?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=6-o-arquimago-do-outono-kinktona-fai-mazell" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">bsky</a></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> — é autor, ator e diretor, além de jogador de RPG. É bi e não binário e produz conteúdo queer de todo tipo na internet. É co-criador do canal geek LGBTQIAP+ </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><a class="link" href="https://www.youtube.com/MareGeek?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=6-o-arquimago-do-outono-kinktona-fai-mazell" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Maré Geek</a></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> e da websérie </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><a class="link" href="https://www.youtube.com/watch?v=O-KeHs-8wKc&list=PLBuB8nBoHsA0aNGPczxz0OCHVL8SItrKk&index=2&utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=6-o-arquimago-do-outono-kinktona-fai-mazell" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Desaventureiros</a></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> (também atua como Geburath, uma meio-orc que é um deus do caos). A Maré também tem várias mesas de RPG gravadas e transmitidas ao vivo no canal, e todo o conteúdo — websérie e RPG — é gratuito para assistir. Fai também escreveu </span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><b>Cedro, Guaco e Cantarelo</b></span><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">, uma fantasia erótica com três gnomos que é uma delicia de ler e que logo será publicada de forma independente na Amazon. </span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Fai tem papilas gustativas parecidas com as minhas pra conteúdo erótico duvidoso e potencialmente questionável, o que quer dizer que eu amo as coisas que ele faz e fiquei muito feliz quando aceitou escrever pra kinktona. Espero que vocês se divirtam lendo como eu me diverti também.</span></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(0, 0, 0);font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">Lembrem-se de conferir a lista de aviso de conteúdo logo no começo do texto e se mantenham segures! Bora?</span></p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="aviso-de-contedo"><span style="color:rgb(67, 67, 67);font-family:Arial, sans-serif;font-size:14pt;">Aviso de conteúdo</span></h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;">sexo anal, sexo oral, sensações compartilhadas, provocações, restrições, negação, dá pra chamar isso de </span><span style="font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>foursome</i></span><span style="font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> se as duplas estão em locais diferentes?, excesso de estímulos, </span><span style="font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"><i>ainda conta como monsterfucking se ninguém sabe se ele é mesmo um dragão?</i></span><span style="font-family:Arial, sans-serif;font-size:12pt;"> </span></p><h1 class="heading" style="text-align:left;" id="o-arquimago-do-outono">O arquimago do Outono</h1><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quando Luar desperta sozinho em sua cama com um puxão de cabelo, ele sabe que perdeu a aposta errada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A joia em seu dedo — <i>sua punição</i> — reluz sarcástica na luz da manhã, gabando-se da aura mágica maliciosa que sem dúvida possui, ainda que Luar não seja capaz de detectá-la.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O anel havia parecido perfeitamente inofensivo na véspera, depois da humilhante partida de damadrez que selou o destino de Luar. <i>Você pode tirá-lo quando quiser</i>, Amidrie havia dito. <i>Se for, você sabe… Demais</i>. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Palavras doces, olhos preocupados e o meio sorriso de filho da puta que sabe muito bem que está manipulando sua presa direitinho. <i>Você quer que eu explique o que ele faz?</i> </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não, Luar não queria. Luar queria uma boa noite de sono, porque se tivesse dormido direito um único dia no último mês nunca teria perdido aquela partida idiota em primeiro lugar. Luar queria que o namorado calasse a boca bonita e o abraçasse sob as cobertas, e não, <i>claro que ele não ia tirar a porra do anel</i>, ele era um bom perdedor e certamente seria capaz de aguentar um dia inteiro de… qualquer que fosse o  tormento que Amidrie houvesse engendrado em seu excesso de tempo livre.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Passando a mão no cabelo encaracolado e curto, buscando o fantasma da dor de um puxão bem dado e o encontrando na lateral raspada da cabeça, Luar sente um frio na barriga ao constatar que aquela dor não podia ser sua.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">… Certo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Nunca namore um feiticeiro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Muito menos um <i>elfo</i> feiticeiro com sono de menos e imaginação demais. Agora que Luar quer explicações, Amidrie não se encontra, criaturinha matinal e agitada que tende a ser. Seu perfume ainda paira pela casa, fantasmagórico como o formigamento improvável na pele de Luar, e o único sinal de que esteve aqui esta manhã é café passado e uma pequena nota em letra afiada: <i>bom dia, te amo, boa reunião!</i> Com um coraçãozinho cínico rabiscado do lado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele não tem um bom presságio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O dia se arrasta sem grandes incidentes, mas os pequenos efeitos mágicos vão se acumulando o suficiente para que Luar aos poucos compreenda o que está acontecendo: ele sente cabelo ricocheteando ao seu redor, e reconhece o peso da trança loira de Amidrie com facilidade. Uma brisa fria refresca seu rosto em um cômodo fechado. Um beijo estalado em sua bochecha é áspero demais para que seja de Amidrie — é o rosto do feiticeiro que está sendo beijado. Sim, Luar está entendendo para onde isso está indo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mas a manhã se desdobra em tarde e nada de grave acontece, sua reunião se aproxima a galope e agora Luar está suando frio. É difícil dizer se ele está cada vez mais sintonizado com a magia do anel ou se o anel está cada vez mais sintonizado com sua paranoia: Amidrie está se comportando (e é exatamente isso que o preocupa), mas Luar começa a perceber cada pequeno estímulo ao seu redor, até ter certeza de que o tato de ambos está perfeitamente sobreposto — o tecido frio e rígido de seu terno coexiste com o toque delicado dos robes do feiticeiro, uma mão aperta a sua na solidão de seu gabinete, o papel áspero sob seus dedos também parece feito de água corrente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E ele não faz a menor ideia se o efeito é recíproco, <i>porque ele topou essa cilada sem pedir explicações</i>, mas, ao massagear um ponto de tensão entre as sobrancelhas e sentir tapinhas condescendentes em suas costas, ele passa a desconfiar que sim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ninguém dá tapinhas condescendentes nas costas de seu feiticeiro. Ele sem dúvida deu tapas nas próprias costas apenas para atormentá-lo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E Luar poderia retribuir. Céus, ele <i>deveria</i> retribuir. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Em moeda muito pior. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele não namora quem namora à toa — infinitas possibilidades se desdobram diante de seus olhos despudorados. Qualquer outro dia ele certamente aproveitaria a oportunidade e daria o troco em uma mistura deliciosa de vingança e autoindulgência…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Qualquer outro dia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não hoje.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Hoje é sua última reunião com Malaquir, o Arquimago do Outono, e Amidrie <i>sabe disso</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não há coincidência alguma. O feiticeiro está se roendo de ciúmes há semanas. O relacionamento deles nunca foi monogâmico, mas a obsessão de Luar por um dos magos mais controversos da atualidade <i>talvez</i> tenha cruzado algum limite da paciência de Amidrie...</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Essa situação foi planejada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Seu namorado tem um senso de humor perigoso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O portal que irá transportá-lo à torre de Malaquir surge pontualmente no gabinete de Luar às três da tarde. <i>Pela última vez</i>. A pontada de angústia vem acompanhada de outra aflição: um arrepio causado por dedos elegantes e familiares em seu pescoço, um toque suave que não promete nada de bom. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Luar cogita deixar o anel sobre a papelada da mesa para encontrar Malaquir sem interrupções, mas percebe o requinte de crueldade da metáfora proposta por Amidrie e desiste.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Com um suspiro conformado e sentidos à flor da pele, Luar atravessa o portal.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Um pequeno solavanco, e a luz dourada do outro lado o acerta em cheio, como de costume, fazendo algo em seu peito derreter com o calor do sol.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">É um pouco ridículo, na verdade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Luar é o maldito Cronista das Sombras. Seu trabalho é feito no escuro, madrugada adentro, na miúda, não à luz do dia. Quando seu ofício é restaurar reputações duvidosas e manipular narrativas ao bel prazer do ouro alheio, você não quer ser avistado na casa de um figurão do reino. Isso gera falatório, e não do tipo útil. Este bardo ardiloso sabe disso melhor do que ninguém.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ainda assim, as tardes na Torre Auríflua haviam enrolado suas vinhas de folhas cor-de-fogo ao redor, se não de seu coração, de seu bom senso, e Luar havia se dobrado aos horários e ao charme de seu cliente e anfitrião.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A vista da varanda aninhada no topo da enorme árvore que Malaquir chama de casa rouba seu fôlego, como em todas as visitas anteriores. A arquitetura terrosa das casinhas do reino lá embaixo parece uma extensão natural dos domínios do Arquimago do Outono, nunca o contrário. Luar se obriga a dar as costas para o vento que sempre açoita nessa altitude, e seus pés encontram com confiança o caminho até o escritório de Malaquir. Foram meses de trabalho, inúmeros encontros, incontáveis perguntas não respondidas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">É enlouquecedor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O trabalho de Luar é compreender a verdade para melhor manipulá-la.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Distorcê-la.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Transformá-la.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele vai encerrar o caso do Arquimago do Outono com sucesso, sim, com a reputação de Malaquir devidamente restaurada, claro, mas ainda sem fazer <i>a menor ideia</i> de com quem infernos trabalhou por meses a fio — seu maior sucesso de mãos dadas com sua maior frustração.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não que o reino todo não saiba quem Malaquir é… </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O melhor amigo do príncipe.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O mago bonito que vive na torre mais alta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O herói todo poderoso que protege a capital do reino.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O idiota que foi pego na suruba em que o rei perdeu (muito literalmente) a cabeça.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Exceto que ninguém sabe de onde (ou de <i>quando</i>) caralhos ele veio. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O melhor amigo do príncipe (que agora é rei) e de sabe-se lá quantos príncipes anteriores.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O mago bonito de aparência humana que vive na torre mais alta há centenas de anos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O herói todo-poderoso que protege a capital do reino apenas existindo, já que os dragões que assolam todas as outras cidades não ousam se aproximar daqui.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O idiota que claro que não estava comendo o mui majestoso pai de seu melhor amigo quando outro participante do fatídico e sensual evento decidiu enforcá-lo com algo ligeiramente afiado demais. (Essa parte foi Luar quem apagou habilmente da infinita litania de fofocas.)</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Enfim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">As más línguas dizem que Malaquir é um dragão, e não há língua mais maldita que a de Luar, mas ele se recusa a proferir essas palavras sem saber se está dizendo verdade ou mentira.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A essa altura, ele <i>deveria</i> saber. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele encontra Malaquir em sua impressionante mesa de estudos, debruçado sobre um livro, compenetrado, e aproveita cada segundo que o mago o ignora (porque <i>claro que ele sabe</i> que Luar está aqui) para gravá-lo em sua memória. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Uma última tentativa de decifrá-lo: os longos cabelos escuros caindo em cascatas ao seu redor, apenas parcialmente presos, os feixes oblíquos de luz do sol revelando um tom de verde profundo e improvável (mas nada é impossível para um mago, certo?), a pele marrom jovial e imaculada demais para sua suposta idade (driblar o tempo é um dos grandes clichês da magia, não é?), os olhos dourados de fera paciente (um pequeno pacto também tornou os olhos de Luar perturbadoramente prateados, então quem é ele para julgar, de verdade?), a postura impecável mesmo quando apoia o queixo na mão para ler. (E se Luar treinou a vida inteira para se tornar a pessoa mais elegante de qualquer ambiente e ainda assim se sente desajeitado diante da fluidez sem esforço do Arquimago do Outono, como ele pode ter certeza de que não haja um feitiço vaidoso no ambiente sabotando sua autoconfiança? Ele já viu coisa pior.)</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O fato de que Malaquir tem ombros muito mais largos do que um mago enclausurado em uma torre tem direito a ter não ajuda.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Luar é um tolo. Nada disso importa — Malaquir é seu melhor cliente. Estar nesta sala deveria ser vitória o suficiente, comprovação de que Luar é o melhor bardo obscuro de seu tempo. A silenciosa reputação do lendário Cronista das Sombras se esparrama pelo reino como uma onda implacável na escuridão, e Luar não tem a menor dúvida de que seu próximo trabalho será no palácio…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Um puxão forte na base de sua nuca o arranca de seus devaneios de grandeza, forte demais, dessa vez, para que tenha partido das mãos de Amidrie. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alguém segura seu namorado pela trança, e a sensação fantasmagórica faz Luar cambalear para trás.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Malaquir ergue o rosto lentamente em sua direção, uma fagulha de divertimento acendendo seu olhar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tudo bem aí, meu poeta?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele se pergunta se Amidrie pode sentir seus joelhos amolecendo com o apelido possessivo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Luar é um tolo</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A tarde escorre no ritmo vagaroso e implacável da seiva que ilumina a Torre Auríflua.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Uma última recepção calorosa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">(Dedos grossos desfazendo a trança de Amidrie sem pressa.)</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Um último relatório detalhado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">(Uma boca ávida mordendo cada pedaço de seu namorado,<i> lentamente</i>, esfregando a barba áspera por todo seu corpo, <i>com calma</i>, fazendo Luar se arrepiar da cabeça aos pés, obrigando-o a recorrer a cada exercício de respiração em seu repertório para segurar a excitação a um braço de distância. <i>Pela garganta</i>.)  </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Uma última promessa de recomendação.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">(É irritante não conseguir identificar o cúmplice do feiticeiro. A quarta pessoa dessa dança tem plena consciência do que está fazendo. Luar repassa mentalmente a longa lista de amantes do namorado, de colegas de profissão sem escrúpulos, de amigos em comum. O resultado é inconclusivo, o que está se tornando um padrão enfurecedor. Luar vai destruir a reputação do desgraçado que topou arrastar carícias por horas a fio <i>coincidentemente</i> bem no horário de sua reunião mais aguardada.)</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Malaquir está expressando outra vez sua enorme gratidão por um trabalho bem feito (<i>eu realmente achei que precisaria sumir por mais um século</i>), relembrando a sorte grande que foi Coração de Larva tê-lo recomendado (<i>ainda bem que nosso amigo em comum não sabe calcular quantas costas dá conta de apunhalar sem chamar atenção, não é mesmo?</i>), rasgando elogios à competência de Luar de um jeito que sem dúvida o faria corar se não estivesse tão empenhado em não corar por outras razões (<i>meu caro Cronista das Sombras, você faria os primeiros bardos obscuros estremecerem — acredite, eu conheci todos eles</i>).</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">As perguntas depois da linha que Luar não ousa cruzar se acumulam.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O sorriso de Malaquir aumenta a cada insinuação de sua longevidade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Aparentemente, todas as pessoas que Luar conhece tiraram o dia para provocá-lo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Um último chá na Câmara do Pôr do Sol.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O Arquimago do Outono é cheio de pequenos rituais, e Luar aprendeu a apreciar todos eles. Suas reuniões sempre se encerram com Malaquir servindo chá rubro pouco antes do anoitecer em sua saleta favorita, um ambiente aconchegante que ganha contornos surreais no colorido do ocaso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Da primeira vez que esteve aqui, Luar foi informado que pouquíssimas pessoas conheciam esta parte da torre. Uma demonstração de confiança, mas também um exibicionismo descarado: cada superfície disponível ostentava livros e artefatos mágicos de valor incalculável. Tomos de magia antiga se acumulavam nas prateleiras, traquitanas brilhantes se espalhavam pelas mesinhas, joias de cores quentes enfeitavam o parapeito da janela — cada item tão ridiculamente bonito que era impossível não desconfiar que o conjunto havia sido escolhido a dedo por sua aparência, não por sua utilidade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Na época, Luar honestamente não soube se devia se sentir lisonjeado ou ameaçado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Hoje ele escolhe se sentir <i>afrontado</i>. Que tipo de pessoa tem acesso ilimitado a artefatos mágicos poderosos a ponto de poder escolhê-los por seu valor estético?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Um dragão</i>. <i>Esse tipo de pessoa.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Se Luar ao menos pudesse <i>provar</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">(A pior parte é desconfiar que todas as evidências sumiram porque <i>alguém melhor passou por aqui antes</i>. Alguém como ele. Outro bardo obscuro. Não um dos primeiros, não quando Malaquir zomba deles com tanto desdém. Um dos mais recentes, então? Do último século, ou do anterior? O Poeta das Possibilidades, talvez. Ou o lendário Compositor do Oportuno. A competição faz os dedos de Luar formigarem, a vontade de destruí-los através do tempo, vencê-los na memória do homem que o elude com maestria, da torre que o abraça como uma sentença.)</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A sensação ardida de uma mordida particularmente intencional na parte interna de sua coxa promete que Amidrie não se esqueceu dos monólogos intermináveis de Luar sobre a Câmara do Pôr do Sol. Seu namorado sem dúvida sabe que horas são, o que significa que a situação precária de Luar está prestes a cambalear ladeira abaixo. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tirar o anel seria sensato, mas ele é teimoso. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Em um anacronismo imperdoável, sua imaginação transforma o amante sem rosto de Amidrie em seu suposto rival através dos séculos, e a língua fantasmagórica que invade sua boca e o faz engasgar com o chá quente é a de um bardo que viveu eras atrás, bebericando chá rubro nesta mesma sala com muito mais dignidade, enterrando segredos de dragões onde as garras de Luar um dia não conseguiriam alcançar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Do outro lado da mesa de centro, aprumado em um sofá tão confortável quanto o que envolve Luar em um abraço que desafia sua postura, Malaquir observa em silêncio seu acesso de tosse.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Luar se recompõe como pode, ignorando mordidas insistentes em seu lábio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você tem cuidado de sua saúde, meu belo amigo? Estou te achando um pouco febril.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Meu belo amigo</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quem <i>fala</i> assim?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Deveria ser patético (<i>Luar</i> é patético), mas a voz grave e melodiosa faz coisas com suas entranhas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele <i>está mesmo</i> se sentindo um pouco febril.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu tomei chuva — Luar responde debilmente, mordendo a parte interna da bochecha para tentar retomar o controle perdido.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Amidrie morde a própria língua em resposta, com força, obrigando-o a fechar os olhos para reprimir um ganido. <i>Claro</i>. O filho da putinha. Luar vai <i>destruí-lo</i> na cama.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">… Se sobreviver à tarde de hoje.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Parece provável que o vexame o aniquile a qualquer instante.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Malaquir está estreitando os olhos em sua direção.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E o Bailarino das Tempestades, como está?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Prestes a ser fodido</i>, Luar tem vontade de responder, <i>se as mãos fortes separando as coxas dele servirem de indício</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ocupado. — Ele range entre os dentes, ao invés disso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— É mesmo?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Seu anfitrião pousa a própria xícara na mesa e caminha em sua direção, e a única coisa que Luar enxerga são as mãos fortes <i>de Malaquir</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Todo mago tem mãos elegantes, todo arquimago tem mãos poderosas. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">É completamente injusto que o Arquimago do Outono ainda por cima tenha mãos fortes.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Luar quase recua quando uma delas se aproxima de sua testa, apavorado pelo próprio desejo. E então faz pior — apoia o peso de sua cabeça nela, desmanchando-se na ânsia pelo toque firme.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O Arquimago do Outono confere sua temperatura, e essa é a deixa perfeita para Luar emendar sua melhor performance de enfermo. É a coisa sábia a se fazer — escapar da torre antes que seja tarde demais, antes que seu corpo esteja muito além do socorro da melhor respiração ou do pior pensamento, antes que ele precise se humilhar e recorrer a uma das almofadas luxuosas do sofá para esconder a ereção que ameaça despontar entre suas próprias pernas em resposta à fricção úmida entre as pernas de Amidrie.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Ah</i>. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele não tinha pensado <i>por esse lado</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sim, isso explica o calor estranho e pegajoso se acumulando por horas a fio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O estímulo desconhecido o desorienta como se Luar fosse virgem e intocado, o que é uma ideia que o faria gargalhar em qualquer outra situação. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não, pensando bem, já é tarde demais para uma performance. Para sair daqui com algum resquício da própria honra, Luar precisa jogar longe esse anel infernal <i>agora mesmo</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Seria mais fácil se a mão supostamente livre de Malaquir não estivesse aprisionando seu pulso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Como isso aconteceu?</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O mundo não está girando, mas deveria.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Os olhos dourados do arquimago faíscam ao analisar o presente ardiloso de Amidrie.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O estômago de Luar despenca.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Ele sabe</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A mão quente (e <i>tão maior</i>) de Malaquir sobe pela sua, o polegar deslizando pela palma da mão de Luar, pressionando-a até alcançar o anel, seus dedos hábeis girando a joia no lugar, sem arrancá-la, provavelmente conferindo sua aura mágica — e se algum dia Luar <i>soube</i> como respirar, ele esqueceu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Hmm. Uma Espiral Vulnerável — Malaquir conclui, contemplativo, e poderia ser qualquer outra tarde, eles poderiam estar conversando casualmente sobre qualquer outro artefato do recinto. — A primeira foi criada como instrumento de tortura, há mais de um milênio. Era uma sentença pior que a morte, compartilhar da destruição gradual da pessoa amada. E então, como tende a ocorrer com a maior parte dos artefatos interessantes, algum estudante de magia entediado concluiu que era o brinquedo sexual perfeito. — Inabalado. O homem diz isso <i>inabalado</i>, enquanto Luar ferve da cabeça aos pés. —  Foi moda por um século e meio, mais ou menos. O catalisador era a menor pluma de um pássaro vermelho relativamente comum naquela época, hoje, infelizmente, extinto. Quando a obtenção dos ingredientes se tornou difícil, a Espiral multiplicou exponencialmente de preço, e se tornou um símbolo romântico. Depois sumiu nos cofres de colecionadores. Eu devo ter umas três só nessa sala — ele admite, por fim, e a ameaça de um sorriso no canto de sua boca faz Luar estremecer de ideias.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você toma chá na sala dos brinquedos sexuais, é isso? — Ele tem a pachorra de perguntar em um fio de voz, porque agora que já foi pego, não existe universo em que Luar esteja disposto a demonstrar o constrangimento que de fato sente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não seja simplista, Cronista das Sombras. Não combina com você.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Para sua mortificação, Malaquir não sorri ao dizer isso, mas também não o solta. Ao invés disso, segura sua mão aberta no lugar e a lambe do pulso até os dedos, passando pela palma sensível e demorando-se ao redor do anel.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Afundando-se ainda mais contra o toque imperioso em sua testa, Luar deixa a boca pender em um longo gemido que não ousa vocalizar. Sua imaginação leva a melhor — é <i>mesmo</i> só sua imaginação? — e ele se sente pequeno, sem peso, excitado e apavorado na mesma medida, como se suas dimensões humanas fossem completamente irrelevantes na pata da fera que o sustenta, como se uma língua enorme e afilada houvesse lambido seu corpo inteiro, das coxas ao pescoço, e não apenas sua mão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Em algum lugar, percebendo a atenção peculiar do Arquimago do Outono ao redor de seu brinquedo, o desgraçado do Bailarino das Tempestades apressa o Rival Anacrônico de Luar, e a cabeça do membro de um desconhecido insolente ameaça invadi-lo por uma abertura delicada que Luar não tem, mas que é perfeitamente capaz de sentir mesmo assim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">É delicioso e enfurecedor em partes iguais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Luar não calculou essa situação direito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Enquanto isso, Malaquir avalia a porra da Espiral Vexaminosa com a ponta da língua, como magos <i>não</i> costumam fazer.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— É uma réplica recente. Bastante razoável, considerando a falta de materiais. Provavelmente só cobre um ou dois sentidos mais táteis... Então ele não está espionando… — A preocupação sensata quase faz Luar rir. Não, a verdade é muito mais simples e mais absurda que espionagem. — Posso assumir que foi Amidrie quem o presenteou?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele faz que sim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Devo considerar um desaforo pessoal?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Luar abre seu melhor sorriso alucinado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Provavelmente — ele admite, sua voz tão rouca quanto estaria se um pau grosso estivesse se esgueirando sob sua pele um milímetro de cada vez, tortuosamente devagar, o que não está acontecendo, claro, exceto que <i>meio que está</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Algo no olhar de Malaquir muda.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele parece <i>tão sério</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não, não é só isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>As pupilas</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Parecem fendas. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Quer revidar?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O questionamento na voz ainda elegante, mas subitamente mais grave, faz o membro já irremediavelmente duro de Luar protestar contra seu confinamento.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Luar não implora, mas também não hesita.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— <i>Sim</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A velocidade com que a mão em sua testa desliza e enlaça sua nuca, envolvendo-a por completo ao puxá-lo para frente, faz Luar cambalear — caindo de joelhos, exatamente onde Malaquir o quer. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E você, veio até aqui com o anel por afronta a mim ou por obediência a ele?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Perdi uma aposta — Luar admite, ainda sorrindo, porque <i>por que não?</i> — E sou orgulhoso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Arrogância, então…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sim. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E se a intenção do arquimago é ensiná-lo uma lição de humildade, ele não começa bem — porque ao afastar camadas e mais camadas da roupa pretensiosa e arcaica que Luar não sabe nomear, Malaquir revela seu próprio interesse, <i>dolorido e indisfarçável,</i> com uma curvatura perfeita e veias saltadas que obrigam a boca de Luar a salivar e rir sem modéstia. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">De forma que, quando Malaquir agarra essa mesma boca, escancarando-a com o polegar e depois a invadindo com seu objeto de fascínio sem cerimônia ou preocupação, bem. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Luar sabe que mereceu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sobre sua língua, enveredando-se por sua garganta e provocando lágrimas, o pau de Malaquir parece enorme, delicioso e <i>ordinário</i>. O cheiro do arquimago também o arrebata, um cheiro quente e reconfortante, <i>humano</i> — quente como a terra e como o sangue acelerado dentro deles, não como uma fornalha, não como um vulcão. <i>Humano!</i> Seria decepcionante, se a experiência toda não fosse tão sublime. Malaquir está usando sua boca.<i> O Arquimago do Outono está usando sua boca</i>. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Luar o chupa com uma obsessão acumulada por meses a fio, mas também com o desespero armazenado nas últimas horas e contando. Amidrie não é conhecido por se render, e o volume que sem dúvida sente contra a própria língua faz com que seus dedos se juntem ao assalto aos sentidos de Luar — o feiticeiro está se tocando com urgência enquanto um conspirador qualquer arromba sua buceta sem dó, e Luar está <i>descompensado</i>, porque o arrombado é <i>ele mesmo</i>, por tudo que é mais secreto, mais sagrado, mais indiscreto, como alguém<i> sobrevive</i> a isso? E agora que não precisa mais se conter, Luar sabe que está fazendo uma cena completamente disparatada aos pés de Malaquir, tremendo, chorando e gemendo como o homem atormentado que é, aparentemente intocado, desfazendo-se só por chupar uma pica.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Exceto que Malaquir sabe <i>muito bem</i> que não é só isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Luar percebe o instante em que a paciência do arquimago acaba como quem percebe uma corda se romper sobre o abismo — ao cair.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Um gesto displicente é tudo que Malaquir precisa para que Luar seja arremessado sobre o sofá. Outro gesto, mais maldoso, e há um excesso de mãos incorpóreas sobre seu corpo fervente — despindo, roçando, beliscando. Magia na cama não o impressiona, não deveria o impressionar, pelo menos, não quando ele divide a sua com o Bailarino das Tempestades. Mas o Arquimago do Outono está se exibindo, não são uma, duas ou três mãos, talvez sejam dez, talvez sejam mais — dedos precisos revidando o excesso de estímulo que enlouquece Luar com <i>ainda mais estímulo</i>, ele vai <i>morrer</i>, ele está nu diante de Malaquir com mãos demais vagando por seu corpo <i>intocado</i> e <i>fodido</i>, mãos feitas de magia, sem calor, sem textura, brilhando contra sua pele escura, dedos que são apenas <i>energia furiosa</i> o torturando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Porque Malaquir finalmente está irado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Indefeso e se contorcendo sobre o sofá — sobre a <i>bandeja</i> em que Amidrie o fez tropeçar pateticamente quando já estava quase de saída — Luar sente o olhar incandescente do arquimago sobre si, queimando-o mais do que qualquer toque espectral poderia almejar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Alguém vai pagar por tanta insolência.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele <i>quase</i> sente medo. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">(Ele <i>deveria</i> sentir medo?)</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Luar se tornou o tabuleiro entre o mago milenar mais poderoso do reino e um jovem feiticeiro petulante em assombrosa ascensão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">É desesperador.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">É <i>demais</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele gosta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Uma mão segura sua garganta, duas prendem seus pulsos; uma puxa seus cabelos, duas maltratam seus mamilos; dedos fodem sua boca; três, quatro ou cinco mãos provocam suas pernas e o que há entre elas, apertando e abrindo, abrindo, abrindo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O orgasmo o apanha de surpresa, como uma onda que sacaneia um nadador que nunca antes esteve no mar. Orgasmos são explosões, não — <i>isso</i>. Em um momento, Luar está vibrando sob o delicioso olhar de desprezo febril de Malaquir, no outro, Amidrie é arrebatado em um quarto distante e o carrega junto, Luar está capotando, ralando os joelhos na areia, engolindo água — tudo sem que ninguém encoste nele, não de verdade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Muitas mãos o seguram no lugar, desorientado, sujo e exposto, mas não as mãos que ele gostaria.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— <i>Melhor agora?</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Desdém pinga da voz bonita do arquimago enquanto uma centena de dedos o abandonam, e Luar tem a sensação desagradável de que está prestes a ser mandado de volta para casa, humilhado e estranhamente insatisfeito, para nunca mais voltar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele não tem fôlego para responder, mas se esforça mesmo assim, balançando a cabeça para os lados, agora sim apavorado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não? Que ganancioso. O que mais você poderia querer?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A pergunta vem com frieza demais para ser só um flerte.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Diante da muralha de orgulho que é Malaquir, Luar resolve que seu próprio orgulho é um sacrifício perfeitamente razoável dadas as circunstâncias. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele suplica com voz rasgada, um pouco mais sincero do que gostaria:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— <i>Você</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E para que não restem dúvidas quanto à sua intenção, Luar complementa a resposta retirando o maldito anel do dedo, deixando-o cair no chão e rolar para longe — e se contorce com languidez, arqueando a coluna, exalando a confiança presunçosa de quem sabe que sofre de um jeito bonito. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">(Em algum lugar, Amidrie com certeza está sorrindo, puto, melodramático e vitorioso.)</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O gesto floreado tem o efeito pretendido — Luar <i>é</i> um bardo habilidoso — e Malaquir estreita os olhos, reconsiderando a situação.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O menor dos sorrisos satisfeitos acaba se insinuando pelo canto de seus lábios, e Luar <i>geme</i> em resposta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mais tarde, em retrospectiva, ele vai jurar para si mesmo que o som foi calculado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Malaquir cai sobre Luar com toda a sua gloriosa materialidade, virando-o no sofá e cobrindo todo seu corpo, e Luar <i>grita</i> quando seu pau ainda parcialmente duro roça no tecido outonal sob si. O som parece terminar de destruir a compostura de Malaquir, que morde seu pescoço sem piedade e o aperta por toda parte — com apenas duas mãos, sim, mas mãos fortes, poderosas, elegantes…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Afiadas</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Luar não consegue vê-las, não com a lateral de seu rosto pressionada contra a almofada, mas pode senti-las: <i>garras</i>. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Que não estavam ali antes.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O que restava de sua compostura se junta à de Malaquir em alguma dimensão distante, e ele se contorce e se esfrega contra o corpo maior acima do seu como um animal possuído. A mordida se aprofunda e Luar teme por sua vida, contente e delirante.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele sente mais do que vê Malaquir se despir sem soltá-lo, benditas sejam suas misteriosas roupas arcaicas, e o calor inclemente de sua pele é divino e monstruoso, tal qual a maldita rola que Luar sente deslizar entre suas nádegas — um pau já não tão ordinário, preocupantemente maior, com sua maravilhosa textura de cordilheira prometendo sensações que enchem Luar de uma coragem insensata.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Um dedo circula sua entrada, a ponta afiada de uma unha poupando-a por muito pouco, e se Malaquir decidisse rasgá-lo, nesse estado, talvez Luar nem protestasse. Por sorte, não é isso que o arquimago faz — os círculos são intencionais, precisos, formigantes, Malaquir está <i>conjurando a porra de um feitiço em seu cu</i>, é ridículo e degradante e faz Luar rir histericamente de puro constrangimento.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele se sente excitado, molhado e prontíssimo, mas, para ser justo, ele já estava se sentindo assim há algum tempo, mesmo que não fosse bem verdade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Malaquir encosta a cabeça generosa e úmida de seu pau na entrada ávida entre as pernas de Luar, e <i>é demais</i>, seu coração salta de medo, desconfiado do preparo meramente mágico a despeito da disposição irracional de seu guardião. A ideia de tantos dedos percorreu sua pele, e ainda assim nenhum deles o preparou. Isso não pode ser uma boa ideia, pode?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Claro que pode</i>, mas Luar quer ver a fera a quem está confiando seu rabo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele tenta se virar, um pouco desesperado, mas o Arquimago do Outono o imobiliza no lugar com braços de aço, implacável. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não, não, meu querido, só te restaram duas opções: empinar essa bunda e tomar no cu gostoso ou ir embora de pau duro. Nem pense em se virar. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Luar se arrepia, vitorioso: o quanto ele <i>sonhou</i> com uma versão suja da boca desse homem! </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu não… Não pensei.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ahã, claro que não.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Malaquir não se move, mas lambe o pescoço de Luar da base até a orelha, paciente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Aquele rei filho da puta foi privilegiado até o último segundo da vida dele, né? — Luar deixa escapar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele visualiza com clareza o enorme sorriso de dentes pontiagudos que se abre contra sua pele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não sei do que você está falando, meu poeta. Devaneios líricos, sem dúvida. E aí, qual vai ser?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— <i>Me enraba logo</i> — Luar rebate, ríspido, emendando a última sílaba com um uivo quando Malaquir o obedece sem hesitar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A maior parte da ereção descomunal desliza para dentro dele sem dificuldade, exigindo espaço, expandindo suas entranhas, provocando sua entrada hipersensível com cada delicioso e inexplicável cume ao longo de sua extensão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Luar não se parte ao meio, então é um bom feitiço.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Vantagens de dar para um arquimago, Luar supõe.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Malaquir ergue o próprio tronco, mantendo Luar no lugar com uma mão —<i> pata? </i>— sobre sua nuca, assumindo um ritmo lento e inexorável, resumindo o universo de Luar a uma pica fantástica de quiçá-dragão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Por um instante, o Cronista das Sombras realmente acreditou que escaparia dessa torre com sua dignidade intacta. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Agora, ele está arruinando o sofá bonito de seu anfitrião com porra, saliva e suor enquanto é arruinado em retorno.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Malaquir só precisa de algumas estocadas pacientes para penetrá-lo por completo, e o relevo improvável de sua curvatura pressiona a próstata de Luar de todos os jeitos certos. Com a bunda empinada desse jeito, seu pau comparativamente insignificante não encontra sequer o alívio do roçar do tecido caro sob si, e Luar se pega choramingando, inconsolável. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— O que foi? Não era o que você queria?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— M-mais…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— <i>Mais?</i> — Malaquir gargalha, convencido e insuportável. — Sua <i>hubris</i> não tem fim, bardo?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Me toca, idiota — Luar rosna, inconsequente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dessa vez, a risada de Malaquir é muito mais baixa e perigosa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Por quê? Eu já sei que você consegue gozar com muito menos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E para provar seu ponto, o Arquimago do Outono acelera seu ritmo apenas o suficiente para Luar <i>saber</i> que vai gozar a qualquer momento.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não, não, não, <i>não</i>, por favor, <i>por favor</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E que não digam que Malaquir não é nada se não magnânimo, porque ele puxa o cronista para si, abraçando-o por trás, ao mesmo tempo em que envolve o pau de Luar com sua destreza devastadora — bem a tempo de derrubá-lo mais uma vez com apenas uma, duas, três estocadas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Dessa vez sim, Luar sente a realidade explodir — e seguir existindo assim mesmo, inabalável, porque o arquimago aparentemente vai continuar a usá-lo até estar satisfeito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Luar não protesta, muito pelo contrário — segue gemendo, desfeito, torcendo para que Malaquir compartilhe ao menos uma pequena fração de sua própria loucura.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Pela forma como ondula seu corpo, parece provável que ele compartilhe. Garras arranham a cintura e o peito de Luar, deixando rastros quentes em sua passagem, e a respiração ofegante de Malaquir em seus ouvidos é música sombria.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A noção de tempo se desfaz.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">É terrível e delicioso, como estar à deriva em um rio violento.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando ele goza fundo em Luar e desaba sobre seu corpo, é quente no limiar do aceitável<i>, </i>como tudo nessa experiência tresloucada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Talvez o próximo trabalho de Luar não seja no palácio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Talvez ele nunca mais trabalhe, na verdade. Algo sem dúvida se arruinou. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Se sua reputação ou se sua capacidade de sentar, ainda é difícil ter certeza.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Braços fortes — mas não de aço — o envolvem, virando-no de frente enquanto Malaquir se acomoda ao seu lado no sofá. Uma mão gentil — perfeitamente humana, sem garras — acaricia seu rosto, dança por seu tronco, gesticulando com delicadeza a sujeira para longe. É agradável e só um pouco frustrante — Luar sente falta da degradação e do monstro, mas gosta demais do cuidado e do homem ao seu lado para reclamar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Malaquir grunhe, soando desconfortável pela primeira vez, e murmura em seu ouvido:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Já estou velho demais para foder no sofá, Cronista das Sombras. Na sua próxima visita serei obrigado a apresentá-lo a uma ala com mais camas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Próxima visita</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A voz está perto demais, o gesto é íntimo demais. Luar acabou de ser virado do avesso e percebe que, se pudesse, imploraria por mais. Seu pau dá um salto do qual ele não se orgulha, não quando a fala provocativa afronta mais seu intelecto do que seu corpo. A pergunta escapa, indignada:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— <i>Quão</i> velho demais, exatamente, Malaquir? </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Silêncio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Por tudo que é mais profano, <i>você é ou não é um dragão?</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A gargalhada do arquimago, ribombando pelas paredes como se sua torre fosse a caixa toráxica de uma criatura ancestral, não diz nem que sim nem que não. Mesmo assim, ele rebate:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Diga-me, caro amigo, com honestidade: que diferença faz para você? Se eu for um mago capaz de me tornar um dragão, ou um dragão capaz de me tornar um mago, como isso é relevante para a sua pequena perspectiva mortal?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Luar começa a protestar, ofendidíssimo, apenas para ter sua boca invadida pela língua faminta de Malaquir — no mesmo instante em que uma certa joia retorna magicamente para seu dedo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O beijo destrói sua coerência e sua raiva.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ao longe, Amidrie fecha os dedos ao redor de sua garganta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você pode trazer seu bailarino atrevido semana que vem.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Luar vai só calar a boca e aceitar que está com sorte.</p><hr class="content_break"><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Olá, Velozes e Safades! Espero que tenham se divertido neste breve passeio pela Torre Auríflua. Eu com certeza me diverti escrevendo!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Participar da kinktona foi uma honra e um prazer. Muito obrigado pelo convite e pela confiança, Kodinha. &lt;3</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">No momento, o pequeno universo do nosso (fodido) Cronista das Sombras existe apenas para este conto, mas encasquetei o suficiente com os personagens pra dizer: quem sabe um dia? Se acontecer, vocês viram primeiro aqui. ;)</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Para mais universos fantásticos pouco ortodoxos, confiram meu trabalho na <a class="link" href="https://www.youtube.com/c/Mar%C3%A9Geek?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=6-o-arquimago-do-outono-kinktona-fai-mazell" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Maré Geek</a>. Para mais fantasia que descamba em putaria, fiquem de olho em Cedro, Guaco e Cantarelo. (Finalmente está no forno! Desse ano não passa!! Poliamor de gnomo já!!! &lt;3)</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Com amor,</p><figcaption class="blockquote__byline"> Fai </figcaption></blockquote></div><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Leia todos os textos da <b>kinktona</b>!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-spillways?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=6-o-arquimago-do-outono-kinktona-fai-mazell" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">1 - Spillways - Isabelle Morais</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=6-o-arquimago-do-outono-kinktona-fai-mazell" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">2 -</a><b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=6-o-arquimago-do-outono-kinktona-fai-mazell" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"> </a></b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=6-o-arquimago-do-outono-kinktona-fai-mazell" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">A mesa da masmorra - Anita Saltiel</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-senhora-e-o-verme?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=6-o-arquimago-do-outono-kinktona-fai-mazell" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">3 - A Senhora e o Verme - Larissa Siriani</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-agua-dourada?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=6-o-arquimago-do-outono-kinktona-fai-mazell" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">4 - Água dourada - Ariel F. Hitz</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-toque-fantasma?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=6-o-arquimago-do-outono-kinktona-fai-mazell" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">5 - Toque Fantasma - Alex Fernandes</a></p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">E se você leu até aqui, essa é a sexta rapidinha de DEZ com autores convidados que virão nas próximas semanas. Fica por aqui, manda pra amigues, divulga nas redes sociais e me ajuda a levar esse projeto mais longe ❤️ </p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso! Um xêro e um queijo,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Kodinha</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"></p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=cacba03e-e09e-489d-ba4c-45df2e74dd08&utm_medium=post_rss&utm_source=so_uma_rapidinha">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>#5 - Toque Fantasma - Kinktona - Alex Fernandes</title>
  <description>boo! (pau de halloween)</description>
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  <pubDate>Wed, 30 Oct 2024 21:00:00 +0000</pubDate>
  <atom:published>2024-10-30T21:00:00Z</atom:published>
    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
    <dc:creator>Alex Fernandes</dc:creator>
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    <div class='beehiiv'><style>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;">Olá querides safades, tudo bom? </p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Bora que bora que hoje tem mais <b>kinktona</b>, a maratona kink do Só uma rapidinha! Até o dia 04 de dezembro teremos textos novos por aqui toda semana, cada um de uma pessoa convidada diferente, e todos muito queer e kink!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quem escreve pra vocês hoje é o <b>Alex Fernandes!</b></p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="apresentao"><span style="color:rgb(67, 67, 67);">Apresentação</span></h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Alex Fernandes</b> é uma pessoa transmasculina, redator, revisor e jornalista. É autor de <a class="link" href="https://www.amazon.com.br/Libre-Alex-Fernandes-ebook/dp/B09N24KL2Q/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=5-toque-fantasma-kinktona-alex-fernandes" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Libre</a>, um conto YA distópico sobre resistência, comunidade e amor. Nele, Alice investiga um suicídio suspeito e descobre segredos avassaladores por baixo dos panos da cidade perfeita.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Esta rapidinha foi fortemente inspirada pela sua obsessão atual em <i>Dead Boy Detectives</i> (ou Garotos Detetives Mortos), uma série recente da Netflix com dois fantasmas que estão precisando aprender a usar aquela mesa de escritório pra atividades mais divertidas. Se você conhece Edwin e Charles, tiver interesse em fanfics sobre eles ou outros gays e bissexuais que Alex ama, ele também tem um perfil no AO3, em inglês: <a class="link" href="https://archiveofourown.org/users/nancyboykilljoy/works?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=5-toque-fantasma-kinktona-alex-fernandes" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">nancyboykilljoy</a>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Lembrem-se de conferir a lista de aviso de conteúdo logo no começo do texto e se mantenham segures! Bora?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);"><i>Se quiser contribuir com o trabalho de Alex, considere doar qualquer valor para </i></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);"><i><a class="link" href="mailto:alexfernandesn.contato@gmail.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">alexfernandesn.contato@gmail.com</a></i></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);"><i> para o ajudar a continuar contando histórias.</i></span></p><hr class="content_break"><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="aviso-de-contedo"><span style="color:rgb(67, 67, 67);">Aviso de conteúdo</span></h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><i>ainda dá pra chamar de sexo com fantasma se os dois são fantasmas?, </i>noite de halloween<i>, não é a primeira vez deles, mas meio que é sim, </i>sexo oral, sexo anal, ele goza dentro</p><h1 class="heading" style="text-align:left;" id="toque-fantasma">Toque fantasma</h1><p class="paragraph" style="text-align:left;">Não era bem verdade dizer que a noite começou eletrizante, porque a semana toda tinha sido. Conforme o Halloween se aproximava, os dois fantasmas se viam mais e mais agitados, tentando controlar a ansiedade e falhando espetacularmente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Caio e Eric morreram com 19 e 20 anos respectivamente, o primeiro em 1982, o outro nos anos 30. A imagem era contrastante: Caio com jeans rasgados e jaqueta cheia de patches, pele negra e sempre usando algum brinco ou colar; Eric com calças de alfaiataria e sobretudo, pele branca e parecendo sempre mais velho do que era em vida.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Terem se encontrado foi um golpe de sorte, ou talvez do destino. A partir daí, cada dia em que ficaram juntos foi uma escolha deliberada. As décadas seguintes se confundiram e se estenderam, mas a constância de um nunca falhou ao outro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eles sabiam que se amavam desde o início. O único problema foi o período absurdamente longo que levaram para entenderem e aceitarem o que esse amor significava.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Depois de tanto negarem os próprios sentimentos, eles confessaram um ao outro alguns meses atrás, e todo o contato que veio desde então era o de se esperar — o resultado de dois caras que se reprimiram por tempo demais, tanto em vida quanto na morte, e agora, finalmente, se permitiam sentir.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Só que <i>sentir</i> é um conceito engraçado para fantasmas. É possível, mas não é a mesma coisa que tiveram em vida. O toque dos mortos é uma memória, um trabalho da mente sobre o corpo que já não existe, um jeito de fazer sentido daquilo que não tem nenhuma lógica. Porque, de fato, não há muita lógica no tesão quando não existem hormônios ou sangue ou pele de verdade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Apesar disso, eles nunca deixaram de experimentar. Não é o mesmo que o sexo dos vivos, mas também é especial de sua própria maneira, as duas almas se entrelaçando de alguma forma cósmica, parecendo romântico demais para ser verdade. No começo chegava a ser demais, uma enxurrada de emoções mais forte do que conseguiam conter. Mas, com o tempo, eles aprenderam a se deixar corpóreos o suficiente para se aproximar daquela sensação de sangue queimando, mas incorpóreos o suficiente para sentir que suas essências ainda se encontravam.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Existia um momento, entretanto, que a corporalidade alcançava o nível máximo. Uma noite em que eles quase podiam sentir o coração batendo de novo. E eles viveriam isso juntos pela primeira vez.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A primeira vez juntos como gostariam, ao menos. Já passaram muitos Halloweens ao lado do outro, aproveitando o fato de que se tornavam semivisíveis para assustar as pessoas nas ruas. Portanto, para não perder o costume e também matar as primeiras horas da noite — quando a magia do universo que afetava suas condições de pós-vida ainda não estava no auge —, eles passearam por alguns locais movimentados.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ainda eram invisíveis, mas sua presença causava um distúrbio no ar, fazendo com que muita gente olhasse ao redor quando eles andavam por perto. Eles causavam arrepios, ou a sensação de ser vigiado, todo tipo de coisa que depois seria declarado como apenas medo sem sentido pelos humanos. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cada um deles tinha sua atividade favorita. Eric gostava de parar do lado de alguém ocupado, próximo ao ombro, o que lentamente deixava a pessoa desconfortável e inquieta, e frequentemente ela se afastava às pressas, deixando algo para trás. Ele já coletou alguns livros e lembrancinhas assim. Já Caio gostava de parar atrás de grupos tirando fotos, fazendo uma pose. Quando checavam a imagem, inevitavelmente alguém percebia que havia algo esquisito e todo mundo começava a enfrentar níveis diferentes de surtos, identificando os traços de um rosto ou de dois dedos levantados em um sinal da paz. Ele achava hilário. Em algum momento ele se declarou o <i>fantasma da bissexualidade</i> e riu de si mesmo por dias.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Hoje, porém, as brincadeiras acabaram cedo. Conforme a lua subia, os dois começavam a sentir o peso dos próprios corpos aos poucos. A textura da pele dos dois se tornava mais presente, a temperatura da rua ficava ligeiramente mais perceptível. Quanto mais o processo avançava, mais eles se tocavam: primeiro as mãos, depois os braços, então um beijo rápido e outro demorado, até que desistiram de enrolar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ao chegarem em um edifício afastado que muitos chamam de assombrado e eles chamam de casa, a eletricidade acumulada de dias se prendeu no ar por alguns segundos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eles se encararam, sabendo que não havia mais para onde ir. Precisavam se tocar <i>agora</i>. Se encontraram no meio do caminho, os lábios agindo por conta própria.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Os beijos eram viciantes por si só. Não eram nenhuma novidade, visto que eles estavam se beijando há meses, mas a força da sensação fazia cada vez parecer nova. A saliva, o calor, o movimento das línguas indo de frenético para calmo enquanto eles tentavam controlar o ânimo e perdiam o controle repetidamente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Os demais toques também faziam muita diferença, o tipo de pressão que eles só se lembravam de ter sentido quando estavam vivos. Exceto pelo modo como, agora, os dedos passeando pelos braços e costas um do outro causavam sensações completamente inéditas, mesmo comparando com os anos antes da morte. Ninguém nunca havia tocado eles assim antes.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando se aproximaram desajeitadamente da mesa, quase no centro da sala, Caio estava de costas. Ele foi pego desprevenido quando a madeira o cutucou e o fez perder o ar por um momento.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Desculpa — Eric falou, colocando a mão sobre o ponto de contato de Caio com a mesa e acariciando levemente. — Eu esqueço que a interação com objetos também está mais intensa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— É, se desse pra eu ficar roxo, com certeza ficaria.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Hmm — Eric sorriu enquanto deixava o olhar descer para o pescoço do namorado. — Será que não dá?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Caio não teve tempo para responder antes de sentir lábios em seu pescoço, que o fizeram jogar a cabeça para trás automaticamente. Eric apertava seus quadris e o puxava contra si, as ereções de ambos já bastante óbvias uma contra a outra, apesar das camadas de roupas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Aliás, roupas. Para que roupas?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Caio empurrou Eric gentilmente para trás. Com um sorriso terrível no rosto, de um segundo para o outro, todo o tecido em seu corpo desapareceu. Era uma vantagem particularmente adorável de ser um fantasma; tudo que eles projetavam como imagem podia ser alterado com um pensamento.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eric deu um passo para trás enquanto encarava a nova visão à frente. Caio apoiou as mãos na mesa atrás dele, inclinando um pouco o corpo, o quadril ligeiramente para frente exibindo o quão excitado ele já estava. Seu pau encostava na base da barriga e molhava sutilmente os pelos que desciam por ali.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não era a primeira vez que eles se viam sem roupas, é claro, mas Eric gostava de admirar, e Caio definitivamente gostava de ser admirado. Particularmente quando ele era o único pelado. Eles até poderiam passar mais alguns minutos assim, deixando-se consumir pelo fogo individualmente, mas hoje a noite era sobre toque.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Por isso, Eric se aproximou novamente, com uma mão estendida para tocar o centro do peito de Caio. Ele desceu os dedos por um momento, chegando até a barriga, e então subiu mais uma vez, passando as unhas de leve pelos mamilos, até chegar aos ombros. Caio não se moveu, apenas aceitando cada sensação enquanto tentava manter os olhos abertos. A mão de Eric chegou ao rosto do outro, a ponta dos dedos tocando a boca com calma, quase uma reverência.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Caio abriu os lábios sem pensar. Eric aproveitou a permissão e deixou dois dedos entrarem de uma vez. Caio lambeu e chupou sem tirar os olhos de Eric, ainda que este não conseguisse desviar a atenção do que estava fazendo nem por um segundo. Quando o terceiro dedo foi inserido, os dois gemeram baixinho. A esta altura, os quadris já estavam sendo pressionados um contra o outro de novo, sem nenhum deles ter percebido exatamente desde quando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sem aviso, Eric abaixou a mão, usando as duas para segurar as coxas de Caio e levantá-lo. Caio seguiu o movimento imediatamente, sentando na ponta da mesa com as pernas abertas para receber Eric mais perto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eric passou levemente os dedos úmidos pelo pau do namorado, calando seu suspiro com um beijo ao mesmo tempo. Mas não ficou por lá, descendo mais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando chegou onde queria, esperou, sentindo Caio tensionar pela surpresa e então relaxar de novo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cada sensação era conhecida e era nova ao mesmo tempo. Eles sabiam o que seus corpos gostavam, mas não faziam ideia de que poderia ser tão intenso. Eles queriam tentar <i>tudo</i>, por mais que soubessem que não haveria tempo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Com o tempo que tinham, porém, Eric sabia exatamente o que queria: destruir Caio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Então ele quebrou o beijo e empurrou Caio para trás, fazendo-o deitar sobre a mesa. Ele segurou a ereção de Caio enquanto a outra mão lentamente o abria.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Porra — o mais novo xingou, levando um braço para cobrir o rosto como se isso pudesse distraí-lo do tesão de algum modo. — Caralho, Eric.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eric sorriu, observando cada pedaço do namorado à disposição, a boca aberta, o peito subindo e descendo rapidamente, cada pelo, cada músculo. Ele movia as duas mãos em sincronia, para cima e para baixo, para dentro e para fora, mas já queria mais. Queria descobrir qual era o <i>gosto</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Então ele se abaixou e circulou a língua pela cabeça do pau de Caio. Quando o quadril do outro involuntariamente foi para frente, Eric forçou o dedo que estava dentro dele para baixo, uma ordem silenciosa obedecida imediatamente. Como recompensa, ele adicionou o segundo dedo, enquanto abria a boca e o engolia devagar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Caio não sabia o que fazer. Era demais. Sensações demais. Ele queria se mexer, mas não queria nenhuma outra posição. Ele queria agarrar a cabeça de Eric e empurrar de novo e de novo contra sua garganta, mas também queria seguir exatamente o que Eric pedisse para ele fazer.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele encontrou um meio-termo, segurando os cabelos de Eric sem muita força, apenas acompanhando sua movimentação. As pernas de Caio estavam curvadas, os pés apoiados sobre a mesa, e ele nunca se sentiu tão exposto. Isso, junto com todo o resto, estavam levando-o perigosamente para perto do fim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eric, espera, ah, porra… — Ele puxou Eric para cima, observando enquanto ele soltava seu pau com um <i>pop</i>. — Você quer me matar de novo?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Nem sonharia com uma coisa dessas — Eric respondeu, mas se levantou um pouco. </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Os dedos ainda se moviam dentro de Caio, mas a saliva já não era mais suficiente. Então ele os removeu, fazendo um “shh” para a reclamação de Caio enquanto rapidamente abria uma das gavetas da mesa e pegava uma embalagem. O namorado olhou com curiosidade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sei que normalmente não precisamos, mas hoje… Bom, todas as sensações aparecem, e eu não quero que você sinta dor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Caio assentiu, entendendo o propósito do item assim que viu Eric apertar o produto e seus dedos voltarem cobertos de lubrificante. Ele não perdeu tempo para retomar o trabalho de antes, e Caio arqueou as costas um pouco com a sensação fria e viscosa o invadindo, até que rapidamente se tornou agradável novamente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eric passeou a outra mão pelas pernas de Caio, das panturrilhas à pélvis, apenas com a ponta dos dedos. Os arrepios vinham sem parar, muitas vezes fazendo Caio se contorcer e se apertar contra os dedos dentro dele. Eric observava cada reação com uma fascinação quase científica.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Caio estava com os olhos fechados a maior parte do tempo, mas olhou para Eric eventualmente, vendo-o de pé, acabando com ele sem parecer fazer nenhum esforço. Ele estava inteiramente vestido, o sobretudo aberto, mas ainda o deixando com um ar de autoridade. Caio gemeu e derrubou a cabeça para trás de novo, frustrado com o quanto a visão mexia com ele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando Eric finalmente considerou que o preparo foi o bastante, ele se posicionou entre as pernas de Caio e o puxou para frente firmemente pela cintura. Ele abriu a calça e se colocou para fora, sem tirar nenhuma peça — ele conhecia o namorado, afinal — e usou mais um pouco do lubrificante no próprio membro antes de se alinhar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Os próximos segundos se estenderam. Eric entrou devagar, sentindo o mundo girar com o quão <i>bom</i> era, e Caio se forçou a relaxar para que fosse mais fácil, apesar de cada novo centímetro dentro de si fazer com que ele quisesse se empurrar para frente. Doía um pouco, mesmo, mas se fosse para ser sincero, ele sempre quis essa parte da experiência também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Em certo momento, Eric se abaixou um pouco e segurou as duas mãos de Caio, entrelaçando os dedos. Eles se encararam enquanto Eric começava a se mexer. Com apenas algumas investidas, Eric acertou o ponto que estava procurando, e soube pela forma como Caio fechou os olhos sem querer e apertou os dedos com força.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Isso. Era isso que ele queria. Com um rápido olhar para o lado, ele viu o relógio na parede atrás da mesa: 3h06. Um pouco mais tarde do que o planejado, mas ainda dentro da janela de tempo. O resto da noite era bom, mas a intensidade de verdade sempre vinha às três.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele começou a ir mais rápido, a mesa balançando a cada impulso. Os gemidos de Caio ficaram cada vez mais altos e ele tentou mexer os braços, mas Eric pressionou as mãos contra as dele, forçando-o a ficar como estava. Caio sorriu, os olhos fechados, parecendo estar em outro plano de existência. Eric aproveitou para olhar para baixo de novo, apreciando tudo o que ele podia ter, e então foi buscar mais gostos novos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele lambeu os mamilos, mordiscou-os, e sentiu o sabor salgado de suor na língua conforme a levou para cima, até voltar a marcar o pescoço de Caio como estava fazendo mais cedo. Os movimentos ficaram mais fortes, as pernas de Caio o circularam e puxaram para perto, e antes que Eric pudesse levar uma mão para ajudar Caio a gozar — não foi preciso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Caio se contorceu, travando Eric dentro de si. O mais velho soltou as mãos dele para permitir que ele o abraçasse, e a força foi tanta que chegava a ser desconfortável, mas ele não se importava. Assim como não se importava com a sujeira que certamente estava se espalhando pela sua roupa, enquanto ele sentia as ondulações do orgasmo de Caio terminarem.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Continua — Caio murmurou, um pouco grogue.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tem certeza?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Tenho — ele afrouxou o abraço e o beijou de novo. — Não vou esperar um ano pra sentir você gozando em mim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eric bufou uma risada rápida e se abaixou para pegar o lábio inferior de Caio entre os dentes. Ao mesmo tempo, ele voltou a se mover. Tentou ir devagar, mas a verdade é que ele também não estava muito longe.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Logo a mesa estava balançando de novo. Caio estava muito sensível, uma linha fina entre a dor e a melhor coisa que ele já sentiu. Nem era uma escolha, realmente, fazer aquilo. Ele queria <i>sentir</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Subitamente, Eric passou um braço por trás da cintura do outro e o puxou para cima, levantando-o e dando um passo para trás com ele no colo, sem sair completamente de dentro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Caralho, porra — Caio xingou baixo, a voz entrecortada por cada movimento.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eric meio andou, meio tropeçou para a parede mais próxima e Caio apoiou as costas enquanto Eric o segurava pelas coxas e bunda. Tudo era incandescente, desde a aspereza da parede na pele até o modo como seu próprio pau não decidia se ainda estava mole ou não.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eric acelerou, de novo, e de novo, e Caio deixou os olhos entreabertos para ver. Devia estar tão quente por baixo daquela roupa toda, o que fazia com que Eric estivesse suando mais do que precisaria. Agora, finalmente, ele não parecia mais composto e confiante. Ele estava com a boca aberta, a cabeça para trás apoiada nos braços que Caio jogara atrás de seu pescoço.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando Eric se enfiou inteiro pela última vez, Caio fechou os olhos e focou na sensação, tentando guardá-la na memória. Não havia mais nada como aquilo: estar totalmente preenchido, cada gemido de Eric correspondendo a um espasmo, o novo calor dentro de si que ele sempre quis sentir por completo. A julgar pela expressão de completo êxtase do namorado, o sentimento era mútuo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele continuou concentrado enquanto Eric se retirava. Quando o mais velho fez menção de deixá-lo descer da posição, Caio apertou os braços.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não, espera — ele sussurrou, fechando os olhos de novo e suspirando profundamente enquanto sentia o líquido escorrer e sair.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eric o observou, ainda recuperando o fôlego. Quando Caio assentiu com a cabeça, ele o soltou, mas segurou de novo assim que Caio bambeou e riu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— As pernas já parecem ser 100% fantasmas de novo — brincou, e Eric revirou os olhos, sorrindo de volta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eles foram para o sofá. Caio se esparramou primeiro, aproximando-se quando Eric sentou ao seu lado. Parou por um momento, olhando-o de cima a baixo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você está gostoso pra cacete, mas quero te sentir também agora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eric olhou para baixo e, tão subitamente quanto o namorado fez mais cedo, toda a roupa desapareceu. Caio fez um som baixinho de apreciação e o abraçou, envolvendo os braços e pernas de forma que ficassem o mais emaranhados quanto possível. O calor de ambos ainda estava forte o suficiente, assim como o cheiro, e Caio não resistiu uma lambida pelo peito do outro para experimentar o gosto também.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Eric riu, mas não disse nada, passando os dedos pelo braço e ombro do namorado lentamente. Ele não queria pensar que isso só aconteceria de novo nessa intensidade daqui a um ano, mas era reconfortante saber que <i>aconteceria</i>. Eles não teriam que se preocupar com o “até que a morte os separe”, afinal. Ainda teriam muitos <i>Halloweens</i> pela frente. Talvez já pudessem começar a planejar o próximo.</p><hr class="content_break"><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">E quem queria viver um Halloween assim também, hein? Hahaha. Obrigado por lerem e obrigado Koda pelo convite! É um prazer fazer parte do prazer alheio e este é com certeza o melhor espaço pra isso ;)</p><figcaption class="blockquote__byline"> Alex </figcaption></blockquote></div><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Leia todos os textos da <b>kinktona</b>!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-spillways?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=5-toque-fantasma-kinktona-alex-fernandes" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">1 - Spillways - Isabelle Morais</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=5-toque-fantasma-kinktona-alex-fernandes" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">2 -</a><b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=5-toque-fantasma-kinktona-alex-fernandes" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"> </a></b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=5-toque-fantasma-kinktona-alex-fernandes" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">A mesa da masmorra - Anita Saltiel</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-senhora-e-o-verme?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=5-toque-fantasma-kinktona-alex-fernandes" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">3 - A Senhora e o Verme - Larissa Siriani</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-agua-dourada?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=5-toque-fantasma-kinktona-alex-fernandes" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">4 - Água dourada - Ariel F. Hitz</a></p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">E se você leu até aqui, essa é a quinta rapidinha de DEZ com autores convidados que virão nas próximas semanas. Fica por aqui, manda pra amigues, divulga nas redes sociais e me ajuda a levar esse projeto mais longe ❤️ </p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso! Um xêro e um queijo,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Kodinha</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"></p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=d426272b-d88a-4dd0-985a-1b5ea725970f&utm_medium=post_rss&utm_source=so_uma_rapidinha">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>#4 - Água dourada - Kinktona - Ariel F. Hitz</title>
  <description>as asas e o céu</description>
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  <pubDate>Wed, 23 Oct 2024 21:00:00 +0000</pubDate>
  <atom:published>2024-10-23T21:00:00Z</atom:published>
    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
    <dc:creator>Ariel F. Hitz</dc:creator>
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    <div class='beehiiv'><style>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;">Olá querides safades, tudo bom? </p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Hoje estamos juntes aqui para continuar os trabalhos da <b>kinktona</b>, a maratona kink do Só uma rapidinha! Até o dia 04 de dezembro teremos textos novos por aqui toda semana, cada um de uma pessoa convidada diferente, e todos muito queer e kink!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quem escreve pra vocês hoje é o <b>Ariel F. Hitz!</b></p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="apresentao">Apresentação</h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><b>Ariel F. Hitz </b>(ele/dele) — <a class="link" href="https://x.com/arielfhitz?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=4-agua-dourada-kinktona-ariel-f-hitz" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">twitter</a>, <a class="link" href="https://www.instagram.com/arielf.hitz/?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=4-agua-dourada-kinktona-ariel-f-hitz" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">instagram</a> — é um <span style="text-decoration:line-through;">gato laranja</span> homem trans escritor que escreve histórias sobre homens trans! Tem algumas histórias publicadas, entre elas <a class="link" href="https://amzn.to/3A10rog?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=4-agua-dourada-kinktona-ariel-f-hitz" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Erasto</a>, um conto de vampiro explorando a vilanidade queer, e <a class="link" href="https://amzn.to/4ferNrt?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=4-agua-dourada-kinktona-ariel-f-hitz" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">&quot;A gente se vê na Parada&quot;</a>, antologia LGBT+ da HarperCollins. Além disso, tem um projeto de assinatura mensal do <a class="link" href="https://Apoia.se?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=4-agua-dourada-kinktona-ariel-f-hitz" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Apoia.se</a>, o <a class="link" href="https://apoia.se/cafecomariel?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=4-agua-dourada-kinktona-ariel-f-hitz" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Café com Ariel</a>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Fiquei super animado quando o Ariel aceitou o convite e sabia que ele iria trazer o seu toque especial pras histórias, e não estava errado! Espero que vocês gostem desse texto como eu gostei.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Lembrem-se de conferir a lista de aviso de conteúdo logo no começo do texto e se mantenham segures! Bora?</p><hr class="content_break"><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="aviso-de-contedo"><span style="color:rgb(67, 67, 67);">Aviso de conteúdo</span></h3><p class="paragraph" style="text-align:left;">angel fucking, sexo com anjo (caído), primeira vez, ambos virgens, slow burn</p><h1 class="heading" style="text-align:left;" id="gua-dourada">Água Dourada</h1><p class="paragraph" style="text-align:left;">Santiago tem vinte anos e não se lembra de ter sonhado sequer uma única vez enquanto dormia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Talvez tenha algo de errado dentro dele. <i>Meu cérebro deve ter alguma má formação,</i> ele pensa. É comum que as pessoas ao seu redor tenham sonhos. Ele é o único que não tem.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Tive um sonho tão estranho hoje,</i> a mãe diz em uma manhã. <i>Sonhei que seu pai estava dentro de uma canoa. Na terra, eu o chamava, mas ele não ouvia. Ele foi se afastando de mim e eu fui gritando cada vez mais alto.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Na mesma semana, o pai de Santiago é encontrado caído no chão por um dos empregados. <i>Foi o coração</i>, o médico determina. O homem não era tão velho, mas havia histórico na família.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Sonhei que ele dizia </i>não<i> no altar,</i> diz a irmã de Santiago, poucos meses depois da morte do pai, <i>e eu precisava me explicar para todos os convidados, foi horrível</i>. Ela já está com o casamento marcado há meses, e o nervosismo é claro como a água do lago aos arredores da casa. Mesmo com todo o receio, não se ouve nenhum “não” no altar, ela sorri e chora como nunca quando se despede de Santiago e da mãe, deixando os dois para trás para viver com o marido. É um dos raros casamentos que o dinheiro não é a motivação da troca de alianças, e Santiago sente inveja da irmã. Ele quer alguém que o faça sorrir e chorar também, mas as moças que conhece são todas desinteressantes demais, falantes demais, mentirosas demais, desesperadas demais, polidas demais, educadinhas demais e, no meio desse excesso, tem algo faltando. Santiago só não sabe o quê.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Depois do casamento, na enorme fazenda há apenas Santiago, a mãe, os empregados, os animais e os casuais viajantes. Nas madrugadas, Santiago, assim como os empregados, os animais da fazenda e os casuais viajantes, ouve os gritos da mãe, chamando pelo marido já morto. A viúva tem sonhos com o pai dos seus filhos, ela diz. Santiago ouve tudo em um silêncio profundo. Ele nunca sonha com o pai, com uma possível noiva, com algum conhecido, um desastre, um acidente, nada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Santiago não tem um único sonho sequer. Até que algo muda.</p><p class="paragraph" style="text-align:center;">***</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">É verão. Inconscientemente, Santiago joga os lençóis de seda para o chão. De olhos fechados, seu corpo está pingando suor, os lábios tremem e o peitoral nu sobe e desce numa respiração ofegante. Sua mente presencia algo até então desconhecido em seu universo pessoal.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">De início, ele não vê nada. Primeiro, ele ouve.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Santiago, Santiago, Santiago.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">É uma voz apressada, gritando pelo seu nome. Ele se lembra de quando a irmã, ainda criança, estava se afogando no lago e chamou por ajuda. O desespero é idêntico.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Depois, ele sente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Calor. Um vento abafado. A textura da grama em seus pés.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Santiago, você irá me encontrar.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Borrões. Ele tem uma sensação semelhante de quando ouviu a melodia que o pianista tocou no casamento da irmã. É algo lindo, poético, mas também é assustador, porque ele sabe que sua vida nunca mais será a mesma. A princípio, Santiago lembra das joias brilhantes da mãe, guardadas com cuidado na penteadeira. Vê uma imagem de uma criatura nua surgindo e sumindo, como se algo tentasse tapar a visão de Santiago. A pele marrom com pequenos vestígios de algo branco identificável pendendo em suas costas. A criatura tem uma forma humana, mas certamente não é uma pessoa comum. Está curvada, como se estivesse abraçando a si mesma após um soco no pulmão, mas seu rosto está direcionado à Santiago. A criatura quer ser vista, e Santiago precisa forçar a própria mente para focalizar aquele ser.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Vê um olho, e então outro, e mais um. Três olhos. Dourados, como o ouro em seu anel de família. Brilhantes. Três olhos dourados e brilhantes. A melodia se intensifica, o pianista parece bater nas teclas com força.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Santiago, eu estou caindo, e você irá me encontrar, eu vou precisar da sua ajuda.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Os olhos de Santiago se abrem e seu corpo salta da cama com uma urgência que ele não sabe de onde vem. <i>Eu estou alucinando? </i>Ele coloca a palma da mão contra a testa e se pergunta se está com febre. <i>O que foi essa visão? Essa voz? Será a mesma doença de coração que o meu pai teve? Que meu avô teve? Eu vou morrer na próxima semana?</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Por dias, Santiago se encontra com diferentes médicos. Sua saúde está perfeita, e todos dizem que o que Santiago teve foi apenas um pesadelo, mas ele sabe que aqueles três olhos brilhantes e dourados não podem ser explicados tão facilmente.</p><p class="paragraph" style="text-align:center;">***</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Em uma tarde de calor, Santiago se joga no lago da fazenda e permanece submersso até que seus pulmões não aguentem mais. Ele quer gritar. Toda noite, fecha os olhos e reza para que Deus lhe mande algum sinal, lhe explique de alguma forma o que aqueles três olhos brilhantes e dourados significam.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Seu corpo está quente. Não é febre, muito menos culpa do clima de verão. Tem uma coisa incompreensível dentro dele, algo que sequer teve coragem de dizer aos médicos. Santiago flutua no lago. Ele quer fazer alguma coisa, mas o quê?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sozinho, ele se lembra do sonho que teve. Três olhos dourados na escuridão. Na grama, molhado e nu, água pingando dos pelos do seu corpo, ele deseja sonhar aquilo ao menos mais uma vez. Fecha os olhos, caminha sem rumo ao redor do lago, desejando que aqueles três olhos estivessem o observando em segredo. Ele toca no próprio pescoço e se pergunta como seria o toque daquela criatura. Quente, ele pensa. Dedos longos apertando sua garganta. Quente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Santiago mergulha uma última vez na água gelada antes de voltar para casa.</p><p class="paragraph" style="text-align:center;">***</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ainda faz calor, e Santiago consegue ouvir uma coruja lá fora. É um horário tão denso da madrugada que ninguém está acordado, nem mesmo os empregados responsáveis pelo jantar ou a senhora que, diariamente, levanta cedissímo e assa uma dúzia de pães no forno.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele acorda abruptamente. Não há sonho algum, apenas a sensação de que deveria estar acordado. Ele se senta na cama. Está calor. A responsabilidade de comandar a fazenda e as posses da família, o luto pelo pai, o medo de não saber o que aquele sonho significa, aquela sensação no estômago de que seu corpo está quente demais, tudo isso está fazendo mal para Santiago.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tem o desejo de sonhar mais uma vez, também. Ele caminha até a janela aberta. Ao longe, apenas vegetação. O feijão recém plantado está dando os primeiros brotos. O pasto está com quase dois metros de altura.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tudo normal. Tudo no mais completo tedioso e detestável normal.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E então o universo ri da cara de Santiago.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Da imensa vastidão do céu, entre aqueles pontinhos brancos de estrelas brilhando, uma luz dourada surge, e, como um pássaro que acaba de quebrar a casca que lhe serviu de casa até então, a luz se choca contra o pasto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não há som algum. Ao menos, Santiago acha que não. Tudo o que ele ouve é as batidas do próprio coração. É como olhar para uma pintura e ficar preso dentro da própria mente em busca de um significado para as pinceladas. O mundo exterior não importa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele pula a janela do quarto e corre apressado no meio da vegetação. A noite já não parece mais tão escura. Alguma coisa mudou. No mundo, nele mesmo.     </p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Com as mãos, Santiago afasta o pasto e abre caminho até encontrar o que procura. Sente os pés arderem ao pisar em pequenas pedras pelo caminho, mas não importa. A visão que tem faz com que toda a dor do mundo se torne irrelevante.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">No meio da vegetação, uma área circular onde o pasto está amassado, como se uma esfera tivesse sido pressionada ali, e é nesse ponto que Santiago para, arfando, surpreso em não sentir medo algum. Uma melodia calma parece tocar em seus ouvidos, o tipo de melodia que Santiago julga desconexa com a situação. Um som calmo para um momento desesperador.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Há uma criatura desconhecida caída no centro do círculo. Pela sua posição, parece ter sido empurrada por alguém. Meio sentada de lado, os três olhos dourados e brilhantes piscam na direção de Santiago.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você caiu — Santiago diz diante da criatura desconhecida. — Você caiu — repete bobamente. Estava surpreso de sequer conseguir dizer alguma coisa. — Você caiu do céu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O ser desconhecido está nu, completamente nu. Os músculos do seu corpo são muito bem definidos, pelos escuros crescem por cima da pele marrom, alguns arranhões se espalham pelos seus braços.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu caí — ele concorda calmamente, levantando o rosto em direção às estrelas. Nas suas costas, Santiago percebe que algo branco e brilhante emerge debaixo da pele. Duas linhas paralelas, elevadas, como dois caroços brancos. É a mesma coisa branca não identificável que Santiago viu em seu sonho, mas muito menor. — Eu caí — repete, e sua voz é idêntica ao som que Santiago ouviu naquela madrugada.<i> Você irá me encontrar, eu vou precisar da sua ajuda.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O ser desconhecido não transmite nada além de calmaria. As melodias que ecoam ao redor dele não são ansiosas como as que Santiago ouve toda vez que mergulha sozinho no lago, nem agressivas como quando Santiago se esconde das investidas da mãe em lhe arranjar uma esposa. Por conta disso,  Santiago o carrega em suas costas como quando carrega lenha para dentro de casa no inverno, mesmo que tenha empregados para isso. Leva até seu quarto, torcendo para que ninguém os veja. Ele é seu segredo. Não sabe porquê, nem como, mas sabe que ele é seu segredo. É um segredo. E é seu.</p><p class="paragraph" style="text-align:center;">***</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Exceto pelos três olhos dourados e os caroços brancos nas costas, o corpo dele é muito parecido com o de Santiago, e é difícil de entender porque os olhos de Santiago se atentam tanto a isso. Nunca havia visto outro homem nu. Não daquela forma, ao menos. Mas ele não é homem, afinal de contas. Nenhum homem caí do céu. Então tudo bem olhar, não é?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Santiago o observa. Deitado em seus lençóis de seda, ele está fraco. Parece confuso e perdido, com os lábios entreabertos e os três olhos vagando pelo quarto de Santiago, desde o retrato pintado com tinta à óleo de um Santiago mais jovem até as velas acesas na cômoda, a estante de livros e a bíblia aberta na escrivaninha.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">De pé ao lado do ser desconhecido, Santiago não sabe ao certo o que fazer. Sente vontade de tocar nele, de dizer muitas palavras, de o abraçar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Estou sentindo algo estranho — ele diz, apontando para um dos arranhões mais profundos em seus braços. — Aqui.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Dói? — Santiago pergunta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Se aproxima dele, e percebe que um líquido branco sai dos arranhões, onde normalmente deveria verter sangue vermelho. Sua pele marrom está marcada por várias linhas brancas, vários machucados superficiais.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele não responde, a princípio. Encara Santiago, os três olhos dourados piscando para ele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu nunca senti dor antes. Eu sei o que é, porque sei que vocês, humanos, sentem, mas é a primeira vez que sinto isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Santiago arfa com a confirmação de que ele não é humano. Deveria estar com medo, pensa. Mas por que sentir medo de uma figura tão linda como aquela?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— O que aconteceu com você? Como apareceu em meu sonho? Você se lembra disso, de aparecer em meu sonho?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu me lembro vagamente. Sei quem é você, sei que te procurei, mas parece tão distante. Eu vi o seu rosto em algum lugar. Eu disse o seu nome para alguém. E então eu caí.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Qual o seu nome?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu não tenho um nome. Talvez eu tenha tido um nome, mas não tenho mais. Também não tenho uma casa para voltar. Se tenho, não sei o caminho.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você pode ficar aqui.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Santiago limpa os ferimentos no corpo dele. Pequenas gotas brancas mancham os lençóis de seda, como pequenas estrelas brilhando no infinito do universo.</p><p class="paragraph" style="text-align:center;">***</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Do que é que você se lembra, de antes de ter caído do céu?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Santiago está sentado ao seu lado na cama, cortando pedaços de pêssego fresco e entregando em seus dedos trêmulos. Ele parece melhor, mas ainda está fraco.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Uma voz — ele responde.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Os dedos de Santiago estão melados com o sumo da fruta, e ele se pergunta como o seu novo amigo reagiria se Santiago oferecesse a própria mão para ele lamber. Se imagina esfregando um dos pêssegos no próprio peitoral. De onde vem todos esses pensamentos estranhos? Ele está doente?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E o que essa voz dizia? — Santiago pergunta, afastando aquelas imaginações sem sentido.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Estava me repreendendo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Santiago larga o caroço da fruta sobre a cômoda e se levanta. Lambe os próprios dedos, sem olhar para ele. Santiago gosta de como aqueles três olhos sempre o observam, cada movimento que ele faz. Estavam dormindo lado a lado, os dois, e Santiago sentia os olhos brilhantes e dourados o observando durante as madrugadas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você deveria ter um nome — Santiago diz. — Vamos arranjar um nome para você.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Um nome — ele repete. — Que nome?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— <i>Órion</i>. Você veio das estrelas. Órion parece se encaixar perfeitamente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Órion — ele murmura, lentamente, seus três olhos dourados brilhando mais do que nunca. — É bonito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Será Órion, então.</p><p class="paragraph" style="text-align:center;">***</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— O que é isso que eu estou sentindo?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Órion está tremendo, abraçando a si mesmo, com os ombros encolhidos. Lá fora, as folhas das árvores estão começando a cair. É início de outono. Não há mais nenhum arranhão em seu corpo, e seus olhos dourados e brilhantes não estão mais tão curiosos. Agora ele se senta na cama de Santiago com familiaridade, mas não se acostumou com nenhuma das roupas que Santiago deu à ele. Nu, sempre escondido dos olhares curiosos, ele não se importa que Santiago encare tanto cada centímetro de seu corpo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A janela está aberta, e um vento fraco invade o quarto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Meu corpo está tremendo — Órion diz. — O que é isso que estou sentindo?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Frio — Santiago diz. Também está sentindo. — Você precisa se cobrir com o cobertor, se não quiser usar minhas roupas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você se esconde demais. Eu não gosto de como os seus tecidos me apertam.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— É para se proteger. Você precisa usar as roupas adequadas para o clima e a situação que você está. Se estivesse usando armadura quando caiu do céu, não teria se machucado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não preciso me proteger — Órion retruca, mas se enrola no cobertor de lã mesmo assim. Santiago se lembra do dia em que o viu, de como o sangue branco dele se parecia tanto com estrelas brilhantes.</p><p class="paragraph" style="text-align:center;">***</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— O que é isto que estou sentindo?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Órion aponta para a própria barriga. Está nu, sentado no chão ao lado da cama de Santiago, e Santiago sequer finge que não é para o peitoral de Órion que está olhando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Está fazendo barulhos — Órion diz, ainda apontando para seu estômago. — Já senti isso antes, mas não tão forte assim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Santiago percebe que também sente. Curioso como Órion consegue compreender o que Santiago sente mesmo sem saber nomear nenhuma dessas coisas. É tarde da noite e Santiago se esqueceu do horário do jantar. Conversar com Órion se tornou a sua coisa favorita.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Fome. Você está sentindo fome.</p><p class="paragraph" style="text-align:center;">***</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Já não faz mais tão calor como antes, e Santiago se arrepende de ainda não ter uma boa desculpa para ficar nu ao lado dele. Órion não se importaria, provavelmente. Ele próprio continua a passar os dias sem roupa alguma, lendo e relendo os livros da estante de Santiago, esperando que a noite chegue para que os dois possam conversar com as janelas abertas, sem o medo de que alguém vá descobrir a existência de Órion.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Conversam sobre banalidades, no geral, e Santiago percebe que Órion lembra apenas coisas muito vagas sobre sua vida antes de cair do céu, a maior parte parece apenas delírio. Recebia ordens de alguém, ele diz, mas não sabe quem, e está feliz de não receber mais nenhuma ordem. Santiago deita-se de bruços na cama. Ouve a respiração de Órion, que dorme profundamente. O sol está quase nascendo, e Santiago não sabe porque ainda está acordado. Algo formiga dentro dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Deita-se de lado, encarando as costas de Órion. O cobertor de lã repousa um pouco abaixo da cintura de Órion, e Santiago consegue perceber como não há nenhuma imperfeição na sua pele, um único arranhão ou marca de nascença. Com a baixa luz dos primeiros raios solares, vê que já não há mais aquele caroço branco nas costas de Órion. O que quer que fosse, já desapareceu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Santiago leva dois dedos em direção ao próprio pescoço e pressiona o mesmo lugar que o médico da família pressiona quando checa seus batimentos cardíacos. Está acelerado. A mão de Santiago desce para o abdômen, e ele se pergunta se Órion está com frio, mas ele dorme tão calmamente, a respiração soando como uma leve melodia. A curva da cintura de Órion faz Santiago pensar nas voltas que o próprio estômago parece dar. Sente vontade de tocar na pele dele, de sentir a textura do corpo de Órion. Os olhos de Santiago vagam pelas costas nuas e incentivam os movimentos de sua mão. Ele lamenta que o cobertor esconde aquilo que está abaixo do quadril, mas Santiago já o viu nu tantas vezes que sabe exatamente o formato de seu corpo. O coração de Santiago bate ainda mais rápido. Na palma de sua mão, há algo muito parecido com o sangue branco de Órion.</p><p class="paragraph" style="text-align:center;">***</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Estou com calor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Como? Está frio. Estamos no meio do inverno.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não me sinto muito bem. Acho que estou doente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Achei que não tivesse como você adoecer.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Estou com calor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Me deixe ver se você está com febre. Não, não está. Mas talvez seja bom tomar um banho gelado mesmo assim. Quando anoitecer e todo mundo estiver dormindo, vou te levar até o lago para mergulhar um pouco, que tal? Bem rapidinho, para ninguém perceber.</p><p class="paragraph" style="text-align:center;">***</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Estou com calor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ainda? Me descreva o que você está sentindo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele está sentado de forma estranha na cama, encarando Santiago.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu quero correr — ele diz. — Mas não com as minhas pernas. Quero que alguém corra por mim. Meu coração bate diferente. Eu sequer sabia que eu tinha um coração. Me sinto quente. Meu corpo está pulsando. Talvez eu tenha mais de um coração.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Santiago se aproxima dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não sei. Parece tão saudável quanto eu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Talvez esse seja o problema,</i> ele pensa.</p><p class="paragraph" style="text-align:center;">***</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">É noite. Os olhos de Santiago vagam ao redor do lago. Enquanto Órion emerge e reaparece debaixo da água várias vezes, Santiago está de pé na grama, de sapatos, calça e camisa de mangas longas. É final de inverno, uma leve brisa gelada faz Santiago tremer, mas Órion parece aproveitar a água gelada. Aceitou trazê-lo até ali apenas porque Órion insistiu em como sentia calor, mas está com medo de que alguém apareça na noite e veja aquela criatura de três olhos brilhantes e dourados. Eles não entenderiam como Órion é precioso. Muito mais precioso do que qualquer joia de diamante.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Santiago abraça a si mesmo. Ouve apenas uma coruja ao longe e o corpo de Órion movimentando a água. Os três olhos emergem mais uma vez, e, por um instante, Santiago pensa que Órion irá convidar ele para mergulhar junto, mas Órion esfrega o próprio rosto e caminha até a margem do lago lentamente, se aproximando de Santiago, que faz um esforço para encarar seu rosto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu ainda estou com calor — diz. Está apenas com os pés dentro do lago, água pinga de seu corpo. Ele encara Santiago da mesma forma que o encarou quando questionou sobre porquê sentia frio. Os três olhos dourados estão com as pupilas enormes. — Eu estou doente? Eu li em um dos seus livros que um líquido vermelho escorre dentro dos seus corpos, mas isso não acontece comigo, então talvez eu esteja doente de outra forma.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Santiago morde a parte de dentro da boca. Abaixa um pouco a cabeça e enxerga, no corpo de Órion, a mesma reação que o próprio corpo tem no meio das madrugadas</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não acho que você esteja doente — diz, levantando o rosto. — Eu sei de algo que pode te ajudar. Eu posso…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sua voz se perde do ar, Santiago olha ao redor, buscando qualquer olhar alheio, mas não há ninguém. Mesmo se houvesse, ele não conseguiria enxergar. Tudo o que pensa é em Órion.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Pode o quê, Santiago? Me ajude, por favor.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Santiago encara seus três olhos dourados.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu posso… — ele tenta dizer, mas se perde novamente.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Santiago não precisa checar para saber que seu coração bate rápido. Ele dá um passo na direção de Órion, o suficiente para tocar no exato lugar em que toca no próprio corpo quando sente a necessidade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Órion arfa, os lábios abertos em choque, e leva uma das mãos molhadas até o ombro de Santiago.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— O que você está…</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu posso parar, se você quiser.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Órion balança a cabeça.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Continue.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Santiago para apenas por um breve instante, cospe na palma da própria mão e volta a tocar em Órion. Ouve uma melodia muito alta e destrambelhada dentro da própria mente, como se alguém dançasse em cima de um piano. Órion aperta o ombro de Santiago e um som extremamente humano sai de seus lábios. Já não era mais uma criatura que caiu do céu, era Órion. Não existe nada mais humano do que o desejo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Com a voz trêmula, os três olhos dourados piscando, Órion pergunta:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Como você sabe que eu precisava disso? Como sabe fazer isso?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Santiago não consegue conter um sorriso, porque ele não sabe muito bem o que está fazendo, é apenas um reflexo do que faz em si mesmo. Ele se aproxima de Órion ainda mais. Sente o hálito quente que sai de seus lábios entreabertos e ouve os sons de sua garganta. Cada um daqueles sons explicam para Santiago sobre a melhor forma de tocar Órion, e é nisso que ele se concentra. Não existe mais nada no mundo, apenas a textura quente e úmida na palma de sua mão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vem aqui — Santiago pede, puxando gentilmente Órion contra a grama. O corpo dele está molhado com a água do lago, e a roupa de Santiago umedece conforme os dois se movimentam, meio sem jeito, até que Santiago esteja sentado na grama e Órion por cima dele, sentado em suas coxas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Agora, Santiago levanta o rosto para observar as reações de Órion, e por cima dele há apenas o céu da noite, cheio de estrelas brilhantes, assim como na noite em que o viu pela primeira vez. Os três olhos dourados de Órion brilham intensamente, piscam para diferentes lugares, desde o rosto de Santiago até o ponto em que seu pulso se movimenta freneticamente. Órion curva-se para frente subitamente, a ponta do seu nariz se chocando contra o maxilar de Santiago. Ele começa a dizer algo que talvez seja <i>Eu estou sentindo algo o que é isso </i>mas que rapidamente se transforma em <i>Santiago Santiago Santiago Santiago </i>até que as palavras perdem os sentidos e tudo o que Órion faz é arfar como quem acaba de correr durante horas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Santiago está sorrindo. Os três olhos dourados de Órion piscam, e ele parece querer buscar na expressão de Santiago uma explicação para o que acaba de acontecer, mas Santiago sabe que não conseguiria explicar aquilo. Ele toca gentilmente a cintura de Órion, como se dissesse <i>está tudo bem.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Órion assente. Afasta o rosto de Santiago, respira fundo e se joga para o lado, deitando-se na grama de olhos fechados. Santiago encara o céu e agradece ao brilho das estrelas antes de olhar para a palma da própria mão e perceber o líquido dourado, espesso e brilhante. Alguns pontinhos da mesma textura brilham por cima do tecido da camisa de Santiago. Ele não consegue conter a vontade de aproximar a mão do rosto. Tem um cheiro diferente, algo que nunca sentiu antes. Seus lábios se abrem e ele passa a ponta da língua em um dos dedos. Doce, quente. Santiago lambe cada um dos dedos, a palma da mão e o pulso. É como se estivesse bebendo água depois de meses, anos, décadas em um deserto onde havia apenas areia e solidão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O coração de Santiago começa a se acalmar. Órion continua deitado, e poderia parecer que estava dormindo se não fosse os seus lábios movendo-se lentamente, como se dissesse algo sem produzir nenhum som.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Santiago se deita na grama ao seu lado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ele quer destruir vocês — Órion diz. Seus olhos ainda estão fechados.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Quem?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">As estrelas ainda brilham, e Santiago não entende porque Órion está falando de qualquer coisa que não seja sobre a sensação de um encostar no corpo do outro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Ele quer destruir vocês — ele repete vagamente. — Mais uma vez. Não com água dessa vez, mas com fogo. Ele se irritou porque eu discordo. Não acho que vocês sejam uma decepção. Eu tentei fazer com que mudasse de ideia, mas ninguém discorda dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você está delirando — Santiago murmura. — Ninguém vai destruir ninguém.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu não vou deixar — ele diz. — Não vou deixar. Vou salvar você, Santiago.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim, você vai — Santiago observa os pontos brilhantes no céu. Sente que é a primeira vez que sua garganta não está seca. — Você vai. — Não há motivos para discordar de um anjo delirando. Santiago já está a salvo.</p><hr class="content_break"><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">oi, safadinhes. fiquei tão empolgado quando recebi o convite do Koda (muito obrigado, querido!!) que tive um milhão de ideias diferentes, mas essa me despertou um carinho especial. nem acredito que existe uma little fast escrita por mim!! espero que vocês tenham tido uma experiência tão boa lendo quanto eu tive escrevendo.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">abraços ♡</p><figcaption class="blockquote__byline"> Ariel </figcaption></blockquote></div><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Leia todos os textos da <b>kinktona</b>!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-spillways?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=4-agua-dourada-kinktona-ariel-f-hitz" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">1 - Spillways - Isabelle Morais</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=4-agua-dourada-kinktona-ariel-f-hitz" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">2 -</a><b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=4-agua-dourada-kinktona-ariel-f-hitz" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"> </a></b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=4-agua-dourada-kinktona-ariel-f-hitz" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">A mesa da masmorra - Anita Saltiel</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-senhora-e-o-verme?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=4-agua-dourada-kinktona-ariel-f-hitz" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">3 - A Senhora e o Verme - Larissa Siriani</a></p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">E se você leu até aqui, essa é só a quarta rapidinha de DEZ com pessoas autoras convidadas que virão nas próximas semanas. Fica por aqui, manda pra amigues, divulga nas redes sociais e me ajuda a levar esse projeto mais longe ❤️ </p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso! Um xêro e um queijo,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Kodinha</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"></p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=390bdc07-1910-45a2-8f14-cc5ebb1f4d40&utm_medium=post_rss&utm_source=so_uma_rapidinha">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>#3 - A Senhora e o Verme - Kinktona -  Larissa Siriani</title>
  <description>tapa na cara, pede pra apanhar</description>
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  <pubDate>Wed, 16 Oct 2024 21:00:00 +0000</pubDate>
  <atom:published>2024-10-16T21:00:00Z</atom:published>
    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
    <dc:creator>Larrisa Siriani</dc:creator>
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</style><div class='beehiiv__body'><p class="paragraph" style="text-align:left;">Olá querides safades, tudo bom?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Hoje vamos seguir sendo insaciáveis e cheios de tesão com a <b>kinktona</b>, a maratona kink do Só uma rapidinha! Até o dia 04 de dezembro teremos textos novos por aqui toda semana, cada um de uma pessoa convidada diferente, e todos muito queer e kink!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Quem escreve pra vocês hoje é a <b>Larissa Siriani!</b></p><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="apresentao"><span style="color:rgb(67, 67, 67);">Apresentação</span></h3><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://x.com/larissasiriani?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=3-a-senhora-e-o-verme-kinktona-larissa-siriani" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">Lara (ou Larissa) Siriani</a> (ela/dela) é autora, faz pole dance, trabalha com conteúdo adulto e com livros. Seu lançamento mais recente como Larissa é “<a class="link" href="https://amzn.to/3BL2EoS?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=3-a-senhora-e-o-verme-kinktona-larissa-siriani" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"><i>Para Ana, com Amor</i></a><i>”</i>, uma história profunda e complexa sobre a relação que construímos com os nossos corpos, com uma boa rede de apoio e com o tempo. Também tem outros títulos marcantes como <i>“</i><a class="link" href="https://amzn.to/4eIkEyG?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=3-a-senhora-e-o-verme-kinktona-larissa-siriani" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"><i>O Amante da Princesa</i></a><i>”.</i> Com Lara, publicou o “<a class="link" href="https://amzn.to/3YdeQGK?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=3-a-senhora-e-o-verme-kinktona-larissa-siriani" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">O estagiário</a>”, uma história quente de romance entre uma publicitária e o estagiário gostosão que ela está treinando. Recomendo muito!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Fiquei muito feliz quando ela topou participar da newsletter e sabia que ela traria uma visão diferente pra proposta, algo que ainda não apareceu por aqui, e ela naturalmente não me decepcionou! Sei que algumas pessoas que acompanham essa newsletter já me pediram um texto nessa dinâmica e fico muito feliz de saber que serão muito bem servidos no dia de hoje!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Lembrem-se de conferir a lista de aviso de conteúdo logo no começo do texto e se mantenham segures! Bora?</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><span style="color:rgb(32, 33, 36);"><i>Se quiser contribuir com o trabalho da Lari, considere doar qualquer valor para </i></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);"><i><a class="link" href="mailto:larissa@larissasiriani.com.br" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">larissa@larissasiriani.com.br</a></i></span><span style="color:rgb(32, 33, 36);"><i> para a ajudar a continuar contando histórias.</i></span></p><hr class="content_break"><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="aviso-de-contedo"><span style="color:rgb(67, 67, 67);">Aviso de conteúdo</span></h3><p class="paragraph" style="text-align:left;">degradation kink (degradação), mulher dominante, homem submisso, aftercare, exibicionismo</p><h1 class="heading" style="text-align:left;" id="a-senhora-e-o-verme">A Senhora e o Verme</h1><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mal passava das oito quando o Verme chegou em casa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele adorava as quintas-feiras. Não apenas simbolizavam que o fim de semana estava quase ao alcance de suas mãos, mas também eram o dia dela. Enquanto destrancava a porta do apartamento, já sentindo o aroma inebriante do incenso de canela que ela tanto adorava, sentiu o formigamento familiar de excitação cobrindo cada parte de seu corpo. Anos haviam se passado desde o início deste arranjo, mas ele nunca deixava de se sentir ansioso para estar na presença dela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Entrou em casa e encontrou seu uniforme já deixado sobre a mesa da cozinha. Despiu-se do terno e da gravata e trocou a calça e camisa social por uma cueca de couro e a coleira com o nome dela gravado em letra cursiva. Por fim, tomou para si a máscara de látex e a lambuzou de talco antes de cobrir o rosto. Só então colocou-se em quatro apoios e rastejou até o quarto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sua Senhora estava deitada sobre a cama, fumando um cigarro e assistindo a algum filme em preto e branco na TV. Mesmo com as luzes apagadas, o Verme podia vê-la em toda sua glória, com o macacão de látex que marcava cada uma de suas perfeitas curvas e os pés descalços, as unhas vermelhas combinando com as garras rubras de suas mãos. Mantendo a cabeça baixa, o Verme engatinhou até ela e esperou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Como um bom cão de guarda, o Verme se manteve prostado ao lado da cama, esperando ser notado. Ele nunca falava primeiro — não seria tão soberbo. Apenas ajoelhou-se e aguardou por longos instantes até sua Senhora dizer, em um tom desconcertantemente neutro:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Está atrasado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sinto muito, Senhora, eu... — o Verme começou a dizer, mas a Senhora o interrompeu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não quero suas desculpas. — disse, seca. — Não existe você, existe apenas eu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Algo nele acordou, um arrepio que percorreu sua espinha do topo até a base, excitando-o sem que sequer fosse tocado. O Verme abaixou a cabeça.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim, Senhora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela passou então os pés para fora da cama, e, sem dizer uma só palavra, o Verme pegou seus belos saltos pretos e os afivelou em sua Senhora. De pé, ela parecia uma escultura em tamanho real de uma deusa grega, e, não pela primeira vez, o Verme sentiu uma necessidade única de jogar-se diante dela e chorar em agradecimento pelo privilégio de poder servi-la — mas não o fez. A Senhora tinha razão: suas vontades não eram nada, ele não existia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O Verme a seguiu de volta para a cozinha, e não foi até sua Senhora estar confortavelmente sentada em uma cadeira e ele estar atrás do balcão que se colocou novamente de pé. Seus joelhos ardiam, mesmo já calejados. O incômodo nunca ia embora, um lembrete de que aquele era seu lugar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Cozinhou o jantar para sua Senhora enquanto ela terminava seu cigarro e conversava com pessoas mais importantes pelo celular. Fez ravioli ao molho pesto, o favorito dela, e serviu um vinho branco. Então, sem comer, foi ajoelhar-se novamente ao lado dela, aguardando enquanto ela provava de sua comida e saboreava o vinho, a excitação arrepiando cada pelo de seu corpo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Quando sua Senhora terminou de comer e se levantou, dando a deixa para que ele limpasse a mesa, o Verme arriscou perguntar:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Gostou, Senhora?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele olhou em expectativa para cima, tentando ler as expressões no rosto dela. Com desprezo, ela apenas disse:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Medíocre, assim como você.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O Verme poderia chorar ali mesmo de felicidade. Semana passada, fora “deplorável”. “Medíocre” poderia ser um sinal de que estava agradando sua Senhora?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Deixe a louça aí. Venha comigo — disse ela, e o Verme obedeceu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Engatinhou atrás dela até a sala, onde sua mala mágica já estava disposta sobre o chão, os apetrechos favoritos da Senhora dispostos sobre a mesa de centro. O Verme sentiu a comichão particular da mistura de medo e ansiedade que sempre precedia uma noite com ela. Nunca sabia exatamente o que ela poderia fazer, mas sabia que, invariavelmente, sairia desta noite um novo homem. Um novo Verme.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ajoelhou-se ao lado da mesa enquanto sua Senhora escolhia por onde começar. Observou de canto de olho suas belas mãos passearem pelos chicotes, <i>floggers</i>, cordas e algemas, além da extensa coleção de próteses e vibradores, até parar sobre o <i>strap</i>, já armado com a prótese vermelha de quase 20 centímetros. O coração do Verme deu um salto dentro do peito.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Assistiu com crescente ansiedade enquanto sua Senhora vestia a cinta pelas pernas, afivelando-a na cintura até a prótese ser uma presença incontestável diante dos olhos do Verme. Então a Senhora sentou-se em uma poltrona e esticou os pés. Ainda em silêncio, o Verme engatinhou até ela e desafivelou os sapatos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Estão cansados — disse ela, e o Verme entendeu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Apoiando o pé direito sobre seu colo, ele pegou o esquerdo em suas mãos e passou a gentilmente esfregar e massagear a sola e o calcanhar. Sua Senhora sorriu, satisfeita, sua mão se mexendo lentamente sobre a prótese, brincando com a cabeça e descendo e subindo devagar, tornando a concentração do Verme mais e mais escassa. Era tão grande que a mão de sua Senhora mal fechava ao redor. Tão grande que ele se perguntou o que mais ela poderia fazer com algo daquele tamanho, se quisesse.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sei no que você está pensando, e a resposta é não. — Sua voz era firme e o Verme sentiu seu rosto corar por sob a máscara, se perguntando como ela conseguia sempre prever o que ele estava pensando. — Cuspa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Obedientemente, ele se inclinou sobre a prótese e cuspiu, seus lábios terrivelmente próximos da cabeça, quase sentindo o gosto do silicone com a ponta da língua. Se fosse mais ousado, esse seria o momento em que desobedeceria suas ordens e engoliria a prótese com a boca, apenas para buscar algum alívio para a excitação que se acumulava no peito e no couro da cueca. Mas o Verme jamais desapontaria sua Senhora daquela forma. Sua vontade jamais se faria mais importante do que a dela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Então massageou os pés dela enquanto assistia sua Senhora subir e descer a mão, melecada de saliva, tentando não parar tudo para se deixar hipnotizar pelo movimento. Era difícil. Tantas imagens passavam pela cabeça dele, tantos desejos, tantas fantasias. O sorriso de sua Senhora se alargou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você gostaria de ser tocado, Verme? — ela disse, o pé apoiado sobre o colo do submisso deslizando até estar sobre o volume entre suas pernas — Gostaria que eu tocasse você como toco meus brinquedos?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A boca do Verme salivou. Gostaria mais do que tudo o privilégio de ser tocado por sua Senhora. Imaginou tantas vezes como seria senti-la sobre ele. Suas mãos, apenas. As pontas dos dedos que fossem. Um toque voluntário, pele sobre pele. Mas conhecia bem demais seu lugar. Sabia exatamente o que era.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não mereço, Senhora — respondeu, por fim, baixando os olhos. A Senhora pressionou o pé sobre a cueca e o Verme engoliu em seco a vontade de gemer.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não, não merece — ela riu. — Não há nada aí que me interesse. Nada em você é capaz de me satisfazer. Me servir é o mais próximo que você vai chegar de me dar prazer.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela esticou a perna e pousou a planta do pé completamente sobre o rosto do Verme. Ele fechou os olhos. Queria lambê-la. Queria senti-la. Queria engoli-la. O cheiro do suor dos dedos dela era inebriante.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Abra os olhos — ela comandou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele escancarou as pálpebras de imediato. Sua senhora retirou a prótese da cinta e balançou diante dos olhos dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Quantos centímetros será que tem seu pau, Verme? — disse, em um tom jocoso. — Cinco? Dez?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A cada palavra, seu pé pressionou mais a ereção do submisso. Ele respirou fundo, engolindo a agonia de forma impassível, sem responder. Sua Senhora, então, tirou o outro pé de seu rosto, pousando-o sobre o ombro do Verme, e levou a prótese até meros centímetros do rosto dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Olha só pra isso — disse. — Isso é um pau de verdade, não esse vermezinho que você guarda nas calças. É por isso que você me serve. É a única forma de você servir para alguma coisa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sem cerimônia, a Senhora bateu com a prótese no rosto do Verme. Apesar de já ter recebido essa mesma punição várias vezes, sempre se surpreendia com o peso da prótese em choque com seu rosto. A dor do impacto enviou uma onda de excitação pelo seu corpo. Sem conseguir evitar, ele sorriu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Isso mesmo, Verme, sorria — ela continuou, batendo em seu rosto repetidas vezes com a prótese. — Você adora, não é? Adora ser maltratado. É pra isso que você serve. Esse é o seu lugar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Esse é o meu lugar — ele concordou num murmúrio.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Abra a boca.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Obediente, ele o fez, e a prótese que atingia seu rosto foi enfiada sem qualquer delicadeza entre seus lábios. Ele salivou, abrindo a boca o máximo que podia para engolir tudo que sua Senhora quisesse lhe dar. A força do silicone indo de encontro com sua garganta fez seus olhos lacrimejarem, mas tudo que ele queria era continuar. Sua Senhora riu alto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Veja só como essa boquinha está bem treinada — ela sussurrou, cheia de sensualidade. — Anda chupando muita rola no trabalho, Verme? Mamando seus colegas e seu chefe para eles esquecerem do quão inútil você é? Chupando o saco de cada cliente para eles fecharem negócio? Afinal, você é mais do que um homem incompetente, você é uma excelente boca de caçapa, não é? Aposto que está treinando tudo que eu te ensinei aqui com os seus amigos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele assentiu, engolindo a prótese em um mar de saliva que escorria pelos cantos da boca e pingava sobre suas pernas. Imaginou-se sendo descoberto pelos colegas, pelo chefe, pelos amigos de infância, e a imagem mental de ser pego com um pau de borracha de 20 centímetros dentro da boca deixou seu próprio pênis dolorosamente rígido, pulsando dentro da cueca. Se fosse descoberto como o Verme que era, não precisaria mais fingir. Se soubessem que ele não era nada, poderia viver ali, apenas servindo sua Senhora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">De súbito, ela puxou a prótese de volta, admirando o trabalho. Então apoiou o outro pé sobre o ombro livre do submisso, sua mão desocupada lentamente abrindo o zíper entre as pernas do macacão. O Verme tremeu. Raras eram as sessões em que conseguia ver o corpo de sua Senhora, e a honra nunca deixava de ser especial.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você gostaria de me dar prazer, Verme? — As pontas dos dedos dela se demoraram sobre a carne macia que se abria entre suas pernas. O coração do Verme acelerou em expectativa, a boca salivando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim, Senhora — murmurou.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Fale pra fora. Não estou aqui para ficar implorando para entender sussurros seus — a Senhora ralhou, fazendo o submisso se contrair e sua ereção doer ainda mais em expectativa. — Gostaria de me dar prazer, sim ou não?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim, Senhora — repetiu ele, mais alto agora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O sorriso dela se alargou. Lentamente ela o puxou com as pernas, até o rosto mascarado do Verme estar tão perto que ele podia sentir o cheiro doce da excitação de sua Senhora, vê-la úmida e perfeita. Tão próximo que se ele quisesse, se ele sequer ousasse, seria capaz de tocá-la com não mais do que um anseio de sua língua. Ele umedeceu os lábios, contudo, e esperou, imóvel.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Por favor, Senhora — implorou, a voz quebrando.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O pé esquerdo de sua Senhora se encaixou sob o queixo do verme, erguendo seu olhar de volta para os olhos dela, que faiscavam com poder. Ajoelhado, tão perto da fonte de todos os seus desejos, sem poder fazer nada além de sentir seu aroma e seu calor, o Verme sentia cada pedaço seu se agarrando a resquícios de esperança. <i>É hoje</i>, pensou. <i>É hoje que serei digno. É hoje que serei honrado.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mas o rosto dela estava inteiramente sério quando perguntou:</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E que prazer um verme como você pode proporcionar a uma deusa como eu?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O queixo do Verme se deixou cair, mas ele não emitiu nenhum som. As palavras eram ferrões que simultaneamente deixavam marcas em seu peito e queimavam seu ventre. Queria tocá-la. Queria se tocar. Queria fazer <i>alguma coisa</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tudo que fez foi olhar de perto enquanto a prótese que segundos antes estava em seus lábios era esfregada contra os lábios úmidos de sua Senhora, ocupando o espaço que gostaria que fosse dele.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você não é capaz de satisfazer alguém como eu. Você não é capaz de satisfazer ninguém — disse ela, arqueando as costas com prazer enquanto se tocava. — Você e esse carocinho podre que tem entre as pernas. Você não serve para nada. Olhe e aprenda.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">E ele olhou. Olhou enquanto o silicone macio da prótese foi sendo engolido, milímetro a milímetro, com uma calma deliberada que arrancou suspiros de sua Senhora de uma forma que ele jamais seria capaz de arrancar. Olhou enquanto as mãos hábeis de sua deusa iam e voltavam, encaixando a prótese mais e mais fundo, cada vez mais molhado, cada vez mais fácil, escorrendo pelas mãos e coxas e tentando-o a provar do fruto proibido. Olhou enquanto as pernas dela tremiam sobre seus ombros.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Um verme como você jamais seria capaz de me fazer gozar — ela continuou, a voz arfando a cada novo grau de excitação. — Um ser insignificante como você serve apenas para limpar meus restos e me servir de cabeça baixa. É sua única utilidade. Você não é um homem, é um capacho, e capachos servem.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele sentia o corpo todo enrijecido, e, mesmo sem se tocar, sentia-se pulsando, o próprio êxtase crescendo e deixando-o em ponto de ebulição. Dividia-se entre o dever e o desejo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Preciso tocá-la.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Não posso tocá-la.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Ela é uma divindade. Eu não sou ninguém.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você é menos do que um capacho — a voz de sua Senhora continuava a guia-lo. — Um capacho serve para que se limpe os pés. Você é fraco. É substituível. Quando me cansar de você, vou ter outros escravos para colocar no seu lugar. Você não significa nada. Você não é nada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela gemeu alto, o corpo se contraindo em uma única liberação poderosa. O Verme assistiu quando o gozo dela escorreu sem timidez pelas mãos, e se perguntou como seria provar do néctar dela, ser digno de senti-la por dentro, fazê-la tremer.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Jamais saberia. Ele não era nada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Nada. Não sou nada. Ninguém. </i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele sucumbiu sobre os próprios joelhos, sentindo o couro encharcado por dentro quando o orgasmo veio sem ser chamado. Seu corpo tremia, murmúrios esquecidos saindo pelo sorriso entreaberto que parecia costurado em seu rosto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Sou insignificante. Não sou ninguém.</i></p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Delicadamente, os braços dela envolveram o pescoço dele, puxando sua cabeça para o colo dela. Ele se deitou, grato, abraçando as pernas daquela que, instantes atrás, era sua Senhora, e agora era apenas sua companheira, acariciando seus cabelos, o corpo ainda trêmulo e a respiração ainda falha.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Shh, shh... vamos pra cama? — ela sugeriu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ele aquiesceu e levantou-se com calma para acompanha-la até o quarto, onde aninhou-se ao peito dela e deixou-se cobrir de carinhos e palavras tranquilizadoras, sentindo o corpo e a mente relaxarem, envolto no calor da intimidade entre os dois.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Aqui, ele não era nada.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Aqui, ele era tudo.</p><hr class="content_break"><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Oi, pessoal! Obrigada por lerem ate aqui! Se você gostou e quer ler mais putarias escritas por mim, já confere <a class="link" href="https://www.wattpad.com/1002394813-de-mala-e-cuia-1?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=3-a-senhora-e-o-verme-kinktona-larissa-siriani" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">De Mala e Cuia</a>, disponível no Wattpad, e <a class="link" href="https://amzn.to/3YdeQGK?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=3-a-senhora-e-o-verme-kinktona-larissa-siriani" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">O Estagiário</a>, disponível para Kindle e Kindle Unlimited! Obrigada, Koda, pelo espaço ❤️ Sigam safados!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Um beijo,</p><figcaption class="blockquote__byline"> Larissa </figcaption></blockquote></div><hr class="content_break"><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="edit">EDIT:</h3><p class="paragraph" style="text-align:left;">Leia todos os textos da <b>kinktona</b>!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-spillways?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=3-a-senhora-e-o-verme-kinktona-larissa-siriani" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">1 - Spillways - Isabelle Morais</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=3-a-senhora-e-o-verme-kinktona-larissa-siriani" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">2 -</a><b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=3-a-senhora-e-o-verme-kinktona-larissa-siriani" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"> </a></b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=3-a-senhora-e-o-verme-kinktona-larissa-siriani" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">A mesa da masmorra - Anita Saltiel</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-senhora-e-o-verme?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=3-a-senhora-e-o-verme-kinktona-larissa-siriani" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">3 -</a><b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-senhora-e-o-verme?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=3-a-senhora-e-o-verme-kinktona-larissa-siriani" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"> </a></b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-senhora-e-o-verme?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=3-a-senhora-e-o-verme-kinktona-larissa-siriani" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">A Senhora e o Verme -</a><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-senhora-e-o-verme?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=3-a-senhora-e-o-verme-kinktona-larissa-siriani" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"> Larissa Siriani</a></p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">E se você leu até aqui, essa é só a terceira rapidinha de DEZ com autores convidados que virão nas próximas semanas. Fica por aqui, manda pra amigues, divulga nas redes sociais e me ajuda a levar esse projeto mais longe ❤️ </p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso! Um xêro e um queijo,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Kodinha</p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=745bbf27-ced0-4b9a-9df7-e895214cac76&utm_medium=post_rss&utm_source=so_uma_rapidinha">Powered by beehiiv</a></div></div>
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  <title>#2 - A mesa da masmorra - Kinktona - Anita Saltiel</title>
  <description>continuando os trabalhos, dominatrix</description>
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  <pubDate>Wed, 09 Oct 2024 21:00:00 +0000</pubDate>
  <atom:published>2024-10-09T21:00:00Z</atom:published>
    <dc:creator>Koda G.</dc:creator>
    <dc:creator>Anita Saltiel</dc:creator>
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Fetichista e estuda sobre a história do fetichismo desde os tempos de Aristóteles. Trabalha como Dominatrix profissional, e ainda sobra tempo pra estudar Design de Moda na faculdade.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Você pode conferir mais do trabalho da Anita e saber como apoiar suas produções <a class="link" href="http://allmylinks.com/anitasaltiel?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=2-a-mesa-da-masmorra-kinktona-anita-saltiel" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">aqui</a>.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Estava muito animado pra visão que a Anita ia trazer pra essa maratona, com todo seu conhecimento e estudo de pornografia, e tô muito feliz de compartilhar essa história com vocês por aqui.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Lembrem-se de conferir a lista de aviso de conteúdo logo no começo do texto e se mantenham segures! Bora?</p><hr class="content_break"><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="aviso-de-contedo"><span style="color:rgb(67, 67, 67);">Aviso de conteúdo</span></h3><p class="paragraph" style="text-align:left;">submissão (completa — escravidão), fornifilia, impact play (mencionado), smoking play (mencionado), trampling (fetiche em ser pisado, mencionado)</p><h1 class="heading" style="text-align:left;" id="estou-imvel-e-seminu">Estou imóvel e seminu.</h1><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A sala é ampla e arejada, o que é um problema, pois a janela atrás do meu corpo está um pouco aberta e o frio castiga minhas costas. Estar com frio é a pior parte.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Estou imóvel, seminu e segurando uma grande placa de madeira. A submissa à minha frente também se encontra na mesma situação, segurando o outro lado da placa. No centro, alguns livros e um vaso de flor. São flores vermelhas e roxas, algumas quase pretas, as pétalas morrendo conforme o dia passa. É importante que o buquê esteja quase morto, pois se qualquer um de nós se mover, as pétalas cairão no tampo, denunciando o que fizemos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Diferente de mim, que tenho todas as minhas partes sensíveis cobertas, a submissa está com os seios de fora. Percebo sua respiração suave — exatamente igual à minha — enquanto ela me encara e eu a encaro de volta.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não sei quanto tempo se passou desde que a Madame nos deixou aqui.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Minutos, horas. Sei que não são dias porque a janela ainda denuncia alguma luz, mas até onde posso enxergar sem me mover, há chances de ter se passado muito tempo mesmo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não é um castigo, longe disso. Madame nos trata como presentes, e, quando somos tão bons quanto ela espera, nos dá a dádiva de gozar. Não apenas de gozar com o corpo, mas de gozar <i>de</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Me acostumei com a imobilidade desde os meus primeiros dias de servidão — pedi por isso. Pedi para ser útil.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Implorei para ser útil, na verdade.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Me lembro do primeiro dia, quando Madame me aceitou em sua casa, em seu aconchego e em sua masmorra. Pedi licença e me ajoelhei aos pés da poltrona onde ela estava sentada. Apoiei, ainda apreensivo, a cabeça em seu joelho. Contei-lhe minha vida inteira, se é que se pode contar algo tão extenso em uma porção de minutos, mas fiz meu melhor. Naquele momento, entendi que tinha alguém me ouvindo pela primeira vez na vida.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Entendi, dentro do meu coração, que a raiva e as memórias que maltratei tanto dentro de mim precisavam de um escape, e depois de tentar de tudo — de <i>tudo </i>—  de remédio a terapia, de esporte a cama vazia, de sexo a escrutínio, de namoro a casamento a divórcio. Tentei, em vão, esconder uma parte de mim que eu sabia que jamais poderia esconder. Tentei afundar meus desejos em um mar de concreto e esquecê-los lá.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Pobre de mim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Chorando no colo de Madame, tive a confirmação da suspeita que me levara até ali; entendi que, por mais estranhas que as palavras possam soar a quem não entende seu real significado, nasci para ser escravo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A submissa que segura o tampo da mesa comigo é nova. Apesar de eu não gostar de dividir a atenção de Madame, está longe do que cabe a mim opinar na quantidade de escravos que ela mantém pela casa. Somos nós que batemos à sua porta, somos nós que imploramos — ela, misericordiosa, nos acolhe.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tudo o que sei sobre essa escrava é que fui eu quem atendi quando ela apareceu de joelhos no capacho de entrada. Depois, Madame a levou para a masmorra e fez ali sua entrevista. Confesso que tive muita vontade de ouvir, de espiar, de ser uma mosca e passar pela fechadura.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ainda que escravo, sou homem, e mesmo adestrado ainda sou uma criatura cheia de curiosidades.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Como todo submisso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Depois que parei de chorar no primeiro dia, Madame alcançou uma caixa de lenços em cima de uma bancada — sem nem se levantar, parecia estar ali exatamente para esse propósito — e enxugou minhas lágrimas como se faz com um ente querido. Me olhou no fundo dos olhos e disse que eu não era a vergonha que pensava ser, o fracasso que pensava ser.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Senti aquele olhar tão fundo que se Madame tivesse pegado uma faca e aberto minhas tripas ali mesmo para me dissecar, eu não teria notado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela me assegurou que ter desejos não era algo a se envergonhar, e que aquela casa, aquela masmorra, seria meu alívio, se assim eu quisesse. Ela pegou meu rosto com as mãos, envolveu os dedos no meu queixo e me fez derramar mais do que lágrimas — derramei tudo de mim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Me puna pelo meu passado — sussurrei.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Você não fez nada no passado que seja digno de punição — elaborou Madame —, e não é assim que funciona. Aqui dentro, você é livre. Sua escravidão de verdade é lá fora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Como sempre, ela tinha razão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Do lado de fora da casa, sou obrigado a viver como uma pessoa normal. Como uma pessoa sem segredos. E ainda que Madame tenha me ensinado que não é vergonha gostar de apanhar ou gostar de ficar horas sem me mover, o mundo ao nosso redor não pensa assim. Ainda.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Naquele dia, baixei a cabeça e comecei a obedecer.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O que me levou a estar imóvel e seminu agora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O vento às minhas costas se intensifica, e temo começar a tremer. Não posso mover nenhuma parte do corpo, nem mesmo os olhos. Meu olhar está fixo na submissa e percebo que ela também está com frio. Madame já deve chegar. Não é comum que nos deixe sentindo mais do que foi o combinado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A luz da janela baixa, o que é suficiente para me fazer perceber que estamos imóveis há muito tempo mesmo. Já nem percebo a dor nos pés ou a rigidez dos músculos depois de já ter sido mobília outras vezes. A submissa, porém, parece sofrer um bocado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Admito que ainda prefiro ser mesa do que ser cadeira. Não tenho as costas boas. Se Madame um dia precisar sentar às minhas costas, temo precisar usar alguma palavra de segurança. Para a minha saúde e a dela, que corre o risco de se estatelar no chão.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Só de pensar, sinto um arrepio. Mordo minha língua e arranco um sangue que não imaginei que pudesse arrancar. Imaginar a cena é quase como uma blasfêmia.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">No mesmo momento em que engulo o sangue da língua, ouço também a porta de madeira da masmorra ser arrastada, e o inconfundível perfume especiado de Madame invade a sala. Ela sempre cheira a algo como canela e incenso. É excitante e desconsertante.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A submissa tem agora uma melhor posição que eu; de onde está, consegue ver Madame pela visão periférica. Sinto minha barriga se espremer em um misto de inveja e ciúmes. Se Madame decidir que fomos bons no nosso trabalho, ela será recompensada tanto quanto eu. Todo escravo é um pouco possessivo com seu dono. Mesmo os que negam ser.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela arregala um pouco os olhos, o que eu estranho. Não podemos nos mexer, nem esboçar reações. Fico tenso imaginando o que ela está vendo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Minhas mesinhas — ouço a voz de Madame bem no pé do meu ouvido, o que me arranca um arrepio que vem lá do fundo da barriga.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madame está atrás de mim, e passa os dedos no meu pescoço. Sinto o corpo inteiro ameaçar desabar, meu âmago tremer, como se os dedos dela pudessem acender em mim a luz de mil estrelas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Entendo o porquê a submissa está arregalada. Ela provavelmente não esperava que Madame fosse nos tocar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Mas nunca se pode esperar nada de uma experiência que é sempre tão cheia de surpresas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madame me contorna, e finalmente tenho um vislumbre dos seus cabelos. Das nuances do seu corpo. Tento me manter firme quando ela faz o mesmo com a submissa; se prostra atrás dela, batuca as unhas em sua nuca. Vejo a submissa se arrepiar tanto quanto eu, e me pergunto se eu dei algum sinal de nervosismo tanto quanto ela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Fizeram um ótimo trabalho — sussurra Madame no ouvido dela, com lascívia o suficiente para meu coração amolecer. — Deixem o tampo da mesa ao chão e venham se deitar comigo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O alívio nos braços só não é maior que a alegria de vê-la.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Abaixo o corpo com cuidado, e sinto que minhas pernas podem se quebrar. Deixo minha parte do tampo apoiada no chão, com cuidado para que a placa de madeira não esmague meus dedos. Vendo a dificuldade da submissa, seguro o vaso de flores e a ajudo a também não se machucar. Por mais enciumado que esteja, não quero o mal de ninguém que serve à minha senhora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madame nos espera no meio de um divã preto e nos dá o tempo necessário para espreguiçar, esticar e massagear as partes rígidas do corpo. Meus braços, em especial, estão em petição de miséria. Mas não abrimos a boca. Eu gostaria de pedir ajuda da submissa para me fazer uma leve massagem na lombar, com os dedos mesmo, mas não tenho coragem nenhuma.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Me prostro ao lado direito de Madame.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Com seu consentimento, sento-me ao seu lado. Ela me indica o colo, então, para a felicidade de minha coluna, estico as pernas do outro lado e me deito com a cabeça em suas pernas. A submissa parece fazer o mesmo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Rainha — ouço sua voz. É uma voz delicada, de mulher medrosa. Muito diferente de Madame.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Estranho a submissa chamá-la de Rainha. Para mim, sempre foi Madame. Imagino se, para outros escravos, ela tenha outros nomes.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Faz sentido, na verdade. Uma força da natureza em forma de dominadora, certamente não poderia ter um nome apenas. Como uma Deusa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Posso lhe fazer uma pergunta? — Pede a submissa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Tomo fôlego. Eu mesmo nunca tive coragem de questioná-la sobre nada, nem mesmo em nossos momentos de cuidado após uma sessão. Sei que posso. Sei que, se perguntar, ela me permite. Mas nunca consegui.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Para uma mulher com uma voz tão medrosa, ela tem mais coragem do que eu.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— O que a senhora quer? O que a senhora quer sentir? Com isso. Conosco.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A pergunta me embrulha o estômago, porque eu mesmo já pensei diversas vezes em suas ambições. No porquê ela se tornou Madame. Rainha. Ela. No porquê continua abrindo as portas toda vez que alguém como nós a procura. No porquê algo em sua aura não parece humano, parece divino.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O que ela quer?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">O que ela sente?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Com isso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Conosco</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">A masmorra parece vibrar com a minha expectativa. Tento desviar os olhos do rosto de Madame, que está pensativo, sorridente. Aquele sorriso no canto dos lábios pintados de preto, aquele sorriso que eu aprendi a me acostumar. Desvio o olhar de Madame e olho para qualquer outra coisa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Para a cruz de Santo André, adornada com luzes de LED vermelhas.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Para os muitos chicotes, chibatas, palmatórias e outros acessórios de impacto, pregados nas paredes como quadros.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Olho também para o dossel logo à nossa frente, para sessões que exigem cama, embora nunca tenha visto ou ouvido falar de algo assim acontecendo aqui.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Olho para o lustre, cheio de brilhantes e imitações de velas, que Madame nos faz cuidar com todo carinho. Uma vez, me mandou subir em uma escada e limpar a poeira de cada um dos cristais com a língua. Eu o fiz com um sorriso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Vou te dizer que por muito tempo eu não soube o que era. Eu achava que era sexo. Que era gozar. Mas a verdade é que não preciso, e nem quero, o seu toque, ou o toque de ninguém — começa Madame, a voz macia como se falasse com dois gatinhos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ouço a submissa suspirar, do outro lado.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Recebo, e aceito, as mãos de Madame no meu cabelo. Fecho os olhos.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sexual mesmo, é minha memória — continua ela. — O que me faz feliz, verdadeiramente, é saber que posso te colocar de joelhos a qualquer momento, em qualquer lugar. Posso te fazer lamber o chão, se eu quiser. Posso pisar no seu rosto.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Junto minhas mãos ao peito, confortável. Sua voz invade minha mente tal qual a contadora de histórias que ela é.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Mas o que me dá prazer é saber que, se você estiver em sua casa, longe de mim, e eu quiser que você lamba o chão, você vai fazer isso. Vai me obedecer. Vai me obedecer de perto e de longe, porque eu te castrei e eu te adestrei.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Ela está respondendo uma questão que não veio de mim, mas por um instante, de olhos fechados, me imagino sozinho com Madame, ela abrindo seu coração para mim assim como eu um dia fiz com o meu. Consigo ignorar a presença de outra pessoa na masmorra.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Aquela resposta, de algum modo, é para mim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— O que me dá prazer é saber que se eu pegar meu cigarro e queimar sua virilha, você vai deixar. Vai me agradecer — Madame sussurra. Eu me arrepio. — Se eu pegar meu cigarro e queimar o meio da sua testa, você vai deixar. E vai me agradecer.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Vou me lembrar de pedir por isso na próxima sessão em que ela me permitir falar. Vou implorar. Quero ter a visão de seu cigarro sendo apagado bem na minha testa.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Eu não o faria, não sem você deixar, mas não é fazer que me excita. É saber que eu posso.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Deixo a voz de Madame me levar ao meu lugar.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— E eu posso tudo. Posso te deixar em pé por horas. Posso te sufocar, te pisar no rosto. Posso te esmagar com meu peso e posso te fazer limpar cada milímetro dessa casa. E você quer que eu faça isso. Quanto mais eu me nego, mais você quer. Eu controlo quando você goza, quando você se toca, quando você chora.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Sim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;"><i>Sim</i>.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Quando um de vocês me deseja, é que vou me negar ainda mais. Se um de vocês me questiona, é quando vou dar apenas respostas pela metade. Porque assim, o controle é maior. Mais forte. Mas eu permito a sua imaginação.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Assinto. Abro os olhos para vê-la sorrindo.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Por enquanto, sua vida é minha — diz ela.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Não consigo segurar um suspiro.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">Madame, enfim, olha para mim.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Não é, minha mesinha?</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim, Rainha — a submissa responde.</p><p class="paragraph" style="text-align:justify;">— Sim, Madame — respondo eu.</p><h6 class="heading" style="text-align:left;" id="conto-inspirado-em-uma-sesso-real-c">Conto inspirado em uma sessão real com frases e contextos reais. Os personagens não possuem descrição física de aparência para proteger as identidades dos submissos.</h6><hr class="content_break"><div class="blockquote"><blockquote class="blockquote__quote"><p class="paragraph" style="text-align:left;">Oi, pessoal. Quero agradecer ao Koda pelo espaço, a todo mundo que engajou nas redes, a todo o carinho que me repassaram quando fui anunciada no projeto. Sei que estou sumida das redes sociais, mas preciso desse tempo longe para esfriar a cabeça e ter novos ares. Prometo que volto em breve, a Kinktona não será meu último conto desse ano (vem coisa grande por aí, tá?), mas por enquanto ainda vou ficar no meu ninho mais um pouco. Pedi ao Koda por mais esse cantinho para expressar meu amor e agradecer, mesmo, e dizer que estou viva e bem, na medida do possível. E que, na minha cabeça, todos vocês são minhas mesinhas. A não ser que sejam minhas Madames.</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Um beijo,</p><figcaption class="blockquote__byline"> ani ♡(◡‿◡) </figcaption></blockquote></div><hr class="content_break"><h3 class="heading" style="text-align:left;" id="edit">EDIT:</h3><p class="paragraph" style="text-align:left;">Leia todos os textos da <b>kinktona</b>!</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-spillways?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=2-a-mesa-da-masmorra-kinktona-anita-saltiel" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">1 - Spillways - Isabelle Morais</a></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=2-a-mesa-da-masmorra-kinktona-anita-saltiel" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">2 -</a><b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=2-a-mesa-da-masmorra-kinktona-anita-saltiel" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow"> </a></b><a class="link" href="https://rapidinha.beehiiv.com/p/kinktona-a-mesa-da-masmorra?utm_source=rapidinha.beehiiv.com&utm_medium=newsletter&utm_campaign=2-a-mesa-da-masmorra-kinktona-anita-saltiel" target="_blank" rel="noopener noreferrer nofollow">A mesa da masmorra - Anita Saltiel</a></p><hr class="content_break"><p class="paragraph" style="text-align:left;">E se você leu até aqui, essa é só a segunda rapidinha de DEZ com autores convidados que virão nas próximas semanas. Fica por aqui, manda pra amigues, divulga nas redes sociais e me ajuda a levar esse projeto mais longe ❤️ </p><p class="paragraph" style="text-align:left;">É isso! Um xêro e um queijo,</p><p class="paragraph" style="text-align:left;">Kodinha</p><p class="paragraph" style="text-align:left;"></p><p class="paragraph" style="text-align:left;"></p></div><div class='beehiiv__footer'><br class='beehiiv__footer__break'><hr class='beehiiv__footer__line'><a target="_blank" class="beehiiv__footer_link" style="text-align: center;" href="https://www.beehiiv.com/?utm_campaign=4fc4bc62-ad94-4797-8af1-c4a56c52ae43&utm_medium=post_rss&utm_source=so_uma_rapidinha">Powered by beehiiv</a></div></div>
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